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Artes

Gleciara Ramos promove visita guiada e contação no MAB

Jamile Menezes

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Gleciara Ramos
Com sua exposição ‘Iramaia e o Encontro das Águas”, no Museu de Arte da Bahia (MAB), a artista visual e escritora Gleciara Ramos vai promover visitas guiadas com contação de histórias para o público. Na ocasião, a artista falará do seu processo criativo e os 13 contos inspirados nos mitos amazônicos sobre a lua.
A mostra é composta por instalações de bordados e tessituras, que inspiraram o livro de mesmo nome e o documentário sobre as cosmogonias, lugares e etnias da pesquisa pelos rios e lagos da Amazônia e Andes Peruanos, encerrando na Bahia.
“Este conhecimento construído e tecido ancestralmente, que fala profundamente com o corpo e nossas intuições, dialoga profundamente com a contemporaneidade, ao trazer bordados como uma tecnologia ancestral para dentro de museus, espaços de legitimação da arte. As tessituras constroem narrativas, contam histórias de avós, tataravós e mães ancestrais que têm a vida no centro das coletividades”, reflete Gleciara Ramos.
Resultado de uma pesquisa de oito anos, entre 2018 e 2026, passando pela Amazônia, Bahia e Andes Peruanos, a artista contou com a parceria do cinegrafista e cineclubista Luís Sérgio Brito Nascimento, mais conhecido como Sérgio Zumby.
“Começamos pesquisando os mitos da Lua, no Espelho da Lua, lago que foi a morada e o local ritualístico das Icamiabas, em Nhamundá, fronteira entre o Pará e Amazonas. No local ocorreu a grande batalha entre portugueses e espanhóis, que levou ao genocídio das mulheres guerreiras”, ressalta Gleciara.
Na instalação, o público poderá conferir 13 contos bordados sobre a Lua, que posteriormente resultou em textos na forma de contos, que fazem parte de um dos livros, o Jacy Waurá. As sete instalações em bordados e tecituras intituladas ‘Roupas da Terra’ são malocas como peles fronteiriças de aconchego, entre o interno e o externo, portais tecidos à mão.
“São ferramentas, instrumentos carregados de subjetividade, escrituras de nossas cosmogonias, trazendo reflexões sobre as epistemes que envolvem os mitos presentes em nossa contemporaneidade e, também como atravessaram minha própria existência,  e a técnica de bordado que aprendia com minhas mães ancestrais, resultando no livro Jacy Epóma”, relata a artista.
Documentário 
A oitava instalação será uma videoinstalação, com exibição do documentário “Pachamama, a mãe do Tempo e Espaço, que nos ensina a tecer nossas Roupas da Terra”, imagens filmadas por Sérgio Zumby e editadas por Gleciara, a partir de pesquisas da Amazônia aos Andes.
Sobre a artista 
Nascida no Rio de Janeiro (RJ), a artista visual, cineclubista e sindicalista Gleciara de Aguiar Ramos morou durante a infância em Tabatinga (AM) e em Vitória (ES). Em 1989, escolheu morar em Salvador (BA). Recentemente, retornou ao Amazonas, onde fez a pesquisa Espelhos da Lua, sobre os Mitos Originários da Lua. Formada pela Escola de Belas Artes na Universidade Federal da Bahia (UFBA), foi professora substituta de Percepção Visual e Técnicas de Representação Gráficas da Universidade Federal da Bahia (UFBA), de 2002 a 2004.
Serviço
Visita guiada e contação de histórias com Gleciara Ramos sobre a exposição ‘Iramaia e o Encontro das Águas’
Quando: Todos os domingos, às 15h
Onde: Museu de Arte da Bahia (MAB) – Galeria Jardins, no Corredor da Vitória
Visitação: Até 19 de julho de 2026 (terça a domingo), 10h às 18h
Quanto: Entrada gratuita
Valor do livro: R$125
Foto: Ana Paula Nobre
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Artes

Sarau de Se7e celebra sua 10ª edição em Salvador

Kelly Bouéres

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Sarau do se7e
Maise Xavier

Sem patrocínio, sem apoio financeiro institucional, mas cercado de afeto, trabalho coletivo e da crença na potência da palavra, o Sarau de Se7e celebra sua 10ª edição em Salvador.

Ao longo de sua trajetória, o projeto consolidou-se como um espaço de encontro entre poesia, música, teatro, contação de história, áudio visual, ancestralidade e resistência, reunindo artistas e público em torno da arte como instrumento de transformação social e celebração da vida.

No dia 29 de julho, às 19h, o Teatro Gregório de Mattos será palco de uma edição histórica. Entre os destaques está a participação internacional da harpista francesa Léa Mesnil, artista que aproxima as tradições musicais francesa e brasileira, transitando entre o clássico e o popular. A noite contará ainda com a presença de Lizandra, Josehr e outros convidados especiais, além da direção musical e participação de Jarbas Bittencourt.

Idealizado por Ednaldo Muniz, com codireção de Valdineia Soriano, e inspirado no livro Se7e Passos de Ameixa, o Sarau de Se7e celebra sua 10ª edição, marcando uma trajetória construída pelo encontro, pela poesia e pela força do coletivo.

Mais do que assistir a um espetáculo, o público é convidado a fazer parte dessa história. Cada ingresso adquirido ajuda a manter viva uma iniciativa cultural independente que, há dez edições, transforma a palavra em afeto, memória e resistência.

Será uma noite de celebração, gratidão e esperança. Uma noite para honrar quem veio antes, celebrar quem caminha junto e abrir caminhos para os próximos encontros.

Porque a palavra criou raízes.

E o Sarau de Se7e segue florescendo.

 

SERVIÇO:

O quê: Sarau de Se7e – 10ª Edição | Edição Especial

Quando: 29 de julho de 2026 (quarta-feira), às 19h

Onde: Teatro Gregório de Mattos

Ingressos: R$ 30 (inteira) | R$ 15 (meia-entrada)

Classificação: Livre

Participações confirmadas: Léa Mesnil, Lizandra, Josehr e convidados especiais

Direção musical: Jarbas Bittencourt

Direção artística: Ednaldo Muniz

Codireção: Valdineia Soriano

Produção: Tati Gamboa

 

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Artes

Barbárie Bundi apresenta show-ritual Um Canto para as Marias

Jamile Menezes

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Barbárie Bundi

Barbárie Bundi é o nome dela. Personagem criada pelo artista Thiago Romero, iniciada em Aquátika em 2022 e desdobrada em Amò em 2024. No próximo dia 25 de junho (quinta-feira), a artista apresenta na Casa Preta, em Salvador, o show-ritual Um Canto para as Marias, uma criação que mistura música, dublagem, samba, performance drag, ancestralidade, humor e ritual de transformação.

Partindo das forças das Marias, Padilhas e Pombagiras, o espetáculo convoca a plateia para uma festa ritual em que corpo, dança, voz, memória e riso se encontram.

“Tenho proposto shows e performances que utilizem a arte drag como dispositivo de construção de outras narrativas LGBTQIAPN+ pretas. A drag para mim não é apenas uma linguagem de entretenimento, mas uma tecnologia de fabulação, memória e aparição. Foi assim em Aquátika, quando mergulhei nas águas; foi assim em Amò, quando a terra assentava as histórias das bixas pretas, uma forma de apontar o apagamento de nossas histórias; agora, em Um Canto para as Marias, chego ao fogo como elemento de transformação”, declara Bundi.

Barbárie Bundi

Em cena, Barbárie conduz o público por uma travessia atravessada pelas musicalidades de matriz africana, pelo samba, músicas autorais e perguntas sobre desejo, amor, cansaço, coragem, acendimento e transformação.

A obra pergunta: o que precisa ser aquecido? O que precisa virar brasa? O que precisa deixar de queimar por dentro para iluminar por fora?

“A ideia foi criar uma obra ritual, uma festa, um encontro com energias femininas, com as Marias, com o samba, com as musicalidades de matriz africana e com a alegria como força política e ancestral. É um trabalho que fala de desejo, amor, humor e transformação, convocando a plateia para celebrar comigo aquilo que ainda pode acender”, explica.

Barbárie Bundi

Após a apresentação na Casa Preta, o trabalho seguirá para uma nova etapa de circulação internacional, com apresentação prevista em Cuba, em julho de 2026, ampliando o diálogo entre Brasil, Caribe, musicalidades afrodiaspóricas e cena contemporânea.

Serviço

O que: Espetáculo Um Canto para as Marias de Barbárie Bundi

Quando: 25 de junho (quinta-feira)

Onde: Casa Preta (Dois de Julho –  Salvador)

Ingressos: Sympla

https://www.sympla.com.br/evento/um-canto-para-asmarias/3457810

Duração: 40 minutos

Fotos: Caio Lírio

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Artes

Proje7o Arco-Íris colore muro centenário do ICEIA

Jamile Menezes

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Proje7o Arco-Íris

O Proje7o Arco-Íris trouxe novas cores, formas e mensagens ao muro do centenário Centro Estadual de Educação Profissional Isaías Alves, mais conhecido como ICEIA. Durante cinco dias, 80 estudantes participaram de oficinas de arte urbana e construíram murais que agora passam a fazer parte da paisagem da instituição.

A iniciativa, promovida pelo Instituto Burburinho Cultural, utiliza a arte como ferramenta de educação, pertencimento e desenvolvimento social.

Os estudantes tiveram contato com técnicas de desenho, pintura e grafite, acompanhados pelos arte-educadores Wilson Andrade e Jeferson Almeida, e pela grafiteira Mônica Reis.

“O menino sai da escola, mas continua passando pela porta e lembrando que ele está ali, naquela história, naquela memória. Então, por um tempo, ele se reconhece nesse espaço”, afirma a presidente do Instituto Burburinho Cultural, Priscila Seixas.

Para a grafiteira Mônica Reis, experiências como essa podem despertar novos interesses e ampliar as perspectivas dos estudantes para o futuro.

Foto Mídias Pura

“Isso vai criar uma ideia de futuro para eles. Aquilo que a gente planta hoje vai florescer amanhã. Alguns já querem saber onde acontecem eventos, como participar de outras atividades e acompanhar mais de perto o universo da arte”, destaca.

O impacto da iniciativa também foi percebido pelos próprios alunos. Estudante do curso técnico em Áudio e Vídeo, Kelly avalia que a ação abriu espaço para que diferentes talentos artísticos fossem valorizados dentro da escola.

“A iniciativa é muito interessante porque é um meio de os alunos expressarem sua arte. A galera daqui realmente é muito ligada à área artística, seja nas artes visuais, no audiovisual ou no teatro. Cada estudante pode mostrar sua criatividade através dos desenhos”, conta.

Proje7o Aroc-iris

Já Eduarda, estudante do curso técnico em Serviços Jurídicos, destaca o caráter coletivo da experiência e a aproximação entre estudantes de diferentes turmas.

“Está sendo um jeito de juntar a escola. Alunos que normalmente não têm muito convívio estão trabalhando juntos. É um trabalho coletivo que inclui diferentes pessoas e faz todo mundo participar”, afirma.

A aluna do 1º ano Júlia Moura conta como é trocar o lápis de cor pelo pincel:

“Eu sou apaixonada por desenho e viver isso em uma escala tão grande é algo muito diferente e especial para mim.” Já Celso Junior, aluno do curso técnico, afirma  “É uma experiência única, sair da sala de aula e transformar o muro da minha escola através da arte”

Proje7o Aroc-iris

A inclusão também esteve presente durante toda a realização do projeto. Segundo a diretora do CEEP Isaías Alves, Maribel Costa Silva, estudantes com deficiência e do espectro autista participaram ativamente das oficinas e da produção dos murais, contribuindo para que a proposta inclusiva fosse vivenciada na prática.

“Um grande diferencial do projeto foi oportunizar que nossos estudantes com deficiência mostrassem seus talentos. A inclusão aconteceu na prática e isso ficou refletido nas obras construídas coletivamente”, afirmou.

Os desenhos e pinturas produzidos pelos estudantes permanecem como um registro visível da experiência compartilhada. Mais do que renovar os muros da escola, o Projeto Arco-Íris deixa um legado de cidadania, criatividade e construção coletiva para a comunidade escolar.

Proje7o Aroc-iris

O Proje7o Arco-Íris é viabilizado pela Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Wilson Sons, maior operador de logística portuária e marítima do mercado brasileiro. É realizado pelo Instituto Burburinho Cultural e Ministério da Cultura, Governo Federal ao Lado do Povo Brasileiro.

Fotos: Mídias Pura

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