Artes
Kalunga: performance leva drag queens pretas à Casa do Benin
Protagonizado pela Afro Drag Diaspórika Barbárie Bundi, “Kalunga” é um convite a um rito performativo para abrir os caminhos através de um percurso pelas instalações da Casa do Benin. Gratuita, a apresentação acontece nesta sexta-feira (17), 19h, e contará no elenco com as drags baianas Malayka SN, Mamba, Ah Teodoro e Dandara.
Na performance, Barbárie Bundi conduz o público a uma imersão em busca da ancestralidade das bixas pretas, falando sobre as kiandas, ninfas aquáticas do Atlântico, e fazendo paralelo entre seu último trabalho musical lançado, o álbum “Aquátika”. A apresentação Kalunga marca também a abertura do projeto “Kiandas Ocupam o Centro”, que celebra o trabalho artístico de drag queens negras, pardas e indígenas de Salvador e realiza diversas ações gratuitas entre apresentações, atividades formativas e de afroempreendedorismo de maio até o segundo semestre de 2024.
O projeto “Kiandas Ocupam o Centro” foi contemplado pelo edital Territórios Criativos, com recursos financeiros da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Prefeitura de Salvador e da Lei Paulo Gustavo, Ministério da Cultura, Governo Federal.
Serviço:
“Kalunga” – um rito para abrir os caminhos
Com: Barbárie Bundi, Malayka SN, Mamba, Ah Teodoro e Dandara
Local: Casa do Benin
Data: 17 de maio (sexta-feira)
Horário: 19h
Entrada Gratuita
Artes
MUNCAB inaugura exposição Padê Onã
O Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira (MUNCAB) inaugura, na quinta-feira (30), a exposição Padê Onã – Encontrar Caminhos, do artista visual Sandro Aiyê, com curadoria de Jamile Coelho e Jil Soares. Reunindo sete esculturas de grandes dimensões em madeira de demolição, a mostra se estrutura a partir da materialidade e da presença, inscrevendo no espaço figuras que operam no campo da escultura contemporânea a partir de referências negras.
As obras partem de madeiras marcadas pelo uso, reorganizadas em estruturas verticais que tensionam equilíbrio, escala e permanência. A matéria não é neutralizada e suas marcas permanecem visíveis, incorporadas à construção formal. O trabalho se dá na articulação entre transformação e continuidade, produzindo uma leitura em que memória e matéria operam no presente.
“Existe um interesse em trabalhar com aquilo que já carrega história, mas sem fixar essa leitura. O trabalho é reorganizar essa matéria para que ela produza outras presenças”, afirma Sandro Aiyê.
A exposição mobiliza Exu como um princípio de articulação ligado ao movimento, à mediação e à abertura de caminhos. Longe de uma leitura restrita ao campo religioso, sua presença opera no plano simbólico e cultural, organizando relações entre obra, espaço e circulação. Ao situar essas figuras no campo da escultura contemporânea, em escala ampliada e em relação direta com o público, a mostra desloca leituras estigmatizadas e reinscreve essas referências em um lugar de centralidade.
O título da exposição aponta para esse movimento. “Padê” é mobilizado como gesto inaugural, associado à criação de condições para o início e a circulação. “Onã”, palavra de origem iorubá, significa caminho. A união dos dois termos indicam a abertura de percursos e a construção de possibilidades no espaço.
Para os curadores Jamile Coelho e Jil Soares, a exposição se organiza a partir da relação direta entre corpo, obra e ambiente.
“As esculturas não operam como objetos isolados. Elas estruturam o espaço e exigem deslocamento, construindo leitura a partir da presença”, afirma Coelho.
A mostra é apresentada no Jardim das Esculturas, novo espaço a céu aberto do MUNCAB, instalado em uma área que abrigou uma Delegacia de Jogos e Costumes, historicamente associada à repressão de práticas culturais negras. A ocupação do espaço desloca esse histórico ao estabelecer outra relação com o território, convertendo um lugar de controle em um espaço de circulação e presença pública.
Para a diretora-geral do MUNCAB, Cintia Maria, o projeto articula produção contemporânea e reposicionamento institucional.
“Ao trazer essas obras para esse espaço, o museu afirma a centralidade dessas referências e estabelece uma relação direta com a cidade, ampliando o acesso e a circulação”, afirma.
Com Padê Onã – Encontrar Caminhos, o MUNCAB consolida uma linha de atuação que insere a produção contemporânea negra no centro do debate artístico, tensionando leituras e ampliando os regimes de visibilidade.
Artes
Grupo Òfá apresenta espetáculo gratuito no MAC_BAHIA
O Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_BAHIA) recebe, no dia 9 de maio, às 17h, a apresentação do Grupo Òfá com o espetáculo “ÌYÁ ÀGBÀ (Mãe Ancestral)”, que exalta a força, a sabedoria e o poder do feminino como elementos estruturantes da cultura afro-brasileira. Em cena, o grupo unirá música e performance em uma apresentação que tem um diálogo entre o sagrado e o contemporâneo. A apresentação é aberta ao público e com entrada gratuita, por ordem de chegada.
O repertório do espetáculo reúne canções do álbum “Ìyá Àgbà Ṣiré – O Poder do Sagrado Feminino”, trabalho mais recente do grupo, que reforça o compromisso com a valorização do feminino sagrado dentro da cosmovisão do candomblé. A apresentação conta com direção musical de Iuri Passos, direção artística de Luciana Baraúna e produção de José Maurício Bittencourt.
Realizado pelo Grupo Òfá e pela JM Projetos, em parceria com o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia e o MAC_BAHIA, o evento tem apoio da Avatim e patrocínio da Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (SETUR) junto ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) e dialoga com a exposição “Respeita – Mulheres do Acervo do MAC Bahia”, em cartaz até 24 de maio. A mostra reúne obras de artistas mulheres do acervo do museu, além de novas incorporações.
Originário do Terreiro do Gantois (Ilé Iyá Omi Àṣẹ Iyamasé), uma das mais tradicionais casas de candomblé do país, o Grupo Òfá atua na preservação e difusão de um repertório sacro reconhecido como patrimônio imaterial da cultura brasileira. Formado por integrantes da própria comunidade do terreiro, o coletivo estabelece uma relação direta entre origem e expressão, mantendo viva uma tradição transmitida por meio da oralidade, do ritmo e do corpo. Com uma trajetória marcada por trabalhos como “Odum Orim” (2000) e “Obatalá – Uma homenagem a Mãe Carmem” (2019), indicado ao Grammy Latino, o grupo se consolida como referência na valorização da música de matriz afro-brasileira.
Serviço:
O quê: Espetáculo “Òfá Canta ÌYÁ ÀGBÀ (Mãe Ancestral)”, do Grupo Ofá
Quando: 9 de maio de 2026 (sábado), às 17h
Onde: Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_BAHIA) – Pátio Central
Endereço: Rua da Graça, 284 – Graça, Salvador (BA)
Entrada: Gratuita
Artes
Exposição “Meia-noite na Encruzilhada” chega a Salvador
Salvador recebe, a partir desta quarta-feira (15), a exposição inédita no Brasil Meia-Noite na Encruzilhada, que será aberta ao público no espaço Pé de Cobra (@pedecobra.lab), localizado na Rua do Bispo, 35, no Centro Histórico, bem no coração do Pelourinho. Com visitação gratuita de segunda a sexta-feira, das 13h às 17h, a mostra conta com apoio institucional do Instituto Cervantes Salvador e apresenta imagens de rituais dedicados à Exu, entidade central nas religiões de matriz africana, associada ao movimento, à comunicação e às encruzilhadas.
Com fotografias feitas ao longo de três anos, a mostra percorre territórios como Benim, Cuba, Brasil e Haiti. As imagens são da espanhola Cristina De Middel, um dos principais nomes da fotografia contemporânea internacional, e por Bruno Morais, cuja trajetória é marcada por uma abordagem documental e poética voltada ao imaginário popular e aos direitos humanos.
“Entre registros de rituais e construções visuais que dialogam com o mito, a exposição se inscreve no intervalo entre o visível e o oculto, propondo ao público uma experiência que atravessa narrativa, espiritualidade e imaginação”, destaca Cristina De Middel.
Apresentado inicialmente no festival Rencontres de Arles, em 2018, o projeto já passou por cidades como Barcelona, México e Bogotá. Sua chegada a Salvador carrega um simbolismo especial.
“Após passar por diferentes países, chegar a Salvador, com tudo o que esta cidade representa, torna-se particularmente significativo”, afirma Bruno Morais.
A exposição marca a abertura do Pé de Cobra, iniciativa que passa a integrar o circuito cultural da cidade com a proposta de ser um espaço voltado à experimentação e reflexão em torno da imagem. Instalado em um imóvel histórico, a iniciativa ocupa um prédio que, entre as décadas de 1960 e 1990, funcionou como estrutura de fiscalização do comércio ambulante, conhecido popularmente como “Rapa”. Após cinco anos de obras, o local é ressignificado como um centro dedicado à produção e ao pensamento visual, com ambientes que incluem sala expositiva, biblioteca especializada e laboratório fotográfico.
A mostra integra o conceito “A Esquina”, eixo curatorial que orienta as atividades do Pé de Cobra ao longo de 2026 e que deverá atravessar exposições, encontros e ações do espaço ao longo do ano.
“Desejamos um lugar onde a arte não seja colocada em um pedestal, mas que as pessoas se sintam à vontade para entrar e participar”, afirma Julieta Lopresto.
Ao lado de Cristina De Middel e Bruno Morais, ela está à frente do Pé de Cobra, iniciativa que propõe um ambiente acessível, onde o processo criativo permanece aberto e em constante diálogo com a comunidade.
SERVIÇO
Meia-Noite na Encruzilhada
Onde: Pé de Cobra – Rua do Bispo, 35 – Centro Histórico, Salvador
Abertura: 15 de abril (quarta-feira)
Visitação: segunda a sexta, das 13h às 17h
Mais informações: @pedecobra.lab
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