Artes
1ª Bienal de Performance da Bahia reúne ações nas ruas, escolas e centros culturais
De 13 a 17 de agosto, a arte da performance toma as ruas, escolas e centros culturais de Salvador na 1ª Bienal de Performance da Bahia. O evento, inédito no estado, reúne mais de 30 artistas e pesquisadores em uma programação gratuita que inclui performances urbanas, exposições, oficinas, debates, mostra de vídeoarte e transmissões online.
Sob curadoria da artista e pesquisadora baiana Padmateo, a Bienal parte da provocação “Isto é violência?”, questionamento que atravessa os corpos e propõe reflexões críticas sobre como o cotidiano, a política e as marcas da história moldam as experiências da violência – especialmente em contextos de marginalização. “Nos faltava um espaço que descentralizasse a performance das galerias e a colocasse no meio da rua, entre o povo. A Bienal nasce como um gesto de encontro e partilha”, afirma a curadora.
A escolha por Salvador como uma das cidades-sede é também um posicionamento político: a capital baiana segue como uma das metrópoles com maior número de homicídios do país, conforme dados do Atlas da Violência e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ao ocupar esses territórios com arte, a Bienal propõe uma escuta atenta às urgências locais e inscreve a performance como gesto de enfrentamento simbólico, afetivo e político.
Salvador: performances e debates no Pelourinho
Em Salvador, o Pelourinho será palco de caminhadas performáticas, debates e ações poéticas. No dia 13, Tiê Francisco Maria apresenta, às 15h, a performance sonora “Ultrassom: ou toda cidade é uma partitura”, a partir da Casa do Benin. No mesmo ponto de partida, no dia 14, Ângela Daltro apresenta “Noiva”, prece laica contra violências de gênero e raça. No dia 15, o artista Álex Ìgbó espalha pela cidade os lambes da série “Oriente-se”, que subvertem símbolos coloniais de gênero.
Já no dia 16, às 15h, Kako Arancíbia e Franclin Rocha conduzem “Contagiar: conversas sobre HIV e AID$” no Terreiro de Jesus, propondo o silêncio, o afeto e o diálogo como práticas performativas.
Mostra de vídeoarte e ciclo de aulas magnas
Entre os dias 13 e 17, será exibida uma mostra de vídeoarte com curadoria de Rogério Félix e parceria com o acervo do Vídeo Brasil, reunindo obras que abordam identidade, território e performatividade, como “O arco do medo” (Juan Rodrigues), “De dentro, pra fora, pra dentro” (Jono Lena) e “No le digas a mi mano derecha…”.
Complementando a programação, o ciclo virtual Auto-Falante: Aulas Magnas trará falas ao vivo com transmissão no YouTube da Bienal, sempre às 11h, com tradução em Libras. Renan Marcondes abre o ciclo no dia 13 com a aula “Corpos dissipados”. Na sequência, Pêdra Costa ministra “Vamos abrir a roda, enlarguecer” (14/08), Ramon Fontes apresenta “Traindo trauma, tramando vida” (15/08), e Waleff Dias encerra no dia 16 com “Torcendo nossas línguas!”.
Oficinas formativas e participação gratuita
A Bienal também oferece oficinas gratuitas presenciais e online. Em Salvador, Diego Alcântara realiza “Método Mamba” no dia 15, das 15h às 18h, na Casa Mangabeira. Já no formato virtual, Nina Caetano comanda a oficina “Práticas Performativas Feministas” (13/08), e Kauê Garcia ministra “Arte e Crime” (14/08). As inscrições podem ser feitas via formulário disponível no perfil @bienalperformance, no Instagram.
Um convite à luta e à liberdade
“A rua é o lugar do embate, da escuta e da partilha com quem vive a violência no cotidiano”, afirma Padmateo. “Que essa edição abra caminho para novos tensionamentos, para outras Bahias. Que as pessoas possam se apaixonar pela linguagem e usá-la como ferramenta de luta e liberdade.”
A 1ª Bienal de Performance da Bahia se afirma como gesto político, estético e territorial, ao deslocar o eixo da arte contemporânea para os centros populares. Com a pergunta “Isto é violência?”, a Bienal instaura um espaço de aparição para corpos dissidentes, desejos plurais e novas formas de existir na arte.
A programação completa está disponível via Linktree no Instagram oficial: @bienalperformance
Serviço
Quando: 13 a 17 de agosto de 2025
Gratuito
Programação completa: link na bio do Instagram @bienalperformance
Transmissões ao vivo no YouTube da Bienal
Inscrições para oficinas pelo formulário disponível no Instagram
Artes
Salvador ganha murais em homenagem a Iansã e Santa Bárbara
Salvador acaba de ganhar novas cores, símbolos e formas de celebrar suas matrizes culturais e religiosas. O histórico Mercado de Santa Bárbara, na Baixa dos Sapateiros, tornou-se palco das primeiras intervenções do projeto Viva Salvador: arte, fé e tradição, que inaugurou dois murais em grafite dedicados a Santa Bárbara e Iansã, celebradas nesta quinta-feira (4), quando a capital se veste de vermelho em sua homenagem.
As obras foram concluídas em dois dias de criação intensa e levam a assinatura de artistas reconhecidos da cena urbana baiana. Um dos murais foi produzido em conjunto por Bigod e Prisk, integrantes do Coletivo MUSAS – Museu de Street Art de Salvador. O outro é assinado por Tárcio V, um dos principais nomes do grafite no estado.
Idealizado pela Viva Agência de Ideias e dirigido por Paula Hazin, o projeto marca o início de uma série de intervenções que pretendem transformar muros da cidade em suportes de memória, fé e identidade, ressignificando o modo como Salvador celebra suas festas populares religiosas. “A ideia é homenagear a cidade com esta linguagem tão linda que é o grafite. Começamos pela festa de Santa Bárbara, que pinta nossa Salvador de vermelho. O nosso desejo é envolver arte, fé e festa, porém repensando a maneira como utilizamos os espaços públicos e, claro, trazendo beleza”, afirma a idealizadora.
Arte urbana como ferramenta de transformação
Mais do que embelezar fachadas, o Viva Salvador aposta no grafite como instrumento de valorização do patrimônio imaterial, da cultura de matriz africana e do sentimento de pertencimento da população. Ao todo, o projeto prevê pelo menos sete grandes murais, cada um dedicado a uma festa popular religiosa da cidade: São Lázaro; Nossa Senhora da Conceição da Praia; Bom Jesus dos Navegantes; Lavagem do Bonfim; Iemanjá e Carnaval.
Os locais serão definidos em diálogo com comunidades e órgãos públicos, priorizando áreas de grande circulação ou espaços em processo de degradação urbana. “Entre os principais objetivos do projeto estão valorizar o patrimônio cultural e religioso de Salvador, promover o grafite como ferramenta de transformação urbana, estimular o turismo cultural, fortalecer a produção artística local e criar circuitos de arte pública acessíveis”, destaca Hazin.
O projeto também inclui ações educativas e formativas, com oficinas gratuitas de grafite para jovens de bairros populares, abordando técnicas de pintura, história da arte urbana e identidade cultural. Ao final, os participantes integrarão a produção coletiva de novos murais pela cidade.
Estão previstas ainda mesas-redondas, seminários culturais com mestres da cultura popular, artistas, pesquisadores e líderes comunitários, além do lançamento de um mini documentário sobre o processo criativo do projeto.
SERVIÇO:
Inauguração dos murais do projeto Viva Salvador
Mercado de Santa Bárbara, Baixa dos Sapateiros – Salvador
Dois murais de grafite dedicados a Iansã e Santa Bárbara
Realização: Viva Agência de Ideias
Acesso gratuito
Artes
Festival Afrofuturismo celebra os ‘Ancestrais do Futuro’
Os territórios da diáspora africana se encontram novamente em Salvador nos dias 5 e 6 de dezembro, quando o Festival Afrofuturismo Ano VII transforma o Centro Histórico em um grande laboratório de ideias, conexões e narrativas afrocentradas. Com o tema “Ancestrais do Futuro”, o evento — considerado a maior conferência de futurismo, inovação e diversidade da América Latina — tem inscrições totalmente gratuitas via Sympla.
Realizado pelo Hub de Inovação Vale do Dendê, o festival conta com patrocínio da Prefeitura de Salvador, integra a programação do Salvador Capital Afro e recebe apoio institucional do SEBRAE e do Hospital Albert Einstein, além de parceria de captação da Casé Fala e apoio de mídia da Afro.TV Brasil.
A programação ocupa a Casa Vale do Dendê e os largos Tereza Batista, Quincas Berro D’Água e Pedro Arcanjo, promovendo intercâmbio cultural e reflexões sobre futuros possíveis a partir de referências afrocentradas. O público participa de palestras, talks, rodas de conversa, oficinas e trilhas temáticas que abrangem ancestralidade, tecnologia, moda, sustentabilidade, finanças, arte, mídias e empreendedorismo.
A homenageada do ano é a pesquisadora e futurista Grazi Mendes, autora do livro “Ancestrais do Futuro – Qual a Mudança que seu Movimento Alcança?”, obra que inspira o tema oficial da edição. Grazi comanda o painel principal no dia 5, às 14h, na sala Arroz Doce, na Casa Vale do Dendê.
Entre os nomes confirmados estão ainda:
– as estilistas Mônica Anjos e Isa Silva;
– as empreendedoras Monique Evelle, Najara Black e Danielle Pires;
– o recordista mundial Robson de Jesus;
– jornalistas como Midiã Noelle, Naiara Oliveira e Meire Oliveira;
– referências da área financeira como Nina Silva e Cinara Santos;
– e criadores e pesquisadores de impacto, como Diosmar Filho, Mel Campos, Everton Machado, Zamba e Felipe Aragão.
Na cena internacional, participam Saulo Montrond, fundador do canal de TV africano TVA, e Marcos Jamir, CEO da plataforma AfricanDev, que conecta profissionais africanos de TI a projetos brasileiros.
Programação e imersão no Centro Histórico
Ao longo dos dois dias, o festival oferece cerca de 13 horas de atividades gratuitas, conectando saberes tradicionais a práticas contemporâneas de inovação — do “tempo espiralar” à imaginação radical negra. Talks, oficinas e painéis apresentam caminhos possíveis para um futuro mais inclusivo.
Além disso, o público confere a Feira de Empreendedorismo, na Praça Pedro Arcanjo, com exposições de moda, artesanato, bijuterias e produtos da economia criativa; e a Exposição de Startups, no Largo Tereza Batista, reunindo soluções inovadoras em tecnologia, artes, acessibilidade e impacto social.
Com circulação intensa de empreendedores, pesquisadores e investidores, o festival consolida Salvador como polo global de criatividade e inovação, dialogando com eventos como SXSW (Austin), Web Summit (Lisboa), Cannes e Essence Festival.
Para Paulo Rogério Nunes, idealizador do Festival Afrofuturismo e cofundador da Vale do Dendê, esta edição marca a expansão do formato pocket:
“É uma alegria muito grande realizar pela sétima vez o Festival Afrofuturismo no Centro Histórico. Este ano, em um formato gratuito e mais enxuto, queremos ampliar o alcance e democratizar ainda mais o acesso a conteúdos sobre futurismo, tecnologia, inovação e criatividade. Nossa intenção é que o modelo pocket viaje por outros territórios da Bahia e do Brasil, e futuramente também para outros países.”
SERVIÇO:
Festival Afrofuturismo Ano VII – “Ancestrais do Futuro”
5 e 6 de dezembro de 2025
A partir das 10h
Centro Histórico de Salvador (Casa Vale do Dendê, Largos Tereza Batista, Quincas Berro D’Água e Pedro Arcanjo)
Ingressos gratuitos via Sympla
Coquetel de pré-abertura: 4 de dezembro, às 19h, na Casa Encantos – Ribeira (para convidados)
Artes
Festival Paisagem Sonora começa sexta (05) em Salvador
De sexta (05) a domingo (07), Salvador recebe, pelo segundo ano consecutivo, o Festival Paisagem Sonora, iniciativa da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Com programação gratuita na Casa Rosa, no Rio Vermelho, o evento reúne seminários, lançamentos de livros e apresentações musicais, promovendo três dias de arte, educação e cultura.
Nascido no território do Recôncavo, o programa é uma ação da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da UFRB, com apoio da SECADI/MEC, Fundação Cultural Palmares e Ministério da Cultura. A proposta reconhece a música como linguagem de resistência, memória e criação coletiva, articulando ações que integram arte, educação e justiça social.
Mais do que um evento, o Paisagem Sonora é uma política pública de extensão universitária que articula pesquisa, cultura e ancestralidade. A cada edição, um artista baiano é escolhido como ponto de partida para criação de um livro e realização do festival. Em 2025, o homenageado é o artista plástico, carnavalesco e serígrafo Alberto Pitta.
Lançamentos de livros
Na sexta (05), obras produzidas pelo Selo Editorial Anjo Negro serão lançadas na Casa Rosa. Entre elas, “Alberto Pitta: FúnFún DúDú”; “Nações do Candomblé”, de Mateus Aleluia; “Bembé do Mercado: Dossiê de Registro como Patrimônio Cultural do Brasil”; além de um box com os 21 “Cadernos de Educação do Ilê Aiyê”.
Ainda no mesmo dia, no Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá (São Gonçalo do Retiro), acontece o lançamento do livro e documentário “Ilê Axé Opô Afonjá – Pedagogia da Ancestralidade”, em homenagem aos 100 anos de Mãe Stella de Oxóssi.
Os seminários acontecem no Teatro Cambará, na Casa Rosa. A abertura ocorre na sexta (05), às 15h30, com o tema “Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola”, com Zara Figueiredo, Secretária da SECADI. Em seguida, o pró-reitor Danillo Barata apresenta “Programa Música e Educação para as Organizações da Resistência”.
No sábado (06), o seminário “Paisagens Sonoras: Processos Criativos e Redes do Comum” reúne Arto Lindsay, Alê Siqueira e Nancy Viegas, às 14h. Às 15h, o debate “Reconfigurações do Carnaval Negro” contará com Afrocidade, Alberto Pitta, Rogério Oliveira e Giba Gonçalves, com mediação de Mara Felipe.
No domingo (07), às 14h30, Anelis Assumpção discute “Museu Itamar Assumpção: Memória, Música e Afrofuturismo”. Fechando o ciclo de debates, às 15h30, Lazzo Matumbi participa do “Seminário Clube da Radiola”, sobre o álbum Atrás do Pôr do Sol.
Com ingressos esgotados, os shows acontecem na área externa da Casa Rosa:
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Dia 05: Cortejo Afro convida Arto Lindsay, seguido por Afrocidade.
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Dia 06: Afoxé Filhos de Gandhy, ÀTTØØXXÁ, Marcia Castro e Roda de Samba Reggae.
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Dia 07: Ilê Aiyê e Lazzo Matumbi, convidando Anelis Assumpção.
A programação completa está disponível no site oficial do evento.
SERVIÇO:
7º Festival Paisagem Sonora
05 a 07 de dezembro
Casa Rosa – Rio Vermelho, Salvador
Gratuito
Programação completa: festivalpaisagemsonora.org
Instagram: @paisagemsonorabahia
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