Giovane Sobrevivente – “A poesia tem que chegar antes da bala”


giovane-3Ele é poeta, cineasta, filho de Xangô, homem das ruas e empreendedor cultural. Um dos poetas mais recitados em Saraus que tenham a Poesia Negra como foco, ou que tenham a juventude como público alvo. Dentre as suas mais de 50 poesias, uma se destaca: “A revolta de tia Anastácia”, que em 2016 comemora 25 anos. Fruto da indignação de Giovane Lima da Silva – Giovani Sobrevivente, como é conhecido – diante do quadro que via todos os dias enquanto trabalhava no Moinho Salvador (Comércio), onde se fabricava a farinha de trigo Dona Benta: mulheres negras, suadas, dando sua força de trabalho sem reconhecimento.

“Tia Anastácia está revoltada! Ela faz os bolinhos e Dona Benta é quem leva a fama. Farinha de Trigo deveria se chamar Tia Anastácia!”.

Versos conhecidos, repetidos sempre em saraus como o Sarau da Onça, em Sussuarana, como lembra Giovane. As primeiras reações à poesia ele não lembra, mas sabe que ela é um marco em sua literatura. “Quando eu vejo ela sendo recitada, enxergo como uma extensão da luta. É um instrumento de luta que está sendo compartilhado entre nós”, diz o filho de D. Maria Clementina que atribui a construção desta pérola poética a sua passagem pelo grupo de Teatro Choque Cultural.

giovaneA veia para o Audiovisual também pulsa forte neste soteropreto, que mantém seu canal no youtube – Coisa Forte Produções -, no qual divulga entrevistas, registros de atividades na cidade, tudo feito por ele mesmo. É no bairro de San Martin que ele atua e faz sua arte, que já trilha aí mais de 30 anos dos seus, hoje, 44. É lá que ele desenvolve seu sonho: produzir audiovisual na comunidade, a partir da Escola Forte Produções, uma espécie de escola de cinema na qual são produzidos pequenos vídeos com crianças e jovens do bairro em seus próprios celulares. É na rua mesmo, sem paredes, que Giovani faz acontecer.

“No momento, o projeto está parado, precisa do atrativo para as crianças – lanche, equipamentos, internet – que não temos. Esta é uma forma da comunidade se ver na tela, mas precisamos de estrutura”, conta. No momento, Giovani produz um documentário com a ajuda destes pequenos cineastas comunitários. É o “Torcida fiel, estado traidor”, que propõe uma reflexão quanto ao futebol como instrumento de manipulação.

Sgiovane-1uas poesias de denúncia e de militância podem ser ouvidas no CD Melanina, lançado em 2015, que contém 14 faixas, dentre poesias, depoimentos e música. Dentre elas está aquela que marcou Giovani, chamada “Verdade”. “Nessa, tudo é verdade, tudo eu vivi. Um dos primeiros poemas que falo dos Orixás”. (trecho dela) A militância de Sobrevivente é mordaz, é inteligente, sonora, é visceral. Segundo o autor, sua poesia é uma arma. “Esse CD foi pensado como uma forma de combater essas várias mortes que vamos tendo: a moral, afetiva, psicológica, cultural, social, religiosa e a física. Esse é o projeto do racismo e já que é esse, a poesia é uma arma de luta pela vida”, afirma Giovani.

“Mas Candomblé é religião que cultiva a natureza. Xangô é o orixá que guia minha cabeça. Na defesa de Exú eu vou me rebelar.Titanic foi pro mar, mas não falou com Iemanjá…Afundou!” (Poesia “A verdade”)

Giovane Lima da Silva é um sobrevivente. A banda de pagode na qual cantava em 1998 não contemplou toda a verve poética que precisava gritar e escancarar as realidades. Hoje ele diz: “Sobrevivente é o nome de todo homem negro e mulher negra que está vivo, já que o projeto do racismo é a morte”. Dentre os que o influenciam, nomes como Landê Onawalê, José Carlos Limeira, Hamilton Borges, Fabiana Lima (Resistência Poética). Giovane tem umas 20 poesias que ainda não foram recitadas, estão aguardando “o tempo certo”, diz ele. Enquanto isso, ele planeja e executa alguns projetos em Salvador, paralelo à sua profissão de agente comunitário de saúde. Está gravando o clipe de “Melanina” (produzido por: Marcão dois H, Junior e a Coisa Forte Produções) e quer gravar novo CD de poesias. Um livro, talvez? “Não, CD”, é enfático.

“O CD chega mais rápido em quem precisa ser tocado. A oportunidade de adquirir é maior. Mais do que um CD de poesia, é um posicionamento político que chega às casas das pessoas antes da bala. Isso é uma forma de fazer movimento negro, pois quando o estado chega na comunidade é com a Polícia ou com o carro do lixo, quando passa. Precisamos – o mais rápido possível – levar essa informação, no dia a dia. A militância tem q ser feita 24h, sem glamour. É nossa obrigação fazer enfrentamento, pois o racismo é a morte, então temos que lutar pela vida. Até porque defunto não escreve, não entra em estúdio nem em faculdade”, dispara Giovani Sobrevivente.

Quer acompanhar as produções de Giovani? Se inscreve no canal da Coisa Forte Produções, no Youtube!

 

O CD Melanina é um trabalho de muitas mãos:

01 – Encruzilhada (Giovane Sobrevivente)

Participações: Valdina Pinto, DJ Leandro, Cleber da Paixão e Sotéro

02 – De volta pro Quilombo  (Giovane Sobrevivente)

Introdução: Alpha Petulay / Gravação: Edson Chiquinho.

03 – Um sonho (Giovane Sobrevivente )

Participações : Cosme OnanWalê, Cida Reis e Mia Lopes Paulo Pinheiro

04 – Devolva a perna do Saci  (Giovane Sobrevivente)

Participações: Jorge Conceição e Cleber da Paixão

05 – Desempregado (Giovane Sobrevivente)

06 – Tia Anastácia  (Giovane Sobrevivente)

Trilha sonora: Sítio do Picapau Amarelo da música de Gilberto Gil

07 – A verdade  (Giovane Sobrevivente)

Participação:  Rita Braz

08 – É carnaval   (Giovane Sobrevivente)

Participação: Geovan Bantu/ violão: Adilson Mãoza / áudio retirado da última entrevista de Jorge Lafon no programa Rede TV.

09 – Sou negro (Giovane Sobrevivente)

Depoimento da Socióloga Vilma Reis na CPI da Câmara Federal que apura a violência urbana.

10 – Homem Branco (Giovane Sobrevivente)

Participações : Brenda Nayla e Leo Souza

11 – Contas Brancas (Giovane Sobrevivente)

Participações : Dj Leandro e Cleber da Paixão

12 – Na roda (Giovane Sobrevivente)

13 – 13 pretos (Giovane Sobrevivente)

14 – Melanina (Giovane Sobrevivente)

Ficha Técnica

Baixo, bateria, guitarra e teclado (César Matos)

Trompete (Flávio Santos)

Gravação, masterização e mixagem (Saulo Leal)

Gravação e masterização de voz (Diego 157)

Participações: Adilson Mãoza, Yogi NKrumah, Geanderson  Silva

Produção Executiva: Giovane Sobrevivente, Coisa Forte Produções e FreedomsoulRec

Gravado por Diego 157, Mr.Armeng e Dj Leandro

Masterização e Mixagem: DJ Leandro e Diego 157

Capa e Design Edivaldo Neto ( C DOZE) Fotografia – Pereira Fotos

Instituto de Mídia Étnica realiza Semana Nacional de Democratização da Comunicação


whatsapp-image-2016-10-17-at-10-18-32Entre 19 e 22 de outubro, o Instituto Mídia Étnica celebrará seus 11 anos denegrindo a mídia com a Semana Nacional de Democratização da Comunicação 2016, uma programação que trará rodas de diálogo sobre as Políticas de Comunicação, o Marco Civil da Internet e a inclusão da temática étnico-racial e dos direitos humanos na formação do comunicador, além de oficinas sobre Fotoetnografia, Vídeo Reportagem, Educomunicação, entre outros temas. Tudo acontece na sede do Instituto, no bairro do Dois de Julho.

A abertura será no dia 19 de outubro, às 19h, com a Roda de Diálogos “Comunicação e Educação: racismo e direitos humanos na formação do comunicador”, com a jornalista e professora mestre Ceres Santos (Uneb) e a também jornalista, fotógrafa e professora doutora Márcia Guena, diretora do Departamento de Ciências Humanas da Uneb, Campus Juazeiro. Além da roda de diálogos, ambas também ministrarão oficinas: Márcia Guena de Fotoetnografia e Ceres Santos de Educomunicação.

No dia 20 de outubro, também às 19h, uma mesa reunirá jornalistas negras que tiveram a experiência de conhecer veículos negros nos Estados Unidos, por meio de intercâmbios. Estará presente Camilla de Moraes, da Revista Acho Digno, que recentemente esteve em Nova Iorque, graças ao projeto Identidades Transatlânticas. Já Alane Reis, da Revista Afirmativa, e Cristiana Fernandes, da TV Pelourinho, foram contempladas no Intercâmbio promovido pelo Consulado dos Estados Unidos no Brasil, em parceria com o Instituto Mídia Étnica, que proporcionou uma viagem a Atlanta, em 2015, com o mesmo intuito. Para inscrição gratuita nas oficinas, basta enviar um email para [email protected].

Foto: Jamile Coelho
Foto: Jamile Coelho

Veículos Negros da Bahia

Já no dia 21 de outubro, que marca o aniversário de 11 anos de fundação do Instituto Mídia Étnica, a temática central serão as Políticas de Comunicação, as mobilizações pela Democratização da Mídia e as experiências de veículos negros em Salvador. Pela tarde, das 14h às 18h, o jornalista e doutorando da Universidade de Brasília Pedro Caribé ministrará uma oficina sobre o Marco Civil da Internet.

No mesmo dia, a partir das 19h, haverá uma mesa de diálogos sobre resistência e sustentabilidade de veículos negros com representantes de três linguagens da Comunicação: Dj Branco do programa de rádio Evolução Hip Hop (Educadora FM); Ivana Sena da revista impressa Quilombo; Jamile Menezes do Portal de Notícias SoteroPreta, exclusivo sobre cultura negra de Salvador; e Heraldo de Deus Borges do canal de youtube Ouriçados, que também integra o NegrXs Digitais, grupo que tem discutido a produção de conteúdo para web por realizadores negros e negras. 

Imprensa negra na diáspora 

Encerrando a Semana de Democratização da Comunicação do Mídia Étnica, acontece no sábado, 22 de outubro, das 9h às 12h, a última aula da Formação em Mídia Étnica, curso de Jornalismo e Relações Raciais. O tema será “Imprensa Negra no Brasil e na Diáspora” e contará com um hangout reunindo a professora doutora Ana Flávia Magalhães, pesquisadora sobre a história da imprensa negra brasileira; Fabien Anthony, do portal AfroEstilo da Colômbia, e David Wilson, do The Grio, dos Estados Unidos. Confira aqui toda programação.

Abertas as inscrições para a 38º Noite da Beleza Negra do Ilê Aiyê


Foto: Fafá Araújo
Foto: Fafá Araújo

As inscrições para a 38ª Noite da Beleza Negra do Ilê Aiyê estão abertas até o dia 09 de janeiro de 2017. As candidatas, que devem ter entre 18 e 30 anos, podem se inscrever através do site do bloco (www.ileaiyeoficial.com) ou presencialmente na Senzala do Barro Preto, sede do Ilê (Ladeira do Curuzu), de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h30 e das 14h às 17h30. Tanto virtualmente quanto presencialmente é necessário o envio de uma foto que pode ser de corpo inteiro ou 3×4, porém não são aceitas fotos em trajes de praia ou roupa íntima.

A pré-seleção irá acontecer no dia 10 de janeiro, às 18 horas, na Senzala do Barro Preto. Já a grande Noite da Beleza Negra, quando será eleita a nova Rainha do Ilê Aiyê, será no dia 04 de fevereiro, com show da Band’aiyê e convidados.

A festa é uma celebração de exaltação à beleza da mulher negra, onde é escolhida a Deusa do Ébano, que vai reinar à frente do bloco durante todo o ano, principalmente no carnaval. A Rainha do Ilê representa a entidade em eventos sociais e participa de viagens e turnês, acompanhando o Ilê, dentro e fora do Brasil.  Além disso, tem a missão de levar ao público a consciência sobre ser mulher negra e valorizar as suas conquistas na sociedade. O tema do Ilê para o Carnaval 2017 é “Os povos ewé\fon. A influência dos povos Jeje para os afrodescendentes”.

O Concurso 

A Noite da Beleza Negra do Ilê Aiyê é hoje o maior concurso de beleza e exaltação da mulher negra no Brasil. Nele, desde 1975, o Ilê Aiyê elege a Deusa do Ébano (Rainha do Ilê), que tem a missão de levar ao público todo encanto e consciência que a mulher negra necessita para elevar sua auto-estima e censo crítico. Um dos maiores objetivos da Associação Cultural Ilê Aiyê é sedimentar a auto-estima na comunidade negra de Salvador e propagar a cultura afro-baiana para os mais diversos pontos do mundo. Na Noite da Beleza Negra, o Ilê faz isso com o foco direcionado para a mulher negra.

As finalistas precisam atender aos requisitos de beleza, atitude, aptidão para dança afro e conhecimento sobre a história do Ilê Aiyê e do povo negro na Bahia.

 

Inscrições Deusa do Ébano 2017

Período: segunda a sexta, das 8h às 11h30 e das 14h às 17h30;

Local: Senzala do Barro Preto, Curuzu, Liberdade (Senzala do Barro Preto) ou www.ileaiyeoficial.com

Condições: ter entre 18 e 30 anos / Levar fotografia 3 por 4 ou corpo inteiro, exceto em trajes de praia ou roupa íntima;

Informações: 2103-3401 / [email protected]

“As Feministas de Muzenza” volta em cartaz no Teatro SESI Rio Vermelho


Foto: Diney Araújo
Foto: Diney Araújo

Volta em cartaz todas as sextas de outubro, sempre às 20h, no Teatro SESI Rio Vermelho com ingressos a R$30 e R$15, o consagrado espetáculo da CIA. Gente de Teatro da Bahia “As feministas de Muzenza – Uma Comédia Afro-Baiana”.

A peça, que estreou em 2003 e sempre que retorna a cartaz é sucesso de público, traz em seu enredo a tentativa de várias mulheres em criar um movimento feminista a fim de enfatizar o comportamento machista no progresso turístico da Cidade de Muzenza.

Nasce daí o “Movimento Feminista de Muzenza” (direita), liderado pela antropóloga Maria Amélia, porém o ego fala mais alto, pois percebem na emancipação da cidade a oportunidade de conquistar e defender o “seu” lugar na sociedade de Muzenza. Através das mulheres da “classe baixa”, surgem as divergências de opiniões, gerando um “Contra Movimento” (esquerda), liderado por Norma. Ela é defensora dos homens e militante fervorosa na luta para destruir o “Movimento Feminista de Muzenza”, que tem, equivocadamente, a Igreja como um muro de preservação social.

Foto: Diney Araújo
Foto: Diney Araújo

Companhia – A CIA GENTE DE TEATRO DA BAHIA é uma organização de artistas baianos que, há 20 anos, desenvolve trabalhos diversificados. Reconhecida por realizar um teatro popular comprometido com as causas negras e sociais, a Companhia já participou de diversos eventos locais e nacionais, entre eles o Festival de Teatro de Rua Angra dos Reis (RJ), FIAC- Festival Internacional de Artes Cênicas (BA), Festival de Teatro Negro do Subúrbio de Salvador, FIT Ouro Preto (MG), Palco Giratório SESC, Festival de Teatro Popular do Recife (PE) entre outros.

SERVIÇO

O quê: As Feministas de Muzenza-Uma Comédia Afro-Baiana

Onde: Teatro SESI Rio Vermelho (Rua Borges dos Reis, nº 9 – Rio Vermelho)

Quando: 7 a 28 de outubro (sextas)

Horário: 20h

Quanto: R$: 30 (inteira) e R$15 (meia)

Duração: 1h20

Classificação: 14 anos

Gênero: Comédia

FICHA TÉCNICA

Texto: Cleise Mendes e Aydil Linhares

Adaptação do texto e Direção: Luís Bandeira

Elenco: Clóvis Oliveira, Diogo Teixeira, Jhoilson Oliveira Lázaro Machado, Orlando Martins, Paulo Neri, Raimundo Moura.

Figurino: MadáNegrif

Maquiagem: Diogo Teixeira

Apoio de palco: Kênia Bandeira

Iluminação e sonoplastia: Adelson Feijão e Antônio Kika

Fotografia: Diney Araújo

Programadora Visual: Amanda Nascimento

Apoio Produção: Josi Acosta

Produção Executiva: CIA GENTE DE TEATRO DA BAHIA

 

Coro Oyá Igbalé apresenta o espetáculo “A Paz de Oxalá” no Teatro da Uneb dia 21


downloadO projeto “Coro Oyá Igbalé: Música Sacra de Matriz Africana” do Departamento de Educação (DEDC-I/Uneb) apresentará no dia 21 de outubro o espetáculo musical “A Paz de Oxalá”, com direção de arte de Julice Oliveira (DEDC-I/UNEB) e Francisco Sales (DCH-IV/UNEB). A apresentação é aberta ao público e acontecerá no Teatro da Uneb, no bairro do Cabula, a partir das 16h.

O Coro Oyá Igbalé é formado por estudantes, professores e funcionários da UNEB e membros das Comunidades Tradicionais de Terreiro, executa música sagra do Candomblé e da Umbanda e da MPB, vinculada a estética negra. Nasceu em 2014 e pretende difundir e popularizar a música sacra negra que tem origem nas manifestações religiosas de matriz africana da Bahia. Contempla também as ramificações da cultura canônica (música lírica) e popular nas vertentes musicais designadas como Samba de Terreiro, Samba de Caboclo e Música Popular da Brasileira com interface com a música do candomblé.

O Espetáculo A Paz de Oxalá é um convite para que a comunidade acadêmica da UNEB e a sociedade civil tenham acesso a uma proposta inovadora que defende o reconhecimento da música sacra de matriz negra como bem cultural e obra de arte. Como expressão da identidade do povo baiano.

 

“Lendo Mulheres negras” de outubro será sobre escritora Chimamanda Adichie


bn-id265_wolfe_12s_20150428134615Quantas autoras negras você conhece? Com esta indagação, mulheres se encontrarão toda última sexta-feira de cada mês no Centro de Estudos Afro Orientais (Ceao), Dois de Julho, para ler e discutir obras de autoras negras. O próximo encontro será no dia 21 de outubro, a partir das 17h e terá como tema o livro “Sejamos todos feministas” da escritora nigeriana Chimamanda Adichie. A atividade é aberta ao público.

Os encontros literários visam refletir sobre a exclusão das mulheres negras de vários espaços sociais, políticos, culturais, e também na literatura. Será abordado, a partir de leituras diversas, o cenário de esquecimento e invisibilidade de autoras negras, com o propósito de resgatar e conhecer a vasta produção dessas mulheres.

A autora

Chimamanda Ngozi Adichie é reconhecida como uma das mais importantes jovens autoras anglófonas que está tendo sucesso em atrair uma nova geração de leitores de literatura africana. Em seu célebre discurso no TED Talk em 2012, Adichie compartilhou sua experiência enquanto feminista africana e falou de gênero e sexualidade. “Eu estou com raiva. A construção de gênero do modo como funciona atualmente é uma grave injustiça. Todos nós deveríamos estar com raiva. Esse sentimento, a raiva, é importante historicamente para as transformações sociais positivas, mas além de estar com raiva eu também estou esperançosa, porque eu acredito profundamente na habilidade dos humanos de se reiventarem e se tornarem melhores”, ela disse.

Manuela Rodrigues apresenta seu 3º CD “Se a canção mudasse tudo…”


“Se a canção mudasse tudo”…

Reticências musicais, pois este é o intento da compositora e cantora Manuela Rodrigues com seu novo álbum que leva este título. Na noite deste sábado (15), ela levou o show para a Commons, no Rio Vermelho, em um ambiente intimista, próximo, que embalou os presentes, fazendo-os pedir mais e mais. O álbum foi um dos patrocinados pelo edital Natura Musical de 2015, mais uma das conquistas de Manuela.

Ela já ganhou o Troféu Caymmi de Música, o Festival de Música da Rádio Educadora e o Prêmio Braskem de Cultura e Arte. Com seu terceiro CD “Se a canção mudasse tudo”, ela traz mais verdades. “São musicas que vim fazendo num processo de composição muito intenso. É um disco pós maternidade, então, é muito afetivo, fala de seu lugar no mundo, as músicas nas pessoas, quem é você, suas origens – que aparece em muitas faixas”, explica. Quanto à sonoridade, também tem mudanças. “Diferente do último (“Uma outra qualquer por aí”), este CD é muito mais profissional, com muito mais cuidados, com vários produtores, mais limpo musicalmente”.

O titulo é aberto, pode ser qualquer coisa e vem de uma frase da canção “Ventre”, que diz a poesia que o CD pretende ser. Dentre as 14 faixas, a canção “Lista” se destaca para Manuela. “Ela é meio caótica, uma lista de coisas não organizadas, mutável, que resume este momento”. O foco agora é circular mais em outros municípios, por exemplo, Rio de Janeiro, pra onde ela vai em novembro divulgar o trabalho. “Se a canção mudasse tudo…mudaria este momento pelo que o país está passando, eu colocaria mais arte no mundo. O título propõe esse mergulho mesmo e esta situação é o que mais me preocupa, espero que achemos essa forma de mobilização para mudar o que ta aí”, completa Manuela, dando uma possibilidade à proposta do título de seu terceiro CD.

Para ouvir, baixar, é só clicar aqui.

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Fotos:Jamile Menezes

Seminário abordará o tema “Afro-Empreendedorismo e Comunicação” nesta quarta (19)


afroempreNesta quarta (19), a sede da OAB em Salvador (Piedade) receberá o seminário de abertura do Projeto Mulheres Negras Empreendedoras: Do Tabuleiro Ancestral à Contemporaneidade, contemplado pelo Edital Agosto da Igualdade da SEPROMI no eixo Desenvolvimento/Empreendedorismo Negro. O tema será “Afro-Empreendedorismo e Comunicação”, a partir das 18h e é aberto ao público.

Com o tema ‘De ESCRAVAS GANHADEIRAS À NEGRAS EMPREENDEDORAS’, o evento se propõe a fortalecer o debate sobre a importância de garantir a sustentabilidade para as mulheres negras empreendedoras da cidade. O objetivo do Projeto Mulheres Negras Empreendedoras – Do Tabuleiro Ancestral à Contemporaneidade é qualificar 50 empreendedoras negras de três Territórios de Identidade: Salvador e Região Metropolitana, Recôncavo e Sisal, através de noções básicas do universo da comunicação visual.

Serão compartilhadas noções de criação de suas próprias marcas, manutenção de páginas nas redes sociais e criação de site/blog para divulgação de seus produtos, feiras, seminários, intercâmbio de ideias, etc.

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Foto: Adelmir Borges (Espaço Colaborativo da Tacho&Dendê)

“Criminologia Crítica e questão racial” é tema de debate na UCSAL nesta quarta (19)


O Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Violências, Democracia, Controle Social e Cidadania (Ucsal) realiza no dia 19 (quarta-feira), às 19h, a Mesa Redonda “Criminologia Crítica e questão racial”, coordenada pela Profª Drª Márcia Esteves de Calazans. O debate, que acontecerá no Espaço cultural do Campus da Federação,  integra a 19º Semana de Mobilização Científica (Secmoc) da Universidade Católica do Salvador.

A proposta é discutir a questão racial no Brasil, na perspectiva da criminologia crítica, e dialogar com autores como Franz Fanon para pensar a liberdade, a alienação colonial e a diáspora africana. Na mesa estarão, com mediação de Julie Sarah Lourau (NEVIDE):

Bianca Santos
Bianca Santos

Bianca Santos (NEVIDE/UCSal)

Graduanda em Direito pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL). Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Violências, Democracia, Controle Social e Cidadania junto ao Programa de Pós-Graduação de Políticas Sociais e Cidadania. Pesquisadora no Observatório da Prática Penal da Escola Superior da Defensoria Pública da Bahia (ESDEP).

TITULO DA PALESTRA: Política sobre Drogas, Racismo e a Seletividade Penal.

Camila Prando
Camila Prando

Camila Prando (UNB)

Possui graduação em Direito pela Universidade Federal do Paraná (2000), mestrado em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (2003), doutorado em Direito penal Universidade Federal de Santa Catarina (2012), tendo realizado estágio doutoral (2010) no Departamento de História e Teoria do Direito da Università degli Studi di Firenze (UNIFI). Atualmente é professora adjunta de direito penal da Universidade de Brasília e tutora do PET do Curso de Direito. Realiza pesquisa com foco em Criminologia, História do Direito e do Controle Penal, Dogmática Penal Crítica.

TÍTULO DA PALESTRA: A Apropriação da Criminologia Critica no Brasil: Poder e Branquidade

dandaraDandara Pinho (OAB-BA)

Possui graduação em Direito pela Faculdade Social da Bahia (2011.2). Atualmente é advogada e consultora jurídica – Caldas e Pinho – Advocacia e consultoria. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direitos Humanos, atuando principalmente nos seguintes temas: assédio moral, telemarketing, racismo institucional, racismo religioso, trabalho doméstico, violência domestico familiar, povos tradicionais, indígenas e quilombolas. Desde agosto/2015 está Presidente da Comissão de Promoção a Igualdade Racial da OAB/BA

Denise Carrascosa (UFBA)

Professora Adjunta do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia (Departamento de Letras Germânicas). Bacharel em Letras com ênfase em Tradução pela Universidade Salvador e Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da UFBA. Mestre e Doutora em Teorias e Crítica da Literatura e da Cultura pelo Instituto de Letras da UFBA.

Evandro Piza
Evandro Piza

Evandro Piza (UNB)

Possui Graduação em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (1993), Mestrado em Direito pela UFSC (1998) e Doutorado em Direito pela Universidade Nacional de Brasília (UnB). Atualmente é Professor na Universidade de Brasília UnB de Direito Penal, Processo Penal e Criminologia. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Ciências Criminais, atuando principalmente nos seguintes temas: Criminologia Crítica e Desigualdade no Sistema da Justiça Criminal; Processo Penal, Impacto das Novas Tecnologias de Comunicação e Direitos Fundamentais; Princípio da Igualdade, Relações Raciais e Políticas de Ação Afirmativa.

TÍTULO DA PALESTRA: Criminologia e Racismo


gimeGimerson Roque (UESB/UNEB)

Cientista Social pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (2013). Tem experiência na área de Antropologia, atuando principalmente nos seguintes temas: masculinidades negras, identidades, gênero, negritude, contemporaneidade, e raça. Mestre em Relações Étnicas e contemporaneidade pelo ODEERE – PPGREC/UESB (2016) na Linha de pesquisa Etnias, Gênero e Diversidade sexual. Membro do Grupo de Pesquisa CANDACE-UNEB

TITULO DA PALESTRA: Cartografia subjetiva e representações de masculindades.

Espaço Colaborativo de empreendedores integra programação do Inema até fim do mês


tachoedendeO Tacho & Dendê – Espaço Colaborativo integrará programação em homenagem ao Outubro Rosa (17 a 21/10) e o dia Servidor Publico (24 a 27/10), no Centro Administrativo da Bahia (CAB). Nestes períodos, o público poderá encontrar, no Espaço, o melhor em gastronomia, moda, artesanato, acessórios, serviços e entretenimento. O Espaço – que unirá 30 empreendedores de setores diferenciados funcionará no Inema  (próximo entrada de Sussuarana), das 8h30h às 18h.

Coordenado pela empreendedora, Milla Costa, o Tacho & Dendê – Espaço Colaborativo é uma pratica comercial que viabiliza o acesso a bens e serviços sem haver, necessariamente, a aquisição ou troca monetária entre as partes envolvidas. “Esse movimento, totalmente coletivo, pode proporcionar um impacto social e oferecer diversas possibilidades de lucros para negócios menores”, explica Milla. Ela percebeu que os negócios colaborativos fazem parte de um novo modelo econômico, que valoriza a colaboração e a criação compartilhada de valores. “O empreendimento busca valorizar projetos que sejam mais sociais, transparentes e inclusivos, propondo a divisão do mesmo ambiente com seguimentos diferentes”, explica.

Dentre os empreendedores, estarão as marcas Tacho & Dendê, Faiya Turbantes, NE Utilidades, Adynkra, Baiana Bela, Preta Adorno, Doce Maria, Sabores Docinho & Docinho, dentre outros. O Espaço da Taccho & Dendê integrou o lançamento do Portal SoteroPreta no último dia 10 (foto).

Foto: Lissandra Pedreira
Foto: Lissandra Pedreira
Foto: Lissandra Pedreira
Foto: Lissandra Pedreira