Teatro
Espetáculo “Vovô” percorre terreiros na Bahia e homenageia a figura do avô negro
A figura do avô negro — símbolo de afeto, sabedoria e resistência — é o ponto de partida do espetáculo “Vovô”, que inicia uma circulação por terreiros de candomblé em quatro cidades baianas no mês de agosto: Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari e Santo Amaro. A temporada faz parte do projeto Raízes que Povoam, realizado pelo Instituto de Arte e Cultura da Bahia (IAC-BA) e Teatroescola, e busca promover encontros entre arte, território, espiritualidade e ancestralidade. Todas as atividades são gratuitas.
A estreia acontece no dia 9 de agosto, no Terreiro Ilê Asé Odé Faroerã, no bairro de Paripe, em Salvador. Além da apresentação teatral, o projeto oferece um workshop de produção cultural ministrado por Nell Araújo, gestor sociocultural e fundador do IAC-BA. Em Lauro de Freitas, as ações contarão com acessibilidade em Libras.
Com dramaturgia sensível e poética, a peça é encenada pelos atores Pedro Zaki e Rafa Martins, sob direção de Leno Sacramento, do Bando de Teatro Olodum. “Levar esse espetáculo a diversos terreiros representa levar algo de novo para o que é velho. Não falamos com tanta frequência dos mais velhos, do avô, da sensibilidade na masculinidade. Esse tema se encontra em todo lugar, e nos propomos a abordá-lo com afeto e reflexão”, destaca Leno.
Criado durante a pandemia, em 2021, “Vovô” nasceu no formato virtual e, desde 2023, ganhou adaptação para o palco. A montagem reúne cenas em que os intérpretes revisitam memórias pessoais com seus avôs, levantando questões como afeto, abandono, masculinidade, homofobia, legado e ancestralidade. A proposta é dar visibilidade a um personagem muitas vezes ausente ou invisibilizado na estrutura familiar e, ao mesmo tempo, propor um resgate amoroso das relações intergeracionais nas famílias negras.
O espetáculo também é uma forma de reconectar a arte ao chão dos terreiros e das comunidades negras. “Quando o teatro acontece ali, ele vira quase um ritual, algo que cura, emociona e fortalece”, diz o coreógrafo Dudé Conceição, que acompanha o projeto.
Além da encenação, o workshop de produção cultural oferece formação prática para moradores dos terreiros e das comunidades do entorno. A proposta é instrumentalizar agentes culturais com ferramentas para conceber e executar projetos, valorizando a cultura de terreiro como patrimônio vivo. A oficina aborda desde a estrutura da produção (pré, durante e pós) até comunicação e gestão financeira.
A circulação do espetáculo “Vovô” reafirma o compromisso com a oralidade, ancestralidade e valorização dos saberes dos mais velhos, como destaca o Bàbálòrìsá Jorge D’Olwaiyè, anfitrião do terreiro em Camaçari: “Acredito que somos porque outros foram. A figura do avô representa o valor dos mais velhos nas egbés. Os ancestrais — estejam na Terra ou no Orum — permanecem vivos e presentes”.
SERVIÇO
SALVADOR
Data: 9 de agosto de 2025
Local: Terreiro Ilê Asé Odé Faroerã
Endereço: Rua 7 de Setembro da Cocisa, número 53, bairro de Paripe, Salvador – Bahia
Horários:
-
Workshop de Produção Cultural: das 14h às 16h
-
Espetáculo “Vovô” seguido de bate-papo: das 17h às 18h10
LAURO DE FREITAS
Data: 17 de agosto de 2025
Local: Terreiro Ilê Asé Opô Oyá Sojú
Endereço: Rua Capiarara, número 1.850, bairro Areia Branca, Lauro de Freitas – Bahia
Horários:
-
Workshop de Produção Cultural: das 14h às 16h
-
Espetáculo “Vovô” seguido de bate-papo: das 18h às 19h10
Acessibilidade: Atividades com intérprete de Libras
CAMAÇARI
Data: 23 de agosto de 2025
Local: Terreiro Ilê Axé Raízes Obá Kossô Omi
Endereço: Rua São José, número 13, distrito de Parafuso, Camaçari – Bahia
Horários:
-
Workshop de Produção Cultural: das 14h às 16h
-
Espetáculo “Vovô” seguido de bate-papo: das 18h às 19h10
SANTO AMARO
Data: 29 de agosto de 2025
Local: Terreiro Ilê Yá Oman
Endereço: Avenida Rui Barbosa, número 577, bairro Bonfim, Santo Amaro – Bahia
Horários:
-
Workshop de Produção Cultural: das 14h às 16h
-
Espetáculo “Vovô” seguido de bate-papo: das 18h às 19h10
Teatro
Cia Suburbando de Teatro apresenta espetáculo “Mwana Erê”
Moradores do bairro de Plataforma (Subúrbio) e região terão uma opção de lazer nos domingos de setembro. Nos dias 6, 13, 20 e 27/9, a Cia Suburbando de Teatro apresenta o espetáculo “Mwana Erê”, com entrada na modalidade Pague quanto Puder. As sessões ocorrem no Centro Cultural Plataforma, às 18h.
O espetáculo parte da denúncia do genocídio de crianças e adolescentes negros, dialogando com temas como violência, racismo estrutural, homofobia, empoderamento feminino e direito à infância, articulando teatro, música, dança e humor como linguagem cênica.
A Cia Suburbando nasceu no Subúrbio em 2025, como resultado das Oficinas de Performance Negra do Bando de Teatro Olodum nos anos de 2024 e 2025, um projeto de formação que envolve teatro, música, dança e outras qualificações artísticas.
Com integrantes do Subúrbio Ferroviário, a companhia é formada por jovens atores e atrizes, que buscam desenvolver um trabalho artístico comprometido com a valorização das narrativas negras e periféricas, tendo o teatro como ferramenta de empoderamento, reflexão social e transformação simbólica dos territórios.
As apresentações integram o projeto Mwana Erê – Circulação Teatral, que propõe a circulação do espetáculo por equipamentos culturais de Salvador e Região Metropolitana. Após as sessões do espetáculo, serão realizados momentos de mediação cultural, a partir de bate-papo com o público.
Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.
SERVIÇO
O que: Espetáculo “Mwana Erê”, Cia Suburbando de Teatro
Quando: 6, 13, 20 e 27/9 (domingos), às 18h
Quanto: Pague quanto Puder
Onde: Centro Cultural Plataforma (Praça São Braz, s/n, Plataforma)
Fotos: Paulo Coelho
—
Teatro
Nando Zâmbia apresenta espetáculo ELEGBAPHO no FIGA
O espetáculo ELEGBAPHO – Território Afrocênico de Celebração Negra, do ator e iluminador Nando Zâmbia terá reestreia na 16ª edição do Festival Internacional Gestos de América – FIGA (antes FILTE), com apresentações de abertura e encerramento do festival, nos dias 04 e 13 de setembro, às 19h e 18h, respectivamente. Será no Espaço Cultural da Barroquinha.
Entrelaçando teatro, dança, música, conexões multimídias, o espetáculo celebra a existência negra no Brasil e no mundo a partir de Elegbara, o Exu que é o senhor do poder, e que é também o orixá que rege o orí do ator Nando Zâmbia. A montagem convida o público para uma imersão, uma experiência sensorial e ritualística através de projeções, vídeos, luzes e sonoridades, percorrendo um caminho que leva o espectador a ir além de reconhecer e celebrar as conquistas negras: pensar e sentir o poder de celebrar a sua própria existência neste mundo.
“Eu sou um artista negro e a minha poética é o Teatro Preto de Candomblé, mas o espetáculo é para todas as pessoas, porque refletimos sobre questões que atravessam a todos na contemporaneidade”, explica Zâmbia, que além de atuar e dirigir, também criou a dramaturgia do espetáculo. “Elegbapho reflete sobre o fato de estarmos sempre insatisfeitos, nos comparando, ansiosos pela próxima conquista, acreditando que tudo o que fazemos é irrelevante e cada vez mais descolados do presente e do real”, complementa.
Mas o espetáculo não é apenas um convite à reflexão sobre a importância de celebrar e os motivos que têm afastado as pessoas da celebração, é também um convite a sentir e experienciar a celebração e suas sensações no próprio corpo.
“Por isso, chamamos Elegbapho de espetáculo-festa, porque mesclamos cena, humor, teatro ritualístico e festividade, mesclamos reflexão e diversão”, conclui Zâmbia.
Sobre Nando Zâmbia
É ator, iluminador e produtor cultural; foi indicado como ator revelação ao Prêmio Braskem, em 2010, por sua atuação em “Dois Perdidos Numa Noite Suja”; seu primeiro solo “Irumalé Ayê – Divindades na Terra” circulou países como Portugal, Itália, Alemanha e Grécia”; esteve em cena em espetáculos como “Sirê Obá – A Festa do Rei” e “Oxum”, ambos do repertório do Núcleo Afro-brasileiro de Teatro de Alagoinhas (NATA); como iluminador, assina o desenho de luz de espetáculos como “Pele Negra, Máscaras Brancas”, “Medeia Negra”, “Exu – A Boca do Universo”, dentre outros, no Brasil e em Portugal; como produtor, realiza o Festival de Artes de Alagoinhas – FESTA; na educação, foi coordenador do projeto Escolas Culturais do Governo da Bahia, e curador-provocador do BDMG Cultural, em Minas Gerais, edição 2023; e como gestor, foi coordenador do Centro de Cultura de Alagoinhas e, atualmente, é o diretor artístico do Oyá Ladê Inan Ponto de Cultura, também em Alagoinhas.
SERVIÇO
O que: ELEGBAPHO – Território Afrocênico de Celebração Negra
Quando: 04 de setembro – 19h | 13 de setembro – 18h
Local: Espaço Cultural da Barroquinha
Quanto: R$30 (inteira) e R$ 15 (meia)
Ingressos: Disponível pelo Sympla
Fotos de Adeloyá Mojubará
Teatro
Adiane Pita celebra PCDs no espetáculo “E Por Que Não?”
O espetáculo “E Por Que Não?” chega ao Espaço Xisto Bahia em setembro com apresentação única e bate-papo com a participação da escritora e dançarina protagonista baiana Adiane Pita.
Inspirado no livro que leva o mesmo nome e escrito por Adiane Pita, a obra valoriza o protagonismo de pessoas com deficiência (PCDs) na cena do Teatro Preto da Bahia.
A programação integra o calendário de atividades do Setembro Verde 2026 em Salvador, em alusão ao dia 21 de setembro, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência.
A partir do dia 03 de setembro os ingressos estarão disponíveis para venda no valor social de R$20, na bilheteria Espaço Xisto Bahia, de segunda a sexta, das 15h, às 17h.
A história da baiana Adiane Pita é marcada por preconceitos e revoltas, a partir de um diagnóstico precoce de poliomielite, que a deixou em coma, comprometendo desde então a sua mobilidade e dando início a uma longa jornada em busca da cura. Sua trajetória é atravessada também por muita coragem e superação.
Dessa impossibilidade de andar, desenganos médicos, não aceitação de sua condição física, sofrimento familiar intenso, dores físicas e emocionais dilacerantes, e o descaso social, nasceu o seu livro “E Por que não?” que foi lançado em 2023. Com tema da inclusão, surgiram sonhos que foram sustentando e encorajando Adiane a desbravar caminhos e construir sua própria história através de palestras motivacionais pela Bahia.

Foto Vivera Produções e Projetos Culturais
A exibição do espetáculo será totalmente acessível, contando com acesso ao espaço facilitado para PCDs e contará com intérprete de Libras e audiodescrição.
No dia da apresentação no Espaço Xisto Bahia, os ingressos serão vendidos a partir das 17h até às 19h horário de início do espetáculo.
Serão distribuídos 40 ingressos para organizações sociais que trabalham com pessoas com deficiência.
SERVIÇO
O quê: Espetáculo Solo Inédito “E Por que Não?”
Quando: 18 de setembro de 2026 às 19h
Quanto: R$ 20
Onde: Espaço Xisto Bahia – Barris
-
Opinião10 anos atrás“O incansável e sempre ativo pau grande e afetividade do homem negro” – Por Kauê Vieira
-
Literatura9 anos atrásA lírica amorosa da poetisa Lívia Natália em “Dia bonito pra chover”! – Por Davi Nunes
-
Literatura10 anos atrásDavi Nunes e Bucala: uma literatura negra infantil feita para sentir e refletir
-
Formação7 anos atrásConheça cinco pensadores africanos contemporâneos que valem a pena
-
Audiovisual3 anos atrásFilme “Egúngún: a sabedoria ancestral da família Agboola” estreia no Cine Glauber Rocha
-
Cultura3 anos atrásOrquestra Agbelas estreia em Salvador na festa de Iemanjá
-
Carnaval4 anos atrásBloco Olodum libera venda do primeiro lote de abadás com kit promocional
-
Música3 anos atrásEx-The Voice, soteropolitana Raissa Araújo lança clipe da música “Aquele Momento”



