Festival A Cena Tá Preta terá teatro, música, dança e cinema no Teatro Vila Velha este mês


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Um verdadeiro Festival de Arte Negra está sendo preparado pelo Bando de Teatro Olodum e Teatro Vila Velha para acontecer de 4 a 27 de novembro. Um mês, praticamente, de espetáculos, música, moda, cinema, várias linguagens estarão juntas no Vila ao longo destes dias. Estamos falando do Festival “A Cena Tá Preta”, que há 13 anos pauta a Cultura de legado africano nos palcos do Vila. A meta: “fortalecer, divulgar e festejar esta arte, destacando sua representatividade na constituição da identidade cultural do povo brasileiro”. O Portal SoteroPreta apoia o Festival e trará matérias especiais da programação! 

opaiobandoteatroolodumTEATRO

Quem abre alas neste Festival é o renomado espetáculo “Ó, Paí, Ó!” (4, 5 e 6/11), montagem do Bando de Teatro Olodum dirigida por Marcio Meirelles, já conhecida em todo Brasil. Já no dia 8, será a vez da peça “Sobejo”, primeiro solo da atriz e produtora Eddy Veríssimo, da Outra Companhia de Teatro.

A peça é escrita e dirigida pelo ator, dramaturgo, diretor e figurinista, Luiz Buranga e retrata a biografia fictícia da personagem Georgina Serrat. Ela é uma dona de casa que depositou a fé sobre sua felicidade no casamento e, como muitas mulheres do nosso tempo, tem seus sonhos frustrados pelas agressões de um marido violento. 

Nos dias 10 e 11, a peça “Rebola” – dirigida por Thiago Romero, com texto de Daniel Arcades e direção musical de Jarbas Bittencourt – vai problematizar a questão da invenção do gueto, uma homenagem à criação e resistência de espaços de articulação para a comunidade LGBTQI. Em seguida, 12 e 13, será a vez de “O Contentor (O Contêiner)”, com dramaturgia do premiado autor angolano José Mena Abrantes e direção estreante de Ridson Reis. O espetáculo traz à tona questões como imigração, direitos humanos e a busca de um sonho. No palco, ao lado do próprio Ridson, estão os intérpretes EddyFirenzza e Cell Dantas.

julianaribeiroacenatapretaMÚSICA

O palco do Vila também terá espaço para a música negra e quem abre é o espetáculo FAYA”, dirigido pelo ator do Bando, Jorge Washington. No dia 18, FAYA terá a musicalidade do cantor e compositor Dão com o multi-instrumentista Maurício Lourenço, unidos a quatro negras mulheres: a atriz Valdineia Soriano, a ativista e socióloga Vilma Reis, a professora e poeta Livia Natália e a cantora norte americana, Michaela Harrison, de Nova Orleans.

Os músicos prometem revisitar grandes clássicos de compositores negros e outros bambas do passado. A música embalará mulheres que desfilarão para a Negrif, da estilista Madalena Bispo – é o  desfile “Sexta do Branco”, apresentando indumentárias na cor branca, simbolizando a PAZ e os referentes culturais afro brasileiros.

Dia 19, sábado, será a vez da cantora e compositora Juliana Ribeiro, com seu show “Preta Brasileira”, que fala de miscigenação racial e das inúmeras denominações para os tons de pele do brasileiro. Suas letras falam da mulher negra contemporânea, inspirada na própria vivência da artista.  . O show tem direção artística e concepção de Juliana Ribeiro e direção musical de Marcos Bezerra.

naracoutooutrasafricasNo dia 27, a cantora baiana Nara Couto apresentará seu show “Outras Áfricas”, sob a direção artística de Elísio Lopes Jr. Com o show, a artista busca estabelecer uma ponte musical entre o continente africano e a Bahia, com releituras contemporâneas de canções clássicas e novas propostas sonoras.

DANÇA

As artes negras também estarão expressas na Dança com o “O Corpo na Cena”, que reunirá as coreografias “Negra Fé” e “Vozes D’África”, da companhia Lekan Dance. “Negra Fé” é baseada nos itans do Phateon Africano onde bailarinos movem-se com força e graça. Já a coreografia “Vozes D’África” traz toda luta do povo negro por sua liberdade desde o início na época da escravidão. A apresentação será no Dia da Consciência Negra – 20 de novembro.

“Da própria pele não há quem fuja”  é o nome do espetáculo de coreografias que será encenado nos dias 25 e 26. Elas exploram a simbologia dos orixás e os aspectos das manifestações populares como Zambiapunga e Mandus, através de um olhar contemporâneo. Aqui a dramaturgia transita entre memórias pessoais, e nas ressignificações destas manifestações na composição coreográfica.

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Filme ÒRUN ÀIYÉ

CINEMA

Uma grande novidade do “VII Festival A Cena tá Preta” – no dia 22 – será o “Cine na Cena”, com apresentação de três curtas: Cinzas, da diretora Larissa Fulana de Tal; ÒRUN ÀIYÉ, das diretoras Jamile Coelho e Cintia Maria; e O Tempo dos Orixás, da cineasta Eliciana Nascimento.

Após a exibição dos filmes, haverá um bate-papo com elenco e equipe, sobre a criação dos curtas e a nova geração de cineastas baianas.

CONFIRA HORÁRIOS E VALORES

Ó Paí, Ó!
Quando: 4, 5, 6/11, sexta-feira e sábado às 20h, domingo às 19h
Onde: Teatro Vila Velha – Sala Principal
Valor: R$ 30 e 15
Classificação indicativa: 14 anos

Sobejo 
Quando: 8/11, terça-feira, 20h
Onde: Teatro Vila Velha – Sala Principal
Valor: R$ 30 e 15
Classificação indicativa: 15 anos

Rebola

Quando: 10 e 11/11, quinta e sexta-feira, 20h
Onde: Teatro Vila Velha – Sala Principal
Valor: R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: 16 anos


O Contentor (O Contêiner)

Quando: 12 e 13/11, sábado às 20h, domingo às 19h
Onde: Teatro Vila Velha – Sala Principal
Valor: R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: 12 anos

Show “FAIYA”
Quando: 18/11, sexta-feira, 19h30
Onde: Teatro Vila Velha – Sala Principal
Valor: R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: LIVRE

Juliana Ribeiro – Show “Preta Brasileira”
Quando: 19/11, sábado, 20h
Onde: Teatro Vila Velha – Sala Principal
Valor: R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: 14 anos

O Corpo na Cena 

Quando: 20/11, domingo, 19h
Onde: Teatro Vila Velha – Sala Principal
Valor: R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: 14 anos

Cine na Cena
Quando: 22/10, terça-feira às 19h
Onde: Teatro Vila Velha – Cabaré dos Novos
Valor: R$ 20 e 10
Classificação Indicativa: 12 anos

Da própria pele não há quem fuja  

Quando: 25 e 26/11, sexta-feira e sábado, 20h
Onde: Teatro Vila Velha – Sala Principal
Valor: R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: 14 anos

Nara Couto: Outras Áfricas
Quando: 27/11, domingo, 19h
Onde: Teatro Vila Velha – Sala Principal
Valor: R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: 12 anos

Poetas promovem Batalha Poética com adolescentes da Case Feminina


saraucasefemininaEle é um dos idealizadores do Sarau da Onça e do Grupo Recital Ágape, é instrutor de Teatro e Poesia na Fundac – Unidade de Atendimento Sócio Educativo, Case Feminina. Evanilson Alves, poeta, decidiu unir sua paixão, que é a Poesia, ao seu trabalho, realizando na última quarta-feira (16), na Case, o “II Slam Força Feminina”.

A batalha poética que teve as pretas Dayse Sacramento, Negreiros Souza, Gleise Sousa, Débora Santos, Lane Silva e Joyce Melo como juradas, junto à Insurreição RAP, com Rafael Silva e Kozak Souza.

A força pôde ser sentida por quem lá esteve e participou. “Foi uma explosão de sentimentos, sensações, encontros, corações acelerados, arrepios, choros de emoção, abraços apertados, carinho, luta, cuidado, poesia, talento e atenção”, relata Evanilson.

Para Negreiros Souza, que relatou a experiência em sua Rede Social, “as meninas arregaçam com qualquer estrutura psicológica”.

“Chorei de alegria, chorei de satisfação, chorei por elas, por mim, por essa oportunidade.

Ideias poderosas estão brotando da minha mente.” – Negreiros Souza

Gleise Sousa vai na mesma linha. “Não encontro palavras para descrever a grandeza do dia. Aquelas meninas e suas histórias me ensinaram muito e me emocionaram na mesma medida. Só consigo ser grata por vivenciar aquele momento”, diz.

O “Slam Força Feminina” foi o resultado das diversas oficinas de poesia que Evanilson ministra no dia a dia da unidade. As oficinas demandam das adolescentes deixar vir à tona todo talento que há nelas, escrever com a alma, com sentimento. “A palavra que reina é liberdade”, diz o instrutor.

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O trabalho não seria possível sem uma grande equipe junto a Evanilson: Patricia Souza, Marcia Almeida, Edvalda Figuereido, Marcia Oliveira Freitas, Luciana Lima, de Alice Lopes, Daniela Ferraz Matos, Luziane Luzia Santos. O prêmio? Um kit contendo: Camisas da loja Afreeka, livros de autores baianos, como Fábio Mandingo, cadernos, produtos de beleza, cds, camisas e o livro “A poesia cria asas”, do Grupo Recital Ágape. Agradecimentos aqui a Rangell Santana, Fábio Mandingo, Zezé Ifatolá Olapetun Olukemi, Indemar Nascimento e Taís Sousa.

Veja uma das poesias…

Texto: Cela fria

A pressão bate 
Quando escuto o barulho das grades.
Ao ouvir o cadeado bater
Sinto calafrio
O coração aumenta as batidas
Sem saber a que temer.
Numa cela fria
Sem alegria
Sentindo muita agunia.
Cheguei até pensar em chorar
Mais sabendo eu que já vi 
Muitas tentar se enforcar
E até se matar.
Tento ser forte pra não surtar
Pois sei que essa vida do cão
Nunca vai compensar.

Autora: S. S. 16 anos.

“Foi importante ver o sorriso no rosto, o respeito e a satisfação de cada adolescente ao recitar sua poesia e mostrar pra todo mundo o poder que a escrita e as palavras tem. Estou imensamente feliz. E não tenho dúvidas que o caminho para  mudança passará pela arte educação.
Nenhum passo atrás”, relata Evanilson.

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Débora Santos Foto: Revista Quilombo

Com a palavra, uma das juradas, Débora Santos:

“Eu sou Maria, sou Joana, sou Rita, sou Patrícia, sou Josefa, sou Camila, sou Juliana. Sou mulher negra, sou todas as mulheres negras. Eu sou as que adoeceram emocionante por conta dos percalços do racismo. Eu sou as que adoeceram fisicamente, porque o racismo consumiu todo o psicológico e depois correu para os seus membros. Eu sou as que morreram na fila do hospital depois de ter trabalhado anos sendo mão de obra barata pra sustentar o capitalismo que excluí, adoece e mata.

Eu sou as que tem que deixar o filho em casa para ninar o filho da patroa branca. Eu sou as maiores vítimas de feminícidio no Brasil. Eu sou as maiores vítimas de morte no momento do parto, pq os médicos tratam como um ser desumanizado e incapaz de sentir dor. Eu sou as 13 que choram diariamente, quando um jovem negro é assassinado no Brasil. Eu sou as que criam seus filhos sozinhas porque os pais somem.

Eu sou mulher negra, eu sou todas as mulheres negras. E ontem, no momento que entrei na Unidade Socioeducativa CASE Feminina, conheci mais umas partes do meu Eu, passei a ser mais 19. Agora eu também sou as privadas da liberdade. Sou as que ficam presas meses, e às vezes anos, e não recebem visitas. Sou as menores detidas, transtornadas sem entender o porquê do abandono do pai. Sou elas tentando provar pra mãe que vai mudar e tudo será diferente. Eu fui as dezanove que recitaram, as cinco irmãs q compuseram o júri comigo. Agora eu sou mais 24”.

Poesia: Quem é você?

Quem é você?
Que tipo de pai é você?
Que da sua filha esqueceu?
Que deixou sua filha crescer longe de você?
Que tipo de pai é você?
Que preferiu criar as filhas de outra mulher,
menos os seus?
Que nem liga pra saber se sua filha ja comeu, ou ja morreu?
Que tipo de pai é você?
Que se eu não avisasse,
não saberia que hoje estou presa mais uma vez.
Que tipo de pai é você?
Que nunca procurou me entender?
Que nunca me deu uma oportunidade de mostrar,
o quanto eu gostava de você?
E que não estava do meu lado quando eu mais precisei.
Que só serviu pra me julgar, quando eu comecei a me envolver.
E só via meus erros, menos os seus.
E que sempre pensou só em você.
Na verdade quem é você?
Autora:
J. Esmeralda. 16 anos.

Conversando com a sua História pauta Música Negras no próximo encontro


geronimosantanaA próxima edição do Conversando com a sua História irá contar com palestra relacionada à cultura negra. A primeira, que acontece no dia 21, às 17h, irá apresentar o tema “Eu sou negão: Movimento negro, Afro-reggae e axé music”, com os músicos Fabrício Mota e Gerônimo.

Dia 21/11- “Eu sou negão: Movimento negro, Afro-reggae e axé music”

Durante a primeira palestra, os palestrantes serão convidados a falar sobre suas experiências e memórias vividas ao longo de suas carreiras. Fabrício Mota, além de ser músico desde os anos 90, é produtor musical e mestre em Estudos Étnicos e Africanos pela Universidade Federal da Bahia. Atualmente é músico e produtor da banda IFÁ Afrobeat, cujo material sonoro é produzido a partir de pesquisas sobre as histórias e músicas negras no atlântico.

Gerônimo Santana tocou na Filarmônica de Bom Jesus dos Passos e, no final da década de 60, já se apresentava em alguns palcos da Cidade da Bahia. O cantor já foi percussionista de Dodô e Osmar e Luiz Caldas, além de bailarino afro em excursões internacionais com o Balé Brasileiro da Bahia. O seu trabalho ganhou uma maior dimensão, contudo, por conta da sua carreira como compositor e intérprete de inúmeros sucessos, tais como:  “É d”Oxum”, “Abracei o mar” e “Eu sou negão”.

Fotos: Divulgação

Espetáculo FAIYA terá Sexta do Branco, com Madá Negrif, no Vila Velha


negriffestivalacenatapretaSeduzir o público e despertar o interesse sobre elementos da cultura da África presentes na cultura baiana. A sedução ficará por conta das beldades que desfilarão no palco do Teatro Vila Velha nesta sexta (18), a partir das 19h. Estamos falando do espetáculo “FAIYA”, concebido e dirigido pelo ator Jorge Washington, que vai seduzir ainda mais com literatura e música.

A Negrif é assinada pela estilista Madalena Bispo, mais conhecida como Madá Negrif, que é designer e caracteriza sua moda afro pelas roupas mais amplas, coloridas, peças que se identificam com as ruas de Salvador. Mas não somente.

Quem vai à sua loja, na Avenida Carlos Gomes, Centro de Salvador, sabe que lá encontrará: exclusividade, tamanhos especiais, identidade e muita sofisticação. Sim, a Moda Afro da Nefrif é isso.

As clientes da Negrif serão representadas por 16 de suas clientes: Barbara Portugal, Camilla França, Cláudia Matos, Denise Correia, Dôra Carvalho, Gabriela Ramos, Indira Nascimento, Karine Santana, Jamile Menezes (editora do Portal SoteroPreta, parceiro do evento), Jucy Silva
Lais Freire, Lio Borges, Nadja Gomes, Regina Bonfim e Renata Dias. O tema da noite será a paz, com roupas brancas. Será a Sexta do Branco, evento que a Negrif realiza para divulgar sua coleção nesta cor.

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“Coroar 16 mulheres no mês da Consciência Negra, no Vila Velha, primeiro local onde trabalhei, onde tive mais força pra descobrir esta potência; onde pude iniciar com artistas que aceitaram a proposta de fazer algo diferente, é uma celebração única. É um orgulho e honra ter ao meu lado mulheres amigas que desfilarão uma coleção diferente, inovadora, criada no perfil de cada uma exatamente no lugar que comecei” – Madá Negrif

Para o idealizador de “FAIYA”, Jorge Washington, o desfile da Negrif se integra ao conceito macro de todo Festival A Cena Tá Preta. “A ideia do Festival é fazer um panorama da Performance Negra como um todo. O convite à Negrif veio no sentido de fortaceler esse olhar pra Moda Afro como um elemento de fortalecimento da Cultura Negra”, enfatiza.

Espetáculo

A noite será também de performance da atriz Valdineia Soriano, de literatura e poesia negras com a ativista Vilma Reis e a escritora e poeta, poeta Lívia Natália. A outra convidada da noite é de New Orleans, a cantora norte americana Michaela Harrison que vai apresentar um conjunto de ritmos negros do jazz, soul e blues com os músicos Dão Anderson e Maurício Lorenço.

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Será uma noite de releitura de clássicos de compositores negros, além de composições autorais repletas de influências da cultura africana. “Podemos dizer que estas canções compartilharão a sensação da resistência de nossos ancestrais”, comenta Jorge Washington. O nome do espetáculo?

Uma homenagem ao ritual iorubano “Antigos iorubanos, quando queriam encantar e seduzir os presentes, em suas rodas de danças e cantigas emitiam sons imprimindo o sentimento de felicidade. Esse som era o Faiya”, explica. Imperdível!

Fotos: Banco de Imagens

Orixás como heróis ganharão histórias completas após campanha coletiva


contosdeorunaiyehugocanutoSabe os heróis da Marvel? Thor, Capitão América, Homem de Ferro…agora eles darão lugar a Xangô, Ossain, Ogum, Iemanjá e outras divindades do panteão iorubá. A idéia é do quadrinista baiano, Hugo Canuto, que já esteve aqui no Portal apresentando suas artes pioneira – começando com a “The Orixas”, uma releitura da capa de “The Avengers”, clássico de Jack Kirby – co-criador da Marvel.

Até então eram só capas, agora elas ganharão cenários, cidades, histórias completas. E o primeiro orixá a ter sua história contada será Xangô – o que clama por justiça e a faz, segundo a crença de matriz africana. Ela estará na série Orixás – Contos de Òrun Àiyé. Serão 80 páginas, inicialmente.

“Estou com um roteiro pronto e o segundo em produção. Mas ainda continuo pesquisando, mexendo neles. A primeira história é com Xangô, sou fascinado, a história dele é muito completa. É um dos orixás que mais fascinam, por estar entre a lenda e o registro histórico, assim como a personalidade marcante” – Hugo Canuto

 

As pesquisas do quadrinista, que é daqui de Salvador, vão desde literaturas especializadas na temática a consultorias com pesquisadores e religiosos do Candomblé. “Penso serem os quadrinhos uma linguagem diferente das que estamos acostumadas para a construção de história que envolva a história e cultura afrobrasileira. Conheço Hugo há algum tempo, ele se mostrou muito preocupado em saber mais sobre a mitologia yorubana, indiquei alguns autores, enviei alguns textos. Temos conversado, Hugo tem um traço muito lindo”, ressalta a professora de História na rede pública estadual e municipal de ensino, Miriã Fonseca, que tem auxiliado Hugo em suas pesquisas.

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Hugo Canuto está em Salvador, mas mora em São Paulo. Mas ele já entendeu que seu trabalho vem o reaproximando cada vez mais de sua terra natal. “Os Contos tem resignificado minha relação com Salvador, uma cidade que, apesar de amar, é extremamente desigual e violenta com seu próprio povo, com a cultura…que oprime o que ela tem de mais bonito, mais verdadeiro, a herança afro-baiana. Esse trabalho também é, de maneira modesta, uma homenagem e uma busca por valorizar nossas melhores aspirações como coletividade”, afirma.

Financiamento

Mas para que esse sonho se torne real e atenda às expectativas dos mais de 2 mil fãs que já seguem a Fanpage do projeto, Canuto lançou campanha de financiamento coletivo para cumprir as seguintes metas: Criação (pesquisas, roteiro, desenho, pinturas, tratamentos finais), Editoração (fechamento, numeração, tradução), Publicação e Distribuição.

E quem ajudar a cumprir cada uma delas ou todas, terá recompensas: camisetas com artes da série, postais e marcadores de livro, a HQ A canção de Mayrube – do próprio Canuto -, páginas originais exclusivas e personalizadas com as artes. Para tudo isso, Canuto e mais dois parceiros deste projeto – o artista plástico, Marcelo Kina e o animador Pedro Minho – pretendem alcançar a meta de R$12mil.

Quanto às capas já produzidas por Hugo até então e com diversos compartilhamentos, comentários e curtidas na Rede Social, você já pode ver: Elegbá, Ogum, Yemanjá, Xangô, e a primeira, Orixas, com outras divindades africanas.  Estas artes – em tamanhos diversos – estão dentre as recompensas.

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Com a meta cumprida, a equipe pretende concluir os trabalhos em junho de 2017. Todo o andamento será divulgado pela página oficial do projeto e no próprio site da campanha. O projeto contempla ainda um conteúdo especial: além das histórias, terá a Galeria com Artistas, são desenhistas, quadrinistas, designers que serão convidados a também integrarem as recompensas com seus trabalhos.

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Estão dentre estes: os baianos Flávio Luíz Nogueira (O Cabra, Aú o Capoeirista), Oliver Borges (Aurora Comics), Ricardo Cidade, Bruno Marcello, Daniel Cesart, Neo Robatto e Pedro Júnior, além de Rafael Oliveira, Jefferson Costa, Hari Jan, Mikael Quites, e outros e outras que Canuto convidará ao longo da campanha.O Ricardo Cidade, por exemplo, vai fazer uma Yemanjá, no traço dele mas dentro do estilo do projeto. Já o Oliver Borges vai fazer um Ogum lutando, no estilo dele. Outros profissionais da área serão convidados ao longo da campanha.

Então, agora é conferir a página da Campanha, confirmar seu apoio e acompanhar todas as metas! Vai lá: Campanha Orixás – Contos de Òrun Àiyé.

Fotos: Divulgação

História do Ilê Aiyê será tema de Tributo em Recife


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Em sua terceira edição, o espetáculo “Tributo ao Ilê Aiyê – 42 anos de história” chegará a Recife nos próximos dias 17, 18 e 19 de novembro. No palco do Teatro Caixa Cultural Recife, o mais belo dos belos será homenageado por meio da dança, do teatro e da música, em performance cênica dirigida pelo ator e diretor baiano, Ângelo Flávio.

Cores do Ilê: o branco simboliza a paz (Oxalá), o vermelho é o sangue negro derramado, o amarelo a riqueza, o preto é a raça. 

A concepção e direção do projeto é da atriz Conceição Boaventura (que já foi produtora do Ilê), que levará todos os elementos principais do bloco para a composição teatral: canto, dança, percussão e negritude. Estarão representados, os fundadores Antônio Carlos dos Santos Vovô, Aliomar, Macalé e Apolônio de Jesus, além das cores do bloco em jogos de luz e figurino e a percussão com músicos da própria Band’ Aiyê (Mestre Mario Pam, Edmilson Gato, Rú Paixão e Patrício Paixão), que interpretam os fundadores.

A líder religiosa, Mãe Hilda, também estará em cena, interpretada pela dançarina do Ilê, Sueli Conceição, que também interpretará a Deusa do Ébano. O espetáculo já foi encenado em Brasília e Curitiba (2014) e no Rio de Janeiro (2015).

tributoaoileaiyeA coreografia é de Jorge D`Santos e do grupo Tributo ao ILÊ AIYÊ, com produção musical de Ângelo Flávio, Gerônimo Santana e Mário Pam. Figurinos e adereços são assinados por J. Cunha, Ceicça Boaventura e elementos do acervo ILÊ AIYÊ.

A dança ficará por conta dos (as) bailarinos (as) Christiane de Jesus, Cris Florentino, Joely Silva, Sueli Conceição, Tainara Cerqueira, Ary Meneses, Denyz Silva, Emerson Ataíde e Osvaldo Junior. No dia 19, o projeto oferecerá, ainda, aulas de dança afro.

“O espetáculo é uma produção simples, despretensiosa, mas muito verdadeira e sincera. É uma forma de dizer Obrigado ao ILÊ AIYÊ por seus 40 anos de história, de luta, alegria, beleza e conscientização. Por sua importância no cenário artístico, cultural e de conscientização do povo negro/preto. 
GRATIDÃO é a palavra que move o espetáculo” – Ceicça Boaventura.

Serviços

Espetáculo Tributo ao ILÊ AIYÊ – 42 anos de histórias

Dias 17 e 18 nov –  20h /    19 nov –  17h e 20h

Ingressos:10,00   e  5,00

Classificação: Livre

Teatro Caixa Cultural Recife

Endereço: Rua Alfredo Lisboa, 505 –Praia do Recife

Fotos: Divulgação

Axogbô Ateliê realiza deslfile de sua Coleção Axós I nesta sexta (18)


atelieaxogbomariaclaraMaria Clara da Silva tem 52 anos, é estilista, a 6ª de nove irmãos e, aos 12 anos, recebeu seu primeiro chamado dos Voduns (orixás).

Aos 36, imergiu no universo de tecidos, linhas e agulhas, consolidando-se enquanto “Costureira do Camdomblé”, como se auto denomina. É nesse ambiente que, hoje, Maria Clara, dirige o Axogbô Ateliê, localizado em Itapoã, especializado em roupas de Candomblé.

Me sinto mais forte só em saber que estou produzindo para o povo de Santo, empoderando e contribuindo para enaltecer a beleza escondida do nosso povo, Voduns, Orixás e Nquices.

No próximo dia 18 (sexta-feira), a estilista – que também é Deré (mãe pequena) no terreiro Guerebetã Gumé Sogboada, em Itapoã – realizará sua Coleção Axós I, primeira edição de desfile para exibição de suas confecções especiais. Será aberto ao público, na Casa da Música (Alto do Abaeté), a partir das 19h.

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Além do desfile, terá ainda exposição artesanal, oficina de turbantes com Saulo Pinheiro, poesia com Mara Asantewá, e show musical, com Vanessa Borges e Gabriela Ferreira.

“Superei e supero, constantemente, as dificuldades através do meu trabalho. Acredito que em uma comunidade onde a maioria é de mulheres negras, desfavorecidas e solteiras, é possível encontrar na arte da costura o empoderamento para vencer o nível de miséria e encontrar felicidade no prazer do ofício”, afirma Maria Clara.

Onde fica o Ateliê:

Rua José Alves – nº 181 – Primeiro andar
Nova Brasília de Itapuã – Salvador BA

Telefone: (71) 98705-0216

Email:[email protected]

Fotos: Banco de Imagens/Divulgação

Aldri Anunciação encerra trilogia teatral com “A Mulher do Fundo do Mar”


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Foto: Milena Almeida

Uma mulher que vive nas profundezas do oceano, resgatando sua própria identidade a partir de objetos que caem de  navios que cruzam a superfície dos mares. Esse é o argumento inicial do espetáculo A Mulher do Fundo do Mar, nova obra do dramaturgo baiano Aldri Anunciação, que estreia como diretor teatral. A montagem, protagonizada pela atriz Iami Rebouças – será encenada em longa temporada no Teatro do Goethe – Institut/ICBA, no Corredor da Vitória, a partir desta quinta (17).

A obra encerra a Trilogia do Confinamento de Aldri Anunciação, que teve início com Namíbia, Não! e continuidade com O Campo de Batalha, sempre apresentando conflitos de indivíduos confinados em situações extremadas.

“Essa peça encerra a trilogia do confinamento, mas inicia uma nova trilogia. A Trilogia das Travessias Interrompidas. Serão três solos intitulados “A Mulher do Fundo do Mar”. Três mulheres que são afetadas por travessias interrompidas. Essa que estreia amanhã é a primeira parte da nova trilogia”, conta Aldri.

 

A Mulher do Fundo do Mar faz uso da linguagem surrealista, onde a personagem principal vive a tensão entre memória oficial e memória subterrânea, numa reconstrução imaginária de identidades.

Para viver essa personagem em busca de si mesma, Iami Rebouças foi convidada para voltar aos palcos, depois dos bem-sucedidos trabalhos Umbiguidades e Ulteridades. Sozinha em cena, Iami vive uma mulher inserida num universo inusitado, sob as águas oceânicas, em meio a indagações filosóficas, numa ambientação entre o onírico e o absurdo.

“Em “A Mulher do Fundo do Mar” assistimos uma mulher que mora no fundo dos oceanos… e vive de tentativas de reconstituição de sua identidade a partir dos objetos que caem da superfície dos mares” – Aldri.

 

 

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Foto Banco de Imagens

Sobre Aldri Anunciação – Aldri Anunciação é um dramaturgo/ator/diretor, Bacharel em Teorias Teatrais na UNIRIO (Universidade do Rio de Janeiro-2006) com a monografia final intitulada Dramaturgia Brasileira no Teatro Alemão – Tradução e Encenação. Recebe a Comenda do Mérito Cultural do Governo do Estado da Bahia em 2014.

Primeiro Lugar no Prêmio Jabuti de Literatura 2013. Desenvolve uma carreira de ator desde 1996, quando estreou no teatro profissional no espetáculo do diretor mineiro Gabriel Vilela, O Sonho, de August Strindberg, e no espetáculo Os Negros de Jean Genet com direção de Carmen Paternostro.

Com recursos do Prêmio Funarte Myriam Muniz de Teatro, Aldri Anunciação estreia  em 17 março de 2011 na Sala do Coro do Teatro Castro Alves (Salvador-BA), a primeira montagem do texto Namíbia, Não! sob a direção artística de Lázaro Ramos, produzindo  e  dividindo a cena com o ator  Flávio Bauraqui.

Aldri Anunciação ganhou o Prêmio Braskem de Melhor Texto de 2011. Em 2012 deu início à Mostra Nova Dramaturgia Melanina Acentuada, que já passou por São Paulo (2012), Salvador (nas edições de 2014 e 2016) e Rio de Janeiro (2015).

 

SERVIÇO

Temporada de estreia do espetáculo A Mulher do Fundo do Mar

17 de novembro – Pré-estreia (quinta-feira) às 20h

18 a 20 de novembro – 3 Apresentações (sexta a domingo, às 20h)

24 a 27 de novembro – 4 Apresentações (quinta a domingo, às 20h)

02 a 04 de dezembro – 3 Apresentações (sexta a domingo, às 20h)

09 a 10 de dezembro – 2 Apresentações (sexta e sábado, às 20h)

Teatro do Goethe-Institut/ICBA – Corredor da Vitória

Ingressos: R$30,00 / R$15,00 (meia entrada).

 

“Ele foi o protagonista de um levante quilombola que salvou centenas de vidas.”


neguinho-do-samba-2jpgO Centro Cultural Solar Ferrão homenageará, nesta quarta-feira (16), a vida e obra de Neguinho do Samba e a trajetória do Samba Reggae.

Para falar da vida do criador do gênero musical que hoje embala fundamenta a musicalidade baiana, a jornalista Viviam Caroline fará a palestra “Quilombo de tambores: Neguinho do Samba e a criação do samba reggae como uma tradição negro baiana”.

“Neguinho do Samba era um homem sensível ao som, ao ritmo, ao tempo. Seu corpo captava as sonoridades do universo, ele era um tradutor, um portal criativo que recebia, decifrava e transmitia rítmicas para deleite do seu povo. O advento do samba-reggae foi tecido por suas belas mãos que, diariamente, realizava mudanças como quem tece uma grande colcha de renda”, diz Viviam.

Na ocasião, haverá apresentação de dança das alunas da Escola Didá e apresentação da Banda Didá, criada por Neguinho. Também haverá exposição de instrumentos criados por ele.

“Neguinho do Samba foi um Zumbi, seu legado segue vivo pelos vários cantos do mundo, afinal enquanto existir batida de Samba Reggae nosso mestre se fará presença” – Viviam Caroline.

 neguinho-do-samba-2jpgSobre Neguinho…

Nascido em 21 de junho de 1955, Antonio Luiz Alves de Souza – Neguinho do Samba – é da Ladeira do Jacaré, região do Dique do Tororó, mas foi criado no Tanque do Meio, por D. Nilza e S. Cici. Na infância, iniciou sua verve musical com as bacias de alumínio de sua mãe.

Apaixonou-se pelo Pelourinho e lá morou até o fim da vida, onde estava também sua grande missão. Integrou as principais escolas de samba da cidade, a exemplo da “Vai Levando” e “Diplomatas de Amaralina”.

Também tocou no Apaches, Comanche, Alvorada. Era mestre no Ilê Aiyê, foi diretor do Olodum e tem em nomes como Jimmy Cliff, David Board, Paul Simon e Michel Jackson, algumas das celebridades o show biz que beberam de sua inventividade rítmica.

A homenagem do Centro Cultural Solar Ferrão será na praça Tereza Batista, no Pelourinho, a partir das 15h e é aberta ao público.  

Fotos: Banco de Imagens

Teatro ICBA recebe espetáculo de dança Movimento I. Parado é Suspeito


“Movimento I, Parado é Suspeito” Pela primeira vez em Salvador, o Coletivo DMV22, vindo de São Paulo, apresenta o espetáculo de dança “Movimento I, Parado é Suspeito” no Teatro do Goethe-Institut/ICBA, nesta quarta (14). A criação coreográfica tem como ponto de partida a frase “Negro parado é suspeito, negro correndo é ladrão” para dar vazão a um estudo sobre atribuir sonoridade ao corpo e corpo ao instrumento.

“Movimento I” busca os lugares dos sujeitos cuja origem está na diáspora africana: dos contadores de histórias, que os livros escolares calam, até as abordagens policiais que suspeitam de um negro correndo.

A montagem evoca um mergulho na origem, uma busca pela oralidade, a capacidade de contar e recontar o novo. Em cena, faz-se presente a percussão, incorporada também como uma qualidade de movimento, como uma memória corporal.

Sobre Coletivo DMV22

Som, cor e movimento em diálogo no urbano. Ponto de partida de um músico, um artista plástico, de uma bailarina e um performer são as transformações instantâneas que São Paulo vivencia, das quais nos apropriamos e as consequentes readaptações que provocamos.

Achiles Luciano (pintura digital), Gabriel Espinosa (trilha) e Mario Lopes (movimento) acompanhados por orientações de Isabel Hölzl (bailarina) iniciaram sua parceria no início de 2010, quando em um show musical espontaneamente juntaram à música uma ação de pintura digital e a dança. Surgiu desse primeiro encontro uma vontade de unir estas três linguagens em uma ação cênica.

Espetáculo de dança “Movimento I, Parado é Suspeito”

Onde: Teatro do Goethe-Institut Salvador-Bahia/ICBA

(Av. Sete de Setembro, 1809, Corredor da Vitória)

Quando: 14 de dezembro (quarta-feira), 20h

Quanto: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia entrada)