#DiálogosInsubmissos – Carla Akotirene e Ana Carla Portela no 2º encontro!


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Carla AKotirene – Foto Andreia Magnoni

Os Diálogos Insubmissos começaram nesta terça-feira (11), no Espaço Cultural da Barroquinha e foi daquele jeito: casa lotada!

O próximo encontro – neste sábado, 15 – já promete também: será no Goethe Institut – Corredor da Vitória e destacará dois dos 13 contos da obra de Conceição Evaristo: Natalina Soledad e Aramides Florença. Duas mulheres negras, duas histórias que se encontram em muitos pontos. A partir das 19h!

O primeiro conto – Natalina Soledad – será analisado pela Assistente Social, pesquisadora da Epistemologia Feminista Negra, Mestra e Doutoranda em Estudos de Gênero, Mulheres e Feminismo (UFBA), Carla Akotirene.

No conto, Evaristo traz formas de expressão do patriarcado e das relações desiguais de poder no âmbito familiar, pautando, ainda as rupturas necessárias a este modelo para a construção e/ou afirmação da identidade feminina.

Já a mestranda em Educação e Contemporaneidade (UNEB), Ana Carla Portela se debruçará sobre o conto de Aramides Florença, que decidiu por ter seu filho antes de resolver quem seria o pai – no pleno exercício de sua liberdade feminina no final do século XX.

Ter um filho havia sido uma escolha que ela fizera desde mocinha, mas que vinha adiando sempre. Vivia à espera de um encontro, em que o homem certo lhe chegaria, para ser o seu companheiro e pai de seu filho” (Evaristo, 2011, p. 13). 

 

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Ana Carla Portela – Foto Lis Pedreira

As apresentações de cada pesquisadora e o debate com o público serão mediados pela YouTuber do canal Narrativas Negras, ativista do Coletivo Enegrecer e da Marcha do Empoderamento Crespo, Samira Soares.

“Eu estou muito feliz em participar de um evento que tem uma energia ancestral muito forte. Me sinto no dever de cumprir um papel de intermediar diálogos potentes de mulheres negras, referências. Tenho a certeza que eu, assim como muitas outras, sairei transformada e ainda mais engajada na luta das nossas” – Samira Soares

Inspiração

Os Diálogos Insubmissos, idealizado pela pesquisadora Dayse Sacramento, reúne intelectuais negras baianas para analisar os contos da obra “Insubmissas lágrimas de mulheres”, lançada em 2011 pela escritora Conceição Evaristo. A autora estará no evento também, encerrando o ciclo, no dia 11 de agosto. Confira toda programação abaixo: 

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Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras debaterá obra de Conceição Evaristo


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“(…) E, quando se escreve, o comprometimento (ou o não comprometimento) entre o vivido e o escrito, aprofunda mais o fosso. Entretanto, afirmo que, ao registrar estas histórias, continuo no premeditado ato de traçar uma escrevivência.”

Assim introduz Conceição Evaristo a sua obra Insubmissas lágrimas de mulheres, lançada em 2011. Os relatos de mulheres negras ao longo dos contos escritos por Evaristo serão estudados e analisados na atividade intitulada “Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras”, que será realizada em julho, em Salvador.

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Dayse Sacramento

A atividade faz parte do projeto de pesquisa da doutoranda em Literatura e Cultura, Dayse Sacramento, “Violências contra mulheres negras e as suas “insubmissões”, contemplado no PIBIC/IFBA em 2017, junto à orientanda – bolsista do PIBIC – Jilmara Santos de Jesus.

Dayse organiza a atividade, que trará Mesas Temáticas com a presença de pesquisadoras negras em três encontros. Em cada um serão debatidos dois contos, que serão mediados também por mulheres negras de diversas áreas, como Direito, Filosofia e Literatura.

“A partir destas atividades, buscaremos refletir sobre como as relações que são tecidas na sociedade  impõem  às  mulheres  negras  (e  a  outros segmentos  discriminados)  condições  de  vulnerabilidades, no que se refere aos  direitos humanos,  acesso  à  bens  culturais,  inclusive  no  que tange as políticas públicas”.

Convidadas

Os debates tem como intuito identificar violação dos direitos das mulheres no texto literário de Conceição Evaristo e como elas representam o cenário social brasileiro.
Para tanto, já estão confirmadas presenças como as da mestra em Estudos de Linguagens (Uneb) e ativista, Lindinalva Barbosa, a doutoranda em Literatura e Cultura (UFBA), Cristian Sales, a doutoranda em Literatura e Cultura Dayse Sacramento, a doutora em Crítica e Teoria Literárias, Denise Carrascosa, a mestra em Crítica Cultural (Uneb), Manoela Barbosa, a doutoranda em Estudos de Gênero, Mulheres e Feminismo, Carla Akotirene, a mestranda em Educação e Contemporaneidade (UNEB), Carla Portela.
Na mediação, a socióloga e doutora em Sociologia, Marcilene Garcia e a poetiza e estudante de Jornalismo, Joyce Melo. 

Insubmissas lágrimas de mulheres Conceição Evaristo

A escrevivência de Conceição Evaristo

Ela escreve sobre exclusão, racismo, sexismo, violências. Em seus textos, a autora denuncia com sua Literatura que aborda o universo das mulheres negras.

Prosa ou pela poesia, Evaristo é aclamada por sua narrativa forte e ao mesmo tempo sensível, que busca sempre a realidade e a dureza do cotidiano.
Oriunda de uma favela da zona sul de Belo Horizonte, conciliou seus estudos com trabalho de empregada doméstica. É mestra em Literatura Brasileira pela PUC-Rio, e doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense.
Em breve mais informações aqui no Portal. Até lá, segue a página do evento. 

#DiálogosInsubmissos – Maiana Lima e Samira Soares serão mediadoras de debates!


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Samira Soares                     Foto – Rafaela Souza

Tá chegando a hora das pretas insubmissas lotarem o Espaço Cultural da Barroquinha nesta terça-feira, dia 11 de julho. Vão começar os “Diálogos Insubmissos”,  projeto que está dando o que falar nas Redes Sociais!

Sete mulheres estão reunidas em torno dos Diálogos: a mestra em Estudos de Linguagens (Uneb) e ativista, Lindinalva Barbosa, a doutoranda em Literatura e Cultura (UFBA), Cristian Sales, a doutoranda em Literatura e Cultura Dayse Sacramento, a doutora em Crítica e Teoria Literárias, Denise Carrascosa, a mestra em Crítica Cultural (Uneb), Manoela Barbosa, a doutoranda em Estudos de Gênero, Mulheres e Feminismo, Carla Akotirene, a mestranda em Educação e Contemporaneidade (UNEB), Carla Portela. Elas se debruçarão sobre 13 contos do livro “Insubmissas Lágrimas de Mulheres Negras” (2011)de Conceição Evaristo.

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Maiana Lima – Facebook

Mediadoras Insubmissas

Além do time poderoso acima, outras insubmissas estarão na roda também: as mediadoras Maiana Lima e Samira Soares. Maiana é graduanda em Letras Vernáculas e Língua Estrangeira Moderna (Inglês) pela UFBA e, atualmente, é pesquisadora de intelectualidades negrofemininas na Literatura. Já Samira Soares é YouTuber do canal Narrativas Negras, ativista do Coletivo Enegrecer e da Marcha do Empoderamento Crespo.

Samira Soares mediará o Diálogo entre Carla Akotirene e Ana Carla Portela, no dia 15 de julho (sábado), no Goethe Institut (Corredor da Vitória) e Maiana Lima estará entre Lindinalva Barbosa e Cristian Sales, no dia 20 (Pavilhão de Aulas Glauber Rocha – UFBA).

Além delas, está Dayse Sacramento, idealizadora do projeto, que mediará o primeiro encontro entre Manoela Barbosa e Denise Carrascosa, na próxima terça (11), no Espaço Cultural da Barroquinha. Começa às 19h e é só chegar – cedo! A entrada estará sujeita à lotação do espaço.

PROGRAME-SE!

Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras – Abertura

Quando: 11/7 (terça), às 19h
Onde: Espaço Cultural da Barroquinha
Quanto: Entrada Gratuita – Inscrições no local minutos antes da atividade
+ Sujeito a lotação do espaço

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Rede Dandaras oferece oficinas free de Percussão, Grafitte, Abayomi e vivência de Samba


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Mafá Santos – Reprodução Facebook

A Rede Dandaras está programando várias Oficinas para mulheres negras neste mês Julho afro-feminino! As pretas vão levar para a Biblioteca Comunitária Zeferina-Beiru, nos dias 20 e 21, a segunda edição do projeto Dialogando, com o tema “Afro-Afetividade: A memória é viva!”.

Serão disponibilizadas Oficina de Percussão, com Mafá Santos, Oficina de Grafitte com Andressa Monique, Oficina de Abayomi com Viviane Moreira e Michele BZB, além da Vivência de Samba com Aisha Afya. 

Integrando o Julho das Pretas, a articulação se une às atividades do Odara – Instituto da Mulher Negra junto a outras entidades de mulheres negras da Bahia, com o intuito de dar visibilidade a práticas e projetos de mulheres.

Todas as ações serão em celebração ao 25 de Julho – Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha.

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Quer participar? 

Projeto Dialogando, com o tema “Afro-Afetividade: A memória é viva!”

Quando: 20 e 21 de julho, das 13 às 15h

Onde: Biblioteca Comunitária Zeferina – Beiru

Só chegar!

Condenados – Espetáculo teatral pautará a Homofobia em diferentes pontos de vistas


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O Espaço Xisto Bahia receberá, neste mês, o espetáculo teatral Condenados, montagem da SouDessa Cia de Teatro. Nessa terceira temporada, Condenados traz como tema a discussão em torno da homofobia em diferentes pontos de vistas: do agressor, da sociedade, para quem sofre o ato e levanta questionamentos. Após temporada no Xisto, o espetáculo segue para o Centro Cultural Plataforma.

Como lidar com a violência? Qual é a melhor forma de combatê-la? E se ao invés da tentativa de diálogo os homossexuais revidassem com a mesma moeda? Através das vivencias em torno da opressão e violência sobre LGBTs pela sociedade em geral, a peça põe em pauta se a única forma de acabar com as agressões, que em muitos casos terminam em assassinato, seria se defender com a mesma violência. 

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O diretor Filipe Harpo traz um conjunto de histórias vividas por 20 personagens interpretados pelo cantor e ator Taric Marins (Grupo musical Banda de Boca; Espetáculos: Besame Mucho, Mar Morto) e o ator Bruno Roma (Gota D´água, Transmetropolis, A Comida de Nzinga). O texto provoca o espectador, abordando conflitos familiares, preconceito velado e violência gratuita.

 

SERVIÇO

O quê: CONDENADOS

Elenco: Bruno Roma e Taric Marins – Direção de Filipe Harpo

Quem: Projeto Sou Mais – SouDessa Companhia de Teatro

Quando/Onde: Espaço Xisto Bahia (Rua General Labatut, 27 – Barris) – 14, 15, 21 e 22/6 (sempre às 20h)

Centro Cultural Plataforma (Praça São Braz, s/n – Plataforma) – 28, 29/6, 04 e 05 de agosto (sempre às 19h)

Quanto: Espaço Xisto Bahia – R$ 10,00 (meia); 20,00 (inteira)

Centro Cultural Plataforma – R$ 10,00 (meia); 20,00 (inteira)

Classificação: 18 anos

Fotos: Bob Nunes

#DiálogosInsubmissos – Debates serão encerrados com Conceição Evaristo e sua “Escrevivência”


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Em uma favela da Zona Sul de Belo Horizonte, em 1946, a história da literatura brasileira ganhava mais uma estrela. Dali sairia, Conceição Evaristo, rodeada de palavras.

E não é pura simbologia aqui: sua mãe guardava em um diário as memórias de suas dificuldades no dia a dia do ofício de lavadeira. Conceição foi empregada doméstica e, aos 25 anos, concluiu o Curso Normal. As palavras sempre a acompanharam e a fizeram. É mestra em Literatura Brasileira pela PUC-Rio, e doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense.

“A nossa Escrevivência não pode ser lida como histórias para ninar os da casa grande e sim para incomodá-los em seus sonos injustos!” (C.Evaristo)

Conciliando seus estudos com os afazeres, Conceição veio a se tornar uma das principais expoentes da Literatura Brasileira e Afro-Brasileira. Hoje ela é estrela junto a outras tantas mulheres negras que fazem da arte literária uma bandeira de afirmação – pessoal e coletiva.

Esta luta, trajetória e “escrevivência”, como ela intitula, estarão no centro dos Diálogos Insubmissos, ciclo de debates em que intelectuais negras baianas se debruçarão sobre os contos de sua obra “Insubmissas lágrimas de mulheres”, lançada em 2011. Será em Salvador, no mês de julho e a programação já está fechadinha. A própria Evaristo virá para encerrar os debates – em agosto, então já se programem. Os Diálogos acontecerão no Espaço Cultural da Barroquinha, no Sarau da Onça (Sussuarana) e no PAFF III da UFBA, em Ondina.

Insubmissas lágrimas de mulheres

Serão nos dias 11, 15 e 20 de julho e no dia 11 de agosto. Este último dia, com Evaristo. Em “Insubmissas lágrimas de mulheres”, Evaristo traz um retrato de solidariedade e afeição feminina, em especial, mulheres negras. Seus afetos, reflexões e deslocamentos são desenrolados ao longo dos contos.

“Então, as histórias não são inventadas? Mesmo as reais, quando são contadas. Desafio alguém a relatar fielmente algo que aconteceu. Entre o acontecimento e a narração do fato, alguma coisa se perde e por isso se acrescenta. O real vivido fica comprometido. E, quando se escreve, o comprometimento (ou o não comprometimento) entre o vivido e o escrito aprofunda mais o fosso. Entretanto, afirmo que, ao registrar estas histórias, continuo no premeditado ato de traçar uma escrevivência”. (Evaristo, 2011)

Convidadas

Os debates tem como intuito identificar violação dos direitos das mulheres no texto literário de Conceição Evaristo e como elas representam o cenário social brasileiro. Já estão confirmadas presenças como as da mestra em Estudos de Linguagens (Uneb) e ativista, Lindinalva Barbosa, a doutoranda em Literatura e Cultura (UFBA), Cristian Sales, a doutoranda em Literatura e Cultura Dayse Sacramento, a doutora em Crítica e Teoria Literárias, Denise Carrascosa, a mestra em Crítica Cultural (Uneb), Manoela Barbosa, a doutoranda em Estudos de Gênero, Mulheres e Feminismo, Carla Akotirene, a mestranda em Educação e Contemporaneidade (UNEB), Carla Portela.
Não será necessário inscrição. Na mediação, a graduanda em Letras Vernáculas e Língua Estrangeira Moderna (Inglês/UFBA), Maiana Silva e a Youtuber, Samira Soares. Confira toda a programação:
diálogos insubmissos

 

#Cabaré20Anos – “Já que é questão de costume, se acostume a me chamar de negra!” – Dra. Janaína


Cabaré da Raça

Ela é negra, já usou dreads, tranças, cabelo black para cima, é advogada e, quando entra no Fórum para advogar, a mandam acessar o elevador de serviço. Essa é a vida da Dra. Janaína, constantemente discriminada. A personagem – criada e interpretada pela atriz Merry Batista pro espetáculo Cabaré da Rrrraça – trazia à tona, há 20 anos, o racismo no dia a dia dos advogados e advogas [email protected] na cidade. “Há 20 anos havia uma grande polêmica sobre quais os trajes ou looks que os advogados negros teriam que usar para adentrar nos setores de Justiça e advogar”, lembra Merry.

“Eu tô o tempo todo perguntando porque esse negócio de me chamar de morena. “Ah, mas é questão de costume”. Então, se é questão se costume, se acostume a me chamar de negra, porque esta é a minha raça!” – Dra. Janaína

Dra. Janaína foi criada com este intuito. Levar ao palco – do mesmo modo irreverente e polêmico que contempla todo espetáculo Cabaré da Rrrraça, do Bando de Teatro Olodum – a resistência diária de ser negra, advogada, bem sucedida, e estar sempre sendo posta em lugares de subalternidade.

“Essa resistência me ajudou a pensar sobre o assunto e, também, no auxílio da construção do perfil do personagem bem como no figurino. Meu personagem, logo no início, usava um dread para, justamente, combater a questão racista daquele momento”, enfatiza Merry.

O Bando de Teatro Olodum, com este espetáculo – junto a “Ó Paí, Ó”, o que mais seguidamente esteve em cartaz – conseguiu colocar negros e não negros pra pensar. Rir muito, mas pensar acima de tudo. O racismo, este sempre em pauta em cada uma das falas.

“O cabelo que usava, fortalecia uma identidade e não mudava o seu jeito de pensar. Até hoje vivemos em uma sociedade que lhe diz o que você é sem te conhecer, criando estereótipos”, diz a atriz que, em muitas cenas questiona justamente esses estereótipos.

Cabaré da raça

Os personagens criados pelos atores do Bando sempre são construídos na base de muito laboratório e de pesquisas. “Tive um encontro com uma advogada que me inspirou bastante. Uma das minhas falas, a do elevador, foi um fato que ocorreu com ela”, disse. Dra. Janaína já foi interpretada pelas atrizes Érica Ribeiro, Jamile Alves e Valdineia Soriano.

#Cabaré20Anos – Jaqueline…“Eu faço 2º ano de Formação Geral…!”

A felicidade em ter um espetáculo tão respeitado e aclamado se divide com o lamento dele ser ainda tão necessário. “O Cabaré ainda tem muito o que dizer, infelizmente. Falta ainda quebrar, conscientizar, desconstruir comportamentos racistas. Há vinte anos atrás eu falava de uma advogada que era constantemente discriminada e que até hoje isso acontece”, diz .

#Cabaré20Anos – De volta ao Vila Velha

De 12 a 27 de agosto, Cabaré da Rrrrraça volta ao palco do Vila para mais apresentações – com mais atualidades e com mais polêmica. Até lá, acompanhe a série no Portal Soteropreta sobre alguns de seus personagens! Lembre um pouco desse espetáculo histórico:

 

Centro Cultural Plataforma recebe espetáculo em homenagem a Elza Soares


espetáculo “Se Acaso Você Chegasse

Nesta quinta (13), o Centro Cultural Plataforma vai receber a Arte Sintonia Companhia de Teatro, que fará uma única apresentação do  espetáculo SE ACASO VOCÊ CHEGASSE – uma homenagem a Elza Soares.  O espetáculo reverencia a artista, que é ícone da cultura negra no Brasil..

Será às 20h e é inspirado na história de vida da cantora Elza Soares, dirigida por Antônio Marques. Se Acaso Você Chegasse mostra as diversas facetas que a cantora teve que assumir ao longo da sua trajetória. Entre canções do repertório de Elza, a peça traz a atuação de quatro atrizes: Denise Correia, Lívia França, Josi Varjão e Clara Paixão, que vivem diversos momentos de sua biografia.

Produzida pela Arte Sintonia Companhia de Teatro, única companhia baiana a trabalhar com musicais, a peça ‘Se Acaso Você Chegasse’ acontece pela quarta vez em Salvador.

A peça recria, justamente, a época em que a ‘Elza’ no singular não existia e, a partir daí, vai construindo uma narrativa que se baseia na trajetória da estrela. O resultado é uma obra rica em detalhes que leva o espectador a se colocar no lugar da cantora e a refletir sobre certas atitudes tomadas ao longo da vida.

espetáculo “Se Acaso Você Chegasse

NÃO PERCA!

O quê: Espetáculo “Se Acaso Você Chegasse – uma homenagem à Elza Soares”.

Quando:  13 de julho, quinta-feira.

Horário: 20h.

Local: Centro Cultural Plataforma

Valor: R$ 10 (Inteira) e R$ 5 (meia)

Informações: (71) 98846-1928/  99269-8274

Vendas: No local.

Fotos: Genilson Coutinho

 

 

#Entrevista – Dayse Sacramento e os Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras!


Em 13 contos, mulheres negras são protagonistas de relatos de dores, desejos, medos, mas também de resistência. Assim, a escritora Conceição Evaristo apresenta sua obra Insubmissas lágrimas de mulheres, lançada em 2011. Esta obra será foco de debates no mês de julho, em Salvador, na atividade intitulada “Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras”. 

A escrevivência  de Evaristo estará em análise por mulheres negras convidadas pela organizadora, a doutoranda em Literatura e Cultura, Dayse Sacramento, cuja ideia surgiu a partir de sua pesquisa “Violências contra mulheres negras e as suas “insubmissões”, contemplada no PIBIC/IFBA em 2017, junto à orientanda – bolsista do PIBIC – Jilmara Santos de Jesus.

Serão três Mesas Temáticas, com a presença de pesquisadoras de diversas áreas, como Direito, Filosofia e Literatura.

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Dayse Sacramento   Foto – Andréa Magnoni

Dayse Sacramento nos falou como surgiu todo este projeto:

Portal Soteropreta – Quem é Conceição Evaristo pra você?

Dayse Sacramento – Conceição Evaristo é uma das mulheres negras mais importantes da literatura afro-brasileira e que nos mostra que é possível um fazer literário com uma voz feminina negra Que esta é uma voz polissêmica, ela fala com a voz de muitas de nós. Este livro, em especial, sempre me chamou atenção pela forma como ela faz denúncias de como a sociedade brasileira direciona para as mulheres negras vários dispositivos de violência e estas mulheres não sucumbem. Resistem, caem, mas sempre levantam e até as suas lágrimas são insubmissas.

Portal Soteropreta –  E como surgiu a necessidade desta pesquisa?

Dayse Sacramento – Primeiramente, da necessidade de refletir sobre o cotidiano de mulheres negras que a autora nos apresenta através de suas personagens. Sobretudo em tempos de dados alarmantes de feminicídio lesbofobia, intolerância religiosa, e outras formas de opressão. Insubmissas Lágrimas de Mulheres é uma obra que contempla narrativas da realidade de muitas de nós. Trazer este debate através do texto literário é um compromisso que assumimos no estudo, aliado a uma crítica que legitime e visibilize o combate à violência contra mulheres negras. Assim, o Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras é uma atividade que buscará legitimar e consagrar a produção da autora.

Portal Soteropreta – Suas convidadas, Dayse, o que elas tem em comum?

Dayse Sacramento – São todas elas mulheres negras que, em alguma medida, dentro do seu campo de produção do conhecimento, discutem, combatem questões de gênero e raça. São sensíveis – tanto à produção de Conceição Evaristo, como assumem o compromisso de tornar o mundo melhor para as mulheres.

Portal Soteropreta – Como ela se deu e quais seriam seus principais legados para Literatura e Cultura negras?

Dayse Sacramento – Nós, negras e negros, precisamos, cada vez mais, acolher, apoiar, conhecer e distribuir as nossas produções, sobretudo entre nós. É inconcebível que autoras e autores negros permaneçam escondidos em detrimento de um cânone literário que é racista, classista, e que direciona muitos impedimentos a uma escrita negra. Desde as condições de produção e do fazer artístico literário, até a publicação e distribuição de livros.

Portal Soteropreta – O que você espera alcançar com os Diálogos?
Dayse Sacramento – Espero que as pessoas acessem o texto literário e que reconheçam a produção intelectual de mulheres negras. Afinal, se nós não nos lermos, não disseminarmos nossas vozes pretas, quem o fará? Deste modo, vamos conversar sobre a obra, dialogar sobre pontos de vista distintos, mediadas pela força-palavra de Conceição, que nos toca, inquieta e fortalece.

Veja aqui toda programação dos Diálogos, quem são as pretas convidadas para mediar estas leituras. O Portal Soteropreta é parceio deste projeto e divulgará, ao longo do mês, a programação completa!

#Cabaré20Anos – Jaqueline…“Eu faço 2º ano de Formação Geral…!”


Cabaré da Rrrrraça

Há 20 anos, o Teatro baiano recebia a estreia de um espetáculo que ficaria marcado na memória desta arte. O espetáculo mais popular e que mais vezes esteve em cartaz, na trajetória do Bando de Teatro Olodum. O Cabaré da Rrrrraça conseguiu – com sua abordagem polêmica e irreverente – entrar para a história. Esta que será celebrada no mês de agosto no Teatro Vila Velha.

Até lá, e em parceria com o Bando de Teatro Olodum, o Portal Soteropreta vai resgatar alguns dos personagens que compõem esta peça, tão aclamada e respeitada por sua verdade nua, crua e afirmativa. A ideia é trazer um pouco do que esteve – e até hoje está – por trás destas criações.

Uma delas é Jaqueline, criação da atriz Valdineia Soriano. A personagem, que já foi interpretada por Maria Gal, Patt de Carvalho, é uma jovem estudante que sempre lembra o público: “Eu faço 2º ano de formação geral…”. “Como de costume ao Bando, fiz uma pesquisa de rua mesmo, com meninas em várias profissões, manicures, professoras, vendedoras. Jovens que frequentavam, assiduamente, shows de pagode. Todas negras”, afirma Valdineia Soriano. Jaqueline, em meio ao pagode, se encontra, se perde e se manifesta.

#Cabaré20Anos – “Essa galera do Movimento Negro é muito radical!” – Jorge Washington explica Taíde!

“Tive que aprender coreografias das bandas de pagodes (risos), que era o bum do momento, e falar daquelas meninas era importante. Suas vivências, suas visões a cerca do racismo. A partir de leituras, como da Revista Raça, que se destacava na época, fui construindo o texto e fortalecendo nas improvisações dos ensaios”, conta Valdineia.

Para a atriz, a realidade de 20 anos atrás ainda é tão atual quanto se mostra no palco. Os improvisos dos atores é notável, sempre atualizados com o que se vive no cotidiano. Letras de músicas – como dos pagodes, por exemplo – estão sempre atualizadas nas falas. E o que pauta cada uma delas ainda é tão atual quanto – o racismo. “Infelizmente, muito infelizmente, ainda se faz necessário questionar, brigar, gritar contra o racismo”, conta.

Cabaré da Rrrrraça
Foto – Marcio Lima (Jamile Alves, Auristela Sá (In memorian), Valdineia Soriano

A interação é forte. Aquele momento tenso que quem já foi sabe: quando os atores e atrizes perguntam à plateia sobre racismo. O espetáculo/musical – que arranca risos – também, e ao mesmo tempo, busca estimular a reflexão da plateia. Com ironia e polêmia, o debate vai ganhando o público. “Quando interagimos com a plateia, vemos a ânsia que todos têm em relatar as experiências e como reagiram ou pensaram em reagir”, conta.

#Cabaré20Anos – “Já que é questão de costume, se acostume a me chamar de negra!” – Dra. Janaína

Valdineia Soriano também já interpretou outras personagens, como a advogada Dra. Janaína, criada por Merry Batista e a Rosie Marie, criação da atriz Rejane Maia. De 12 a 27 de agosto, Cabaré da Rrrrraça volta ao palco do Vila para mais apresentações – com mais atualidades e com mais polêmica. Até lá, acompanhe a série no Portal Soteropreta.

Lembre um pouco desse espetáculo histórico: