Mestre King – Aulão, reconhecimento e 53 anos de Dança Afro


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Banco de Imagens
Há quase 30 anos, todo mês de dezembro, apaixonados pela Dança Afro tem um encontro especial com uma das maiores personalidades da modalidade no país e no mundo, o Mestre King. Assim é conhecido o professor e coreógrafo Raimundo Bispo dos Santos, que já contabiliza 53 anos de carreira. Seu “Aulão” de Dança Afro – aberto ao público – será neste sábado (31), aos pés da estátua de Zumbi dos Palmares (Pelourinho), a partir das 10h.
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Divulgação
O Aulão é para reunir seus alunos e ex-alunos – que são muitos mundo afora – na Europa e Estados Unidos. Respeitado e premiado internacionalmente, King é um dos mais importantes precursores da dança afro-brasileira, com cursos e oficinas em diversas cidades do Brasil e pelo mundo. Foi o primeiro homem da América Latina a fazer vestibular de Dança. Ele diz que não criou a Dança Afro, mas “transformou a forma de dançar daquela época”.
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“O artista não pode ficar parado, a Dança me anima e há 30 anos, lá no vão do TCA, primeiro aulão, nós começamos a nos reunir. Gosto de estar entre meus alunos, estar próximo da Dança de alguma forma”, diz Mestre King, que por motivos de saúde já não dá mais aulas. O aulão, hoje, é organizado e conduzido por ex-alunos, que não deixam a tradição acabar, com a presença do Mestre. “Vou lá, faço minhas firulas, meus movimentos..(risos). Depois nós vamos todos tomar um banho de mar, é o que está programado” , diz King, alegre.
“Com eles me sinto realizado, me sinto Rei (risos). Eu comecei esse trabalho com Dança Afro no empirismo, pois ela não existia. O Ilê, Olodum, estavam começando àquela época. Hoje tenho alunos pelo mundo, divulgando a dança afro, o que me deixa feliz, cada um com sua maneira, sua forma. Hoje tem estudos sobre ela, sobre a África, o que eu sonhava. Entreguei o bastão, o trabalho continua” – M. King. 
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Mestre King foi aluno de Emilia Biancardi, etnomusicóloga e pesquisadora da música folclórica brasileira e Clyde Morgan, pesquisador e professor da Universidade Estadual de Nova York. Foi  – e ainda é – Mestre de reconhecidos dançarinos e professores, como Augusto Omolú, Rosangela Silvestre, Zebrinha, Paco Gomes e Luiz Badaró, dentre outros nomes.
É reconhecido por seu trabalho e estilo peculiares, que inovaram a Dança, inserindo a ancestralidade africana em passos, gestos e movimentos. Seu estudo tem como base os movimentos dos Orixás, consolidando coreografias que misturam estes movimentos à dança popular.
“King  foi o meu primeiro professor de Dança, quem me deu régua e compasso e direcionamento pra eu ser tudo isso que sou hoje. Aos 73 anos de idade, ultrapassa os 50 anos de carreira, Mestre King é pura vitalidade e bom humor. Dedicou todos esses anos à Dança e, mesmo com a idade que tem, continua dando aulas. A mestre King deixo toda a minha admiração, respeito e gratidão. A presença dele foi de fundamental importância para a minha trajetória de vida como artista e como homem.” – Luiz Bokanha, professor e coreógrafo, que já foi assistente de King. 
Em 2014, King recebeu a Comanda 2 de Julho, a mais alta honraria concedida pelo legislativo baiano, por iniciativa do deputado Marcelino Galo (PT). O Mestre promete para o Aulão número 30: “será um reencontro de arte, de alegria e de muito movimento”.
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Foto: Fernando Vivas | Ag. A TARDE
Em janeiro – dias 17 e 18 -, no Teatro Gregório de Matos, às 19h, será exibido o documentário “Raimundos: Mestre King e as figuras masculinas da dança na Bahia”, dirigido pelo bailarino e coreógrafo Bruno de Jesus, com roteiro de Gabriel Omuz Machado e produção de Inah Irenam. Nele, há entrevistas com pessoas próximas ao Mestre, como Clyde Morgan,Jorge Silva, Paco Gomes, José Ricardo, Anderson Rodrigo, Matias Santiago, Gaby Guedes, Amilton Lino, Luis Deveza, Carlos Antônio Pereira (Neguinho), Ricardo Costa, além do registros de Mestre King,  seu corpo que ainda dança e guarda a memória de anos de conhecimento construído. Ingressos serão vendidos a R$20/10.
“Tenho King como um grande Mestre, sempre flexionei meus joelhos diante dele, pois seu valor é ímpar. Raimundo Bispo dos Santos, um grande Mestre que reconhecia nos corpos “duros e imaturos”, como ele dizia, grandes autoridades da dança – que somos nós hoje. Tenho muito orgulho de fazer parte da história deste grande homem.” – Tania Bispo, Graduada em Dança Profissional (Ufba), Terapeuta Holística e Egbomi (Ile Axé Kale Bokun). 
SERVIÇO
Aulão com Mestre King – 30 ANOS
Quando: Dia 31/12/16
Horário: 10h
Local: Praça da Sé – em frente à Coelba, aos pés da estátua de Zumbi dos Palmares.

Luciana Souza e Carlos Pereira promovem Oficina de Teatro pra iniciantes


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Bando de Imagens – Luciana Souza

Mais uma oportunidade para quem quer aprender as técnicas de Teatro. A Companhia de Interesse Popular, entidade com fins artístico, cultural e educacional, promove entre 17 de janeiro e 9 de fevereiro, a Oficina de Teatro para Iniciantes, no Pelourinho. Dirigida pelos artistas Carlos Pereira e Luciana Souza, a oficina está com inscrições abertas até o preechimento das vagas e tem idade mínima de 14 anos. O investimento é de R$100 para todo a Oficina e para aulas avulsas será cobrada a taxa de R$20. 

“O objetivo é trabalhar as práticas corporais com jogos teatrais, improvisação, dança afro, canto e ritmos. Com isso, queremos propiciar o exercício da expressão artística, através das linguagens de teatro, dança e música, culminando num espetáculo final”, diz Luciana Souza, que é atriz do Bando de Teatro Olodum.

As aulas acontecerão às terças e quintas, das 16h às 19h, na Rua Gregório de Mattos (55), Pelourinho, 2º andar. É ao lado da sede dos Filhos de Gandhy. Nas aulas os alunos poderão estimular a desinibição, experimentar as linguagens de teatro, dança e música, improvisar a partir de experiências do cotidiano e produzir cenas. “Também será trabalhado o uso da palavra e entonação,  noção espacial, memória emocional, alongamento e respiração”, diz a atriz.

Mais informações: (71) 992136162/ 85537227

SERVIÇO:

Oficina de Teatro para Iniciantes

Inscrições abertas: R$100 (curso), R$20 (aula)

Oficinas: de 17/1 a 9/2, terças e quintas, das 16h às 19h

Local: Rua Gregório de Mattos (55), Pelourinho, 2º andar. Ao lado da sede dos Filhos de Gandhy.

Bando de Teatro Olodum celebra 25 anos de “Ó Paí, Ó!” com apresentações em janeiro


Amostrão de Verão Vila Velha
Ó Paí ó!
Foto: João Millet Meireles

Há 25 anos, estreava em Salvador o espetáculo “Ó Paí, Ó!”, um dos maiores sucessos de público do teatro baiano, encenado pelo Bando de Teatro Olodum. A montagem – que até ainda hoje mantém boa parte de seu elenco original – já ganhou série de TV e filme, levando uma mensagem muito debatida nos dias atuais: o genocídio de jovens negros. Para marcar esta trajetória de sucesso de público, o Bando traz a peça de volta, no 14º Amostrão de Verão do Teatro Vila Velha, a partir deste sábado (7).

No palco, os atores do Bando trazem a realidade do Pelourinho Antigo, as alegrias e sofrimentos de um conjunto de moradores de um pequeno cortiço. No ambiente, temáticas sensíveis são levadas ao palco por meio do humor e do drama.

“Quando construímos esse texto foi a partir de laboratórios, pesquisas e observação da comunidade do Pelourinho com suas mazelas sociais. Não tínhamos ainda essa realidade tão reverberadas em outros cantos. Hoje, infelizmente, isso se propagou, e uma de nossas armas pra lutar contra isso é através do teatro”, diz Luciana Souza, atriz que interpreta D. Joana, dona do cortiço.

Ó Paí Ó bando de teatro olodum
Foto João Millet

O ambiente é de 1992, em meio ao Carnaval, mas a atualidade das falas e situações é o que torna “Ó Paí, Ó!” um espetáculo tão atual, segundo os atores. Em cena estão representados músicos, artistas plásticos, prostitutas, travestis, baianas de acarajé, proprietários de pequenos bares, associações comunitárias, blocos afros.

  “É uma história que se passou em 92, mas o racismo se recicla. O extermínio, a ocupação de território, desapropriação e a desagregação do Centro Histórico são temas que ainda hoje estamos discutindo e este espetáculo consegue falar deles e atingir o público, fazendo refletir. Hoje somos atores mais experientes, temos um legado que reflete no espetáculo. Fortalecemos o compromisso com o fazer bem a cada temporada e usamos o Teatro como ferramenta para tratarmos de questões que incomodam” – Jorge Washington, ator que interpreta Sr. Matias.

Maturidade e Autogestão  

A cada sábado de janeiro (7,14, 21 e 28/01), às 20h, o público poderá assistir “Ó Paí, Ó!”, mas devem chegar cedo, pois toda temporada em cartaz é certeza de casa cheia, o que reflete a aprovação do público à forma de ser e atuar do Bando. “Amadurecemos como atores, nos fortalecemos enquanto grupo.Cada vez mais, temos propriedade do que falamos no palco. Estamos juntos há muito tempo, então conhecemos os códigos de cada colega em cena, o que resulta em qualidade de interpretação”, diz a atriz Valdineia Soriano, que interpreta Dona Maria, mulher de Reginaldo.

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Foto João Millet

A direção do espetáculo é de Márcio Meirelles, coreografia de Zebrinha e direção musical de Jarbas Bittencourt. Em 26 anos de muitos palcos, o Bando de Teatro Olodum hoje se consolida no cenário cênico baiano e do Brasil como um grupo de teatro negro autogerido, fortalecido e dirigido pelos próprios atores, o que também reflete na direção dos espetáculos.

“O tempo de maturação de nós, atrizes e atores, nos deu a experiência de também reger esse espetáculo, de assumir e trilhar caminhos que nos fortificam também enquanto diretores. Não tão fácil, mas desafiante e queremos mais”, afirma Luciana Souza.

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Foto João Millet

“Hoje em dia, nós atores e atrizes em colegiado, nos reunimos para pautar o que vamos discutir e de que forma vamos atuar em determinado período, o que é levado para o grupo maior para decisões. Nossos espetáculos continuam com as direções originárias, mas a gestão do Bando de Teatro Olodum hoje é do grupo. Mesmo nas adversidades, nós mostramos, assim, que é possível sim este protagonismo”, explica Jorge Washington.

O colegiado é formado pelo próprio, os atores Ridson Reis e Fábio Santana, além das atrizes Cassia Valle e Valdineia Soriano.

No auge desta maturidade de 26 anos, o Bando de Teatro Olodum convida a todos e todas que apreciam a arte negra para conferir um dos seus mais aclamados espetáculos nos sábados de janeiro, às 20h. Ingressos serão vendidos no site do Vila e no local (R$ 40 e 20).

 

ELENCO:

Arlete Dias – Merry Star

Cássia Valle – Dona Raimunda

Ednaldo Muniz – Roberto Pitanga

Fábio Santana – Peixe Frito

Gerimias Mendes – Seu Gereba

Jamile Alves – Pisilene

Jorge Washington – Sr. Matias

Leno Sacramento – Maicon Gel

Merry Batista – Neuzão da Rocha

Rejane Maia –Maria – a baiana de acarajé

Ridson Reis – Raimundinho

Sergio Laurentino – Guarda

Valdinéia Soriano – Dona Maria, mulher de Reginaldo

 

ATORES CONVIDADOS:

Edvana Carvalho – Dona Lúcia

Edy Firenzza – Lord Black

Fabiana Milhas – Professora

Shirlei Sanjeva – Carmem

Lázaro Machado – Iolanda

Luciana Souza – Dona Joana

Renan Mota – Reginaldo

Tainara Silva – Menina do bar

MÚSICOS:

Yan Sant’ana

Turan Dias

Serviço:

“Ó Paí, Ó!” no Amostrão Vila Verão

Dias 7, 14, 21 e 28/01 // sábados // 20h

R$ 40 e 20 (lote promocional R$30 e 15 até 6/01)

Juliana Ribeiro e Fernando Marinho retornam com show “Na Batucada da Vida” em janeiro


Juliana Ribeiro Ary Barroso
Divulgação

A cantora e compositora Juliana Ribeiro reestreia seu show ‘Na Batucada da Vida’ em uma temporada com seis edições. Serão quatro apresentações no Teatro Sesi Rio Vermelho, todas as quartas-feiras de janeiro, a partir do dia 4, às 20h, e no Café Teatro Rubi, dias 20 e 21, às 20h30.

No espetáculo musical, Juliana apresenta-se ao lado do ator e pianista Fernando Marinho, que também assina a direção do espetáculo. Voz, piano e percussão dão vida a sambas de Ary Barroso em releituras modernas. No repertório dessa temporada está “Os Quindins de Ya Ya”, “Rancho Fundo” (1931), numa releleitura inusitada, “Risque” (1952), que ganha uma versão urbana em arrocha, “Boneca de Pixe” (1938) que vem em forma de esquete teatral.

Juliana Ribeiro Ary Barroso
Foto: Dôra Almeida

Além dos clássicos: “Aquarela do Brasil” (1939) e “Sandália de Prata” (1941), que criaram o subgênero samba-exaltação. O show destaca também algumas suas modas de viola, cantigas de roça, marchinhas carnavalescas, valsas, xotes e maxixes.

Com dados pitorescos da vida do Ary Barroso, além da discografia, casos interessantes da vida de Ary, como seu trabalho de locutor esportivo e apresentador polêmico de programas de calouros, são trazidos ao palco por Juliana e Marinho. As histórias inspiram performances e duetos teatrais, reservando boas risadas para a plateia.

Em Salvador, o “Na Batucada da Vida” passou pelo Teatro Gregório Mattos, Café Teatro Rubi, Teatro Vila Velha e Aliança Francesa. No Rio, os artistas se apresentaram no Teatro Municipal Café Pequeno, no Leblon, e no Teatro OTTO, na Tijuca. Em março de 2017, o projeto será apresentado no Teatro Castro Alves.

SERVIÇO:

“Na Batucada da Vida”

Teatro SESI Rio Vermelho

Data: Todas quartas-feiras (4, 11, 18 e 25) de janeiro

Horário: 20h

Ingresso: R$ 40/20

Informações: (71) 3616-7064

 

Café-Teatro Rubi – Sheraton da Bahia Hotel

Data: 20 e 21/01 (sexta e sábado)
Horário: 20h30
Couvert artístico: R$60
Tel: (71) 3013-1011
Bilheteria:  Segunda-feira a sábado, das 14h às 19h (em dias de apresentação, até às 20h30) ou www.compreingressos.com

Banda ALÁFIA chega mais uma vez a Salvador para quatro shows


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Foto: Diana Basei

Em quatro apresentações – de 5 a 8 de janeiro – Salvador vai receber mais uma vez a super banda ALÁFIA, de São Paulo, que vem conquistando públicos diversos com seu projeto musical dançante e engajado. Os shows serão na CAIXA Cultural Salvador, Carlos Gomes – de quinta a domingo. Os ingressos serão vendidos a preços populares (R$10 e R$5 – meia entrada), a partir do dia 5 (quinta), às 9h.

Misturando MPB, rap, funk e músicas de terreiro, a banda ALÁFIA traz em suas letras o discurso político afinado, reafirmando e enaltecendo a ancestralidade e matrizes afrobrasileiras. o show trará o trabalho da banda, intitulado  “Corpura” (2015), produzido por Alê Siqueira e Eduardo Brechó. O público poderá curtir ,músicas que trazem a black music carioca dos anos 1970 e o funk norte americano e africano.

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Foto: Sté Frateschi

Nas apresentações, o grupo executará canções do seu primeiro disco, Aláfia (2013), e também do trabalho mais recente, Corpura (2015). Formado em 2011, com dois discos no mercado e com o lançamento de um novo previsto para março de 2017, o grupo volta a Salvador em meio a uma série de apresentações que tem feito em países da América Latina, como Colômbia, Chile e Uruguai. As apresentações na CAIXA Cultural contarão com a peculiar presença de palco e performances mobilizadoras dos músicos.

O som da banda Aláfia é resultado da união de 12 personalidades diferentes: Eduardo Brechó (voz e guitarra), Jairo Pereira (voz), Xênia França (voz), Lucas Cirillo (gaita), Alysson Bruno (percussão), Pedro Bandera (percussão), Pipo Pegoraro (guitarra), Felipe Gomes (bateria), Gil Duarte (trombone e flauta), Fabio Leandro (teclados), Gabriel Catanzaro (baixo) e Vinícius Chagas (saxofone).

O Portal Soteropreta ouviu Eduardo Brechó, um dos vocalistas da Aláfia, confira:

Portal SoteroPreta – Segunda vez na cidade, como vocês sentem Salvador?

Eduardo Brechó – Salvador nos inspira. É como eu disse no show do ano passado (nosso primeiro show na cidade): parece que havíamos montado um espetáculo especial naquele dia, mas na verdade era o repertório que vínhamos tocando em toda a turnê – estávamos, na verdade, nos preparando para aquele dia todo o tempo. Salvador nos influencia. Muitas das matrizes do que se desdobrou na cultura afro-brasileira reverencia a Salvador como núcleo mais importante. Embora também haja um aspecto natural em tudo isso – dado o nosso trabalho e como o conduzimos. O Aláfia estar inserido neste circuito é uma honra. Salvador nos acolhe.

Portal SoteroPreta – Aláfia, Corpura, o que o público pode esperar destas quatro apresentações?

Eduardo Brechó – Faremos quatro shows ótimos e com pequenos detalhes diferentes entre si. Quem sabe alguma coisa do SP, “Não É Sopa” (o novo disco a ser lançado agora no começo de 2017) e algumas participações especiais.

Portal SoteroPreta – O que Aláfia quer trazer a partir de sua música e estética singulares?

Eduardo Brechó – Aláfia confia na sua estética por fazê-la exatamente como acredita. Estética e política alinhados. Forma e conteúdo em uma única linha expressiva. Se somos singulares nesse sentido é porque confiamos no caminho que a raiz nos traça e tentamos seguir alinhados a este ponto radical. É um universo muito vasto e futurista que a ancestralidade nos permite. Além disso, há o poder do novo, do deus mu-dança e esta confluência mútua entre o dentro e o fora.

Portal SoteroPreta – Qual mensagem deixa para a comunidade negra de Salvador?

Eduardo Brechó – Agradecemos de coração e contem com a gente. Porque apesar de todo o legado cultural e das vidas negras que celebramos, também sentimos que a cidade é racista e genocida e que infelizmente é como diz Hamilton Borges: reaja ou será morto.

 

Serviço:

Aláfia

Período: de 5 a 8 de janeiro de 2017

Horário: às 20h (quinta-feira e sábado) e às 19h (domingo)

Local: CAIXA Cultural Salvador – Rua Carlos Gomes, 57, Centro – Salvador (BA)

Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)

Conveniência: estacionamento gratuito ao lado

Inscrições abertas para oficina de “AfroJazz” com Luiz Bokanha


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Luiz Bokanha
Pensa em uma aula que misture a dança afro e o jazz? Imagina ela sendo dada por uma sumidade no assunto? É o que vai acontecer no período entre 9 de janeiro e 5 de fevereiro, às segundas e quartas pela manhã. São as “Oficinas de AfroJazz”, com Luiz Bokanha, que acontecerão no Teatro Vila Velha no Verão. A aula é indicada para a partir dos 14 anos.
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Divulgação
Em sua trajetória o professor e bailarino, Luiz Bokanha, acumulando experiência na área de Dança. Quando morava na Holanda, resolveu em uma aula unir o aprendizado da dança afro, que o formou e projetou na Bahia, e a dança jazz que o inspirava nos palcos e salas de aula de New York, onde também residiu. Em uma única aula nasceu a junção da dança afro e jazz, em uma mistura rítmica dançante – que resulta em uma oficina de AfroJazz.
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Divulgação
A oficina pretende desenvolver – por meio de exercícios práticos -, habilidades de comunicação voltadas para a dança, capacidade de improvisação e de encontro com a linguagem do seu próprio corpo. 
Bokanha tem como objetivo auxiliar artistas e não dançarinos na sua capacidade de desenvolver um trabalho em grupo ou solo, com o entendimento do que é o corpo na dança. Para tanto os alunos serão estimulados a usar seu próprio processo criativo, despertando a consciência para o valor do AfroJazz.
Serviço
Oficina: Afrojazz com Luiz Bokanha
Período: 9/01 a 05/02
Horário: Segundas e quartas-feira das 10h30 às 12h
Inscrições :R$140
Faixa Etária: a partir de 14 anos

Duda Almeida leva seu show “Cavaco Afro” para o Espaço D’Venetta (5)


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Acervo Pessoal

O cavaquinista Duda Almeida leva seu trabalho solo para o Espaço D’Venetta (Santo Antonio) nesta quinta (5), às 20h. O show “Cavaco Afro” explora o cavaquinho além do samba e choro. Sua base é o Percussivo Baiano (UPB, método desenvolvido pelo maestro Letieres Leite e seriamente estudado e difundido no projeto Rumpilezzinho –  Laboratório Musical de Jovens).

Duda Almeida ingressou no curso de graduação em Música Popular na UFBA em 2013, e lá também ensinou cavaquinho no curso de Extensão. Participou do Strawberry Festival (Burien, USA, 2014) com o Grupo Show Brazil! na formação Brazilian Jazz. Em 2014, passou a integrar o projeto RUMPILEZZINHO, com o qual gravou com a cantora Maria Rita uma faixa do seu novo DVD “Coração a Batucar”.

Atualmente é integrante da Banda Alma (samba), do Grupo Engenho (instrumental), Duoiá, faz parte do trio do percussionista e cantor Jeã de Assis, e acompannha as cantoras Iara Canuto e Ione Papas.

No show, Duda aposta na improvisação e em temas fora do contexto tradicional do cavaquinho, tendo como base o Universo Percussivo Baiano. Com o cavaquinho de 5 cordas, pedal de loop e efeitos, “Cavaco Afro: Claves, improvisos e a sensação de pertencimento”, é um show de música instrumental inspirado nos ritmos de matriz africana.

“No show, o público poderá conferir um repertório de música instrumental inspirado nos ritmos de matriz africana (vassi, ijexá, cabila, ilú…). Grande parte do repertório é autoral, com algumas releituras de músicas de compositoress baianoss, como Virgínia Luz, Iara Canuto, Laura Cardoso, Letieres Leite e Caetano Veloso. Associar o cavaquinho ao estilo afro foi um processo de inspiração, aprendizagem e empoderamento que começou em 2014, quando passei pelo Rumpilezzinho. Fazer parte desse projeto me fez querer utilizar o meu instrumento além do samba/choro e começar uma longa pesquisa dentro do que foi deixado por nossos ancestrais”, diz Duda. 

Na ocasião, alunos e alunas da Rumpilezzinho estão confirmados: Karen Fernanda (trompete), Ruan Santos (Guitarra), Paulo Pitta (sax), Gabriela Santos (Baixo). Ingressos serão vendidos a R$10. No dia 20 de janeiro, Duda se apresenta com a RUMPILEZZINHO no TCA.

“Se Deus fosse preto” retorna em cartaz no Teatro Solar Boa Vista


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Foto – Guilherme Malaquias/Max Fonseca

Em uma atuação marcante, inquietante, com um cenário e ambiente angustiantes, o ator Sergio Laurentino (Bando de Teatro Olodum) propõe uma intensa reflexão sobre uma série de questionamentos.

 

Em “Se Deus Fosse Preto – O Legado de LHOID”, seu primeiro solo,Sérgio apresenta Lhotam Omi Imbó do Dendê (Lhoid), um homem negro preso injustamente pelo assassinato de sua filha e de sua esposa.

 

Nos dias 13 (sexta), 19 (quinta) e 20 (sexta) de janeiro, o solo chegará ao Teatro Solar Boa Vista (Engenho Velho de Brotas), com apresentações às 19h30 e ingressos a R$20/10.

 

Ao longo do solo, Lhoid escreve textos baseando e fundamentando uma nova religião universal. Entre ficção e realidade, sua escrita chega aos anos 3 mil, um futuro que prenuncia a queda das religiões vigentes e o surgimento de um novo messias.

sergio laurentino se deus fosse preto
Foto: Lúcio Adeodato

O solo é a inquietude de ser negro e não se ver representado, perceber que todo e qualquer passo que a sociedade dá a um futuro próximo e “próspero”, um passado ancestral é colocado de lado por estórias dominantes que vem se fortalecendo assustadoramente.  A injustiça vista na peça é a forma de se discutir o quanto de intolerância religiosa, racial, de gênero – diria humana – nós praticamos nos dias de hoje. Isso nos afasta das questões mais importantes de conviver com o outro: o amor, o cuidado, a justiça, a sobrevivência. Nosso templo é o nosso corpo, é o Deus que habita aqui e enxerga o deus que habita aí”, reflete Jean Pedro, diretor da peça.

SoteroPreta está nas listas Think Olga e Blogueiras Negras em 2016


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Foto: Jamile Coelho

Há três anos, o projeto feminista OLGA, da jornalista Juliana de Faria, surgia com o objetivo de ser uma plataforma de conteúdo que refletisse a “complexidade das mulheres”, que tivesse como missão “empoderar mulheres por meio da informação” e que estivesse pautada na luta “para que as mulheres possam ter mais escolhas, de maneira informada e consentida”. Assim, junto a sua própria criação, foi lançada a lista Mulheres Inspiradoras, que desde 2013 vem elencando mulheres de todo o país que inspiram outras por seus trabalhos e trajetórias de vida.

Em 2016, com apenas três meses de criação do Portal SoteroPreta, integro a lista junto a outras mulheres – baianas, brasileiras – que também resolveram “colocar a cara no sol”, e reverberar suas opiniões, suas estratégias, suas ações pelos múltiplos cantos do mundo. A lista Think Olga vem com o intuito decombater a falta de reconhecimento de trabalhos protagonizados e desenvolvidos por mulheres”, e assim o faz, listando aquelas que não se calaram diante de qualquer opressão às suas existências, tão pouco às suas ideias.

O Portal SoteroPreta nasceu desta necessidade: reverberar ideias e estratégias que, há muito, inquietam esta que vos fala. Visibilizar a Cultura realizada por nós, negros e negras, em nossa cidade – Salvador – foi o start deste projeto, que só cresce, só galga novos espaços e reconhecimento. O mais recente, de mais uma grande e importante iniciativa de mulheres negras: Blogueiras Negras, plataforma coordenada pela militante baiana, Larissa Santiago, que também lista nomes e iniciativas de mulheres negras “incríveis”! A lista do 25Webnegras “foi, é e sempre será composta por pretas da web, das artes, da música, da academia e da comunidade”.

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Foto: Milla Carol

E mais uma vez o Portal SoteroPreta me leva a integrar uma lista de grandes nomes, de grandes idealizadoras, mulheres negras que referenciam outras a – mais uma vez – colocarem a cara no sol. O que me define, após estas citações, reconhecimento? Orgulho, gratidão, mas, sobretudo, a certeza de que muito trabalho me espera nesta lida diária da notícia.

Dar visibilidade a outras mulheres que fazem Cultura nesta cidade, a coletivos de jovens que chegam quebrando paradigmas, conquistando territórios, mostrando novas narrativas e lutando por elas a cada evento, cada projeto e proposta tem sido o extrato que fundamenta este Portal e que o levará adiante. “Não é por falta de mídia que estaremos invisíveis”, costumo dizer. E não é mesmo: temos portais de notícias (“Correio Nagô”, do Instituto de Mídia Étnica), revista impressa (“Quilombo”, de Alana Sena), revista digital (“Acho Digno”, de Camila de Moraes), programa de rádio (“Evolução Hip Hop”, de Dj Branco), além do portal SoteroPreta e outros canais que surgem a cada dia.

São muitas narrativas, canais de reverberação de nossas vozes que há alguns poucos anos, não nos era possível. Hoje é, e só tendemos a crescer. O Portal SoteroPreta, em 2017, estará em novos espaços, que brevemente serão divulgados aqui. Fruto de trabalho, do acreditar que é possível e que somos empreendedores desde que nascemos. Negros e negras, apossemo-nos do que é nosso, a comunicação é nosso maior trunfo e é nela que nos fazemos ouvir, ver, reconhecer.

Jamile Menezes – Jornalista, diretora da Ayo Comunicação & projetos, editora-chefa do Portal SoteroPreta, criado em outubro de 2016. 

Documentário sobre Mestre King será exibido no Teatro Gregório de Matos


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Divulgação

Dirigido pelo bailarino e coreógrafo Bruno de Jesus, o documentário Raimundos: Mestre King e as figuras masculinas da Dança na Bahia, será exibido nos dias 17 e 18 de janeiro no Teatro Gregório de Matos. Com roteiro de Gabriel Ormuz Machado e produção de Inah Irenam, o filme homenageia um dos criadores da dança afro-brasileira: Mestre King.

Precursor da dança afro na Bahia e no Brasil, a história de vida e trajetória artística de Mestre King é o ponto de partida do filme que foi lançado em julho de 2016, em Salvador. Raimundo Bispo dos Santos, conhecido como Mestre King, foi o primeiro homem negro formado pela Escola de Dança da UFBA, tendo ingressado em 1971. O artista formou os principais nomes da dança afro-brasileira na Bahia, tais como Zebrinha, Paco Gomes, Armando Pequeno, Augusto Omolu e tantos outros. O Portal SoteroPreta entrevistou Mestre King, confira aqui.
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Foto: Divulgação
O documentário surgiu da constatação de que havia muito pouco escrito e documentado sobre o legado de Mestre King, formador de  gerações de dançarinos que difundiram e ainda difundem a dança originária dos terreiros de candomblé pelo mundo afora. O documentário traz entrevistas com pessoas próximas do mestre, a exemplo de Clyde Morgan,Jorge Silva, Paco Gomes, José Ricardo, Anderson Rodrigo, Matias Santiago, Gaby Guedes, Amilton Lino, Luis Deveza, Carlos Antônio Pereira (Neguinho), Ricardo Costa.
O filme Raimundos: Mestre King e as figuras masculinas da Dança na Bahia nasceu durante o processo de realização do espetáculo coreográfico “Raimundos”, lançado na comemoração dos 50 anos de palco do mestre. A escolha foi por ouvir homens bailarinos, todos negros e que tem dado continuidade ao legado de King.
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Foto: Divulgação / Funceb
SERVIÇO
Exibição do documentário  “Raimundos: Mestre King e as figuras masculinas da Dança na Bahia”
Data: 17 e 18 de janeiro, 20h
Onde: Teatro Gregório de Matos
Quanto: R$20/10