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Literatura

Aldri Anunciação lança o livro “Pretamorphosis” em Salvador

Jamile Menezes

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Aldri Anunciação veste camisa estampada florida e sorri para a câmera.

O escritor, dramaturgo e roteirista, Aldri Anunciação lança o livro Pretamorphosis: biografia não-autorizada de um ex-branco, pela Editora Malê. A noite de autógrafos será dia 06 de outubro, às 18h, na livraria Escariz, em Salvador.

Na obra, Aldri propõe ao leitor o exercício de se imaginar no lugar do outro como a única possibilidade de conhecer radicalmente a sua própria realidade.

Gregório, um rapaz branco, de classe média, um dia acorda com um sinal preto na mão e, aos poucos, vai se tornando uma pessoa negra. É quando ele começa a vivenciar uma escalada de todas as dificuldades que a nova cor de pele lhe impõe em uma sociedade que se quer branca. Sua simples existência se transforma em risco de vida, e agora, pretamorfoseado, Gregório também precisa aprender a sobreviver.

“A ideia de escrever esse livro surgiu num espaço de encruzilhada da negritude, que vive entre as questões inerentes à sua ancestralidade e a vida cotidiana na qual os brancos ainda são a maioria nos espaços de poder. Ele é endereçado aos negros e aos brancos, pois cada um vai compreendê-lo de um jeito”, explica o autor. A certo ponto da narrativa, imagética como um filme, Aldri reforça a questão da invisibilidade negra.

É a partir de sua inesperada perspectiva enegrecida que, aos poucos, o personagem também se dá conta da fraternal cumplicidade entre aqueles que, iguais a ele na condição de homem negro, precisam se defender das opressões cotidianas. Na mesma medida, Gregório percebe as muitas garantias de uma trajetória potencialmente bem mais tranquila entre os que já as possuíam desde o berço, também como ele em sua branquitude anterior.

“Minha produção literária nasce desse incômodo, e sempre fala da crise da identidade negra com suas próprias conquistas. Sempre tento jogar a branquitude no saber da experiência, e não na experiência do saber, quando o assunto é o racismo”, complementa, dando pistas da real inspiração do autor para a criação do argumento dessa aventura, marcada por um surpreendente plot twist: uma fantástica reviravolta que transforma a inicial referência a Frantz Kafka numa referência a Frantz Fanon.

Sobre o autor

O baiano Aldri Anunciação (Prêmio Jabuti de Literatura de 2013) é ator, escritor, dramaturgo, roteirista, cineasta e apresentador de TV. Recentemente, lançou o livro “A trilogia do confinamento”  (Ed. Perspectiva). Recebeu o Candango de Melhor Ator no Festival de Cinema de Brasília em 2018. Prêmio de Melhor Roteiro no Indie Film Festival de Memphis nos EUA e Prêmio Manuel Barba de Melhor Roteiro no Festival de Huelva na Espanha. Autor de “Namíbia, não!” (EDUFBa, 2011), obra que inspirou o filme “Medida Provisória”, dirigido por Lázaro Ramos. Recebeu a Comenda do Mérito Cultural em 2014. Protagoniza a série de ficção científica “A Benção”, do Canal Brasil. Apresenta e roteiriza os programas “Conexão Bahia” e ”Conversa Preta” na TV Bahia, afiliada da Rede Globo. Defendeu doutorado em dramaturgia com a tese  “A Poética da Discordância: Autodescolonização do Autor Através da Descolonização da Personagem de Ficção no PPGAC-UFBa em 2021. – www.instagram.com/aldri.oficial/

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Cultura

Bárbara Carine fez noite de autógrafos na Biblioteca Central

Amanda Moreno

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Bárbara Carine fez noite de autógrafos na Biblioteca Central

Bárbara Carine fez noite de autógrafos na Biblioteca Central. A chuva deu uma trégua no final desta quinta-feira (22) para o lançamento de mais um livro da educadora, escritora, pesquisadora e ativista, Bárbara Carine. Intitulado “Querido estudante negro” o evento foi realizado no Quadrilátero da Biblioteca Central, nos Barris. Após o sucesso de “Como ser um educador antirracista”, a ativista compartilha experiências pessoais repletas de tensões sociais e raciais.

No novo livro, Bárbara dialoga com dois estudantes negros que, independente das condições financeiras ou sociais, compartilham as experiências vividas em formato de cartas fictícias. “São histórias de ficção, mas, ao mesmo tempo, as histórias narradas pela jovem negra são todas histórias da minha vida, então, na realidade, é uma ficção que eu diria que é autobiográfica”, contou a educadora e influencer.

Bárbara Carine fez noite de autógrafos na Biblioteca Central

Bárbara Carine fez noite de autógrafos na Biblioteca Central (Foto: Henrique Santos)

Para Daudi Akil, estudante oriundo de escola pública e bolsista em escola particular de salvador, existe uma ansiedade de receber o autógrafo da autora e de ler o livro que segura firme nas mãos. “Já tô muito ansioso para ler esse livro. Eu tenho a certeza que vai ter muita batalha aqui dentro, porque hoje em dia viver numa sociedade dessa forma é horrível. Ser negro já é uma coisa difícil, imagina pra uma mulher negra? Aqui tem parte da história de vida dela, então deve ter sido muita batalha, inclusive, pra publicar o livro”, explicou o jovem estudante.

Com quase 400 mil seguidores nas redes sociais, a intelectual conversou com o público que lotou o Quadrilátero da Biblioteca. Ela explicou que no livro a ideia é mergulhar na complexidade da formação de subjetividades negras e que traz a perspectiva de uma psicopedagogia com leitura racial. Ao final Bárbara contou que já tem outro livro no forno, que parou para escrever “Querido estudante negro”, mas já retomou a escrita. Em breve, mais novidades!

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Literatura

Bárbara Carine lança livro na Biblioteca dos Barris

Amanda Moreno

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Bárbara Carine lança livro
Bárbara Carine lança livro (Foto: Gabriel Cerqueira)
Bárbara Carine lança livro na Biblioteca dos Barris. Após o sucesso de Como ser um educador antirracista, a pesquisadora, escritora e ativista Bárbara Carine lança novo livro pela Editora Planeta, nesta quinta-feira, 22 de fevereiro, a partir das 19h, na Biblioteca Central do Estado da Bahia (Barris), com direito a sessão de autógrafos com a autora.
Em Querido estudante negro, é possível conhecer uma faceta diferente da autora. Desta vez, em formato de cartas fictícias, Bárbara dialoga com os estudantes negros, independente das condições financeiras ou sociais, ao compartilhar as experiências que viveu. Com quase 400 mil seguidores nas redes sociais, a intelectual convida a mergulhar na complexidade da formação de subjetividades negras nesta obra.
No livro, uma estudante negra compartilha cartas com um amigo que conheceu na infância e que também é um estudante negro. Nos relatos, a protagonista vivencia situações que Bárbara enfrentou, focando na trajetória estudantil, abrangendo desde a pré-escola até o pós-doutorado.
Os personagens, principais e secundários, não são nomeados. O objetivo é que qualquer estudante negro brasileiro se identifique, pois, as histórias de vida são cruzadas. “São cartas de um ‘Eu Coletivo’. Uma história que é de uma alguém, justamente por ser a narrativa de todo mundo.”, escreveu Carine.
De forma sútil e potente ao mesmo tempo, Bárbara tece uma crítica social sobre o classicismo e o racismo. Para isso, ela apresenta dois protagonistas que têm a mesma idade, mas são diferentes. A menina é negra de pele não retinta e vive em periferia. O menino é retinto e possui uma situação abastada. Apesar das diferenças socioeconômicas, ambos têm a subjetividade completamente atravessada pelo racismo estrutural. A linguagem e complexidade das cartas mudam no decorrer da vida, mas permanece a certeza de que as experiências escolares de pessoas negras no Brasil são duras e discriminatórios.
A obra Querido estudante negro apresenta diferentes percepções e níveis de compreensão sobre o que é ser negro no país. Bárbara convida as pessoas que desejam entender os universos dos estudantes negros, seus responsáveis e professores antirracistas. Mas, seu principal foco é, sem dúvida, o estudante negro. Esse é um livro que acolhe e tenta deixar o mundo menos solitário para o jovem negro, seja aquele que ainda está trilhando o caminho ou aquele que cresceu e precisou aprender a sobreviver em meio a uma sociedade racista.
EVENTO DE LANÇAMENTO
Sessão de autógrafos com Bárbara Carine
Dia 22 de fevereiro às 19h
Biblioteca Central do Estado da Bahia
Local: R. Gen. Labatut, 27 – Barris, Salvador – BA, 40070-
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Literatura

Claudia Alexandre lança livro “Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô”

Jamile Menezes

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Claudia Alexandre também possui uma vasta produção sobre sambas e escolas de samba de São Paulo

No próximo dia 31, às 18h30, o Museu Nacional de Cultura Afro-Brasileira (Muncab), em Salvador, receberá o lançamento do novo livro da jornalista e cientista da religião, Claudia Alexandre: Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô – sobre masculinização, demonização e tensões de gênero na formação dos candomblés (Editora Aruanda/ Fundamentos do Axé, 2023). O evento, que tem promoção da livraria Katuka Africanidades, terá uma roda de conversa com participação da prefaciadora, a socióloga Nubia Regina Moreira, coordenadora do grupo de pesquisa Ojú Obìnrín Observatório de Mulheres Negras e professora da UESB (Universidade do Sudoeste da Bahia).

Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô: sobre masculinização, demonização e tensões de gênero na formação dos candomblés (Editora Aruanda/Fundamentos de Axé, 2023), apresenta um debate inédito no campo dos estudos sobre as tradições e religiosidades afro-brasileiras em relação ao que foi escrito até aqui sobre o controverso orixá Exu.  Ao mesmo tempo que questiona sobre representações femininas de Exu que não foram inseridas na definição do corpo das tradições yorubá-nagô dos primeiros candomblés na Bahia.

A obra insere registros e informações sobre as experiências e protagonismo de mulheres negras – africanas, escravizadas, alforriadas, libertas, que resistiram as opressões patriarcais para manter suas práticas ancestrais. O livro destaca alterações na relação com o orixá Exu, que na iorubalândia (Nigéria, Benin, Togo…) é representado por figuras em pares – macho e fêmea, que não se popularizaram no Brasil.

O livro é baseado na tese de doutorado da autora, defendida em novembro de 2021, eleita a Melhor Tese do Ano, pelo Programa de Ciência da Religião da PUC-SP.  Foi finalista e segunda colocada do Prêmio SOTER/Paulinas de Teses 2022 (Prêmio Prof. Afonso Maria Ligório Soares), realizado pelo Congresso Internacional da Soter (Sociedade de Teologia e Ciência da Religião).
Claudia Alexandre também possui uma vasta produção sobre sambas e escolas de samba de São Paulo e é autora do livro-dissertação “Orixás no Terreiro Sagrado do Samba: Exu e Ogum no Candomblé da Vai-Vai”, também pela Editora Aruanda/Fundamentos de Axé.

Haverá sessão de autógrafos e venda de livro no local (R$ 80,00 por exemplar). O Muncab está localizado à rua das Vassouras, 25 – Centro Histórico. Entrada gratuita.

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