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Opinião

#Opinião – Nada novo sob o sol da Bahia: as falsas narrativas por trás do sincretismo religioso! Por ALine Lisbôa

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No verão de Salvador, acompanhamos os festejos que abarcam as práticas de sincretismo religioso marcantes no nosso território. Essa prática tradicional de juntar os povos de diferentes crenças, em sua maioria cristãs e de matriz africana, teve origem na busca por cultuar as divindades negras que eram e são demonizadas na nossa sociedade, pelo colonizador.

Hoje, já há a liberdade do culto, segundo o artigo 5º da Constituição Federal, que estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos. Mantendo-se, então, a prática de unir a fé nos festejos enquanto tradição cultural.

Entretanto, tais costumes, que interligam multidões de todas as religiões nas ruas da Bahia, não conscientizam o povo baiano acerca dos crimes de intolerância e racismo religioso contra a população negra e filhos de santo no dia a dia. Na mesma cidade, que arrasta multidões no cortejo do Bonfim, vestindo branco em homenagem a Oxalá e também ocupa as ruas do Rio vermelho, presenteando e saudando Iemanjá, é fomentada a cultura através da riqueza e potencialidade do Candomblé, porém mantem-se as mesmas práticas discriminatórias originadas pelo colonizador europeu.

Sob o sol da Bahia, os povos caminham trazendo a simbologia de união e harmonia, em um controle mítico de narrativas reais, já que os terreiros continuam sendo invadidos, apedrejados e seus filhos hostilizados em pleno vagão do metrô a gritos.

O fato é que a riqueza da nossa cultura é inegável, mas segue sendo vivenciada por muitos como um momento folclórico, dançante, onde o sagrado e o profano se misturam e abrangem a falsa democracia religiosa e racial, promovendo a ideia de que todos se respeitam e convivem bem.

Mas como em muitos casos, essa plena harmonia sobrevive apenas aos festejos, pois antes mesmo de terminar o verão, e tais celebrações culturais, muitos cristãos voltam a reafirmar a postura do eurocentrismo, agredindo quem pratica o culto a Orixá, ratificando assim a falsa ideologia de hierarquia racial dos costumes e crenças eurocêntricas como civilizadas. Isso para respaldar atos criminosos previstos no código penal, art. 208. O mesmo prevê escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; como crime, tendo pena de reclusão de um a três anos e multa.

No fim das tradições de festas religiosas, a diversidade da Bahia volta a ser desigualdade social e silenciamento do povo de santo, que segue todos os dias enfrentando o racismo religioso com dor e muita resistência.

 

Aline Lisbôa, mulher negra, mãe solo, defensora das possibilidades acadêmicas de mães negras, graduda em Pedagogia- UNEB, pesquisadora em Racismo Estrutural, Educação e Relacões Étnico Raciais e Letramento Racial.

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#Opinião – Como cuidar da própria energia! – Por Armando Januário

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Os locais onde estamos trazem energias que podem impactar nosso padrão vibratório. Se o amor e a tranquilidade são constantes, isso contribui para sermos amorosos uns com os outros naquele espaço. Por outro lado, se estamos em um lugar marcado por conflitos e frustrações, provavelmente iremos brigar com maior facilidade e reproduzir escassez. Quando um fato ocorre, a sua energia inunda o local, podendo permanecer e impactar as pessoas. Estamos falando das formas-pensamento.

De acordo com a teosofia [1], tulpas ou formas-pensamentos se originam da mente, partindo da matéria astral ou fluídica, para construir uma entidade momentaneamente e projetá-la sobre outras pessoas. Entretanto, somos afetados por uma forma-pensamento apenas quando temos um conteúdo energético simpático a ela. Na prática, isso implica estar sintonizado com a característica da forma-pensamento. Logo, temos como nos proteger de tulpas negativas, assim como também estamos aptos a acolher essas energias quando agregam sentido positivo a nossa existência.

Cientes da nossa capacidade cerebral diária em produzir 12 mil a 50 mil pensamentos – 80% são negativos[2], conforme estudo realizado pela National Science Foundation – compreendemos que atraímos o que pensamos e temos a escolha no que pensar. Nessa perspectiva, algumas ferramentas são úteis para transformar as nossas mentes e minimizar a avalanche energética negativa, diariamente fomentada por informações de crimes e tragédias e ambientes insalubres.

Selecionar aquilo que assistimos é fundamental. Quanto maior a exposição a notícias boas ou ruins, mais pensamentos positivos ou negativos. Praticar meditação é outra forma de autocuidado energético. Todavia, uma das mais maneiras mais poderosas de enriquecer e proteger nosso campo energético é exercitar a gratidão. Na próxima semana, falaremos sobre como ser grato em todas as situações.

[1] Do grego clássico θεοσοφία, a theos (θεός) – Deus – sophia (σοφία) – Sabedoria – é composta por uma ampla gama de arcanos que encontraram na filosofia e no misticismo explicações para a origem do universo. A Sabedoria Divina tem renomados pensadores, como Paracelsus e Mabel Collins, porém, é com a chegada de Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891), que esse conglomerado de saberes esotéricos é sistematizado, influenciando profundamente o pensamento místico ocidental.

[2] Entre outros fatores, isso ocorre em razão de nossos ancestrais, lutarem constantemente contra predadores.

Armando Januário dos Santos é Trabalhador da Luz, Mestre em Psicologia, Psicólogo (CRP-03/20912) e Palestrante. Contato: (71) 98108-4943 (WhatsApp).
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#Opinião – Por que ler autoras negras? Por Taciana Gacelin

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O real em si não existe e não se tem acesso a esse de forma substancialmente concreta e palpável, já que toda realidade é perpassada pela linguagem. Em se tratando de linguagem, essa construção simbólica, o que se está designando é a noção de poder narrar o mundo, representá-lo. Sendo assim, o real é baseado em construtos calcados em verossimilhanças, ou seja, aquilo que é passível de ser verdadeiro, podendo até, não raras vezes, ser ilógico, mas que está ancorado no poder de quem diz e que pode dizer.

Durante muitos anos, as vozes negras foram silenciadas. O não-ouvir não necessariamente implica em afirmar que não havia alguém manifestando ideias e tensionando as noções de verdades consolidadas em determinado período. O silenciamento e o não-ouvir ganham corpo à medida em que a palavra é minimizada e essa não encontra teias de ligações para que possa sair de uma ideia individual, esfacelada, desarticulada e adentrar à coletividade, construindo e reforçando uma memória coletiva para além dos guetos e espaços ainda não vistos como oficialmente de poder. Desse modo, com efeito somente da palavra, não há, em grande medida, a autoafirmação. A palavra só faz sentido dentro do discurso, das condições de produção e da formação discursiva. O discurso constrói a realidade, forjando-se de verdade possível.

A leitura de mulheres negras implica em reforçar e (re)construir uma cena histórica que foi desconstruída, ao se esconder o que precisava ser interpretado, lido através de lentes que observem as sequências discursivas como produtoras de sentido. Nesse caso, o ato de ler não implica obrigatoriamente em ter acesso a um livro de autora negra, até porque a esse tipo de conteúdo (escritos formais, jornais, revistas, livros) a pele negra teve o acesso negado, o que reverbera em outras consequências para o grupo.

Desse modo, o conceito de leitura deve ser ampliado para a possibilidade de compreender os sentidos associados ao cabelo, à raça, aos relacionamentos amorosos, aos empregos e desempregos, às condições da moradia e aos acessos em sentido amplo. Somente lendo mulheres negras é que uma negra entende o porquê da sua existência ser marcada de um modo e não de outro. Não são meras coincidências, mas as mulheres negras possuem (des)caminhos que evidenciam o real que outros tentam destruir, desfocar, tirar de cena.

Somente lendo mulheres negras pode-se entender o posicionamento discursivo do Outro e  do Nós. Não cabe ao Outro dizer pelo grupo ao qual ele não pertence. É necessário construir um Nós por Nós. Sim, a relativização de que nem todas as mulheres negras são iguais deve ser feita, pois há individualidades, histórias de vidas diferenciadas, contextos políticos diversos, temporalidades. Entretanto, há sempre algo que une as mulheres negras, independentemente, do estado, país, cidade. As exclusões de espaços sempre foram submetidas às mulheres negras.

Nesse ponto, é necessário evidenciar que mulheres, independentemente da raça, são excluídas de muitos lugares, mas não o são por serem brancas. Não há, discursivamente, o não acesso de uma mulher por ela ser branca, mas há a exclusão da mulher negra por ela ser negra.

Desse modo, sendo uma mulher negra, vivenciar experiências com outras mulheres negras é, não raras vezes, colocar um espelho diante de si e entender sobre ditos, linguagem, discurso. O impacto do autorreconhecimento, muitas vezes, é doloroso, mas necessário para se entender o emaranhado de sentidos que são produzidos sobre o que é ser uma mulher negra. Não há outro modo para a desconstrução e (re)posicionamento do olhar sobre si, pois as palavras nomeiam, mas, somente, o discurso pode conferir legitimidade à luta, já que esse demarca o poder da própria narrativa, desmistificando o que o Outro diz sobre si e sobre o Nós. A palavra sempre esteve colocada, mas o discurso assusta, porque é representação, desconstrução, desordem, linguagem, posicionamento.

Uma mulher negra, para desvencilhar-se da mordaça imposta por uma sociedade que tenta negar uma parte da história, que apaga a memória de um grupo, necessariamente deve conhecer o que as mulheres negras dizem sobre as mulheres negras. É desse modo que haverá uma (re)construção, (re)desconstrução da própria imagem e um reforço para outra construção discursiva do que é ser negra e de como as diversas situações obrigam o entendimento sobre si mesma. Na tensão de lutas simbólicas, já não se admite que o Outro crie uma mitologia sobre os corpos e vidas das mulheres negras.

Entretanto, para o embate, a palavra sozinha perde poder, sentido, pois é somente no discurso que essa pode tecer algo sustentável, capaz de enfraquecer, desestabilizar a narrativa de quem diz que detém o condão para dizer o que é ser negra. Utilizar a palavra racismo, infelizmente, é pouco para desconstruir o sólido. É preciso juntar as marcas da história e produzir um discurso, o qual está interligado à noção de efeitos de sentido. Essa possibilidade advém do conhecimento do próprio eu coletivo, vozes de mulheres negras, pois as marcas, quando unidas, evidenciam o nó capaz de ligar cada mulher negra a alguma igualdade, a qual não deve ser vista como um evento isolado, mas como uma construção simbólica que origina o lugar no qual mulheres negras são inseridas.

Taciana Gacelin – Doutoranda em Linguística (Ufal), Mestra em Estudo de Linguagens (Uneb), Comunicóloga – jornalista (Ufba)

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Artigos

#Opinião – O sentido místico do Dia dos Namorados – Por Armando Januário

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Por aspectos históricos e econômicos, o Brasil celebra o Dia dos Namorados em 12 de junho. A 1948, o publicitário João Dória, pai do ex-governador de São Paulo, foi contratado por uma loja. Ele percebeu que o Mês das Mães era rentável para o comércio, em oposição a junho, um mês de queda nos lucros. Planejando estender os ganhos comerciais, Dória escolheu a véspera do Dia de Santo Antônio – na tradição católica, O Santo Casamenteiro – para aquecer os corações e o comércio. A estratégia deu certo e temos o Dia dos Namorados em junho, mais de 4 meses após a data tradicional, 14 de fevereiro, Dia de São Valentim. Contudo, essas tradições oficiais envolvem um mistério muito anterior.

No Império Romano, havia a celebração do deus Lupercus, para afastar os maus espíritos e atrair fertilidade. A Lupercália era marcada pelo momento em que os homens retiravam de um jarro o nome das mulheres que seriam suas companheiras nessa festa e nas seguintes. Posteriormente, alguns desses casais se apaixonavam e se casavam, porque teriam o que se considera “sorte no amor”. Essa expressão envolve ser agraciado através do sorteio, que, inicialmente, seria puro acaso. Não obstante, o sentido esotérico de sorte abrange saber o instante adequado para consolidar um plano. Percebemos, então, que o sentido dado a esta palavra se afastou significativamente do seu conceito original. Fica também evidente a inexistência da sorte como percebida nos tempos atuais, mas, sim, que ela obedece às Leis Cósmicas, sobretudo, a Lei de Atração. O oculto no Dia dos Namorados se apresenta.

A celebração dos apaixonados potencializa a vibração e atrai a pessoa amada para o campo magnético do emissor. Não se trata de magia ou acaso. Antes, falamos do Poder Divino[3] manifesto em nós. Por isso, quando pensamos em viver um amor com a firme convicção de sua existência, a materialização dessa realidade ocorre, obedecendo o Mistério denominado Tempo.

Portanto, o Dia dos Namorados, longe de uma data comum, oferece a oportunidade vibracional para ser A Unidade Eterna, Princípio de Todas As Coisas, que utiliza o desejo para cocriar sonhos.

[1]Dedico esse texto a minha noiva, Andrêina.

[2]Armando Januário dos Santos é Trabalhador da Luz, Mestre em Psicologia, Psicólogo (CRP-03/20912) e Palestrante. Contato: (71) 98108-4943 (WhatsApp)

[3]Em João 10:34, Jesus de Nazaré argumenta com seus opositores: “na Lei de vocês está escrito que Deus disse: “Vocês são deuses”” (O Mestre Jesus, em João 10:34). Deixamos com a pessoa do leitor a perspicácia para compreender o ensino secreto do Mestre.

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