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Artes

Grupo É Ao Quadrado realiza cortejo performático em Alto do Cabrito

Jamile Menezes

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Antecipando já a celebração dos seus 30 anos de fundação, o Grupo Cultural É Ao Quadrado realiza o projeto “Elevando potências, cultura, periferia e arte-educação”, com uma programação diversa a ser realizada na comunidade do Alto do Cabrito, Subúrbio de Salvador, até abril de 2026. No dia 21 de setembro (domingo), acontece o “Cortejo Bem-Vinda Primavera”, com concentração às 8h no final de linha do Alto do Cabrito até a Rua Cabritolândia.

Na ação, aberta ao público, a comunidade do Alto do Cabrito se une para celebrar a chegada da primavera com um grande cortejo festivo. O evento pretende valorizar e mostrar a força dos talentos locais, promovendo a integração entre diferentes gerações e manifestações artísticas do bairro. Estarão presentes diversas escolas e grupos do Alto do Cabrito, que se unirão para mostrar a riqueza cultural e esportiva da região.

Dentre os participantes locais do cortejo estarão o Centro de Estudos da Língua e Cultura Galegas (CELGA), o Centro Educacional Oliveira Nunes (CEON), o Grupo de Capoeira Karkará, e os projetos esportivos Sonhar é Viver, o Taekwondo Mestre Adailton e o Jiu-Jitsu do E² – que incentivam a prática do esporte entre crianças, adolescentes e jovens.

Para animar o percurso, o cortejo contará com a energia contagiante da Banda de Percussão do E² e a alegria dos artistas em Pernas de Pau do Grupo, garantindo um espetáculo diverso.

Em outubro, será a vez da “Semana da Criança”, uma tradição no Teatro E² que desde a sua fundação, vem celebrando de forma ininterrupta a arte e cultura dedicada às crianças do bairro. De 6 a 11 de outubro, das 17h às 19h30, a programação incluirá exibições de cinema, apresentações de pernas de pau, teatro, dança, percussão, além de brincadeiras e oficinas de desenho, grafite e música. As atividades acontecerão no Teatro E², localizado na Rua Adilson Leite, 39-E, em Alto do Cabrito.

“Será uma semana de celebração com mostras de todas as linguagens artísticas trabalhadas pelo grupo. Levaremos personagens infantis, coreografias, grupos culturais de outros bairros periféricos como convidados e bandas de percussão. A Semana da Criança é uma tradição do Teatro E² e incluirá apresentações teatrais, oficinas de arte, contação de histórias, jogos, brincadeiras e muito mais para nossas crianças”, diz Elizete Cardoso.

O projeto “Elevando potências, cultura, periferia e arte-educação” teve início em julho, com as ações de formação em teatro, dança e percussão do Grupo, seguidas de apresentações em agosto, cortejo em setembro, semana da criança em outubro e, mostras teatral em março e de dança em abril de 2026.

O Grupo É Ao Quadrado

Fundado em 1996, o Grupo Cultural É Ao Quadrado surgiu das brincadeiras e da integração dos alunos de uma “banca de reforço” liderada pelas irmãs e professoras, Elizete e Elenilda Cardoso, que passaram a apostar na arte para aprimorar a aprendizagem das crianças e jovens do bairro do Alto do Cabrito. Hoje se constitui uma entidade cultural com foco na arte-educação e atua no campo do teatro, dança e música.

Oferece aulas para crianças e adolescentes de 7 a 18 anos, atendendo em torno de 60 pessoas diretamente. O objetivo das irmãs continua sendo de que a comunidade do Alto do Cabrito e adjacências usufruam de uma arte que proporcione, direta ou indiretamente, a transformação dos seus membros, seja no âmbito educacional, social ou político para o desenvolvimento de todos.

Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.

SERVIÇO

O que: Projeto “Elevando potências, cultura, periferia e arte-educação”

Ações:

Dia 21 de setembro (domingo): “Cortejo Bem-Vinda Primavera”, com concentração às 8h no final de linha do Alto do Cabrito até a Rua Cabritolândia.

De 6 a 11 de outubro (segunda a sexta), das 17h às 19h30: “Semana da Criança”, exibições de cinema, apresentações de pernas de pau, teatro, dança, percussão, além de brincadeiras e oficinas de desenho, grafite e música.

Onde: Teatro E² – Rua Adilson Leite 39E, Alto do Cabrito – Subúrbio Ferroviário de Salvador

Acesso: Aberto ao público

Artes

Gleciara Ramos promove visita guiada e contação no MAB

Jamile Menezes

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Gleciara Ramos
Com sua exposição ‘Iramaia e o Encontro das Águas”, no Museu de Arte da Bahia (MAB), a artista visual e escritora Gleciara Ramos vai promover visitas guiadas com contação de histórias para o público. Na ocasião, a artista falará do seu processo criativo e os 13 contos inspirados nos mitos amazônicos sobre a lua.
A mostra é composta por instalações de bordados e tessituras, que inspiraram o livro de mesmo nome e o documentário sobre as cosmogonias, lugares e etnias da pesquisa pelos rios e lagos da Amazônia e Andes Peruanos, encerrando na Bahia.
“Este conhecimento construído e tecido ancestralmente, que fala profundamente com o corpo e nossas intuições, dialoga profundamente com a contemporaneidade, ao trazer bordados como uma tecnologia ancestral para dentro de museus, espaços de legitimação da arte. As tessituras constroem narrativas, contam histórias de avós, tataravós e mães ancestrais que têm a vida no centro das coletividades”, reflete Gleciara Ramos.
Resultado de uma pesquisa de oito anos, entre 2018 e 2026, passando pela Amazônia, Bahia e Andes Peruanos, a artista contou com a parceria do cinegrafista e cineclubista Luís Sérgio Brito Nascimento, mais conhecido como Sérgio Zumby.
“Começamos pesquisando os mitos da Lua, no Espelho da Lua, lago que foi a morada e o local ritualístico das Icamiabas, em Nhamundá, fronteira entre o Pará e Amazonas. No local ocorreu a grande batalha entre portugueses e espanhóis, que levou ao genocídio das mulheres guerreiras”, ressalta Gleciara.
Na instalação, o público poderá conferir 13 contos bordados sobre a Lua, que posteriormente resultou em textos na forma de contos, que fazem parte de um dos livros, o Jacy Waurá. As sete instalações em bordados e tecituras intituladas ‘Roupas da Terra’ são malocas como peles fronteiriças de aconchego, entre o interno e o externo, portais tecidos à mão.
“São ferramentas, instrumentos carregados de subjetividade, escrituras de nossas cosmogonias, trazendo reflexões sobre as epistemes que envolvem os mitos presentes em nossa contemporaneidade e, também como atravessaram minha própria existência,  e a técnica de bordado que aprendia com minhas mães ancestrais, resultando no livro Jacy Epóma”, relata a artista.
Documentário 
A oitava instalação será uma videoinstalação, com exibição do documentário “Pachamama, a mãe do Tempo e Espaço, que nos ensina a tecer nossas Roupas da Terra”, imagens filmadas por Sérgio Zumby e editadas por Gleciara, a partir de pesquisas da Amazônia aos Andes.
Sobre a artista 
Nascida no Rio de Janeiro (RJ), a artista visual, cineclubista e sindicalista Gleciara de Aguiar Ramos morou durante a infância em Tabatinga (AM) e em Vitória (ES). Em 1989, escolheu morar em Salvador (BA). Recentemente, retornou ao Amazonas, onde fez a pesquisa Espelhos da Lua, sobre os Mitos Originários da Lua. Formada pela Escola de Belas Artes na Universidade Federal da Bahia (UFBA), foi professora substituta de Percepção Visual e Técnicas de Representação Gráficas da Universidade Federal da Bahia (UFBA), de 2002 a 2004.
Serviço
Visita guiada e contação de histórias com Gleciara Ramos sobre a exposição ‘Iramaia e o Encontro das Águas’
Quando: Todos os domingos, às 15h
Onde: Museu de Arte da Bahia (MAB) – Galeria Jardins, no Corredor da Vitória
Visitação: Até 19 de julho de 2026 (terça a domingo), 10h às 18h
Quanto: Entrada gratuita
Valor do livro: R$125
Foto: Ana Paula Nobre
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Artes

Black Brazil Art divulga lista de artistas e Bahia lidera Nordeste

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Black Brazil Arts

A Bienal Black Brazil Art (BB) divulgou os 124 artistas que participarão da 4ª edição, prevista para o último trimestre de 2026. A mostra acontecerá em espaços culturais da capital pernambucana, como o Museu da Abolição, o Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MAMAM) e o Museu Cais do Sertão, em Recife (PE). A Bahia lidera a participação nordestina, com 14 representantes. As produções contemplam pintura, instalação, performance, fotografia, colagem, assemblage e arte têxtil.

O resultado reforça a descentralização da produção artística negra no país e a presença de novos polos de criação fora do eixo Rio-São Paulo. São Paulo concentra o maior número de participantes, com 26 artistas, seguido pelo Rio de Janeiro, com 18.

Entre os representantes baianos estão artistas de Salvador e do interior do estado. Da capital, integram a mostra Aaaalexandra Martins, Amélia Serpa, Ana Carolina Vidal, Anna Motta, Helen Salomão, Jaqueline Nascimento, Kall Yoga, Livia Passos, Rafa Sales, Suzana Amorim e Tina Melo, além do Coletivo Vivedoras de Ganho, formado por Adinelson Souza, Livia Passos e Luzimar Azevedo. Do interior, participa Camille Moreira, de São Félix, no Recôncavo Baiano.

Crédito: Lívia Passos

Para a curadora da Bienal, Patrícia Brito, a escolha dos participantes reflete a diversidade da produção artística afrodiaspórica no país e o fortalecimento de artistas em circuitos institucionais.

“A forte presença de Bahia e Pernambuco entre os estados com maior número de representantes reflete a potência histórica da produção cultural nordestina. O que historicamente faltou não foi criação, mas acesso aos grandes circuitos de legitimação, aos editais, às instituições e ao mercado concentrado no eixo Rio-São Paulo.

A Bienal Black atua nessa ruptura, reposicionando o olhar do mercado, dos museus e dos colecionadores para produções que sempre existiram, mas muitas vezes permaneceram à margem das estruturas tradicionais de visibilidade.”

Além da Bahia e de Pernambuco, o Nordeste contará com representantes do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas, Maranhão, Piauí e Sergipe. A relação inclui ainda artistas das regiões Sul, Centro-Oeste e Norte, além de participantes internacionais vindos de Porto Rico, Canadá, Alemanha, Cabo Verde, Estados Unidos e Portugal.

A programação inclui ainda a participação de estudantes da Escola Técnica Estadual Alfredo Freyre (ETE), com ações de aproximação com processos criativos e formação artística. O evento também prevê intercâmbios, residências artísticas e programas de mobilidade curatorial com instituições do Brasil, Porto Rico e Canadá, além de uma programação virtual paralela.

A dimensão internacional da Bienal é apontada por Patrícia Brito como um dos pilares estruturantes do projeto desde suas primeiras edições.

“A Bienal Black é estrutural desde suas primeiras edições. Desde a 2ª edição, a Black Brazil Art desenvolve parcerias fora do país, entendendo que a arte contemporânea negra dialoga não apenas com questões raciais, mas também com transformações políticas, sociais e culturais globais. Porto Rico e Canadá integram essa circulação de experiências da diáspora.

No Canadá, essa relação se fortalece com minha atuação na Cátedra de Pesquisa desde 2025 e como curadora convidada da Bienal AF-Flux de Montreal, em 2028, responsável pela escolha de artistas da América Latina. Ao longo de quatro edições, a Bienal já dialogou com mais de 11 países.”

A relação completa dos participantes pode ser consultada no site oficial da www.bienalblack.com.br

 

 

Texto de Wal Melo (DRT 0006980/BA) – Jornalista 

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Artes

Espetáculo de resistência negra participa de circuito de artes cênicas

Kelly Bouéres

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Dandara na Terra dos Palmares
Fábio Bouzas

O espetáculo baiano “Dandara na Terra dos Palmares”, da Arte Sintonia Companhia de Teatro, segue ampliando seu alcance pelo país ao integrar a 28ª edição do Palco Giratório, maior circuito de circulação de artes cênicas do Brasil.

Ao longo da circulação nacional, o projeto realizará 28 apresentações e atividades formativas em 12 estados brasileiros, levando ao público uma potente reflexão sobre ancestralidade, identidade e resistência negra.

Desde sua estreia, em 2022, “Dandara na Terra dos Palmares” já emocionou mais de 45 mil espectadores e consolidou-se como uma das produções mais relevantes do teatro baiano contemporâneo. Indicada ao Prêmio Braskem de Teatro nas categorias Melhor Espetáculo Infantojuvenil e Melhor Direção, a peça também marcou presença em importantes eventos literários, como a Flica e a Flipelô. 

A obra aborda, de forma sensível e potente, questões ligadas ao racismo estrutural, à ancestralidade negra e à construção da autoestima infantil, acompanhando a trajetória de Dandara, uma menina negra que aprende a reconhecer a força de sua identidade ao mergulhar simbolicamente na história do Quilombo dos Palmares.

Com texto de Antônio Marques e direção de Agamenon de Abreu, o espetáculo mistura fantasia e realidade para estimular reflexões sobre pertencimento, resistência e educação antirracista. A trilha sonora original assinada por Emille Lapa e Natalyne Santos reforça a atmosfera emocional da montagem, que conta ainda com as atuações de Maria Alice Xavier, Yandra Góes, Denise Correia, Gilson Garcia, Leonardo Freitas, Pablo Pereira e Natalyne Santos.

A turnê nacional terá início em maio, com apresentações no Rio Grande do Sul e Espírito Santo, passando ainda por Pernambuco e diversas cidades de Santa Catarina nos meses de junho e julho. Em agosto, o espetáculo chega a Minas Gerais e São Paulo; em setembro, circula por Mato Grosso do Sul, Pará, Amapá e Maranhão; em outubro, será apresentado no Ceará; e, em novembro, encerra a circulação com atividades e apresentações no Paraná e no Rio Grande do Sul. 

O projeto conta ainda com ações formativas e encontros, ampliando o diálogo entre artistas e o público. Entre as atividades está a oficina “Corpo, Voz e Ancestralidade – Musicalização Através do Teatro”, ministrada por Natalyne Santos, atriz e diretora musical, que propõe uma vivência integrada entre expressão corporal, voz e heranças culturais afro-brasileiras. Já o “Pensamento Giratório” será conduzido por Denise Correia, atriz, cantora e integrante da Arte Sintonia, em uma reflexão coletiva abordando identidade cultural, ancestralidade, racismo, resistência e o papel da música como narrativa cênica.

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