Religião
Candomblé da Barroquinha é tema de conversa no Espaço Cultural
No dia 26 de setembro, às 17h, acontece mais uma edição da roda de conversa “Patrimônio É…”, com o tema “O Candomblé da Barroquinha e suas Matriarcas”.
Nesta edição, a conversa será centrada na história do Candomblé da Barroquinha. Além disso, o evento homenageará as Matriarcas do Candomblé da Barroquinha, Iyá Adetá, Iyá Acalá, Iyá Nassô, que fundaram um terreiro num engenho de cana e depois, passaram a se reunir na Barroquinha, em Salvador, onde construíram e fundaram a Capela da Confraria de Nossa Senhora da Barroquinha, depois conhecida como Igreja de Nossa Senhora da Barroquinha e, atualmente, Espaço Cultural da Barroquinha.
A roda de conversa contará com a participação de convidados especiais, como Ekedy Sinha, Ìyá Egbé do Terreiro Casa Branca, Mãe Ângela de Òsun, Ìyá Kékeré do Terreiro do Gantois, Renato da Silveira, antropólogo, artista plástico e professor aposentado da UFBA e Mãe Neuza de Xangô, Ìyalorixá do Terreiro Casa Branca. Eles compartilharão suas perspectivas, histórias e conhecimentos sobre a tradição do Candomblé da Barroquinha, enriquecendo assim o diálogo sobre o patrimônio cultural da cidade. A mediação fica por conta de Val Benvindo.
Na sequência, acontece a inauguração oficial do Espaço Iyá Nassô, pátio do Espaço Cultural da Barroquinha, com a presença de membros do Terreiro Casa Branca, que desempenharam um papel fundamental na preservação da cultura e tradições religiosas afro-brasileiras.
O Grupo Ofá entoará canções que reverenciam a história e a espiritualidade que cercam o Espaço.
Religião
Iniciados para Oxumaré homenageiam Babá Pecê pelos 60 anos de iniciação
Neste domingo (30), será celebrado o aniversário de Sivanilton Encarnação da Mata, conhecido como Babá Pecê, líder religioso do Ilê Axé Oxumarê, terreiro que celebrou 190 anos este mês. A data será marcada por uma homenagem que reconhece uma trajetória de fé, liderança e compromisso com a preservação das tradições religiosas afro-brasileiras.
Iniciados para o Orixá Oxumarê no Terreiro divulgam carta aberta em homenagem ao sacerdote, que celebra 60 anos de iniciação no Candomblé. A homenagem apresenta Babá Pecê não apenas a partir de sua trajetória sacerdotal, mas como guardião de uma tradição que atravessa gerações e mantém viva uma das importantes Casas religiosas do Candomblé brasileiro.
“Hoje, não celebramos apenas uma data. Celebramos uma vida consagrada ao sagrado”, afirma a carta, que relaciona os 60 anos de iniciação de Babá Pecê à história da própria Casa de Oxumarê e ao compromisso de preservar sua ancestralidade para as próximas gerações.
O documento destaca a Casa de Oxumarê como espaço de fé, memória, formação, resistência e continuidade do povo negro no Brasil. Apresentada como um “arquivo vivo da presença africana no Brasil”, no qual religião, história, conhecimento e pertencimento permanecem conectados, a instituição representa uma parte da preservação da memória e do patrimônio religioso afro-brasileiro de enfrentamento ao racismo religioso.
Confira carta na íntegra abaixo:
HOMENAGEM
60 ANOS DE INICIAÇÃO
Ao Babá Pecê • Sivanilton Encarnação da Mata
Homenagem a Babá Pecê pelos 60 anos de iniciação
Por Luciane Reis e os demais iniciados para o Orixá Oxumaré
Com licença aos mais velhos. Com licença aos ancestrais. Com licença aos Òrìṣà que sustentam esta Casa.
Com licença à sagrada Casa de Oxumaré, território de axé, memória, resistência e continuidade do povo negro no Brasil.
É com o coração tomado de gratidão, reverência e amor que a Ordem Primeira dos Filhos e Filhas de Oxumaré se apresenta diante do senhor, Babá Pecê, nosso Olorí Ègbé, nosso guia, nosso pai espiritual, nosso guardião.
Hoje, não celebramos apenas uma data. Celebramos uma vida consagrada ao sagrado.
Celebramos os 190 anos desta Casa que nos acolhe, nos forma, nos protege e nos ensina a caminhar com dignidade. Mas celebramos, sobretudo, os seus 60 anos de iniciação: seis décadas de entrega, silêncio, firmeza, renúncia, sabedoria e amor profundo aos Òrìṣà.
Sessenta anos de cabeça feita. Sessenta anos de serviço. Sessenta anos de axé sustentado com responsabilidade.
Babá, a Casa de Oxumaré não é apenas um terreiro. Ela é raiz. É escola. É quilombo. É arquivo vivo da presença africana no Brasil. É um território onde o sagrado se manifesta, mas também onde a história do nosso povo se preserva, se reorganiza e se projeta para o futuro.
E se esta Casa permanece de pé, respeitada e reconhecida como uma das grandes matrizes do Candomblé brasileiro, é porque homens e mulheres antes de nós dedicaram suas vidas a este fundamento. E porque o senhor, Babá Pecê, recebeu essa herança não como posse, mas como missão.
O senhor assumiu a responsabilidade de guardar uma linhagem. De proteger um território sagrado. De conduzir filhos e filhas. De dialogar com o mundo sem abandonar o fundamento. De honrar os que vieram antes e preparar os que ainda virão.
Essa é uma das maiores grandezas da sua caminhada: o senhor nos ensina que tradição não é passado parado. Tradição é movimento com raiz. É permanência com responsabilidade. É saber de onde se veio para não se perder diante do tempo.
Como Oxumaré, o senhor nos ensina o mistério dos ciclos.
Oxumaré é arco-íris e serpente. É a força que liga o céu e a terra. É o movimento que recolhe as águas e as devolve às nuvens. É a beleza que surge depois da tempestade. É riqueza que circula. É continuidade. É transformação.
Assim também tem sido sua trajetória, Babá.
O senhor atravessou ciclos. Sustentou mudanças. Protegeu memórias. Transformou ameaça em resistência, dor em aprendizado, fé em comunidade, ancestralidade em futuro. Onde muitos enxergam apenas religião, o senhor nos ensinou a enxergar civilização.
Onde muitos enxergam apenas um terreiro, o senhor nos ensinou a enxergar território, povo, conhecimento, cuidado, política pública, justiça social e direito à existência.
Porque defender o Candomblé, Babá, é defender a vida.
É defender a liberdade religiosa. É enfrentar o racismo religioso. É proteger crianças, idosos, mulheres, homens, famílias e comunidades inteiras que encontram no axé um caminho de pertencimento.
É afirmar que nossa fé não é menor, nossa memória não é folclore, nossos símbolos não são enfeites e nossos terreiros não são restos do passado. São instituições negras de futuro.
Por isso, sua liderança é religiosa, mas também é pública. É espiritual, mas também é social. É de fundamento, mas também é de coragem política no sentido mais profundo da palavra: a política da dignidade, da proteção do território, da preservação da memória e da defesa inegociável do povo de axé.
Babá, sua vida nos mostra que um Babalorixá é também educador, mediador, conselheiro, defensor, articulador e guardião de uma coletividade.
O senhor conduz com autoridade, mas também com cuidado. Com firmeza, mas também com escuta.
Com tradição, mas também com inteligência para atravessar os novos tempos.
Sua palavra orienta. Seu silêncio ensina. Sua bênção acolhe e também faz rir.
Sua presença organiza. Sua história sustenta.
Babá Pecê Oxumarê | Fto Vinícius Tourinho
Celebrar seus 60 anos de iniciação é celebrar a criança iniciada que se tornou sacerdote. É celebrar o filho que honrou sua ancestralidade. É celebrar o homem negro que fez da fé uma forma de serviço. É celebrar o líder que compreendeu que o axé precisa ser cuidado no altar, no chão, na palavra, na comunidade e também diante das instituições do mundo.
Babá Pecê, diante do senhor, nós nos curvamos não por submissão, mas por reverência.
Reverência a quem dedicou a vida à Casa de Oxumaré.
Reverência a quem preserva o sagrado sem transformar fundamento em espetáculo.
Reverência a quem conduz gerações.
Reverência a quem protege uma das casas mais importantes da história afro-brasileira.
Reverência a quem fez da própria vida uma ponte entre os ancestrais e os que ainda vão chegar.
Que Oxumaré continue envolvendo sua cabeça com luz, beleza, movimento e proteção.
Que Nanã lhe conceda longevidade e sabedoria. Que Xangô sustente sua justiça. Que Ogum abra seus caminhos. Que Oxum adoce seus dias. Que Iemanjá lhe cubra de cuidado.
Que todos os Òrìṣà desta Casa fortaleçam seu corpo, sua vida, sua missão e seu destino.
Babá, obrigado por nos ensinar que a fé também é memória. Que o terreiro também é nação.
Que ancestralidade também é responsabilidade. Que tradição também é futuro em movimento.
Se Oxumaré é o arco que liga o céu e a terra, o senhor é uma das mãos que mantém essa ponte aberta para nós.
Hoje, a Ordem Primeira dos Filhos e Filhas de Oxumaré se curva diante da sua história e se levanta fortalecida pelo seu exemplo.
Que seus dias sejam longos. Que sua cabeça siga abençoada. Que sua palavra continue orientando gerações.
Que sua vida permaneça como arco-íris sobre esta Casa: sinal de aliança, continuidade, proteção e axé.
KOLÓFÉ, BABÁ PECÊ.
Nossa bênção. • Axé
Religião
Podcast Axé das Plantas chega à 3ª temporada
A 3ª temporada do podcast Axé das Plantas – Cura do Corpo e da Alma está chegando com a proposta de abordar as plantas dos biomas existentes no Brasil. As primeiras plantas trazidas para o público são da Caatinga, um bioma exclusivamente brasileiro, que ocupa nove estados nordestinos e o norte de Minas Gerais.
Esta temporada terá 5 episódios, com as seguintes plantas: Catingueira, Cactáceas, Juazeiro, Jurema Preta, Licurizeiro e Umbuzeiro.
Os apresentadores Dr. Victor Diógenes Silva e Dr. Vagner Rocha, conversaram com 24 convidados e convidadas,, entre pesquisadores e pesquisadoras de universidades públicas brasileiras, caciques e caçicas, pajés, lideranças de terreiro de candomblé, juremeiros e quilombolas, consolidando a proposta do podcast de cruzar saberes tradicionais e da ciência moderna sobre as plantas medicinais do Brasil.
Esta temporada começar com a Catingueira não é por acaso, ela batiza o bioma. Extremamente presente e marcante na Caatinga, ela é conhecida popularmente também como “pau-de-rato” ou “catinga-de-porco”, resiste ao semiárido, é a primeira a renascer quando chegam as chuvas. A catingueira tem sido usada amplamente na medicina tradicional, suas cascas, folhas, flores e raízes são utilizadas na forma de decocção e infusão para o tratamento de gastrite, cólica, diarreia, asma, bronquite, diabetes, inflamação, além de apresentarem atividade curativa.
Participam também do 1º episódio a Caciça Neide, dos Truká Tupan; as artesãs Marlene e Maria Eliene, da Associação de Mulheres Quilombolas da Serra da Viúva; Makota Kayaci, do Terreiro de Katendê de Òdòmìròsóòdún ; Prof. Me. Maristela Mazzotti, Farmacêutica e Profª Colegiados Farmácia e Odontologia do Centro Universitário do Rio São Francisco- Unirios; Cacique Milton, liderança da Aldeia Pankararé, no Raso da Catarina; Profa. Márcia Vanusa da Silva, Doutora em Biologia e Professora do Departamento de Bioquímica do Centro de Biociências da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); e a jornalista cearense e podcaster Pamela Queiroz, criadora do Catingueiras.
Para o Dr. Victor Diógenes Silva, “A escolha de falar sobre os biomas brasileiros nasceu da importância de valorizar nossa biodiversidade, cultura e conhecimentos tradicionais. Cada bioma possui espécies e saberes únicos, que fazem parte da história e da identidade do nosso país. Queremos aproximar esses conhecimentos da sociedade de forma acessível e interessante. Falar sobre os biomas também é falar sobre preservação, saúde e cultura. É uma forma de mostrar a riqueza do Brasil e a importância de conhecê-la e protegê-la.”
Segundo o Dr. Vagner Rocha, “Chegar à terceira temporada do Axé das Plantas é uma conquista que mostra a força e a relevância do projeto. O apoio do Instituto Serrapilheira foi fundamental para ampliar o alcance e consolidar essa iniciativa de divulgação científica. Esse apoio nos permite continuar aproximando ciência, biodiversidade, cultura e sociedade. Também fortalece a valorização dos saberes populares e da nossa biodiversidade.”
Com lançamentos quinzenais, o podcast “Axé das Plantas – Cura do Corpo e da Alma” é uma produção da Universidade Federal da Bahia, em parceria com o podcast Viagem Gastronômica com Dr. Dendê, e apoio do Instituto Serrapilheira.
SERVIÇO:
3ª Temporada podcast Axé das Plantas – Cura do Corpo e da Alma
Estreia: 1º episódio em 28 de agosto de 2026, com lançamentos quinzenais dos demais episódios.
Streamings: Spotify, Deezer, Youtube, Apple Podcast e Amazon Music
Religião
Caminhada Azoany acontece neste domingo (16)
A 28ª edição da Caminhada Azoany acontece neste domingo, 16 de agosto, em Salvador, com percurso entre o Pelourinho e a Federação. A celebração reúne comunidades de terreiro, famílias, amigos e fiéis em homenagem a Obaluaê (Azoany), São Roque e São Lázaro.
A programação começa às 9h, com missa na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, seguida de concentração e cortejo até a Igreja de São Lázaro e São Roque.
Com o tema “Senhor da Terra – Azoany, Guardião da Vida, da Cura e da Renovação”, a caminhada mantém uma tradição que há 28 anos ocupa as ruas de Salvador como expressão de fé e respeito às diferentes manifestações religiosas. Em edições anteriores, o evento chegou a reunir mais de duas mil pessoas.
Ao longo dos seis quilômetros de percurso, os participantes, em sua maioria vestidos de branco, entoam louvações a Azoany e fazem orações e agradecimentos aos santos católicos. Balaios de pipoca, ramos e buquês de flores integram o cortejo, acompanhado pelo som de atabaques e agogôs.

Foto Leo Ornelas
A Caminhada Azoany também representa um espaço de encontro entre diferentes tradições religiosas e reafirma a defesa da identidade, da ancestralidade e da liberdade de culto. A homenagem reúne referências das religiões de matriz africana e do catolicismo em uma manifestação que integra o calendário de celebrações populares de Salvador.
A programação do domingo começa às 9h, com missa na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Pelourinho. Às 11h, os participantes se concentram na Rua Alaíde do Feijão. A saída do cortejo está marcada para às 13h, com destino à Igreja de São Lázaro e São Roque, na Federação. As camisas da 28ª Caminhada Azoany custam R$ 50 e estão à venda na Associação Alzira do Conforto, na Rua Alaíde do Feijão, no Pelourinho.

Programação:
9h – Missa na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Pelourinho
11h – Concentração na Rua Alaíde do Feijão, Pelourinho
13h – Saída do cortejo em direção à Igreja de São Lázaro e São Roque, Federação
SERVIÇO
O quê: 28ª Caminhada Azoany
Quando: 16 de agosto (domingo)
Onde: Pelourinho e Federação, Salvador
Camisa da 28ª Caminhada Azoany custam R$ 50,00
Venda: Associação Alzira do Conforto, Rua Alaíde do Feijão, Pelourinho
Mais informações: (71) 98802-3837 – Albino Apolinário
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