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Religião

Ogãs baianos ganham projeto de valorização pelo ofício sagrado

Jamile Menezes

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Ogãs

Na Bahia, no mês de setembro se comemora o dia dos Ogãs – 15/9. Para celebrar esses homens que cuidam dos cânticos e dos atabaques nos terreiros, no dia 14, na Casa D’Italia, acontece o lançamento de OGANZADA. O projeto contará com uma feira com empreendedores negros comercializando vestuário, tecidos, bijuterias, artesanato e quitutes com influência africana.

Dentro da estrutura da feira, o show Afro Samba com os grupos OGANZADA, Benzadeus (de Brasília), Samba da Barca, PH Mocidade, Samba e Suor e Dan Mocidade vai agitar o público com muito samba e pagode. Já no dia 15, que é o dia dedicado aos Ogãs, às 17h, será celebrada uma missa comemorativa na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Pelourinho. Ingressos para a feira e show no Meu Bilhete.

Com a realização do projeto, os organizadores e idealizadores pretendem chamar a atenção para a importância da função e papel dos Ogãs, figuras centrais no funcionamento dos terreiros, homens com cargos e zeladores do toque e da reza de suas casas. O evento surge como resposta à ausência de iniciativas que destaquem o protagonismo masculino-afro no campo sagrado e musical, oferecendo uma experiência sensorial, formativa e ancestral para toda a comunidade.

“Em um cenário onde os saberes tradicionais ainda são invisibilizados, Oganzada nasce com o objetivo de buscar reconhecimento e fortalecimento dos homens que sustentam o axé com o seu ofício sagrado. A partir do lançamento, pretendemos ampliar o projeto onde possamos ter rodas de conversas, debater a ancestralidade, workshops e oficinas. Enfim, com o lançamento, queremos celebrar os saberes dessa figura central no funcionamento dos templos sagrados de matrizes africanas”, revelou Claúdio Roberto, Ogã fundador e idealizador do projeto.

SERVIÇO

O que: Lançamento do Projeto OGANZADA

Onde: Casa D’Italia, (Av. 7 de Setembro, Centro)

Dia 14 – Domingo, a partir das 13h: Show Afro Samba com os grupos OGANZADA, Benzadeus (de Brasília), Samba da Barca, PH Mocidade, Samba e Suor, Dan Mocidade, e Feira com empreendedores negros.

Dia 15 – Segunda-feira, às 17h: Missa ao som dos atabaques na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Pelourinho.

Ingresso: Meu Bilhete – R$30,00 (individual) e R$50,00 (casadinha) https://beta.meubilhete.com.br/afrosamba

Classificação: 10 anos se acompanhados dos pais ou responsáveis

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Música

NZO OLORIN – Festival de Música de Terreiro acontece em Salvador

Jamile Menezes

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Artistas, grupos e coletivos de tradições de matriz africana de diversas regiões do país estarão reunidos em Salvador entre os dias 1º e 3 de julho para a primeira edição do NZO OLORIN – Festival de Música de Terreiro, iniciativa do Ministério da Igualdade Racial (MIR) em parceria com o Governo da Bahia. Toda a programação é gratuita.

A abertura do evento, que acontece no dia 1⁰, às 17h30, no Largo Quincas Berro D’Água, contará com apresentações do Grupo Alafin Oyó (PE), Pai Alfredo (RS), Grupo Coletivo Cultural Bariri (MA) e Pradarrum – Ogan Gabi Guedes (BA).

O evento nacional ocupará o Centro Histórico com eventos no Espaço Cultural da Barroquinha, na Escola de Dança da FUNCEB, na Casa da Igualdade Racial, no Largo Tereza Batista, no Largo Quincas Berro D’Água e na Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba. A programação contará com apresentações musicais, oficinas e seminários, reunindo representantes de estados como Bahia, Rio de Janeiro, Pará, Paraíba e Maranhão.

O festival tem como proposta valorizar a musicalidade dos povos de terreiro, ampliar a visibilidade de seus saberes e tradições e promover o enfrentamento ao racismo religioso. Terá momento de discussão da patrimonialização da música, além de homenagens a alabês, xicarangomas e runtós, responsáveis pela preservação dos cânticos e ritmos de tradições de matriz africana.

Além dos shows, a programação inclui debates sobre patrimônio cultural afro-brasileiro, juventude negra, economia criativa e preservação dos saberes ancestrais. Ao todo, o festival reunirá 15 atrações de comunidades tradicionais das cinco regiões do país e deve receber cerca de 5 mil pessoas durante os três dias de atividades.

As inscrições para oficinas e painéis devem ser feitas pela plataforma Sympla. O acesso às apresentações é livre, sem necessidade de ingresso.

Serviço

NZO OLORIN – Festival de Música de Terreiro

Quando: 1º a 3 de julho de 2026

Onde: Centro Histórico de Salvador

Quanto: Gratuito

SYMPLA

Fotos: Afoxé Alafin Oyo | Arthur Mota

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Opinião

#Opinião – Quando pai Oxossi e o tapete de Corpus Christi ultrapassam a escala 6×1

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Que o mês de junho já começou, todos nós já sabemos. O que ainda não percebemos é o quanto a mesa do trabalhador brasileiro, com escala 6×1, vêm se sobrepondo em fé e resiliência diante de um salário mínimo de R$ 1.621,00, com aumento de 6,79% em relação a 2025. Tendo uma cesta básica de R$616,28 em Salvador, segundo dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos realizada pelo DIEESE e Conab em janeiro de 2026, os soteropolitanos não tem o hábito de deixar a sua “Fé Faiar”, como bem retrata a música de seu conterrâneo Gilberto Gil.

Com uma população cercada por hábitos sincréticos de fé, Salvador amanheceu no dia 4 de junho entre as águas de um frente fria, e muita fé no chão nos arredores das Igrejas Católicas que celebram o feriado de Corpus Christi. E, ao mesmo tempo, o dia do Rei da Caça, que não permite que falte alimento na mesa dos adeptos do Candomblé.

Calculada pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), com base em 3.329 cotações de preços realizadas em 89 estabelecimentos comerciais de Salvador, a Cesta Básica de Alimentos passou a custar R$657,01 no mês de maio de 2026.

A pergunta que não quer calar é: “Como sobreviver sem fé em Salvador?”

 Trabalhadores soteropolitanos vivem no fio da navalha que não é a da sua feitura/iniciação, e nem muito menos a navalha que corta centímetro a centímetro, em partes iguais, a hóstia sagrada – elemento central da celebração da Eucaristia na Igreja Católica.

Esse sim é o render-se ao verdadeiro mistério vivido, dia após dia, dos trabalhadores na capital baiana e no Brasil, acreditando na presença real de Jesus Cristo e do orixá Oxóssi durante o café da manhã, almoço e jantar da sua família.

 

Bernardes

Seja aos pés da imagem de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, na Igreja homônima, no Centro Histórico de Salvador, ou seja confeccionando durante a madrugada o tapete orgânico de Corpus Christi, que simbolizam a passagem do Corpo de Cristo; expressando fé, devoção e arte popular nas ruas durante a procissão eucarística. O que é fato público é que está cada vez mais desafiador manter a matéria/ser humano com saúde plena e segurança alimentar diante de um país ao qual as trincheiras de sobrevivência refletem uma bancada parlamentar em âmbito federal que resiste e insiste em não escutar o ilá (som) da precarização da saúde física e mental de seu próprio povo.

Será esse o motivo real da confluência/fusão da celebração de Corpus Christi e a reverência a Oxóssi no Brasil ao longo dos séculos?

Quantos cânticos em iorubá, cozimentos de axôxô (prato ritualístico da culinária afro-brasileira) e tambores entoando a nutrição, tanto do corpo quanto do espírito, do trabalhador brasileiro ciente do seu futuro profissional incerto diante da nova Legislação Trabalhista da Escala 6×1?

A insegurança alimentar está associada ao aumento de sintomas de depressão, ansiedade e estresse, sugerindo que a mesma pode contribuir para a saúde mental.

Párocos, babalorixás e yalorixás seguem clamando por misericórdia pelos seus fiéis e filhos/as de orixá em sua rotina diária no Brasil.

Okê Arô … Amém …

 

Patrícia Bernardes Sousa é yawo de Oxum do Ilê Axé Koboxê (Fazenda Grande IV Cajazeiras), jornalista, gestora e mobilizadora de projetos de Impacto Social. 

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Religião

Guia contra o racismo religioso chega à 2ª edição

Kelly Bouéres

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Criola
Divulgação

Dados alarmantes do Ministério de Direitos Humanos e Cidadania revelam que denúncias de ataques contra terreiros tiveram um aumento de 67% de 2023 para 2024, saltaram de 1418 para 2472.

Saber como agir em casos de racismo religioso é fundamental para que os povos de terreiro possam se resguardar desses crimes. Nesse sentido, CRIOLA, organização de mulheres negras, lança a segunda edição da cartilha “Terreiros em Luta: Caminhos para o Enfrentamento ao Racismo Religioso”, um guia prático para capacitar instituições da sociedade civil e lideranças de matriz africana, reunindo mapeamento de leis, canais de denúncia, orientações jurídicas e estratégias de incidência nacional e internacional para proteger os povos de terreiro das crescentes violações de seus direitos.

Conforme destaca Maiah Lunas, diretora executiva de CRIOLA e parte da equipe editorial da segunda edição da cartilha, as mulheres negras e a população LGBTQIAPN+ são as mais atingidas por esse crime que, desde 2023, passou a ser enquadrado como racismo, tornando qualquer tipo de violência, hostilidade ou impedimento de cultos de matriz africana inafiançável e imprescritível.

“É fundamental compreender que o racismo religioso vai além da intolerância religiosa, pois está diretamente ligado à discriminação histórica contra as religiões de matriz africana – daí a importância de seu reconhecimento como crime de racismo desde 2023. Para além dos avanços na legislação, como a instituição do Abril Verde, o enfrentamento a essa violência passa, necessariamente, pelo fortalecimento das comunidades de terreiro e pela ampliação do acesso à informação sobre seus direitos. Iniciativas como a cartilha ‘Terreiros em Luta’ são essenciais nesse processo, pois oferecem instrumentos para a construção de estratégias de enfrentamento ao racismo religioso.”.

O que é racismo religioso
Racismo religioso é um conjunto de práticas violentas que expressam ódio e discriminação especificamente contra as religiões de matriz africana, seus adeptos, tradições culturais e territórios sagrados. Essa forma de violência opera de maneira estrutural no país e se manifesta de diversas formas no cotidiano: desde agressões físicas e psicológicas, xingamentos, depredação e invasão de terreiros (muitas vezes orquestradas por grupos armados), até a proibição do uso de paramentos sagrados e graves ataques de intolerância dentro de escolas e nas redes sociais.

 

Sobre a cartilha
A cartilha “Terreiros em luta: caminhos para o enfrentamento ao racismo religioso” é uma iniciativa do projeto Racismo Religioso e Redução da Violência e Discriminação contra Praticantes de Religiões Afrodescendentes no Brasil, uma ação para o enfrentamento do racismo religioso no Brasil, a partir do fortalecimento institucional das organizações não-governamentais, organizações religiosas e outros movimentos de religiões de matriz africana, ampliando as capacidades dessas organizações para a incidência nacional e internacional e para a garantia dos direitos humanos e da liberdade religiosa.

 

A obra, realizada em parceria com o Ilê Axé Omiojuarô (RJ) e o Ilê Axé Omi Ogun Siwajú (BA); apoiada por Instituto de Raça, Igualdade e Direitos Humanos, Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro, Observatório Estadual Mãe Beata de Iemanjá e mandata Renata Souza, será disponibilizada no formato digital, com distribuição gratuita.

 

Sobre CRIOLA

CRIOLA é uma organização da sociedade civil fundada em 1992 e conduzida por mulheres negras. Atua na defesa e promoção de direitos das mulheres negras em uma perspectiva integrada e transversal, tendo por missão trabalhar para a erradicação do racismo patriarcal cisheteronormativo, contribuindo com a instrumentalização de meninas e mulheres negras, cis e trans, para a garantia dos direitos, da democracia, da justiça e pelo Bem Viver.

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