Instituto Steve Biko oferece revisão gratuita para o ENEM


2aulaoPara alcançar o sonho de ingressar no ensino superior, estudantes de todo país realizam, no início de novembro, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Faltando alguns dias para a avaliação, o Instituto Cultural Steve Biko vai oferecer o “Aulão ENEMgrecido”, uma revisão gratuita dos principais assuntos, realizada pela equipe de professores, no dia 23 de outubro, a partir das 8h30. 
 
O Instituto, que possui duas turmas regulares de pré-vestibular para estudantes oriundos de escolas públicas, estende a revisão para qualquer pessoa que tenha interesse, mediante inscrição prévia por e-mail ([email protected]).
 
O Instituto Cultural Steve Biko é conhecido por realizar diversas atividades no campo político educacional envolvendo a juventude negra e ter possibilitado o acesso de milhares de jovens negros às universidades públicas há 24 anos.
 
Contato: 
Coordenação pedagógica – Gabriela Gusmão 3241-8708 / [email protected].

Espetáculo discute intolerância religiosa e violência contra os jovens negros no Brasil


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Fotos: Andréa Magnoni e Diney Araújo

Em seu primeiro solo, o ator Sulivã Bispo percorre a trajetória da menina Kaiala a partir de três pontos de vista: a avó, o irmão de santo e uma evangélica, para discutir temas como racismo, intolerância religiosa e a morte sistemática de jovens negros no Brasil. O espetáculo “Kaiala” entra em cartaz no próximo dia 20 de outubro, no Espaço Cultural da BArroquinha.

KAIALA, divindade das grandes águas, dos mares e oceanos, tida, segundo a visão Bantu, como o útero materno gerador de todas as espécies, inclusive a raça humana, é a inspiração poética para contar a história de uma menina de 10 anos assassinada em uma invasão ao seu terreiro.

Com direção de Thiago Romero, o espetáculo faz parte do Projeto de Extensão e Experimentação artística PibiexA – UFBA 70 ANOS que tem Maurício Pedrosa como tutor.

Temporadas:

20 a 23 de outubro, às 19h – Espaço Cultural da Barroquinha

3 a 6 de novembro, às 19h – Teatro Gregório de Matos

Valor: R$20,00 inteira | R$10,00 meia

Escola Bahiana de Medicina realiza II Colóquio de Saúde da População Negra


negrobrasileiro_wNos dias 21 e 22 de outubro, a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública promove o II Colóquio sobre Saúde da População Negra, na Unidade Acadêmica Cabula.A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Complexo Comunitário Vida Plena (CCVP), a Sociedade Hólon e o curso de Medicina da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. As inscrições seguem até 10 de outubro, mediante a doação de um livro.

O encontro foi proposto em comemoração ao Dia de Mobilização Nacional Pró-Saúde da População Negra, celebrado no dia 27 de outubro, e visa atender o  que preconiza a Lei 11.645, que inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.

O evento será destinado  a estudantes de graduação, pós-graduação, docentes e profissionais da área de saúde e a intenção é propor a discussão sobre os desafios pautados pelo racismo institucional nas práticas do serviço de saúde. O evento, que está vinculado à coordenação do curso de Medicina, passou a fazer parte  do calendário oficial da instituição e serão disponibilizadas 200 vagas.

PROGRAMAÇÃO

Dia 21/10/16 (sexta- feira) – Manhã

8:00 – Credenciamento

8:30 – Abertura do evento: representantes da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), Sociedade Hólon e Complexo Comunitário Vida Plena.

9:00 – Conferência de abertura

TEMA:  O racismo no serviço de saúde e atuação dos profissionais

Palestrante: Profa. Dra Isabel Cruz

10:00 – Intervalo

10:30 – Mesa Redonda 1

TEMA:   Experiências da inclusão da temática racial na prática de saúde

Rosenir Alcântara; Dra Liliane Bittencourt

13:30 – Discussões e produções na Bahiana

Grupo de Pesquisa e Liga Academica de Relações Raciais

14:30 – Mesa Redonda 2

TEMA:  Políticas Públicas e a garantia do direito a saúde

Estratégias de implementação da Política Nacional Integral de saúde da população negra no município de Salvador –  Catiane Lopes Santana

A importância de políticas transversais para assegurar a saúde da população negra no Estado da Bahia – Msc Vilma Reis

16h – Intervalo

16:20- Conferência de Encerramento

Tema: Avanços e desafios para a implementação da Política  Nacional Integral de Saúde da população Negra

Palestrante: Maria Inês Barbosa

17:20 – Apresentação do Grupo Cultural Adolescer com Arte

Dia 22/10 – (sábado) – 8:30 às 12:00

Oficina para professores  com  Dra Isabel Cruz

Tema: A inclusão da temática na formação em saúde

Centro de Referência Nelson Mandela debate marchas e caminhadas do movimento negro


12208440_1036309449747648_8009460577984612384_nUm painel sobre marchas e caminhadas do movimento negro de Salvador reunirá diversas representações do segmento nesta sexta-feira (21), a partir das 14h, no Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela (Av. Sete de Setembro). A atividade é aberta ao público – com certificado – e tem como objetivo discutir a contribuição dessas manifestações para a garantia dos direitos da população negra

Participam do debate Gilberto Leal, da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen); Marcos Rezende, do Coletivo de Entidades Negras (CEN); Jorge Antonio, do Fórum de Entidades Negras; Lindinalva de Paula, da Marcha das Mulheres Negras; Naira Gomes, da Marcha do Empoderamento Crespo; e Valdo Lumumba, da Caminhada do Povo de Santo no Subúrbio.

O Centro de Referência – Vinculado à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi), oferece apoio psicológico, jurídico e social a vítimas de racismo e intolerância religiosa na Bahia. Também conta com uma biblioteca especializada em relações raciais e realiza atividades formativas com o público interno e segmentos variados da sociedade civil.

Serviço

O quê: Painel sobre marchas e caminhadas do movimento negro de Salvador
Quando: 21.10.16 (sexta-feira), às 14h.
Onde: Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela – Avenida 7 de Setembro, nº 282, Ed. Brasilgás, 1º andar – Centro (mesmo prédio da Fundação Pedro Calmon), em Salvador.
Mais informações: (71) 3117-7447/7448 – [email protected]

Maíra Azevedo e Tia Má: amor, irreverência e sinceridade na receita do sucesso


tiamaFilha de Mira, herdeira de Bia. A caçula de Miralva Dias Azevedo e Evangivaldo Batista de Azevedo Pereira já dava sinais de que seria a mulher que hoje Salvador e o Brasil conhecem como Tia Má. Maíra Cristina Dias Azevedo tinha apenas 11 anos quando decidiu ser jornalista. Talvez a vocação tenha se aflorado com os tantos poemas e letras de música que ela guarda daquela época e que ainda pensa em um dia publicar.

Sempre criada com muito amor e afeto, não só pelos pais, como pela avó, D. Valdimira Santos Dias, a Dona Bia, e seus oito tios – um registro especial para o tio Wellington, que a emociona só de falar. Maíra Azevedo não tem qualquer trauma de falta de atenção, isso ela garante.

Ela foi dengada, tinha no pai um realizador de vontades, mas na mãe um puxão pra realidade. “Eu tinha que ser filha dos dois mesmo, tive tudo, mas sempre soube discernir o certo do errado, o que podia e não podia”, ela diz. O discernimento, aliás, D. Miralva sempre fez questão de afirmar em casa. Maíra era a menina negra que estudava em escola particular, muitas vezes a única em sala de aula, tinha Xuxa e Angélica como “referências”.

Embalada pela TV – como ela mesma diz, a “babá eletrônica” de muitas crianças – ela construía um dos seus mundos. O outro era o da realidade: de que nem ela, nem a irmã eram iguais às ídolas, dizia a mãe.

“Eu tenho a cara das mulheres, não sou uma mulher padrão, falo de empoderamento e de amor. Não sou a gatona, mas sou alguém que aprendeu que é poderosa. E acho que todas devem aprender isso.”

whatsapp-image-2016-10-17-at-21-11-14Daí vinham muitos questionamentos: “não sou igual, mas quero (preciso) estar no padrão”. A fase dos alisantes e das tentativas de embranquecimento – tão comuns entre crianças e jovens negras – também passou por sua história. Talvez o senso de humor também tenha ajudado a lidar com essa dicotomia. Segundo Maíra, esse é o DNA da família e ela não fugiu à regra, a irreverência e a sinceridade sarcástica são suas marcas – onde ela estiver todos já entendem rapidamente.

“Tiramos sarro um do outro, fazemos piadas, rimos muito entre nós, até meu filho de oito anos me arranca gargalhadas”. Aladê Koman (Dono da Coroa), sua outra metade, seu complemento, que a ensina dia após dia que mãe não é tudo igual.

A irreverência do pequeno anda junto à educação também sincera da mãe. “Meu filho tem apenas oito anos e eu tenho que conversar com ele sobre genocídio de jovens negros, que ele não pode usar determinadas roupas pra não reforçar o estereótipo racista que recai sobre nós. Sobre a escolha de usar seu cabelo rasta e como o ambiente escolar é um espaço de tensão racial, sobre o tráfico de drogas em nossa comunidade. Coisas que outras mães, talvez, de meninos não negros, não precisem se preocupar”, ela desabafa.

Maíra mora no bairro de Plataforma, Subúrbio de Salvador, é repórter do Jornal A Tarde, assessora do vereador Silvio Humberto (PSB) e consultora da Rede Globo, no programa Encontro, de Fátima Bernardes. Mas arranja tem tempo pra ser mãe zelosa e atenta. Pra ela, a parte mais difícil é educar, orientar moralmente, cuidar da higiene e abrir mão do descanso, muitas vezes.

“É cansativo sim, mas não consigo pensar mais minha vida não sendo mãe, não sendo mãe de Aladê”. Nos afazeres domésticos ela assume: não gosta. Mas é ela quem faz, afinal Maíra e Tia Má são as mesmas pessoas, glamour só na tela. Não há encenação, cenário, roteiro, bastidores. É no carro dela (o mesmo de sempre, aliás), nos intervalos entre um trampo e outro que os vídeos que já alcançaram mais de 1 milhão visualizações são gravados.

 “To sempre atenta ao que acontece ao meu redor, leio tudo, ouço tudo, pesquiso tudo, sou a diversidade. Busco a informação, tenho sede de saber, sou de Oxum com Oxossi. Minha vaidade é o saber.”

tiama3Ela não entende quando perguntam como é ter sucesso, já que ela sempre foi uma mulher de sucesso, como se define. “Eu já me considerava uma pessoa de sucesso muito antes de Tia Má, o que me surpreende é que algumas pessoas não me enxergavam antes de sentar no sofá de Fátima Bernardes, aí percebo como alguns discursos são falaciosos.

Odeio quando alguém me cobra pra não esquecer dele/a com a fama. Só se eu tiver Alzheimer, quem colou comigo vai tá sempre, quem não colou, não estará!”, dispara.

Afinal, ela foi “educada pra dar certo, pra ser boa em tudo que fizesse”. E ela é, né? Seus conselhos são suas opiniões mesmo, agrade ou não, ela não tá se importando muito.  E os sobrinhos e sobrinhas desta filha de Oxum com Oxóssi…já são mais de 100 mil.

E não pára de crescer, com certeza porque Tia fala de afetividade, algo que tem sido tão caro a muitas mulheres, em especial as negras. Maíra é certeira: “Muitas estão fracassando em suas relações, no desespero de encontrar a outra metade da laranja, porque assim fomos criadas, isso faz com que aceitemos migalhas afetivas, relações abusivas”.

S. Evangivaldo já dizia pra ela e a irmã “pra não nos submetermos a capricho de homem, tínhamos que sair com nosso dinheiro, nosso carro e não aceitar que um homem nenhum nos bancasse”. Ela já teve suas decepções. Duas, na verdade: um cara que tentou lesá-la financeiramente (“e quem me conhece sabe que dei meu jeitinho de reaver minha grana”) e a outra que ela conta: “quando conseguiu o que queria de mim, me deixou”. Mas ela não deixou de acreditar no amor.

“Não importa quão sacana tenham sido com você, você vai encontrar a pessoa que vai colar na corda. Tenho hoje minha história de final feliz, que pode ate virar infeliz, mas enquanto tá durando ta sendo uma história feliz.”

tiama2Hoje, Maíra tem sua casa (a mesma de antes também!), seu amor Adilson, pensa em ter outro filho (ou filha) e o que ela quer mesmo é continuar sendo representatividade para as meninas negras que a assistem. “Quero que vejam em mim a possibilidade de ocupar vagas na Academia como jornalistas, serem construtoras de conhecimento. Quero montar um….aliás, aprendi no Candomblé que silêncio é fundamental pra que as coisas aconteçam…(risos). Deixa lá, meus projetos, quando acontecerem, todo mundo vai saber…(mais risos). Ok, Tia!

“Temos o hábito de associar agressão apenas à física, mas tem a afetiva, alguém que não te respeita, te desqualifica mas, pra não entrar na estatísticas da solidão, você aceita. Quando você socializa a dor, você ameniza o sofrimento.”

Veja todos os vídeos no Canal da Tia Má.

NOVO HORÁRIO – Jovens realizam pré-Enem gratuito no Candyal Guetto Square dia 22


aulaoFoi de última hora, mas tudo no tempo certo. Assim foi a idéia dos jovens Pedro Batalha, Hisan Silva, Ágatha Carvalho e Thiago Marinho, que resolveram agir diante de uma realidade muito conhecida: o restrito acesso de negros e negras à Universidade. Será realizado, no Candyall Guetto Square, um Aulão Pré-Enem no dia 22 de outubro, das 8h às 14h, destinado a jovens estudantes que estão se preparando para o exame, que acontece nos dias 5 e 6 de novembro.

O Aulão é colaborativo e, após postagens no Facebook, os jovens já conseguiram o apoio de professores nas disciplinas de Redação, Português e Matemática. “O racismo que atinge a população negra se ramifica em diversos setores, é uma estrutura que não só lhe tira a vida, como também a priva do acesso aos estudos, acesso aos espaços, à informação, saúde. Então, a ideia desse aulão, feito por jovens negros e com o apoio de professores negros, é pra – desde sua raiz – criar uma noção de representatividade no sucesso acadêmico”, diz Pedro Batalha.

A solidariedade está enraizada na concepção do projeto, que pretende ser uma oportunidade de mostrar a outros jovens negros e negras que eles não estão sozinhos no caminho à Universidade. “Foi a forma que encontramos, de maneira rápida e urgente, oferecer o último apoio aos meninos e meninas de periferia que irão prestar vestibular. Para eles saberem que não estão sozinhos. Queremos desenvolver uma semente de pertencimento no espaço da academia. Para que eles percebam que é possível sim estar na Universidade e que esse espaço é feito para eles”, diz. Inscrições podem ser feitas online. 

Para quem quer ajudar, está sendo disponibilizada uma conta bancária para depósitos em qualquer valor.

Banco Caixa Econômica

Agência: 1236

Operação: 013

Conta: 00120030-3 (Poupança)

Nome: Hisan Silva dos Santos

Mais informações:  (71) 99190-4737 (zap)

 

Sarau da Onça convida para o debate “Discutindo Privilégio de Raça” neste sábado (22)


Ana Martha - Foto Lissandra Pedreira
Ana Martha – Foto Lissandra Pedreira

O Sarau da Onça realiza, no próximo sábado (22), às 19h, seu tradicional Sarau com um tema especial: “Discutindo Privilégio de Raça”, com a participação da Psicóloga, Analista do Comportamento e Instrutora de Mindfulness, Ana Martha Lima e a Antropóloga, pesquisadora e uma das articuladoras da Marcha do Empoderamento Crespo,  Naira Gomes. Tudo acontece no Centro de Pastoral Afro, em Sussuarana e é aberto ao público.

O Sarau da Onça, há cinco anos, une jovens negros e negras em torno da poesia, da música e da vontade de transformar. O Sarau já é ponto de encontro de muitas atividades: lá rola apresentações musicais, leituras poéticas, tem parcerias com outras ações e realizadores culturais da região e de outras localidades da cidade, ocupando um lugar especial na vida da juventude que o faz e refaz todos os dias.

Conheça o Sarau da Onça em entrevista dada ao Portal SoteroPreta por Sandro Sussuarana, um dos idealizadores do Sarau da Onça, produtor e articulador cultural do bairro.

Local: Rua Albino Fernandes, Novo Horizonte (Grande Sussuarana), nº 59.

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Naira Gomes

Giovane Sobrevivente – “A poesia tem que chegar antes da bala”


giovane-3Ele é poeta, cineasta, filho de Xangô, homem das ruas e empreendedor cultural. Um dos poetas mais recitados em Saraus que tenham a Poesia Negra como foco, ou que tenham a juventude como público alvo. Dentre as suas mais de 50 poesias, uma se destaca: “A revolta de tia Anastácia”, que em 2016 comemora 25 anos. Fruto da indignação de Giovane Lima da Silva – Giovani Sobrevivente, como é conhecido – diante do quadro que via todos os dias enquanto trabalhava no Moinho Salvador (Comércio), onde se fabricava a farinha de trigo Dona Benta: mulheres negras, suadas, dando sua força de trabalho sem reconhecimento.

“Tia Anastácia está revoltada! Ela faz os bolinhos e Dona Benta é quem leva a fama. Farinha de Trigo deveria se chamar Tia Anastácia!”.

Versos conhecidos, repetidos sempre em saraus como o Sarau da Onça, em Sussuarana, como lembra Giovane. As primeiras reações à poesia ele não lembra, mas sabe que ela é um marco em sua literatura. “Quando eu vejo ela sendo recitada, enxergo como uma extensão da luta. É um instrumento de luta que está sendo compartilhado entre nós”, diz o filho de D. Maria Clementina que atribui a construção desta pérola poética a sua passagem pelo grupo de Teatro Choque Cultural.

giovaneA veia para o Audiovisual também pulsa forte neste soteropreto, que mantém seu canal no youtube – Coisa Forte Produções -, no qual divulga entrevistas, registros de atividades na cidade, tudo feito por ele mesmo. É no bairro de San Martin que ele atua e faz sua arte, que já trilha aí mais de 30 anos dos seus, hoje, 44. É lá que ele desenvolve seu sonho: produzir audiovisual na comunidade, a partir da Escola Forte Produções, uma espécie de escola de cinema na qual são produzidos pequenos vídeos com crianças e jovens do bairro em seus próprios celulares. É na rua mesmo, sem paredes, que Giovani faz acontecer.

“No momento, o projeto está parado, precisa do atrativo para as crianças – lanche, equipamentos, internet – que não temos. Esta é uma forma da comunidade se ver na tela, mas precisamos de estrutura”, conta. No momento, Giovani produz um documentário com a ajuda destes pequenos cineastas comunitários. É o “Torcida fiel, estado traidor”, que propõe uma reflexão quanto ao futebol como instrumento de manipulação.

Sgiovane-1uas poesias de denúncia e de militância podem ser ouvidas no CD Melanina, lançado em 2015, que contém 14 faixas, dentre poesias, depoimentos e música. Dentre elas está aquela que marcou Giovani, chamada “Verdade”. “Nessa, tudo é verdade, tudo eu vivi. Um dos primeiros poemas que falo dos Orixás”. (trecho dela) A militância de Sobrevivente é mordaz, é inteligente, sonora, é visceral. Segundo o autor, sua poesia é uma arma. “Esse CD foi pensado como uma forma de combater essas várias mortes que vamos tendo: a moral, afetiva, psicológica, cultural, social, religiosa e a física. Esse é o projeto do racismo e já que é esse, a poesia é uma arma de luta pela vida”, afirma Giovani.

“Mas Candomblé é religião que cultiva a natureza. Xangô é o orixá que guia minha cabeça. Na defesa de Exú eu vou me rebelar.Titanic foi pro mar, mas não falou com Iemanjá…Afundou!” (Poesia “A verdade”)

Giovane Lima da Silva é um sobrevivente. A banda de pagode na qual cantava em 1998 não contemplou toda a verve poética que precisava gritar e escancarar as realidades. Hoje ele diz: “Sobrevivente é o nome de todo homem negro e mulher negra que está vivo, já que o projeto do racismo é a morte”. Dentre os que o influenciam, nomes como Landê Onawalê, José Carlos Limeira, Hamilton Borges, Fabiana Lima (Resistência Poética). Giovane tem umas 20 poesias que ainda não foram recitadas, estão aguardando “o tempo certo”, diz ele. Enquanto isso, ele planeja e executa alguns projetos em Salvador, paralelo à sua profissão de agente comunitário de saúde. Está gravando o clipe de “Melanina” (produzido por: Marcão dois H, Junior e a Coisa Forte Produções) e quer gravar novo CD de poesias. Um livro, talvez? “Não, CD”, é enfático.

“O CD chega mais rápido em quem precisa ser tocado. A oportunidade de adquirir é maior. Mais do que um CD de poesia, é um posicionamento político que chega às casas das pessoas antes da bala. Isso é uma forma de fazer movimento negro, pois quando o estado chega na comunidade é com a Polícia ou com o carro do lixo, quando passa. Precisamos – o mais rápido possível – levar essa informação, no dia a dia. A militância tem q ser feita 24h, sem glamour. É nossa obrigação fazer enfrentamento, pois o racismo é a morte, então temos que lutar pela vida. Até porque defunto não escreve, não entra em estúdio nem em faculdade”, dispara Giovani Sobrevivente.

Quer acompanhar as produções de Giovani? Se inscreve no canal da Coisa Forte Produções, no Youtube!

 

O CD Melanina é um trabalho de muitas mãos:

01 – Encruzilhada (Giovane Sobrevivente)

Participações: Valdina Pinto, DJ Leandro, Cleber da Paixão e Sotéro

02 – De volta pro Quilombo  (Giovane Sobrevivente)

Introdução: Alpha Petulay / Gravação: Edson Chiquinho.

03 – Um sonho (Giovane Sobrevivente )

Participações : Cosme OnanWalê, Cida Reis e Mia Lopes Paulo Pinheiro

04 – Devolva a perna do Saci  (Giovane Sobrevivente)

Participações: Jorge Conceição e Cleber da Paixão

05 – Desempregado (Giovane Sobrevivente)

06 – Tia Anastácia  (Giovane Sobrevivente)

Trilha sonora: Sítio do Picapau Amarelo da música de Gilberto Gil

07 – A verdade  (Giovane Sobrevivente)

Participação:  Rita Braz

08 – É carnaval   (Giovane Sobrevivente)

Participação: Geovan Bantu/ violão: Adilson Mãoza / áudio retirado da última entrevista de Jorge Lafon no programa Rede TV.

09 – Sou negro (Giovane Sobrevivente)

Depoimento da Socióloga Vilma Reis na CPI da Câmara Federal que apura a violência urbana.

10 – Homem Branco (Giovane Sobrevivente)

Participações : Brenda Nayla e Leo Souza

11 – Contas Brancas (Giovane Sobrevivente)

Participações : Dj Leandro e Cleber da Paixão

12 – Na roda (Giovane Sobrevivente)

13 – 13 pretos (Giovane Sobrevivente)

14 – Melanina (Giovane Sobrevivente)

Ficha Técnica

Baixo, bateria, guitarra e teclado (César Matos)

Trompete (Flávio Santos)

Gravação, masterização e mixagem (Saulo Leal)

Gravação e masterização de voz (Diego 157)

Participações: Adilson Mãoza, Yogi NKrumah, Geanderson  Silva

Produção Executiva: Giovane Sobrevivente, Coisa Forte Produções e FreedomsoulRec

Gravado por Diego 157, Mr.Armeng e Dj Leandro

Masterização e Mixagem: DJ Leandro e Diego 157

Capa e Design Edivaldo Neto ( C DOZE) Fotografia – Pereira Fotos

Instituto de Mídia Étnica realiza Semana Nacional de Democratização da Comunicação


whatsapp-image-2016-10-17-at-10-18-32Entre 19 e 22 de outubro, o Instituto Mídia Étnica celebrará seus 11 anos denegrindo a mídia com a Semana Nacional de Democratização da Comunicação 2016, uma programação que trará rodas de diálogo sobre as Políticas de Comunicação, o Marco Civil da Internet e a inclusão da temática étnico-racial e dos direitos humanos na formação do comunicador, além de oficinas sobre Fotoetnografia, Vídeo Reportagem, Educomunicação, entre outros temas. Tudo acontece na sede do Instituto, no bairro do Dois de Julho.

A abertura será no dia 19 de outubro, às 19h, com a Roda de Diálogos “Comunicação e Educação: racismo e direitos humanos na formação do comunicador”, com a jornalista e professora mestre Ceres Santos (Uneb) e a também jornalista, fotógrafa e professora doutora Márcia Guena, diretora do Departamento de Ciências Humanas da Uneb, Campus Juazeiro. Além da roda de diálogos, ambas também ministrarão oficinas: Márcia Guena de Fotoetnografia e Ceres Santos de Educomunicação.

No dia 20 de outubro, também às 19h, uma mesa reunirá jornalistas negras que tiveram a experiência de conhecer veículos negros nos Estados Unidos, por meio de intercâmbios. Estará presente Camilla de Moraes, da Revista Acho Digno, que recentemente esteve em Nova Iorque, graças ao projeto Identidades Transatlânticas. Já Alane Reis, da Revista Afirmativa, e Cristiana Fernandes, da TV Pelourinho, foram contempladas no Intercâmbio promovido pelo Consulado dos Estados Unidos no Brasil, em parceria com o Instituto Mídia Étnica, que proporcionou uma viagem a Atlanta, em 2015, com o mesmo intuito. Para inscrição gratuita nas oficinas, basta enviar um email para [email protected].

Foto: Jamile Coelho
Foto: Jamile Coelho

Veículos Negros da Bahia

Já no dia 21 de outubro, que marca o aniversário de 11 anos de fundação do Instituto Mídia Étnica, a temática central serão as Políticas de Comunicação, as mobilizações pela Democratização da Mídia e as experiências de veículos negros em Salvador. Pela tarde, das 14h às 18h, o jornalista e doutorando da Universidade de Brasília Pedro Caribé ministrará uma oficina sobre o Marco Civil da Internet.

No mesmo dia, a partir das 19h, haverá uma mesa de diálogos sobre resistência e sustentabilidade de veículos negros com representantes de três linguagens da Comunicação: Dj Branco do programa de rádio Evolução Hip Hop (Educadora FM); Ivana Sena da revista impressa Quilombo; Jamile Menezes do Portal de Notícias SoteroPreta, exclusivo sobre cultura negra de Salvador; e Heraldo de Deus Borges do canal de youtube Ouriçados, que também integra o NegrXs Digitais, grupo que tem discutido a produção de conteúdo para web por realizadores negros e negras. 

Imprensa negra na diáspora 

Encerrando a Semana de Democratização da Comunicação do Mídia Étnica, acontece no sábado, 22 de outubro, das 9h às 12h, a última aula da Formação em Mídia Étnica, curso de Jornalismo e Relações Raciais. O tema será “Imprensa Negra no Brasil e na Diáspora” e contará com um hangout reunindo a professora doutora Ana Flávia Magalhães, pesquisadora sobre a história da imprensa negra brasileira; Fabien Anthony, do portal AfroEstilo da Colômbia, e David Wilson, do The Grio, dos Estados Unidos. Confira aqui toda programação.

Abertas as inscrições para a 38º Noite da Beleza Negra do Ilê Aiyê


Foto: Fafá Araújo
Foto: Fafá Araújo

As inscrições para a 38ª Noite da Beleza Negra do Ilê Aiyê estão abertas até o dia 09 de janeiro de 2017. As candidatas, que devem ter entre 18 e 30 anos, podem se inscrever através do site do bloco (www.ileaiyeoficial.com) ou presencialmente na Senzala do Barro Preto, sede do Ilê (Ladeira do Curuzu), de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h30 e das 14h às 17h30. Tanto virtualmente quanto presencialmente é necessário o envio de uma foto que pode ser de corpo inteiro ou 3×4, porém não são aceitas fotos em trajes de praia ou roupa íntima.

A pré-seleção irá acontecer no dia 10 de janeiro, às 18 horas, na Senzala do Barro Preto. Já a grande Noite da Beleza Negra, quando será eleita a nova Rainha do Ilê Aiyê, será no dia 04 de fevereiro, com show da Band’aiyê e convidados.

A festa é uma celebração de exaltação à beleza da mulher negra, onde é escolhida a Deusa do Ébano, que vai reinar à frente do bloco durante todo o ano, principalmente no carnaval. A Rainha do Ilê representa a entidade em eventos sociais e participa de viagens e turnês, acompanhando o Ilê, dentro e fora do Brasil.  Além disso, tem a missão de levar ao público a consciência sobre ser mulher negra e valorizar as suas conquistas na sociedade. O tema do Ilê para o Carnaval 2017 é “Os povos ewé\fon. A influência dos povos Jeje para os afrodescendentes”.

O Concurso 

A Noite da Beleza Negra do Ilê Aiyê é hoje o maior concurso de beleza e exaltação da mulher negra no Brasil. Nele, desde 1975, o Ilê Aiyê elege a Deusa do Ébano (Rainha do Ilê), que tem a missão de levar ao público todo encanto e consciência que a mulher negra necessita para elevar sua auto-estima e censo crítico. Um dos maiores objetivos da Associação Cultural Ilê Aiyê é sedimentar a auto-estima na comunidade negra de Salvador e propagar a cultura afro-baiana para os mais diversos pontos do mundo. Na Noite da Beleza Negra, o Ilê faz isso com o foco direcionado para a mulher negra.

As finalistas precisam atender aos requisitos de beleza, atitude, aptidão para dança afro e conhecimento sobre a história do Ilê Aiyê e do povo negro na Bahia.

 

Inscrições Deusa do Ébano 2017

Período: segunda a sexta, das 8h às 11h30 e das 14h às 17h30;

Local: Senzala do Barro Preto, Curuzu, Liberdade (Senzala do Barro Preto) ou www.ileaiyeoficial.com

Condições: ter entre 18 e 30 anos / Levar fotografia 3 por 4 ou corpo inteiro, exceto em trajes de praia ou roupa íntima;

Informações: 2103-3401 / [email protected]