#Entrevista – Dayse Sacramento e os Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras!


Em 13 contos, mulheres negras são protagonistas de relatos de dores, desejos, medos, mas também de resistência. Assim, a escritora Conceição Evaristo apresenta sua obra Insubmissas lágrimas de mulheres, lançada em 2011. Esta obra será foco de debates no mês de julho, em Salvador, na atividade intitulada “Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras”. 

A escrevivência  de Evaristo estará em análise por mulheres negras convidadas pela organizadora, a doutoranda em Literatura e Cultura, Dayse Sacramento, cuja ideia surgiu a partir de sua pesquisa “Violências contra mulheres negras e as suas “insubmissões”, contemplada no PIBIC/IFBA em 2017, junto à orientanda – bolsista do PIBIC – Jilmara Santos de Jesus.

Serão três Mesas Temáticas, com a presença de pesquisadoras de diversas áreas, como Direito, Filosofia e Literatura.

dayse sacramento
Dayse Sacramento   Foto – Andréa Magnoni

Dayse Sacramento nos falou como surgiu todo este projeto:

Portal Soteropreta – Quem é Conceição Evaristo pra você?

Dayse Sacramento – Conceição Evaristo é uma das mulheres negras mais importantes da literatura afro-brasileira e que nos mostra que é possível um fazer literário com uma voz feminina negra Que esta é uma voz polissêmica, ela fala com a voz de muitas de nós. Este livro, em especial, sempre me chamou atenção pela forma como ela faz denúncias de como a sociedade brasileira direciona para as mulheres negras vários dispositivos de violência e estas mulheres não sucumbem. Resistem, caem, mas sempre levantam e até as suas lágrimas são insubmissas.

Portal Soteropreta –  E como surgiu a necessidade desta pesquisa?

Dayse Sacramento – Primeiramente, da necessidade de refletir sobre o cotidiano de mulheres negras que a autora nos apresenta através de suas personagens. Sobretudo em tempos de dados alarmantes de feminicídio lesbofobia, intolerância religiosa, e outras formas de opressão. Insubmissas Lágrimas de Mulheres é uma obra que contempla narrativas da realidade de muitas de nós. Trazer este debate através do texto literário é um compromisso que assumimos no estudo, aliado a uma crítica que legitime e visibilize o combate à violência contra mulheres negras. Assim, o Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras é uma atividade que buscará legitimar e consagrar a produção da autora.

Portal Soteropreta – Suas convidadas, Dayse, o que elas tem em comum?

Dayse Sacramento – São todas elas mulheres negras que, em alguma medida, dentro do seu campo de produção do conhecimento, discutem, combatem questões de gênero e raça. São sensíveis – tanto à produção de Conceição Evaristo, como assumem o compromisso de tornar o mundo melhor para as mulheres.

Portal Soteropreta – Como ela se deu e quais seriam seus principais legados para Literatura e Cultura negras?

Dayse Sacramento – Nós, negras e negros, precisamos, cada vez mais, acolher, apoiar, conhecer e distribuir as nossas produções, sobretudo entre nós. É inconcebível que autoras e autores negros permaneçam escondidos em detrimento de um cânone literário que é racista, classista, e que direciona muitos impedimentos a uma escrita negra. Desde as condições de produção e do fazer artístico literário, até a publicação e distribuição de livros.

Portal Soteropreta – O que você espera alcançar com os Diálogos?
Dayse Sacramento – Espero que as pessoas acessem o texto literário e que reconheçam a produção intelectual de mulheres negras. Afinal, se nós não nos lermos, não disseminarmos nossas vozes pretas, quem o fará? Deste modo, vamos conversar sobre a obra, dialogar sobre pontos de vista distintos, mediadas pela força-palavra de Conceição, que nos toca, inquieta e fortalece.

Veja aqui toda programação dos Diálogos, quem são as pretas convidadas para mediar estas leituras. O Portal Soteropreta é parceio deste projeto e divulgará, ao longo do mês, a programação completa!

#Cabaré20Anos – Jaqueline…“Eu faço 2º ano de Formação Geral…!”


Cabaré da Rrrrraça

Há 20 anos, o Teatro baiano recebia a estreia de um espetáculo que ficaria marcado na memória desta arte. O espetáculo mais popular e que mais vezes esteve em cartaz, na trajetória do Bando de Teatro Olodum. O Cabaré da Rrrrraça conseguiu – com sua abordagem polêmica e irreverente – entrar para a história. Esta que será celebrada no mês de agosto no Teatro Vila Velha.

Até lá, e em parceria com o Bando de Teatro Olodum, o Portal Soteropreta vai resgatar alguns dos personagens que compõem esta peça, tão aclamada e respeitada por sua verdade nua, crua e afirmativa. A ideia é trazer um pouco do que esteve – e até hoje está – por trás destas criações.

Uma delas é Jaqueline, criação da atriz Valdineia Soriano. A personagem, que já foi interpretada por Maria Gal, Patt de Carvalho, é uma jovem estudante que sempre lembra o público: “Eu faço 2º ano de formação geral…”. “Como de costume ao Bando, fiz uma pesquisa de rua mesmo, com meninas em várias profissões, manicures, professoras, vendedoras. Jovens que frequentavam, assiduamente, shows de pagode. Todas negras”, afirma Valdineia Soriano. Jaqueline, em meio ao pagode, se encontra, se perde e se manifesta.

#Cabaré20Anos – “Essa galera do Movimento Negro é muito radical!” – Jorge Washington explica Taíde!

“Tive que aprender coreografias das bandas de pagodes (risos), que era o bum do momento, e falar daquelas meninas era importante. Suas vivências, suas visões a cerca do racismo. A partir de leituras, como da Revista Raça, que se destacava na época, fui construindo o texto e fortalecendo nas improvisações dos ensaios”, conta Valdineia.

Para a atriz, a realidade de 20 anos atrás ainda é tão atual quanto se mostra no palco. Os improvisos dos atores é notável, sempre atualizados com o que se vive no cotidiano. Letras de músicas – como dos pagodes, por exemplo – estão sempre atualizadas nas falas. E o que pauta cada uma delas ainda é tão atual quanto – o racismo. “Infelizmente, muito infelizmente, ainda se faz necessário questionar, brigar, gritar contra o racismo”, conta.

Cabaré da Rrrrraça
Foto – Marcio Lima (Jamile Alves, Auristela Sá (In memorian), Valdineia Soriano

A interação é forte. Aquele momento tenso que quem já foi sabe: quando os atores e atrizes perguntam à plateia sobre racismo. O espetáculo/musical – que arranca risos – também, e ao mesmo tempo, busca estimular a reflexão da plateia. Com ironia e polêmia, o debate vai ganhando o público. “Quando interagimos com a plateia, vemos a ânsia que todos têm em relatar as experiências e como reagiram ou pensaram em reagir”, conta.

#Cabaré20Anos – “Já que é questão de costume, se acostume a me chamar de negra!” – Dra. Janaína

Valdineia Soriano também já interpretou outras personagens, como a advogada Dra. Janaína, criada por Merry Batista e a Rosie Marie, criação da atriz Rejane Maia. De 12 a 27 de agosto, Cabaré da Rrrrraça volta ao palco do Vila para mais apresentações – com mais atualidades e com mais polêmica. Até lá, acompanhe a série no Portal Soteropreta.

Lembre um pouco desse espetáculo histórico:

Luiza Bairros será homenageada em Sessão Especial nesta quinta (13)


Luiza Bairros
Foto Fernando Vivas | Ag. A TARDE | Arquivo

Em 12 de julho de 2016, a militância negra em todo país perdia uma líder feminista, mulher que referenciou muitas outras e que hoje está no rol das ancestrais que ainda referenciam o Movimento negro brasileiro: Luiza Bairros. Ela faleceu neste dia e, nesta quinta (13), um ano depois, sua luta e memória será celebrada no Plenário da Câmara Municipal. A iniciativa é do vereador Silvio Humberto (PSB), que reunirá, em Sessão Especial, a militância negra soteropolitana – em especial as mulheres. A Sessão começa às 18h e será aberta ao público.

Por articulação das mulheres negras de Salvador e a convite do mandato, algumas mulheres foram convidadas para falarem sobre o convívio com Luiza Bairros, sobre a inspiração que sua trajetória legou. De como – a partir de seus lugares de fala e de construção, mulheres continuam lutando contra o machismo, a misoginia, o racismo e ainda constroem redes de apoio e de empoderamento.

A Sessão – intitulada “Negras Mulheres, Femininos Poderes – Luiza Bairros, um Poder que Nos Move” – acontece no Julho das Pretas, mês emblemático e estratégico para as mulheres negras por conta do Dia da Mulher Negra Latina Americana e Caribenha – 25 de julho.

Estarão na Mesa: Valdina Pinto, Makota do Terreiro Tanuri Junsara; Vilma Reis, ouvidora-geral da Defensoria Pública do Estado da Bahia; Maíra Azevedo, jornalista e personagem Tia Má;  Naira Gomes, organizadora da Marcha do Empoderamento Crespo e Teresinha Barros, educadora e militante feminista.

Chegue lá….

Sessão Especial Negras Mulheres, Femininos Poderes – Luiza Bairros, um Poder que Nos Move

Data: 13 de julho, 18h (quinta-feira)

Local: Plenário da Câmara Municipal

Aberta ao público

Grupo Iwá leva oficina e performance de contos africanos para o Xisto este mês!


‘Bahia em Cantos e Contos’

A 2ª edição do projeto Em Cena Nossas Histórias, realizado pela grupo Iwá, estreia nos palcos do Espaço Xisto Bahia em duas apresentações e uma oficina de performatização coletiva de contos africanos. O espetáculo acontece nos dias 13, 14 e 15 de julho, com ingressos que custam R$10 (inteira) e R$5 (meia) e a oficina no valor único de R$150. A classificação é livre.

O projeto tem início no dia 13 de julho, às 15h30, com a sessão de contos Histórias da Chuva. A atriz Josi Acosta, acompanhada dos músicos Gabriel Carneiro e Sanara Rocha, sob direção de Antônio Marcelo, apresentam ao público uma livre adaptação de contos da Angola e Botsuana, que tem origem na tradição oral e foram reescritos por autores contemporâneos em português. Os contos versam sobre a chuva e tratam de temas como solidariedade e amor.

‘Bahia em Cantos e Contos’

Já nos dias 14 e 15, acontece a Oficina de Performatização Coletiva de Contos Africanos ministrada pelo professor doutor Toni Edson. Na oportunidade, serão trabalhadas a expressão corporal e vocal com técnicas de improvisação voltadas para a contação de histórias africanas em grupo.

Podem participar da oficina pessoas a partir dos 16 anos, com ou sem experiência artística, mediante a inscrição prévia e pagamento da taxa de R$150. Serão disponibilizadas 20 vagas. As Inscrições são feitas através do formulário on-line.

Além da oficina, no dia 15 (sábado), às 15h30, Toni Edson apresenta a sessão de contos Bichos, Cantos e Encantos, uma adaptação dos contos da tradição oral indígena e africana. Esse trabalho parte de princípios do teatro de animação, técnicas de manipulação de objetos e máscara, tendo como objetivo fortalecer o lúdico já presente nos contos e nas canções originais compostas para a apresentação.

 Fotos: Divulgação

O 26º Sarau da Praça ocupará orla de Itapuã com música, poesia e artes!


sarau da praça

No próximo sábado (15), a orla de Itapuã será ocupada pelo Sarau da Praça! A partir das 17h, a 26º edição do Sarau terá diversas atrações culturais. Será tudo gratuito e terá música com Gazumba, Bloco Afro Malê Debalê, Girasounds, DJ Duende (Bruno Santos) e Vanessa Diana (MPB), além de Capoeira com a Vadiação Capoeira Cluj.

A poesia ficará por conta de Inaê Reis, além da Oficina da História Cantando da Reciclagem, ministrada pela educadora Cassandra Benevides Azevedo. Segundo organizadores, desde janeiro de 2015, o evento já levou ao público mais de 80 apresentações musicais, inúmeros poetas, artistas circenses, exposições fotográficas, grafite, grupos de capoeira, lançamentos de livros, dentre outras manifestações artísticas.

Nesta 26º edição, o evento se inova com uma proposta itinerante e mantém os objetivos de dinamizar a cultura, formar de público, apresentar novos e consagrados artistas.

QUER COLAR?

O quê: Sarau da Praça -Itinerante
Atrações: Gazumba, Bloco Afro Malê DeBalê, Girasounds, DJ Duende, Vanessa Diana (MPB), Vadiação capoeira, Inaê Reis (poesia), Oficina da História Cantando da Reciclagem, pintura facial e exposições.
Quando: 15 de julho (sábado), a parti das 17h
Onde: Anfiteatro da Nova Orla de Itapuã (ao lado da quadra).

Denise Carrascosa, Manoela Barbosa e Dayse Sacramento iniciam os Diálogos Insubmissos!


Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras
Denise Carrascosa

O Espaço da Barroquinha ficará pequeno para tanta preta no próximo dia 11, terça-feira. A partir das 19h, todos os caminhos de quem não dispensa um bom encontro literário levarão para lá, onde vai começar o projeto Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras. A expectativa é grande para os quatro dias de debates sobre a obra da escritora Conceição Evaristo intitulada “Insubmissas lágrimas de mulheres”, que reunirão intelectuais negras baianas.

 

Os Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras são o resultado de um projeto de pesquisa em Literatura, desenvolvido no IFBA, campus Salvador, que se propôs a criar uma cena de debates e reflexões sobre a violência contra as mulheres negras, aliada à uma ótica das insubmissões destas mulheres que entrecortam as narrativas dos contos de Conceição Evaristo.

Os diálogos da noite de abertura serão comandados pela professora de Literatura da Ufba, Doutora em Crítica e Teoria Literárias, Denise Carrascosa e a graduada em Filosofia pela UESC e Mestra em Crítica Cultural pela UNEB, Manoela Barbosa.

Denise se debruçará sobre o conto “Shirlei Paixão”, enquanto Manoela terá como tema o conto “Lia Gabriel”. São histórias que traduzem afetos, reflexões e vivências de mulheres negras sob a escrevivência de Evaristo. Minutos antes serão feitas inscrições e certificados de ouvinte serão dados, com carga horária de 3h.

Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras
Manoela Barbosa

Os diálogos serão mediados pela idealizadora do projeto, a feminista negra, graduada em Letras e mestra em Crítica Cultural, Dayse Sacramento.

Julho das Pretas!

O projeto está dentre os inúmeros que inundarão a cidade nos próximos dias dentro do “Julho das Pretas”, quinta edição de uma programação coletiva articulada pela organização Odara – Instituto da Mulher Negra com outras entidades de mulheres negras da Bahia. Este ano, o Julho traz como temática central “Negras Jovens e as lutas de enfrentamento ao racismo, a violência e pelo bem viver” e tudo gira em torno do 25 de Julho – Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha

#DiálogosInsubmissos – Debates serão encerrados com Conceição Evaristo e sua “Escrevivência”

PROGRAME-SE!

Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras – Abertura

Quando: 11/7 (terça), às 19h
Onde: Espaço Cultural da Barroquinha
Quanto: Entrada Gratuita – Inscrições no local minutos antes da atividade
+ Sujeito a lotação do espaço

Grupo Sambagolá resgata Riachão, Batatinha e Panela em show no Barroquinha (14)


Sambagolá
Foto: Ana Luiza Abre

O grupo Sambagolá estreia, no próximo dia 14 (sexta-feira), o show: “Vou chegando da Bahia”, uma reverência aos mestres, com um repertório autoral. Será no Espaço Cultural da Barroquinha!

O show traz a marca da ancestralidade do cancioneiro baiano e propõe um resgate do encontro de Riachão, Batatinha e Panela em 1973 – imortalizado no disco “Samba da Bahia”. O Sambagolá é um projeto musical concebido pelos músicos e pesquisadores Gabriel Batatinha (Voz, Violão) e Seraina (Voz, Violino), idealizadores do novo Centro Cultural Batatinha.

O grupo é composto também por Diana Maris Panela (Voz, Violão), Julio Caldas (Bandolim, Voz, Viola), Valdo Marques (Percussão), Moisés Macêdo (Bateria) e o mestre da percussão Gabi Guedes.

Se ligue!

Sambagolá: Eu vou chegando da Bahia com Mestre Bule-Bule
Quando : Dia 14/7, sexta-feira, 19h
Espaço Cultural da Barroquinha
R$20/ R$10 (meia)

Afroamericalatinidade – Autor lança em Salvador livro sobre Tradição e Apropriação Crítica


“Afrolatinidade pra mim é aquilo que envolve memória, diversidade, luta, resiliência e indicativos de uma vida melhor para nossa gente. A latinidade é também negra”.

Ele é psicólogo, psicoterapeuta e doutor em Psicologia Social, atua na área de Saúde Mental, Psicologia Comunitária e Educação. E vai lançar – em Salvador – seu livro “Tradição e apropriação crítica: metamorfoses de uma afroamericalatinidade”, no próximo dia 14 de julho na Katuka Africanidades (Pelourinho). Estamos falando de Alessandro De Oliveira Campos, que traz em sua obra uma análise da tradição e apropriação crítica a partir de uma interlocução pautada pela afrolatinidade de Brasil e México. Ele conversou com o portal SoteroPreta, confere:

alessandro de oliveira campos

Portal SoteroPreta – Como se deu a escrita desta obra, o que a fundamentou?

Alessandro De Oliveira Campos – Esse livro é o resultado de minha pesquisa de doutorado. A escrita é aquele caminho continuo com etapas animadores e as vezes sobrecarregada e árdua. Ela se baseia na ideia de que a tradição pode e deve ser a apropriada por aqueles que a vivem de maneira crítica. Ela pode ser percebida de modo reflexivo e arguitivo sem temor de questionamentos. A tradição tende a dois entendimentos mais comuns.

Um que é ela uma maneira de atualizar o passado no presente, e a outra que é a prática de compartilhamento de usos e costumes, ou seja a divisão daquilo que faz sentido aos seus membros e os modos de pertencimento. Está presente aspectos da identidade, a memória, a oralidade, os mitos e ritos, e um bocado de coisas mais que organizam a vida comum e compartilhada.

A psicologia social que busco praticar é essa alinhada a toda uma escola que existe com as camadas populares de nossa terra, que dialoga com a sabedoria popular e valoriza a existência em comunidade. Gosto de dizer que acreditamos em uma psicologia cabocla, caipira e quilombola.

Portal SoteroPreta – Como você descreve esta afrolatinidade pautada no Brasil-México que seu livro traz?

Alessandro De Oliveira Campos – Penso que a latinidade para o Brasil ainda é um tema caro. A ideia de que ser latino é o “espano hablante” é bastante limitada. Antes de mais nada a americalatinidade é um desdobramento de relações complexas que envolvem inúmeros processos de independência que ainda não terminamos de realizar. O que ficou entendido como panlatinismo é um acúmulo de diversidade e uma tentativa de encontrar seu próprio caminho. Não acredito em uma latinidade que também nao seja afro! A percepção de que a latinidade é apenas o encontro entre as matrizes indígena e europeia é equivocada. A presença da matriz africana foi negligenciada também nesse reconhecimento. A história nos ensina que – guardadas as devidas proporções territoriais e independentistas – não há lugar em que a presença negra não se faça notar no que se convencionou chamar de América Latina. O que busquei fazer no meu livro foi ampliar a interlocução entre o norte e o sul dessa afrolatinidade.

São quatro vozes: uma mulher indígena zapoteca de Juchitan e uma homem indígena mixe de Tlahuitoltepec do Estado de Oaxaca no México, e uma mulher negra mineira e um homem negro baiano. Eles compartilham seus entendimentos sobre as tradições que fazem parte da produção de análise de seus contextos e que compartilham generosamente de suas histórias de vida. Essas quatro vozes revelam que não há caminho único para a luta por reconhecimento de suas comunidades e trabalhos.

alessandro de oliveira campos

Portal SoteroPreta – De que apropriação você trata nestas relações?

Alessandro De Oliveira Campos – A ideia de apropriação é uma constante elaboração da crítica. Ela não pode se dar ao luxo de não ser reflexiva. Tomar algo para si sem entender minimamente o seu significado e seu percurso é ocorrer em risco de ser negligente e invasivo. Os processos de colonização que nos afetam ainda se fazem notar em nosso cotidiano. São processos que criam hierarquias no convívio e nos espaços de destaque de nossa sociedade. Isso representa na prática os muitos privilégios de alguns e os abandonos de muitos.

Eu, como homem numa sociedade machista, preciso no mínimo pensar sobre meus privilégios enquanto membro de uma sociedade que produz hierarquizações de gênero. Superar o machismo é interessante para os homens pois já de cara os libera de uma papel social falso de que são superiores às mulheres. Isso serve para as pessoas brancas também. O que é ser branco numa sociedade racista como a nossa? A pessoa pode se considerar não racista e etc, pode ser inclusive aliada de causas e lutas antirracistas protagonizadas por negros, mas não pode evitar os privilégios que sua brancura lhe garante no cotidiano.

O racismo é um problema dos brancos também! Isso é o que envolve apropriação. Quando alienada, é indevida, mas quando crítica é instrumento para emancipação. A apropriação crítica da tradição que aposto é capaz de sustentar sentidos emancipatórios mesmo que diante de fragmentos contraditórios. Não se trata de produzir santos e pessoas sem contradições, mas de dimensões suficientemente maduras para identificá-las e metamorfoseá-las. Apropriação crítica que trata de aceitar os paradoxos da vida e da desafiante partilha das alegrias e frustrações do mundo.

 

O lançamento acontecerá na loja Katuka Africanidades, tem curadoria da escritora Cidinha da Silva e começa às 18h, aberto ao público.

Fotos: Reprodução Facebook

Livro sobre Escolas de Samba em Salvador será lançado este mês!


escola de samba de salvador
Diplomatas de Amaralina – Foto Arestides Baptista

Com o lançamento do livro O Carnaval de Salvador e suas Escolas de Samba, no próximo dia 13 de julho, na Cantina da Lua (Vila Caramuru, antigo Mercado do Peixe do Rio vermelho), das 18h às 22h, o compositor e cirurgião-dentista Geraldo Lima, 68 anos, presta uma homenagem aos sambistas baianos e resgata a memória de um tempo em que criatividade, cultura popular e beleza animaram o carnaval da cidade.

Nascido no bairro do Garcia, o autor vivenciou os bastidores e a organização da festa carnavalesca que consagrou escolas como Ritmistas do Samba, Filhos da Liberdade, Filhos do Tororó, Juventude do Garcia, Diplomatas de Amaralina e Filhos do Politeama, entre outras, no período de 1963 a 1978, quando a Prefeitura de Salvador promoveu concursos e as agremiações desfilavam do Campo Grande à Praça da Sé.

Ilustrado com fotografias da época, o livro mostra o surgimento, os anos de glória e a decadência das escolas de samba. O autor registra os enredos que emocionaram os foliões, como Os Negros na BahiaPrimeiro Aniversário da aboliçãoSamba – Canto livre de um PovoHomenagem aos 50 Anos de Ialorixá de Mãe Menininha do GantoisEpopeias de uma Raça, e também avalia o legado das escolas no carnaval atual.

“Tenho muita honra de fazer parte desta geração. Só o trabalho que era feito nessas comunidades carentes ou desassistidas para organizar e realizar um espetáculo com pouco dinheiro, já era uma coisa fantástica. Tudo era feito na base do esforço e da abnegação”, afirma Lima, que compôs sambas-enredos, foi secretário da Juventude do Garcia e é autor da música Deusa do Ébano, sucesso do bloco-afro Ilê Aiyê.

Geraldo Lima
Geraldo Lima

 

Para a pesquisa, Geraldo Lima utilizou documentação que preservou daquele período, além de livros, arquivos de jornais e depoimentos de participantes de várias escolas, construindo um panorama ao mesmo tempo histórico e afetivo. “A memória não é só minha, a memória de todos é importante”, diz o autor.

O Carnaval de Salvador e suas Escolas de Samba (168 páginas, R$40) apresenta apêndices com registros das músicas campeãs, os títulos conquistados pelas escolas do primeiro grupo, a repercussão nos meios de comunicação e entrevistas exclusivas com Walmir Lima, Ninha, João Barroso e Nelson Rufino, que relembram episódios curiosos e refletem sobre o carnaval contemporâneo.

 

SERVIÇO

Evento: Lançamento do livro O Carnaval de Salvador e suas Escolas de Samba, de Geraldo Lima

Local: Cantina da Lua (Vila Caramuru, antigo Mercado do Peixe do Rio Vermelho)

Data: 13 de julho (quinta-feira)

Horário: das 18h às 22 horas

Preço do livro: R$ 40

 

Coletivo de Mulheres Negras Abayomi será lançado este mês!


abayomi

O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha também é o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra Brasileira. O dia 25 de julho vai ser comemorado com o lançamento do Coletivo de Mulheres Negras Abayomi.

O Coletivo surgiu da necessidade de lutar contra a vulnerabilidade social e violência – seja ela psicológica, física, moral, patrimonial e sexual – propagada contra a mulher. Temos a missão de observar, diagnosticar estas mulheres.

O evento contará com uma Mesa de Debate com o tema As Mulheres Negras e o Processo Organizativo Pelo Bem Viver. Os principais meios pelos quais o Coletivo pretende atuar serão no enfrentamento à violência em comunidades, no meio acadêmico, o racismo institucional, na saúde, a violência emocional e na mídia.

Quer saber mais sobre o Coletivo? Vai lá!

Coletivo de Mulheres Negras Abayomi
Quando: 28 de julho, sexta-feira, 18h
Onde: Casa de Angola, Barroquinha.
Aberto ao público