Cultura
3ª Caminhada Cultural de Zé Pilintra acontece no dia 27 de abril
As ruas do Centro de Salvador serão palco de uma grande celebração à fé, à cultura popular e à espiritualidade afro-brasileira no próximo domingo, 27 de abril, com a realização da 3ª Caminhada Cultural de Zé Pilintra. O evento terá concentração a partir das 10h, na Praça Castro Alves, e deve reunir centenas de devotos, terreiros, grupos culturais, artistas e simpatizantes da emblemática entidade.
Mais que um ato religioso, a Caminhada se consolida como uma manifestação pública de resistência, diversidade e valorização das tradições afro-brasileiras. Com músicas, danças, trajes e expressões de fé, o cortejo promete colorir o Centro Histórico com chapéus brancos adornados por faixas vermelhas — símbolo característico de Zé Pilintra — e muito axé.
Figura central no Catimbó e na Umbanda, Zé Pilintra é reverenciado como entidade de luz, defensor dos pobres, patrono dos bares e das ruas. Seu arquétipo, o malandro de bom coração, inspirou inclusive personagens da cultura pop, como o famoso Zé Carioca, da Disney.
A Caminhada é organizada pelo Santuário de Zé Pilintra, localizado na Rua do Corpo Santo (Comércio), sob liderança do Babá Xafalaké (Wellington Luís). A iniciativa busca promover o combate à intolerância religiosa e o reconhecimento cultural, ancestral e espiritual da entidade. Este ano, nomes de peso como o bloco afro Ilê Aiyê e o grupo Orisun integram a programação, reforçando o compromisso com a valorização das heranças africanas.
Além do cortejo, o projeto propõe a criação do “Dia de Zé Pilintra” em Salvador, a ser celebrado em 30 de abril, como forma de institucionalizar a importância da entidade no calendário cultural e religioso da capital baiana.
SERVIÇO
Evento: 3ª Caminhada Cultural de Zé Pilintra
Data: 27 de abril de 2025 (domingo)
Horário: 10h
Local: Praça Castro Alves, com percurso até a Rua do Corpo Santo – Comércio, Salvador/BA
Atrações: Ilê Aiyê, Orisun e grupos culturais
Acesso: Gratuito
Informações: (71) 98692-3414
Instagram: @ilebabaalapitoke | @santuariozepilintrasalvador
Cultura
Projeto Mãos no Tambor realiza workshop gratuito
Com o objetivo de resgatar memórias e fortalecer a continuidade das tradições do Candomblé por meio da prática, o Projeto Mãos no Tambor promove, no dia 16 de maio, às 9h30, a 4ª edição do Workshop Gratuito de Ritmos e Toques de Candomblé. A atividade será realizada no Terreiro Casa Branca e terá como foco os toques dos Orixás, com abordagem teórica e prática sobre suas funções, contextos de execução e a dinâmica dos atabaques.
A programação será iniciada com uma roda de conversa sobre “O papel da juventude de Candomblé na manutenção das tradições”. O encontro reúne os idealizadores Jean Chagas e Nego Kiri, além dos colaboradores Saimon Bispo, Jefferson Chagas, Diego Ferreira e Aynã Oliveira, com mediação da gestora do projeto, Laísa Gabriela.
O debate parte de experiências vivenciadas pelos participantes para destacar o papel estratégico das novas gerações na preservação das tradições, da oralidade e das práticas litúrgicas, reforçando o Candomblé como um sistema cultural dinâmico e em constante construção.
De acordo com Nego Kiri, ogan do Terreiro do Cobre, a iniciativa atua diretamente na valorização e continuidade dos saberes tradicionais.
“Hoje existe um olhar crítico sobre a juventude de axé. Nosso objetivo é demonstrar compromisso com a religião e compartilhar conhecimentos que garantam a preservação dos saberes ancestrais”, afirma.
O workshop propõe um ambiente de troca em que ritmo, escuta e oralidade são elementos centrais do processo de aprendizagem. A iniciativa busca ampliar o acesso de jovens, especialmente de comunidades periféricas, ao conhecimento sobre ancestralidade, utilizando a musicalidade como eixo de conexão e fortalecimento identitário.
Para Jean Chagas, ogan do Terreiro Casa Branca, a proposta também responde a uma lacuna histórica de acesso ao conhecimento tradicional.
“Nos terreiros, nem sempre é possível registrar ou compartilhar determinados rituais. Por isso, criamos esse espaço de troca, entendendo que o conhecimento precisa circular”, explica.
As vagas são limitadas a 25 participantes. As inscrições devem ser realizadas por meio de formulário online, e a seleção levará em conta a capacidade do espaço. Ao final da atividade, será emitido certificado para os participantes.
Serviço
Evento: 4º Workshop Gratuito de Ritmos e Toques de Candomblé
Data: 16 de maio
Horário: 9h30
Local: Terreiro Casa Branca
Inscrições: Formulário online (clique aqui)
Vagas: 25 participantes
Certificação: Sim
Cultura
Bia Barreto cria o Afrobeto para uma educação antirracista
O Afrobeto, criado pela educadora, artista e pesquisadora Bianca Barreto do Nascimento, a Bia Barreto, também conhecida como Afroprof, é uma tecnologia educacional afrorreferenciada que une alfabetização, identidade cultural, diversidade, pertencimento e educação antirracista.
Mais do que um material didático, o Afrobeto se apresenta como uma proposta pedagógica e cultural que transforma referências da diáspora africana, da cultura afro-brasileira, dos saberes ancestrais e das produções negras em caminhos de aprendizagem. A iniciativa contribui diretamente para a implementação das Leis 10.639/03 e 11.645/08, que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena nas escolas brasileiras.
A proposta nasceu da inquietação de Bia Barreto diante da ausência de referências negras nos processos de alfabetização e formação escolar. A partir disso, o projeto passou a desenvolver materiais afrodidáticos que dialogam com crianças, jovens, educadores e comunidades escolares, ampliando repertórios, fortalecendo a autoestima de estudantes negros e negras e promovendo práticas pedagógicas mais plurais, inclusivas e comprometidas com a equidade racial.
Atualmente, o Afrobeto reúne diferentes coleções e possibilidades formativas, como o Afrobeto de Saberes, Afrobeto de Personalidades Negras, Afrobeto de Sabores, Afrobeto de Folhas e Ervas, Afrobeto Adinkras, Afrobeto de Expressões de Axé, Afrobeto Marinho, Caligrafia Afrobetizada, Colorigrafia Afrobetizada e a linha Afrogoods, voltada para atividades de colorir, criação, identidade visual e repertório cultural afrorreferenciado.
Com circulação em escolas, formações, eventos literários, ações culturais e espaços institucionais, o Afrobeto já alcançou mais de 100 escolas, passou por mais de 20 cidades e impactou milhares de estudantes e educadores. O projeto também foi finalista do Prêmio Educador Transformador 2024, do Sebrae, reconhecimento que ampliou sua visibilidade como experiência inovadora em educação, cultura e impacto social.
Em 2026, o Afrobeto fortaleceu ainda mais sua presença pública com participação na Bienal do Livro Bahia, entrevistas para veículos de comunicação e ações de difusão voltadas ao incentivo à leitura, à educação antirracista e à valorização da produção intelectual negra. A iniciativa também vem se consolidando como proposta para palestras, oficinas, formações pedagógicas, exposições, rodas de conversa e consultorias para redes de ensino, instituições culturais, empresas, feiras literárias e projetos sociais.
Para Bia Barreto, o Afrobeto é uma forma de disputar imaginários e devolver às crianças negras o direito de aprender a partir de referências que também se pareçam com elas.
“O Afrobeto nasce da necessidade de alfabetizar sem apagar identidades. Quando uma criança aprende a letra A a partir de ancestralidade, a letra B a partir de baobá, a letra C a partir de capoeira ou cabelo crespo, ela não está apenas aprendendo letras. Ela está aprendendo que sua história, seu corpo, sua cultura e sua memória também são conhecimento”, afirma Bia Barreto.
Além da atuação pedagógica, o projeto também dialoga com empreendedorismo, sustentabilidade, produção editorial independente e economia criativa, consolidando a marca Afro.didáticos como um campo de criação de materiais educativos, culturais e afrorreferenciados.
Cultura
“Uma Quarta de FreePelô” inicia nova temporada no Pelourinho
A Fundação Casa de Jorge Amado inicia, nesta quarta-feira (29), uma nova edição do projeto ‘Uma Quarta de FreePelô’, com uma programação especial voltada à formação de leitores e à valorização da cultura no Centro Histórico de Salvador. A primeira ação será a contação de história “Como os Ibéjis salvaram o mundo”, com a Bruxa Profana Latino-Americana, às 15h, na Sala James Amado, sede da instituição, no Pelourinho.
Realizado pela Fundação, o projeto oferece atividades 100% gratuitas todas as quartas-feiras, incluindo visitação mediada, ações formativas e apresentações culturais, especialmente pensadas para incentivar o interesse pela literatura.
Voltado prioritariamente para crianças e jovens de escolas públicas, o ‘Uma Quarta de FreePelô’ busca estimular o gosto pela leitura, apresentar o legado de Jorge Amado e contribuir para a movimentação de público no Centro Histórico. As atividades, no entanto, são abertas ao público em geral.
Formação cultural e acesso
Cada estudante participante recebe um livreto sobre a vida e a obra de Jorge Amado, enquanto as instituições de ensino recebem um conjunto pedagógico elaborado pela Fundação, com orientações para o trabalho em sala de aula. As escolas interessadas podem realizar inscrições gratuitas pelo site www.cultura.salvador.br.
Como parte da política de incentivo à circulação de público no Pelourinho, o projeto também disponibiliza transporte gratuito entre o metrô Campo da Pólvora e o Centro Histórico. As vans da ação “Partiu Pelô”, fruto de parceria com a CCR Metrô Bahia, operam das 10h às 17h30, com embarque na Rua do Tingui e desembarque em frente à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, realizando também o trajeto de retorno.
Este é o quarto ano de execução do projeto, que vem se consolidando como uma importante iniciativa de formação cultural e educacional na capital baiana.
“Acreditamos profundamente no poder da literatura como ferramenta de transformação social. O Uma Quarta de FreePelô aproxima crianças e jovens do universo de Jorge Amado e do patrimônio cultural do Pelourinho, despertando o interesse pela leitura e fortalecendo vínculos com a nossa identidade”, afirma Angela Fraga, presidente da Fundação Casa de Jorge Amado.
O projeto é apresentado pelo Ministério da Cultura e pela Fundação Casa de Jorge Amado, com patrocínio da Motiva, por meio do seu Instituto, e do Banco do Nordeste, via Lei Federal de Incentivo à Cultura. A iniciativa conta ainda com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio do Fundo de Cultura da Bahia, e apoio da Prefeitura Municipal de Salvador, da ITS Brasil e do Shopping da Bahia.
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