Artes
Amanda Tropicana é vencedora do Prêmio Pierre Verger
Premiada na Categoria Ancestralidade e Representação do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger – 9ª edição, com o ensaio Memórias do Patiti Obá, a fotógrafa Amanda Tropicana, nascida no Rio de Janeiro, foi criada em Salvador, onde descobriu sua paixão pela fotografia, em 2005. O Prêmio é promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia, unidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado.
“Memórias do Patiti Obá” é um ensaio documental feito pela fotógrafa e filha de santo do Ilê Axé Obá Tadê Patiti Obá, com o desejo pessoal e religioso de contar a vida sagrada que a comunidade religiosa vive dentro dos braços cheios de axé e força de Xangô, orixá patrono do terreiro.
“Em solo sagrado, manter a memória viva desse lugar é um dos maiores tesouros que se pode ter. Fotografar o terreiro no qual sou filha tem muito dessa premissa, além do desejo de eternizar em imagens os dias que vivo imersa no chão de Xangô, orixá patrono do Ilê Axé Oba Tadê Patiti Obá, é o que motivou o ensaio”, destaca Amanda.
Fundado pelo babalaô Manoel Bonfim em 1907, na ladeira que carrega o seu nome no Engenho Velho da Federação (Salvador), o ilê hoje é regido sob os cuidados da yalorixá Neide de Oxum, bisneta do fundador e minha mãe de santo.
Desde que iniciou na fotografia, Amanda segue fotografando sua relação com a cultura baiana e memória afetiva, além da sua trajetória profissional reconhecida pelo seu vasto trabalho na área em que se dedica como profissional desde 2009.
A exposição do Prêmio será aberta na próxima quarta-feira, 6 de dezembro, às 17h30, no Museu de Arte da Bahia, no Corredor da Vitória, em Salvador. A exposição ficará aberta até 10 de março de 2024, com visitação gratuita de terça a domingo, das 10h às 18h. Saiba mais informações AQUI!
Artes
Exposição OMI TUTU chega ao MUNCAB
A partir de 11 de setembro, o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), em Salvador, apresenta OMI TUTU – Água Fresca, exposição individual da artista brasileira-gabonesa Hariel Revignet, com curadoria de Jamile Coelho – também diretora artística do MUNCAB. Reunindo pinturas e instalações, o conceito expositivo parte da água como elemento de conexão entre territórios, corpos e continuidade para construir uma geografia atravessada por rios, mares, deslocamentos e possibilidades de retorno. Entre Brasil e Gabão, terra e água, origem e percurso, Hariel cria uma obra em que diferentes territórios se encontram e permanecem em movimento.
O título da exposição é uma expressão em iorubá traduzida como “água fresca” ou “água que refresca”, associada a frescor, equilíbrio, conciliação e apaziguamento. Na pesquisa da artista, a água assume diferentes formas — mar, rio, lágrima, alimento, caminho — e torna-se uma maneira de pensar travessias, pertencimentos e transformações. Diante da experiência da diáspora, Hariel interessa-se menos pela ideia de sobrevivência e mais pelo que pode nascer depois da travessia. “Não quero mais resistir nem sobreviver. Quero, no empuxo das águas, transbordar”, afirma Hariel.
“OMI TUTU é uma celebração e uma maneira de honrar as águas e as Grandes Mães. É também uma forma de afirmar, entre o sensível e o político, a necessidade do cuidado e de celebrar a abundância e a riqueza presentes nos símbolos, nos rituais e nas confluências afro-diaspóricas”, afirma Hariel Revignet.
Para a artista, a exposição no MUNCAB também se relaciona diretamente com sua trajetória em Salvador. Durante o mestrado na Universidade Federal da Bahia, a cidade tornou-se parte fundamental de seu percurso. “É uma grande honra e responsabilidade apresentar meu trabalho no MUNCAB. É uma encruzilhada potente, um espaço de trocas que preserva tradições e, ao mesmo tempo, abre caminhos para novas possibilidades na arte contemporânea. Sinto esta exposição como uma oferenda de agradecimento a este território e aos ensinamentos que recebi aqui”, acrescenta.
Dentro do mar tem rio
Nascida em Goiânia, em 1995, Hariel Revignet é brasileira-gabonesa e constrói sua produção a partir dos encontros entre Brasil e Gabão, sua história familiar e os territórios que atravessam sua trajetória. É nesse contexto que a artista desenvolve o conceito de autobiogeografia, articulando experiência pessoal, território e deslocamento.
A imagem do estuário — onde diferentes águas se encontram sem perder suas características — atravessa a exposição e orienta o texto curatorial “Dentro do Mar tem Rio”, de Jamile Coelho. O mar deixa de ser apenas uma imensidão que separa territórios e passa a ser também espaço de circulação e continuidade. “Há rios correndo dentro do mar. E talvez sejam eles que sustentem, até hoje, tudo aquilo que insiste em permanecer vivo.”
O percurso expográfico assinado pela arquiteta Gisele de Paula pode ser percebido como uma sequência de águas e margens. O visitante atravessa um Limiar, encontra o Mar de Lágrimas, aproxima-se do Estuário Gabão, percorre o Rio Encantado e chega aos Portais do Retorno. Construindo assim uma experiência em que a água deixa de ser apenas paisagem e passa a organizar relações entre corpo, matéria, território e conhecimento.
Entre as obras inéditas está Peixes – Sementes, instalação de 2026 formada por 195 esculturas de peixes. Dispostos como um grande corpo coletivo, os peixes evocam a água como espaço de vida, movimento e transformação.
No núcleo Mar de Lágrimas, a maternidade e a transmissão de conhecimentos aproximam-se da presença de Yemoja/Iemanjá e da relação de Salvador com as águas. A obra Yeye Omo Ejá – Mãe cujos filhos são peixes, de 2025, realizada em acrílica e costura com miçangas e sementes de lágrima-de-nossa-senhora, estabelece uma relação entre pintura, corpo, matéria orgânica e transmissão .
Ao redor, a série Pretos Velhos e Caboclos d’água reúne retratos de pessoas negras e indígenas ligadas à arte, ao pensamento, à política, à educação e à defesa dos territórios e das águas. Também integram esse conjunto Iya Ejá e A Mãe do Mar é a Terra, aproximando diferentes representações do feminino, da terra e das águas.
A experiência com o Gabão também ganha um núcleo próprio. A viagem de Hariel a Libreville, em 2023, território paterno, trouxe para sua pesquisa paisagens, mercados, ruas, florestas e portões que passam a integrar a exposição. Obras como A Floresta e O Mercado G’Kessa aproximam paisagem, deslocamento e experiência urbana, enquanto Igâ, Ziguidás, Amapô Omí, Omí Orí e Orí Ejá ampliam as relações entre corpo, água, terra e território.
Já a instalação inédita A Mãe do Mar é a Terra, de 2026, reúne 21 peças de massa de terra esmaltadas com búzios, colocando em relação terra e água, chão e mar, matéria e imaginação.
Em OMI TUTU, essa perspectiva faz com que a arquitetura do MUNCAB participe diretamente da experiência.
As obras reorganizam distâncias, criam passagens, modificam escalas e fazem com que o visitante perceba o próprio corpo dentro do espaço. Em Agombenero | Ancestrais e Abandji, cipós e costuras atravessam os limites do suporte. Em Maracanandê, palhas, ervas, sementes e búzios criam ritmos e texturas que aproximam a obra do corpo.
No núcleo Rio Encantado, encontra-se Rio de Miçangas – Ziguidás, instalação de 2026 com fios de miçangas e sementes de açaí descem verticalmente e encontram quartinhas, cabaças, moringas, cuias e alguidares, formando uma espécie de rio suspenso. O visitante precisa caminhar entre suas margens, tornando o deslocamento parte da obra. Ao lado, A Dona das Águas, díptico de aproximadamente 3,20 metros, estabelece uma relação entre a pintura e o rio material que se espalha pelo espaço.
Nos Portais do Retorno, a artista parte de fotografias de portões encontrados em Libreville e de símbolos adinkras para reelaborar a ideia histórica dos “Portões do Não Retorno”, associados ao tráfico transatlântico de africanos escravizados. Em vez de reproduzir a lógica da ruptura, Hariel altera simbolicamente a direção da passagem: o retorno aparece como possibilidade de reencontro, reorientação, reconstrução de pertencimento e criação de novas relações no presente.
Ao reunir referências gabonesas, iorubás, Akan, afro-brasileiras e indígenas, OMI TUTU não busca estabelecer uma imagem única do continente africano, mas construir, a partir da experiência particular de Hariel, uma paisagem de encontros e continuidades. São águas que encontram novos caminhos, sementes que germinam, corpos que atravessam territórios e portas que podem voltar a se abrir.
Para Jamile Coelho, a água é mais do que um elemento recorrente na produção da artista: é uma forma de pensamento.
“Na obra de Hariel, a água torna-se uma maneira de compreender travessias, pertencimentos e transformações. Entre Brasil e Gabão, o oceano deixa de ser distância e se torna um arquivo de continuidades. No MUNCAB, esse fluxo encontra a arquitetura e transforma a experiência da exposição”, afirma a curadora.
A leitura parte da ideia de que as pinturas, esculturas, instalações e objetos de OMI TUTU prolongam um mesmo fluxo, no qual referências afro-atlânticas e indígenas convivem sem hierarquia. “Salvador é a cidade das águas e das mulheres. No Brasil, a água também é cultura: está nos banhos, nas lavagens, nas travessias e nas navegações. Ao reivindicar a água fresca, OMI TUTU afirma abundância e vitalidade. Não basta sobreviver. É preciso transbordar”, destaca Cíntia Maria, diretora-geral do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasile
Sobre o MUNCAB
O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) é gerido pela Sociedade Amigos da Cultura Afro-Brasileira (AMAFRO), e consolida-se como uma instituição de referência nacional e internacional voltada à pesquisa, preservação e difusão das artes visuais afro-brasileiras, afro-diaspóricas e africanas.O museu desenvolve programas de acervo, documentação, conservação e expografia dedicados à valorização e circulação da produção artística negra em suas múltiplas linguagens e temporalidades — da modernidade às práticas contemporâneas. Sua atuação contempla ainda ações educativas, formações, seminários e projetos de mediação cultural que buscam ampliar o acesso, fortalecer o pensamento crítico e estimular a participação social no campo das artes visuais.
Serviço
O quê: OMI TUTU – Água Fresca | uma exposição de Hariel Revignet, com curadoria de Jamile Coelho
Visitação: 11 set 2026 – 14 fev 2027
Horário: Ter – dom: 10h – 17h (acesso do público até às 16h30)
Ingressos: inteira: R$ 20 | meia-entrada: R$ 10
Gratuidade: quartas-feiras e domingos
Ingressos e Mais Informações: https://www.muncab.com.br/
Onde: Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) – R. das Vassouras, 25 – Centro Histórico, Salvador – BA, 40020-056
Artes
Afoxé Olorum Baba Mi inscreve para oficinas de Afroculinária e de Adereços
O Afoxé Olorum Baba Mi oferece formações gratuitas voltadas à preservação, valorização e difusão da cultura afro-brasileira. A instituição está com inscrições abertas para as oficinas de Afroculinária e de Adereços, promovidas pelo projeto Ecos Ancestrais: Afoxés, Heranças e Tradições. As mesmas se encerram em setembro.
As atividades acontecem presencialmente na sede do afoxé, no bairro Caixa D’Água, e são destinadas a pessoas negras em situação de vulnerabilidade social.
A Oficina de Afroculinária recebe inscrições até 4 de setembro. Voltada para mulheres negras de baixa renda, a formação será realizada às quartas-feiras, das 13h às 18h, com carga horária de 60 horas, distribuídas ao longo de três meses. Ao final, as participantes receberão certificação.
Já as inscrições para a Oficina de Adereços seguem até 11 de setembro. Destinada a jovens e mulheres negras de baixa renda, a formação acontecerá às terças-feiras, das 13h30 às 17h30, com carga horária de 48 horas e duração aproximada de dois meses e meio. Durante as atividades, os participantes aprenderão técnicas de confecção de peças utilizadas nos afoxés, além de conhecer os significados simbólicos e culturais associados a esses elementos.

A programação da segunda edição do projeto também inclui as oficinas de Capoeira e Toques de Ijexá e Empodera Negra. A primeira é voltada para crianças, adolescentes, jovens e mulheres em situação de vulnerabilidade social, enquanto a segunda contempla jovens e mulheres negras de baixa renda, com atividades relacionadas a turbantes, tranças e maquiagem para pele negra.
Com as atividades gratuitas e 20 vagas disponíveis por oficina, o projeto busca contribuir para a democratização do acesso à cultura e para o fortalecimento das identidades negras.
Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.
Serviço
Projeto “Ecos Ancestrais: Afoxés, Heranças e Tradições” – 2ª edição
Inscrições:
Afroculinária: até 4 de setembro
Adereços: até 11 de setembro
Capoeira e Toques de Ijexá: até 30 de setembro
Empodera Negra: até 5 de outubro
Local: Sede do Afoxé Olorum Baba Mi (Rua Guaíba, nº 14 – Caixa D’Água)
Vagas: 20 por oficina
Modalidade: Presencial
Certificação: Sim
Gratuito
Artes
Coletivo Nosso Kilombo inicia projeto com distribuição de Arroz Doce em Itapuã
A segunda edição do projeto “LEVANTA POVO! Sambas, Artesanias e Resistências”, do Coletivo Nosso Kilombo, começa dia 28 de agosto (sexta-feira) com o conhecido Arroz de Graças, um momento tradicional de partilha. A cerimônia envolverá a quebra dos cocos, a extração do leite e o preparo do alimento, a partir das 7h, que será compartilhado com a comunidade às 17h na Praça da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição de Itapuã.
A distribuição será acompanhada de intervenções artísticas, celebrando a cultura, a memória e a força coletiva do território. Movimento surgido em 2018 na Festa de São Tomé, uma das festas mais tradicionais de Itapuã, o Coletivo Nosso Kilombo vem promovendo desde então iniciativas de preservação e ressignificação das tradições culturais do território.

O projeto continuará até dezembro com outras ações também gratuitas. Em setembro haverá as chamadas Rodas de Fuxicaria, nas quais serão produzidos fuxicos destinados à customização do figurino do Nosso Kilombo e da decoração da Festa de São Tomé. As Rodas também serão espaços de encontro e transmissão de saberes, com a presença de mestres e mestras da Cultura Popular que compartilharão suas histórias com outras gerações.

Em outubro, o Coletivo realiza a Caminhada Patrimonial voltada para pessoas surdas, uma experiência de reconhecimento e valorização do território que apresentará aspectos históricos, culturais e patrimoniais de Itapuã. Na Caminhada, serão abordadas também as principais problemáticas e possíveis caminhos para a preservação, valorização e cuidado com o patrimônio local. Estudantes de escolas públicas da região também participam.
Encerrando o projeto, em dezembro, o “Cortejo Levanta Povo!” vai reunir comunidade, artistas, mestres e mestras da Cultura Popular e participantes das ações desenvolvidas ao longo das atividades. Vai percorrer as ruas do bairro, integrando a Festa de São Tomé.
Toda programação é aberta à comunidade.

Sobre o Coletivo Nosso Kilombo
O Coletivo Nosso Kilombo propõe intervenções com o objetivo de valorização da brincadeira de rua e das tradições afroindígenas fomentando o pertencimento comunitário entre os moradores. Suas ações contribuem para a patrimonialização da cultura em todas as suas expressões, como forma de barrar as recorrentes investidas da especulação imobiliária e de práticas do racismo ambiental e religioso na localidade.
Outra tradição fortalecida pelo Coletivo é a dos “sambas de boi”, com os bois Bumbapuã, Boca de Ouro, Boi Yapo, construídos a muitas mãos por mobilizadores culturais de outras gerações, e que hoje são “maternados” pelo Coletivo Nosso Kilombo.
O Coletivo tem como essência as conversas intergeracionais com mestres e mestras griots da comunidade. O intuito é retomar, preservar e ressignificar as tradições culturais típicas do bairro de Itapuã e o espírito de insurgência da comunidade negra e indígena na localidade, trazendo a memória de resistências históricas do bairro.
O projeto “LEVANTA POVO! Sambas, Artesanias e Resistências” foi contemplado pelo Edital nº 18/2025 – Fomento à Festas, Ritos e Celebrações Populares, integrado à Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) pelo Estado da Bahia.
PROGRAMAÇÃO
Arroz de Graças (distribuição de arroz doce com intervenções artísticas)
Quando: 28 de agosto (sexta-feira), 17h
Local: Praça da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição de Itapuã
Rodas de Fuxicaria (sextas-feiras)
18/09 — 13h30 às 17h30
25/09 — 13h30 às 17h30
02/10-13h30 às 17h30
Caminhada Patrimonial
19/10 — 13h30 às 17h30
Cortejo Levanta Povo!
20/12 — A partir das 17h
Saída: Praça da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição de Itapuã
Fotos: Pio Filho
SERVIÇO
O que: Projeto “LEVANTA POVO! Sambas, Artesanias e Resistências”
Quando: Agosto a Dezembro
Onde: Itapuã, SalvadorBA
Aberto ao público
-
Opinião10 anos atrás“O incansável e sempre ativo pau grande e afetividade do homem negro” – Por Kauê Vieira
-
Literatura9 anos atrásA lírica amorosa da poetisa Lívia Natália em “Dia bonito pra chover”! – Por Davi Nunes
-
Literatura10 anos atrásDavi Nunes e Bucala: uma literatura negra infantil feita para sentir e refletir
-
Formação7 anos atrásConheça cinco pensadores africanos contemporâneos que valem a pena
-
Audiovisual3 anos atrásFilme “Egúngún: a sabedoria ancestral da família Agboola” estreia no Cine Glauber Rocha
-
Cultura3 anos atrásOrquestra Agbelas estreia em Salvador na festa de Iemanjá
-
Carnaval4 anos atrásBloco Olodum libera venda do primeiro lote de abadás com kit promocional
-
Música3 anos atrásEx-The Voice, soteropolitana Raissa Araújo lança clipe da música “Aquele Momento”


