Manuela Rodrigues apresenta seu 3º CD “Se a canção mudasse tudo…”


“Se a canção mudasse tudo”…

Reticências musicais, pois este é o intento da compositora e cantora Manuela Rodrigues com seu novo álbum que leva este título. Na noite deste sábado (15), ela levou o show para a Commons, no Rio Vermelho, em um ambiente intimista, próximo, que embalou os presentes, fazendo-os pedir mais e mais. O álbum foi um dos patrocinados pelo edital Natura Musical de 2015, mais uma das conquistas de Manuela.

Ela já ganhou o Troféu Caymmi de Música, o Festival de Música da Rádio Educadora e o Prêmio Braskem de Cultura e Arte. Com seu terceiro CD “Se a canção mudasse tudo”, ela traz mais verdades. “São musicas que vim fazendo num processo de composição muito intenso. É um disco pós maternidade, então, é muito afetivo, fala de seu lugar no mundo, as músicas nas pessoas, quem é você, suas origens – que aparece em muitas faixas”, explica. Quanto à sonoridade, também tem mudanças. “Diferente do último (“Uma outra qualquer por aí”), este CD é muito mais profissional, com muito mais cuidados, com vários produtores, mais limpo musicalmente”.

O titulo é aberto, pode ser qualquer coisa e vem de uma frase da canção “Ventre”, que diz a poesia que o CD pretende ser. Dentre as 14 faixas, a canção “Lista” se destaca para Manuela. “Ela é meio caótica, uma lista de coisas não organizadas, mutável, que resume este momento”. O foco agora é circular mais em outros municípios, por exemplo, Rio de Janeiro, pra onde ela vai em novembro divulgar o trabalho. “Se a canção mudasse tudo…mudaria este momento pelo que o país está passando, eu colocaria mais arte no mundo. O título propõe esse mergulho mesmo e esta situação é o que mais me preocupa, espero que achemos essa forma de mobilização para mudar o que ta aí”, completa Manuela, dando uma possibilidade à proposta do título de seu terceiro CD.

Para ouvir, baixar, é só clicar aqui.

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Fotos:Jamile Menezes

Seminário abordará o tema “Afro-Empreendedorismo e Comunicação” nesta quarta (19)


afroempreNesta quarta (19), a sede da OAB em Salvador (Piedade) receberá o seminário de abertura do Projeto Mulheres Negras Empreendedoras: Do Tabuleiro Ancestral à Contemporaneidade, contemplado pelo Edital Agosto da Igualdade da SEPROMI no eixo Desenvolvimento/Empreendedorismo Negro. O tema será “Afro-Empreendedorismo e Comunicação”, a partir das 18h e é aberto ao público.

Com o tema ‘De ESCRAVAS GANHADEIRAS À NEGRAS EMPREENDEDORAS’, o evento se propõe a fortalecer o debate sobre a importância de garantir a sustentabilidade para as mulheres negras empreendedoras da cidade. O objetivo do Projeto Mulheres Negras Empreendedoras – Do Tabuleiro Ancestral à Contemporaneidade é qualificar 50 empreendedoras negras de três Territórios de Identidade: Salvador e Região Metropolitana, Recôncavo e Sisal, através de noções básicas do universo da comunicação visual.

Serão compartilhadas noções de criação de suas próprias marcas, manutenção de páginas nas redes sociais e criação de site/blog para divulgação de seus produtos, feiras, seminários, intercâmbio de ideias, etc.

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Foto: Adelmir Borges (Espaço Colaborativo da Tacho&Dendê)

“Criminologia Crítica e questão racial” é tema de debate na UCSAL nesta quarta (19)


O Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Violências, Democracia, Controle Social e Cidadania (Ucsal) realiza no dia 19 (quarta-feira), às 19h, a Mesa Redonda “Criminologia Crítica e questão racial”, coordenada pela Profª Drª Márcia Esteves de Calazans. O debate, que acontecerá no Espaço cultural do Campus da Federação,  integra a 19º Semana de Mobilização Científica (Secmoc) da Universidade Católica do Salvador.

A proposta é discutir a questão racial no Brasil, na perspectiva da criminologia crítica, e dialogar com autores como Franz Fanon para pensar a liberdade, a alienação colonial e a diáspora africana. Na mesa estarão, com mediação de Julie Sarah Lourau (NEVIDE):

Bianca Santos
Bianca Santos

Bianca Santos (NEVIDE/UCSal)

Graduanda em Direito pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL). Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Violências, Democracia, Controle Social e Cidadania junto ao Programa de Pós-Graduação de Políticas Sociais e Cidadania. Pesquisadora no Observatório da Prática Penal da Escola Superior da Defensoria Pública da Bahia (ESDEP).

TITULO DA PALESTRA: Política sobre Drogas, Racismo e a Seletividade Penal.

Camila Prando
Camila Prando

Camila Prando (UNB)

Possui graduação em Direito pela Universidade Federal do Paraná (2000), mestrado em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (2003), doutorado em Direito penal Universidade Federal de Santa Catarina (2012), tendo realizado estágio doutoral (2010) no Departamento de História e Teoria do Direito da Università degli Studi di Firenze (UNIFI). Atualmente é professora adjunta de direito penal da Universidade de Brasília e tutora do PET do Curso de Direito. Realiza pesquisa com foco em Criminologia, História do Direito e do Controle Penal, Dogmática Penal Crítica.

TÍTULO DA PALESTRA: A Apropriação da Criminologia Critica no Brasil: Poder e Branquidade

dandaraDandara Pinho (OAB-BA)

Possui graduação em Direito pela Faculdade Social da Bahia (2011.2). Atualmente é advogada e consultora jurídica – Caldas e Pinho – Advocacia e consultoria. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direitos Humanos, atuando principalmente nos seguintes temas: assédio moral, telemarketing, racismo institucional, racismo religioso, trabalho doméstico, violência domestico familiar, povos tradicionais, indígenas e quilombolas. Desde agosto/2015 está Presidente da Comissão de Promoção a Igualdade Racial da OAB/BA

Denise Carrascosa (UFBA)

Professora Adjunta do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia (Departamento de Letras Germânicas). Bacharel em Letras com ênfase em Tradução pela Universidade Salvador e Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da UFBA. Mestre e Doutora em Teorias e Crítica da Literatura e da Cultura pelo Instituto de Letras da UFBA.

Evandro Piza
Evandro Piza

Evandro Piza (UNB)

Possui Graduação em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (1993), Mestrado em Direito pela UFSC (1998) e Doutorado em Direito pela Universidade Nacional de Brasília (UnB). Atualmente é Professor na Universidade de Brasília UnB de Direito Penal, Processo Penal e Criminologia. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Ciências Criminais, atuando principalmente nos seguintes temas: Criminologia Crítica e Desigualdade no Sistema da Justiça Criminal; Processo Penal, Impacto das Novas Tecnologias de Comunicação e Direitos Fundamentais; Princípio da Igualdade, Relações Raciais e Políticas de Ação Afirmativa.

TÍTULO DA PALESTRA: Criminologia e Racismo


gimeGimerson Roque (UESB/UNEB)

Cientista Social pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (2013). Tem experiência na área de Antropologia, atuando principalmente nos seguintes temas: masculinidades negras, identidades, gênero, negritude, contemporaneidade, e raça. Mestre em Relações Étnicas e contemporaneidade pelo ODEERE – PPGREC/UESB (2016) na Linha de pesquisa Etnias, Gênero e Diversidade sexual. Membro do Grupo de Pesquisa CANDACE-UNEB

TITULO DA PALESTRA: Cartografia subjetiva e representações de masculindades.

Espaço Colaborativo de empreendedores integra programação do Inema até fim do mês


tachoedendeO Tacho & Dendê – Espaço Colaborativo integrará programação em homenagem ao Outubro Rosa (17 a 21/10) e o dia Servidor Publico (24 a 27/10), no Centro Administrativo da Bahia (CAB). Nestes períodos, o público poderá encontrar, no Espaço, o melhor em gastronomia, moda, artesanato, acessórios, serviços e entretenimento. O Espaço – que unirá 30 empreendedores de setores diferenciados funcionará no Inema  (próximo entrada de Sussuarana), das 8h30h às 18h.

Coordenado pela empreendedora, Milla Costa, o Tacho & Dendê – Espaço Colaborativo é uma pratica comercial que viabiliza o acesso a bens e serviços sem haver, necessariamente, a aquisição ou troca monetária entre as partes envolvidas. “Esse movimento, totalmente coletivo, pode proporcionar um impacto social e oferecer diversas possibilidades de lucros para negócios menores”, explica Milla. Ela percebeu que os negócios colaborativos fazem parte de um novo modelo econômico, que valoriza a colaboração e a criação compartilhada de valores. “O empreendimento busca valorizar projetos que sejam mais sociais, transparentes e inclusivos, propondo a divisão do mesmo ambiente com seguimentos diferentes”, explica.

Dentre os empreendedores, estarão as marcas Tacho & Dendê, Faiya Turbantes, NE Utilidades, Adynkra, Baiana Bela, Preta Adorno, Doce Maria, Sabores Docinho & Docinho, dentre outros. O Espaço da Taccho & Dendê integrou o lançamento do Portal SoteroPreta no último dia 10 (foto).

Foto: Lissandra Pedreira
Foto: Lissandra Pedreira
Foto: Lissandra Pedreira
Foto: Lissandra Pedreira

Escritora lança livro infantil “PRETINHA DE ÉBANO” na Flica


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Imagine contar para a sua filha ou filho antes de dormir, histórias que tenham a ver com a sua realidade, que não se passem em um reino tão, tão distante? Lendas com as quais as crianças se identifiquem e se sintam representadas. Assim é o livro “Pretinha de Ébano”, de autoria de Kalypsa Brito, que será lançado na Festa Literária de Cachoeira – Flica, esta sexta (14), às 18h.

Kalypsa Brito é educadora, escritora, militante dos movimentos sociais com ênfase em reforma agrária, gênero e relações étnico-raciais, e mãe de Dara uma garotinha de 5 anos que a estimula nestas incursões pelo universo da literatura infantil.

Segundo a autora, o livro ‘Pretinha de Ébano’ surgiu da necessidade de dar voz às narrativas do povo negro, como são tratadas suas crenças, sua organização familiar, seus ofícios. O que ouve uma criança negra sobre seus trajes, sua pele, seus cabelos? Quais saberes a educação formal elege como prioritários para sua formação? São algumas das indagações da autora.

“Pretinha de Ébano” é a forma carinhosa com a qual a mãe da personagem Luíza Mahim a apelidou. Pretinha assume o lugar da narrativa na história e nos revela seu olhar acerca do seu lugar como criança negra do bairro da Liberdade na cidade de Salvador”,diz.

Bio
Mestre em Educação pela Udel Mar- Chile (2014), Kalypsa possui graduação em Pedagogia com Habilitação em Educação Infantil e Magistério para Séries Iniciais pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB (2004). Atuou como mobilizadora social e educadora popular da Rede Nacional de Educação Popular/Talher-Fome Zero/ Talher-UNEB e posteriormente na Rede de educação Cidadã como Educadora Popular pelo Instituto Paulo Freire (2005-2006). Em 2012 publicou seu primeiro livro infantil tendo como cenário a Chapada Diamantina : A Fada Dia & o Duende Mante. Em 2016 publica o segundo livro denominado Pretinha de Ebano.

Texto: Dira Verdiano

Professora trabalha representatividade negra e educação antiracista em escola municipal


gleice2Dar referências a crianças negras em uma fase essencial à formação de suas personalidades: nas primeiras séries de sua escolarização. Esse é o objetivo do projeto “Representatividade Negra”, da professora Gleice Pinto, que ensina na Escola Municipal Sóror Joana Angélica (Nazaré) e vem desenvolvendo ações educativas antiracistas em seu projeto pedagógico. Para esta quinta (13), a professora convidou o escritor Davi Nunes, que lançará seu livro “Bucala: a princesa do quilombo do Cabula”.

Esse será o segundo lançamento de livro na escola, cuja história traz a subjetividade e autoria negras para servir de referencial às crianças. O primeiro foi “A Lua Cheia de Vento”, da escritora Mel Adún, editora Oguns Toques. O projeto tem quatro campos de atuação: lançamento de livros infantis com escritores negros e negras; empréstimo de bonecas negras – as crianças levam as bonecas para casa e devolvem no dia seguinte. “A ideia é sensibilizar as crianças em relação ao corpo negro, percebendo a necessidade de cuidado e carinho, além de enternecê-las com nossa história”, explica Gleice.

Além disso, o projeto promove doações de bonecas negras customizadas. A última entrega, inclusive, foi feita no Dia das Crianças. A quarta linha de atuação do projeto de Gleice é estender o empréstimo destas bonecas a outras escolas e municípios. Segundo Gleice, cinco delas já estão indo para Mata de São João, por exemplo, onde outra professora fará a mesma ação junto a seus alunos. Gleice foi uma das homenageadas da segunda edição do prêmio “Elas fazem a diferença: Mulheres Negras e suas Comunidades”, realizado em julho pelo Fundo Municipal para o Desenvolvimento Humano e Inclusão Educacional de Mulheres Afrodescendentes (FIEMA). O prêmio homenageou iniciativas de professoras da Rede Municipal que objetivem a inclusão e a construção política.

gleice3“O projeto é feito com recursos próprios e, às vezes, com alguma doação de apoiadores. Em minha sala de aula, trabalho com princesas e príncipes negros africanos, já usei o livro “Boi Multicor”, de Jorge Conceição, tivemos a mestra em Teoria e Crítica da Literatura e da Cultura, Jovina Souza, que também é poeta e escritora do livro de poesia “Agda”, formando os professores sobre a lei 10.639. Recebemos o griot Augusto Cardoso, de Guiné Bissau – da etnia dos Bijagós-  e também já tivemos oficina com o rapper Mr. Armeng, dentre outras ações”, relata Gleice. Além de atuar na formação e conscientização das crianças, o projeto busca apoiar os escritores e escritoras negras em suas publicações. “Quando compro os livros, eles vão e divulgam o trabalho e cavam espaços”, diz.

gleice4Em novembro – Mês da Consciência Negra -, o projeto se intensifica e, este ano, já está sendo programado pela professora um trabalho voltado para a descoberta e estudo de inventores negros. O objetivo é mostrar que o protagonismo negro vai além do campo da Cultura. “Estamos pesquisando algumas tecnologias que usamos no dia a dia, que sabemos que foram inventos de homens e mulheres negras. A ideia é mostrar o invento e contextualizar com a história do inventor, africanos, americanos, brasileiros e outros negros e negras”, explica.

Quer ajudar?

Quem quiser pode doar bonecas negras, de cabelo black, livros sobre a cultura negra, jogos de origem africana, instrumentos musicais. “Também convidamos profissionais  de diferentes áreas para falar às crianças sobre seus trabalhos. Queremos que elas conheçam médicas, jornalistas, advogadas e médicos negro e negras e os tenham como referências”, convida Gleice Pinto.

Contatos: Gleice Pinto [email protected] | (71) 99235-4964

 

 

Danielle Anatólio: uma história de Águas, Ventos, Matriarcas e exemplos


WhatsApp Image 2016-09-05 at 5.11.16 PMEla é mineira, da Vila Suzana, primeira filha de Glória e Daniel, neta de Ercília, espiritualista que admira o Candomblé e as Irmandades do Rosário. É atriz, terapeuta reikiana, mestranda em Artes Cênicas pela UNIRIO e hoje mora no Rio de Janeiro. O sotaque ainda revela sua naturalidade, mas suas iniciativas profissionais, suas experiências de vida e planos para o futuro legam a Salvador um cabedal de histórias e de expectativas.

Estamos falando de Danielle Anatólio, a Flor de Lótus que encantou centenas de mulheres – e homens também – com sua performance homônima, encenada entre os meses de julho e agosto, em Salvador. Danielle é guiada pelas Águas e pelo Vento, como ela mesma diz; guerreira incansável, desbravadora mas, ao mesmo tempo, muito sensível, que gosta de gente, movimento e que ainda acredita no ser humano. Ela pode ter tido muitos motivos, quando criança e adolescente, para pensar diferente. Sua estética sempre foi daquelas que geram olhares e comentários. Uma mulher grande, de corpo negro fora dos “padrões”, um corpo que não conhecia e que, por isso, a fez recuar muitas vezes diante das agressivas insinuações de homens em seus caminhos. Mas ela sempre teve uma inspiração: vó Ercília, uma lavadeira mineira que a ensinou sobre gratidão. “Faça chuva, faça Sol vamos plantar e vamos agradecer… uma hora a colheita é certa!”, Danielle ouvia.

“A resiliência da minha avó nas enchentes, quando perdia as coisas e ainda assim conseguia levantar a cabeça e seguir em frente sorrindo. Isso foi uma grande aula para meu amadurecimento!”

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Foto: Lis Pedreira

A primeira neta de D. Ercília aprendeu a ser adulta ainda muito nova, a lidar com casa alagada todo fim de ano, com a ausência do pai Daniel, assassinado antes dela ecoar seu primeiro choro. O racismo na escola a testou por muito tempo a acreditar e ver beleza em si mesma, uma luta diária que muitas jovens negras ainda passam hoje. Mas os tempos são outros, muita munição já lhes foi e ainda é dada para serem maiores que o racismo.

Mulheres como Danielle pavimentaram esse caminho de descobertas e a influenciaram em suas buscas. Ariana – ou “Satanáries” como a amiga Carla Akotirene a chama nas redes sociais -, encontrou seu lugar na Arte, em especial no Teatro. Foi como arte-educadora que ela conseguiu acreditar em seu “poder, inteligência, beleza e magnitude”. Aos 19 anos começou a formar outras mentes, lecionando Teatro, coordenando o pré-vestibular comunitário Educafro Minas e se descobrindo enquanto mulher e negra.

No rol das inspirações tem nada menos que Ruth de Souza, Léa Garcia e Chica Xavier, nas quais se vê, e Lázaro Ramos, exemplo de inteligência e profissionalismo para Danielle. As letras negras de Conceição Evaristo a emocionam e, na música, Maria Bethânia, Legião Urbana, Jovelina Pérola Negra, Zé Ramalho e Mateus Aleluia a transformam. Essa parte merece destaque: “Estamos no caos e, às vezes, é realmente difícil manter a fé viva. É nessa hora que o poder de transformação tem que entrar em cena e nos impulsionar para onde quer que queiramos ir.”

E não é? O caos está aí, mas Danielle Anatólio é guiada pelas Águas e pelos Ventos, lembram? Ela quer deixar um legado: o exemplo de alguém que “foi à luta, rompeu com a correnteza, mas alcançou o objetivo”. Foi desacreditada, como muitas, e hoje ela tem a sala de aula e o palco onde pode dar seu recado às crianças e jovens, que é esse: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”. ” Aprendi desde cedo que é consigo mesmo que tudo se inicia e é entre os nossos que deve ser feita a transformação, porque “a revolução começa em casa”, conclui.

Conheça aqui sua mais recente iniciativa: a “Vivência de Auto gestão do corpo feminino”, realizada em Salvador em agosto e que pretende voltar em novembro.

Comunidade negra tem, a partir de hoje, portal exclusivo para cobertura de temas culturais


jamilecoelho-15Faltava apenas dez minutos para começar a última apresentação de Lótus e o Teatro Vila Velha estava repleto de pessoas negras para assistir ali um espetáculo encenado e produzido por mulheres também negras. Havia naquele dia, uma série de critérios e valores que demonstravam que a performance da atriz e bailarina Danielle Anatólio, tinha valor objetivo e subjetivo para ser pauta de cobertura jornalística da mídia. Mas nenhum veículo de comunicação baiano apareceu.

A partir de hoje isso mudou. Mudou porque a jornalista Jamile Menezes arregaçou as mangas e suspendeu a barra da saia para lançar na noite de segunda-feira (10), o primeiro portal de notícias que prioriza a visibilidade da produção cultural da comunidade negra de Salvador, o SOTEROPRETA.

No auditório do Centro de Estudos Afro-Orientais – CEAO, da Universidade Federal da Bahia, mais de 100 pessoas estiveram reunidas nessa noite para conhecer de perto o portal de notícias que vai dar a visibilidade jornalística que a cultura negra soteropolitana tem produzido e gerado nos últimos anos e na atualidade.

jamilecoelho-18Quem “abriu os trabalhos” da noite, foi a Ialorixá Jaciara do Terreiro Abassá de Ogum, em Itapuã, que falou sobre a importância da comunicação e dos caminhos iluminados que Jamile vislumbrou ao criar o portal, trazendo em sua fala a referência à apropriação das mulheres nas diversas áreas da produção humana. “O uso da palavra SoteroPreta e não SoteroPreto já demonstra como é importante entender o poder feminino dentro de nossa sociedade”, destacou.

O lançamento contou ainda com a fala de autoridades políticas e institucionais, entre elas a do arquiteto e diretor da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, Zulu Araújo, que não deixou passar despercebida a atual situação política no Brasil. “Jamile está de parabéns pela coragem de estabelecer novas formas de comunicação, especialmente nesse momento em que a linguagem é tão importante na disputa de poder”.

img_2602Em se tratando de um portal de notícias afroculturais, não poderia faltar a presença cultural no lançamento, que ficou a cargo das apresentações da jovem cantora Ayana Amorim e da performance da transformista, Luana Lins. Para abrilhantar ainda mais o lançamento e seguir a linha defendida por Jamile Menezes e que guiará a publicidade do portal, foi montado no espaço do CEAO o Espaço Colaborativo da Tacho & Dendêcom as marcas Adynkra, Quilombos&Flores, Casa da Nêga, Oro Mi Maio, Chato&Chata e Moda Étnica. Teve ainda coquetel com a Sabores Docinhos Docinhos e Pizzará. Confere mais fotos na Fanpage SoteroPreta!

Texto de Juliana Dias

Fotos: Jamile Coelho/Estandarte Produções

Coletivo N realiza Oficinas de Qualificação Artística para Grandes Espetáculos


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Coletivo Criativo N.- empresas de entretenimento e produção cultural coordenadas pelo diretor artístico e roteirista Elísio Lopes Jr, realizam de 21 a 23 de outubro, o Projeto de Qualificação Artística para Grandes espetáculos, que propõe oficinas de formação em diferentes áreas que compõem espetáculos, em sintonia com as mais modernas tecnologias do palco.

Esse projeto de qualificação baseia-se no processo criativo de grandes espetáculos a partir da metodologia colaborativa do Coletivo Criativo N. Cada área de atuação criativa terá nessa primeira edição, uma turma com apenas 10 vagas por linguagem e área de atuação. As oficinas terão duração de 12h cada, com emissão de certificados, e serão distribuídas entre turmas matutinas (8h às 12h) e vespertinas (14h às 18h), com exceção da aula coletiva que acontecerá na sexta-feira (21), de 18h às 21h.

As aulas acontecem na Casa N. (Sede do Coletivo) e serão trocas de experiências entre os 15 artistas do coletivo e profissionais do mercado da comunicação, das artes de todas as linguagens e do entretenimento em geral, que desejem aprofundar seus conhecimentos na criação, e realização de grandes espetáculos, e projetos culturais.

As turmas de qualificação estão assim organizadas:

  1. OFICINA DE ROTEIRO PARA EVENTOS E ESPETÁCULOS

Facilitador: Elísio Lopes Jr

  1. OFICINA DE CENOGRAFIA

Facilitadora: Renata Mota

  1. OFICINA DE PRODUÇÃO ARTISTICA

Facilitadora: Clarissa Torres

  1.  OFICINA DE TRILHA SONORA E DIREÇÃO MUSICAL

Facilitador: Jarbas Bittencourt

  1. OFICINA DE FOTOGRAFIA

FACILITADOR: Fábio Bouzas

  1. OFICINA DE DIREÇÃO CÊNICA

Facilitador: Elísio Lopes Jr

  1. OFICINA DE PRODUÇÃO DE MODA

Facilitadora: Carine Cedraschi

  1.  OFICINA DE MESTRE DE CERIMÔNIAS

Facilitadora: Clarissa Torres

 Cada oficina tem o valor de R$150,00. As vagas só estarão garantidas a partir do preenchimento da ficha de inscrição e pagamento do valor de inscrição.

O COLETIVO CRIATIVO N.

A partir da união de 15 profissionais da área artística com expertises de diferentes linguagens, surgiu o Coletivo Criativo N. Em seus três anos de formação esse coletivo de artistas tem realizado grandes espetáculos, tendo como característica a multilinguagem. Música, teatro, dança, vídeo, efeitos cênicos, tudo se mistura em cena nas produções desse coletivo.

Espetáculos e projetos como o Festival Eu sou a Concha – reinauguração da Concha Acústica 2016, Concerto Pérolas mistas de Carlinhos Brown, a Noite da Beleza Negra 2014, 2015, 2016, o Troféu Dodô e Osmar 2014, 2015 e 2016, o Prêmio Braskem de Teatro 2016, Espetáculo de Natal do Hospital Martagão Gesteira com Ivete Sangalo e Orquestra Neojiba, a Comenda do Mérito Cultural 2014, entre outros.

 

“Obsessiva Dantesca”, solo de Laís Machado, estará na Saladearte do Cinema do Museu


obsessivadantesca_porizabellavalverde-75A atriz Laís Machado apresenta, no dia 16 de outubro, na Sala de Arte Cinema do Museu (Corredor da Vitória), seu trabalho “Obsessiva Dantesca”, criação e atuação da própria atriz e direção artística de Diego Pinheiro, com direção musical de Andrea Martins. A apresentação será às 19h, comentrada gratuita.

A performance cênico-musical de Laís trata de questões políticas atuais, como racismo e machismo, foi sucesso de público na primeira temporada e agora volta em cartaz em única apresentação, como parte da programação do II Encontro Fronteira Sa[n]grada: Artaud e seu Duplo, realizado pelo Núcleo Viansatã de Teatro Ritual.

 

Criação

Obsessiva Dantesca propõe um espaço de ritualização das obsessões políticas, existenciais e filosóficas da performer e pesquisadora Laís Machado enquanto mulher negra, mesclando duas estruturas estéticas: o show e o rito. A obra busca aglutinar potências femininas a partir da monstruosidade, conjurando a mágica de coisas passadas e presentes e propondo um espaço para extravasar performances do que é ser mulher e negra ontem e hoje. Acima de tudo, “Obsessiva Dantesca foi uma expressão usada para me identificar durante uma brincadeira e, ao perceber que este termo poderia ser aplicado a muitas das minhas irmãs, ganhou um tom sério. Esta persona que me habita, intitulada de Obsessiva Dantesca, é monotemática, militante, violenta, contraditória, feminista, impaciente, indócil, sensível, jocosa, insegura, grotesca, arrogante, diva, escatológica, monstruosa e preta” declara a criadora.

img_5635Segundo ela, o ponto de partida inicial era fazer covers de divas negras que abordaram as questões raciais em suas músicas, mas no decorrer do processo foram nascendo canções inéditas e autorais. Assim, a música se faz presente, realizada ao vivo no palco, convocando o público a uma comunhão com a performer.

A estética afro-futurista permeia o trabalho, que brinca com a relação entre a tradição e a atemporalidade, mas também com o questionamento sobre os velhos estereótipos e clichês em cima das pessoas negras. Em cena, serão abordadas questões políticas atuais, como a fragilização dos direitos conquistados pelas minorias nos últimos meses e retomada da força dos movimentos feministas, naquilo que já se considera uma nova onda. “É um híbrido entre música, performance, teatro, envolvendo a colaboração de muitas mulheres. Uma espécie de performance travestida de show, mas também com os momentos do púlpito, porque existe a demanda da palavra. Um momento de comunhão com as mulheres que estiverem no teatro” explica Laís, que também coloca em cena as questões étnico-raciais, por meio das suas percepções enquanto mulher negra.

Foto: Izabella Valverde
Fotos: Izabella Valverde

FICHA TÉCNICA

Criação e Atuação de Laís Machado

Direção Musical: Andrea Martins

Trilha Sonora Original: Andrea Martins, Diego Pinheiro e Laís Machado

Direção Artística: Diego Pinheiro

Banda Obsessiva:

Voz: Laís Machado, Andrea Martins, Sanara Rocha e Josyara.

Percussão: Sanara Rocha e Juliana Almeida.

Violão e Guitarra: Josyara e Diego Pinheiro

Samples: Andrea Martins.

Figurino: Tina Melo

Maquiagem: Hávata West

Iluminação: Larissa Lacerda

Projeção Mapeada: Marcília Barros

Fotografias: Izabella Valverde

Assistente de cenografia: Sarah Saboya

Instalação cenográfica: Erick Saboya Bastos