Música
“O samba é feminino”: Roda de Mulheres celebra legado de Dona Ivone Lara e mulheres sambistas na Bahia
Por Lorena Ifé
Quando Vinicius de Moraes compôs Samba da Benção e escreveu “porque o samba nasceu lá na Bahia”, ele com certeza evidenciou o legado da baiana Tia Ciata — natural de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano — uma das precursoras do samba. Ao se mudar para o Rio de Janeiro, ela abriu sua casa para este movimento. Mas há evidências de que, antes disso, o samba de roda já havia surgido pelas ruas da Bahia.
Seguindo esse legado, há quase dois anos, a sambista e empresária Patrícia Ribeiro abre as portas da casa onde morou o sambista Oscar da Penha — o Batatinha — no Largo dos Aflitos, 68, em Salvador, para realizar a Roda de Mulheres do Batatinha Bar. Mais uma edição da roda foi realizada na noite do último sábado (12), em celebração ao Dia Nacional da Mulher Sambista, comemorado em 13 de abril, data oficializada em 2024 por meio de sanção presidencial.
A lei homenageia o nascimento de Dona Ivone Lara, cantora, compositora e instrumentista. Falecida em 2018, ela deixou um legado como um dos maiores nomes do samba no país. Foi exemplo de resistência e luta ao romper barreiras machistas — como ter sido a primeira mulher a compor um samba-enredo, em 1965, para a escola Império Serrano.
“Havia uma real necessidade de ter uma lei e de dar importância à mulher que canta samba, porque o samba veio pelas mãos de uma mulher, que foi Tia Ciata”, relembra Patrícia, gestora do Batatinha Bar e cofundadora da Roda de Mulheres. Ela também destaca o protagonismo e os desafios enfrentados por Dona Ivone Lara: “Ela foi sabotada. Por ser mulher, não podia assinar algumas músicas, e acabava cedendo muitas de suas letras para que homens as cantassem”, relembra.
Uma das convidadas para a roda foi a cantora Josi Climaco, fundadora da banda Terreiro da Preta, que começou interpretando clássicos de Dona Ivone Lara e relembrou sua trajetória no samba: “É uma herança de família. Cresci nesse meio, cantando, aprendendo e organizando o samba. A gente sabe que o samba é feminino, mas o capitalismo apagou nossas histórias. Ainda assim estamos aqui, mostrando que a gente canta, empreende, toca, compõe, bate palma e dança”.
A roda foi conduzida pela banda base formada pelas artistas Ella Beatriz, Geovana Franco, Juliana Almeida, Jake Cruz, além de Patrícia Ribeiro e Clara Elisa, fundadoras da Roda de Mulheres. As cantoras Josi Climaco, Raíssa Araújo e Maíra foram as convidadas. Gal do Beco, conhecida como A Dama do Samba na Bahia, não pôde estar presente, mas teve sua trajetória lembrada. Nascida no Rio de Janeiro, foi na Bahia que, como ela mesma diz, “se tornou sambista”. Na década de 1980, abriu um bar na Avenida Vasco da Gama, o Beco de Gal, e criou um importante espaço de encontro para sambistas.
A Roda de Mulheres surgiu em dezembro de 2023, como celebração do aniversário de Patrícia e Clara Elisa. Juntas, decidiram oficializar o movimento, que acontece mensalmente. “A ideia principal é ocupar este espaço. O samba é majoritariamente ocupado por homens, e ao Patrícia assumir o bar, vimos uma oportunidade de firmar este espaço para as mulheres — uma roda aberta, dinâmica, onde somente mulheres participam”, explicou Elisa. A entrada custa R$20 e o espaço é aberto para artistas mulheres que queiram cantar, tocar ou recitar.
A mulher no samba
A origem do samba é marcadamente feminina. Entre os grupos fundamentais para sua formação estão as tias baianas, mulheres vindas de comunidades de terreiros — a partir das confrarias religiosas — que desempenharam papel essencial na construção da cultura popular das cidades, como no caso de Tia Ciata, que participou da fundação da Irmandade da Boa Morte.
No entanto, muitas mulheres sofreram apagamento por causa do machismo. “Todos os dias a gente sofre microviolências, assédios, desvalorização. Tem sempre algum homem vindo dizer o que a mulher tem que fazer, sendo ela especialista naquilo. Isso não é diferente no samba. A Roda de Mulheres é esse espaço seguro para a gente celebrar”, diz Elisa.
Em Salvador, além de referências como Gal do Beco, Josi Clímaco, Juliana Ribeiro e Mariene de Castro, têm surgido cada vez mais grupos formados por mulheres que protagonizam o samba, como Samba de Oyá, Samba das Cumades, Sambaiana, Terreiro da Preta, Samba Ohana, Roda de Samba Mulheres de Itapuã, Samba Clara, entre outras.
Patrícia reitera que existem várias casas de samba, mas nenhuma voltada especificamente para mulheres — e que o Batatinha Bar tem se tornado esse espaço. “Nossa equipe é formada majoritariamente por mulheres, gerida por uma mulher e feita para que as mulheres cantem, toquem, dancem e sejam felizes aqui.”
Música
Analuz de Verdade encerra Oktoberfest com show “Barato Total”
Serviço
-
O que: Show “Barato Total” com Analuz de Verdade e banda (Encerramento da Oktoberfest)
-
Onde: Rooftop da Chop Tap House – Villas do Atlântico
-
Quando: 24 de outubro
-
Horário: abertura da casa 17h (show às 18h)
-
Promoção: Ingressos do 1º lote dão direito a 01 Chopp IPA gelado (lote limitadíssimo)
-
Vendas e Informações: https://www.sympla.com.br/
evento/ocktoberfest—barato- total/3611713 ou pessoalmente na Chopp Tap House (Villas do Atlântico)
Foto: Djavan Barbosa
Música
Rachel Reis retorna ao Festival Sangue Novo com a Divina Tour
A cantora Rachel Reis retorna ao Festival Sangue Novo com a Divina Tour, no próximo dia 18 de outubro, no Trapiche Barnabé, em Salvador.
A trajetória da cantora ganhou destaque nacional com músicas como “Maresia”, que já ultrapassa 36 milhões de streams no Spotify, e “Bateu”, parceria com os Gilsons que supera 25 milhões de reproduções na plataforma. Hoje, a cantora já acumula duas indicações ao Grammy Latino pelos álbuns “Meu Esquema” e “Divina Casca”, ampliando a presença em espaços de destaque da música brasileira.
“Pra mim é uma troca muito bonita. Meu trabalho mostra para as meninas negras que é possível, assim como tem sido possível pra mim, e a minha música carrega isso também. E elas me devolvem tudo em acolhimento e carinho. A mensagem que eu deixo é simples: confie no seu instinto”, afirma Rachel.
Rachel transita por referências como axé, afrobeats, reggae e pop eletrônico, mantendo a identidade regional como parte natural de seu processo criativo.
“Eu sou regional, assim como sou cosmopolita. Meu trabalho é de raiz e de antena. Eu mantenho minhas raízes visíveis independentemente do que eu esteja cantando e do que o momento pede. Isso é inerente a mim e acontece de forma completamente natural: sou só eu sendo eu, musicalmente, desde 2020 quando me lancei no autoral. Minha música parte da Bahia e circula entre universos musicais diferentes, porque sou muito atenta a tudo ao meu redor, e é isso que traz frescor pro meu trabalho. Sou a cantora que sou muito porque vim de um lugar extremamente musical e cheio de camadas. Tudo isso vai na bagagem na hora de construir minha música”, afirma.
Retornando ao palco que marcou um momento importante de sua trajetória, Rachel Reis se junta a doze artistas na 8ª edição do Festival Sangue Novo, que acontece nos dias 17 e 18 de outubro.
O line-up desta edição traz Céu, Rachel Reis, Juliana Linhares, Bia Soull, Getúlio Abelha, Zé Ibarra, Guigga Maraká, DJ Nate Mônaco, DJ Ubunto, Brega a Dois, Totô de Babalong e DJ Rick Nogueira.
O projeto tem patrocínio da Tim e do Estado da Bahia, através do Fazcultura, Secretaria da Cultura e Secretaria da Fazenda. Apoio ProCultura, com realização da Maré Produções Culturais.
SERVIÇO:
[Festival Sangue Novo VIII]
Local: Trapiche Barnabé – Av. Jequitaia, 5 – Comércio, Salvador – BA;
Datas: 17 e 18 de outubro;
Ingressos: via Sympla.
Foto: Érico Toscano
Música
Cantora e compositora Briane Capinan lança single “Amargô Feito Féu”
Dor, superação e redescoberta,tudo que o fim de uma relação pode deixar. É a partir dessa experiência que a cantora, compositora e atriz baiana Briane Capinan lança, no dia 9 de outubro de 2026, o single “Amargô Feito Féu”.
A faixa transforma uma experiência de ruptura em uma afirmação de amor-próprio. Briane constrói uma canção sobre consciência, potência e reconhecimento de si ao narrar o momento em que uma mulher reconhece sua força e decide não retornar para uma relação que já não a valorizava.
A composição utiliza metáforas ligadas às orixás Osún e Oyá e à energia de Pombagira, evocada por elementos como o mel, o vento, o vinho e o ouro. A ideia central da música nasce justamente desse contraste:
Quem não soube apreciar o seu “mel” agora precisa lidar com o gosto amargo do “fel”.
O “fel” também aparece na composição a partir de uma metáfora culinária. A referência vem de uma pequena parte da galinha que, quando se rompe, pode comprometer o sabor de toda a carne, tornando necessário descartá-la por completo.
Na música, a imagem representa aquilo que, depois de uma experiência amarga, já não pode ser preservado da mesma maneira. Reconhecer esse momento também é uma forma de cuidado consigo.
A canção tem como ponto de partida uma cantiga de jurema dos caboclos e boiadeiros, aprendida por Briane em seu ilê:
“A Jurema é doce, doce feito mel;
quem não sabe beber, ela amarga feito fel.”
Uma mistura msuical de xote do forró ao pagodão baiano, resultando em uma sonoridade marcada pelo swing e pela identidade musical baiana da artista.
A parceria também traz mais personalidade: Chibatinha, guitarrista do ÀTTØØXXÀ, imprime sua assinatura à faixa.
“Amargô Feito Féu é o meu grito de resiliência. Eu achei que não conseguiria superar um amor que só me fazia mal, mas pude perceber que o maior valor está no amor-próprio e foi através da minha espiritualidade que pude compreender e enxergar isso” – Briane Capinan
SOBRE ELA
Natural de Feira de Santana (BA) e atualmente residente em Salvador, Briane Capinan iniciou sua trajetória musical em 2015. Cantora, compositora, atriz e multiartista, encontra na música um espaço para expressar as diferentes faces do amor, das vivências pessoais e da ancestralidade.
Sua produção transita por referências como afoxé, afrobeat e swingueira, em diálogo com os ritmos baianos e o axé. Em suas canções, a artista transforma experiências pessoais em narrativas sobre afeto, identidade, desejo e memória, criando conexões com o público a partir de uma perspectiva marcada pela cultura afro-brasileira.
Em 2026, Briane foi selecionada como uma das cinco finalistas do Mira Lab, projeto realizado pelo Instituto A Mulherada voltado à formação e ao desenvolvimento de carreira de cantoras negras e periféricas de Salvador. Como parte da iniciativa, a artista passou por um processo de desenvolvimento artístico e musical que culmina no lançamento de uma música autoral.
Para Briane Capinan, participar do projeto também representou um momento de reafirmação de sua trajetória artística:
“Eu digo que o Mira Lab foi o meu grito de esperança. Pois me encontrou no momento em que mais precisava de afirmação sobre o meu propósito enquanto artista. Por ter que lidar com tudo sozinha sendo cantora independente, já me via sem esperanças. Mas o Mira Lab me olhou, me ouviu e fez com que a minha voz se fortalecesse para continuar nessa jornada.”
Foto: Gustavo Maia
FIQUE LIGADA(O): https://distro.ffm.to/amargo_feito_feu
-
Opinião10 anos atrás“O incansável e sempre ativo pau grande e afetividade do homem negro” – Por Kauê Vieira
-
Literatura9 anos atrásA lírica amorosa da poetisa Lívia Natália em “Dia bonito pra chover”! – Por Davi Nunes
-
Literatura10 anos atrásDavi Nunes e Bucala: uma literatura negra infantil feita para sentir e refletir
-
Formação7 anos atrásConheça cinco pensadores africanos contemporâneos que valem a pena
-
Audiovisual3 anos atrásFilme “Egúngún: a sabedoria ancestral da família Agboola” estreia no Cine Glauber Rocha
-
Cultura3 anos atrásOrquestra Agbelas estreia em Salvador na festa de Iemanjá
-
Carnaval4 anos atrásBloco Olodum libera venda do primeiro lote de abadás com kit promocional
-
Música3 anos atrásEx-The Voice, soteropolitana Raissa Araújo lança clipe da música “Aquele Momento”


