Escritora lança livro infantil “PRETINHA DE ÉBANO” na Flica


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Imagine contar para a sua filha ou filho antes de dormir, histórias que tenham a ver com a sua realidade, que não se passem em um reino tão, tão distante? Lendas com as quais as crianças se identifiquem e se sintam representadas. Assim é o livro “Pretinha de Ébano”, de autoria de Kalypsa Brito, que será lançado na Festa Literária de Cachoeira – Flica, esta sexta (14), às 18h.

Kalypsa Brito é educadora, escritora, militante dos movimentos sociais com ênfase em reforma agrária, gênero e relações étnico-raciais, e mãe de Dara uma garotinha de 5 anos que a estimula nestas incursões pelo universo da literatura infantil.

Segundo a autora, o livro ‘Pretinha de Ébano’ surgiu da necessidade de dar voz às narrativas do povo negro, como são tratadas suas crenças, sua organização familiar, seus ofícios. O que ouve uma criança negra sobre seus trajes, sua pele, seus cabelos? Quais saberes a educação formal elege como prioritários para sua formação? São algumas das indagações da autora.

“Pretinha de Ébano” é a forma carinhosa com a qual a mãe da personagem Luíza Mahim a apelidou. Pretinha assume o lugar da narrativa na história e nos revela seu olhar acerca do seu lugar como criança negra do bairro da Liberdade na cidade de Salvador”,diz.

Bio
Mestre em Educação pela Udel Mar- Chile (2014), Kalypsa possui graduação em Pedagogia com Habilitação em Educação Infantil e Magistério para Séries Iniciais pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB (2004). Atuou como mobilizadora social e educadora popular da Rede Nacional de Educação Popular/Talher-Fome Zero/ Talher-UNEB e posteriormente na Rede de educação Cidadã como Educadora Popular pelo Instituto Paulo Freire (2005-2006). Em 2012 publicou seu primeiro livro infantil tendo como cenário a Chapada Diamantina : A Fada Dia & o Duende Mante. Em 2016 publica o segundo livro denominado Pretinha de Ebano.

Texto: Dira Verdiano

Professora trabalha representatividade negra e educação antiracista em escola municipal


gleice2Dar referências a crianças negras em uma fase essencial à formação de suas personalidades: nas primeiras séries de sua escolarização. Esse é o objetivo do projeto “Representatividade Negra”, da professora Gleice Pinto, que ensina na Escola Municipal Sóror Joana Angélica (Nazaré) e vem desenvolvendo ações educativas antiracistas em seu projeto pedagógico. Para esta quinta (13), a professora convidou o escritor Davi Nunes, que lançará seu livro “Bucala: a princesa do quilombo do Cabula”.

Esse será o segundo lançamento de livro na escola, cuja história traz a subjetividade e autoria negras para servir de referencial às crianças. O primeiro foi “A Lua Cheia de Vento”, da escritora Mel Adún, editora Oguns Toques. O projeto tem quatro campos de atuação: lançamento de livros infantis com escritores negros e negras; empréstimo de bonecas negras – as crianças levam as bonecas para casa e devolvem no dia seguinte. “A ideia é sensibilizar as crianças em relação ao corpo negro, percebendo a necessidade de cuidado e carinho, além de enternecê-las com nossa história”, explica Gleice.

Além disso, o projeto promove doações de bonecas negras customizadas. A última entrega, inclusive, foi feita no Dia das Crianças. A quarta linha de atuação do projeto de Gleice é estender o empréstimo destas bonecas a outras escolas e municípios. Segundo Gleice, cinco delas já estão indo para Mata de São João, por exemplo, onde outra professora fará a mesma ação junto a seus alunos. Gleice foi uma das homenageadas da segunda edição do prêmio “Elas fazem a diferença: Mulheres Negras e suas Comunidades”, realizado em julho pelo Fundo Municipal para o Desenvolvimento Humano e Inclusão Educacional de Mulheres Afrodescendentes (FIEMA). O prêmio homenageou iniciativas de professoras da Rede Municipal que objetivem a inclusão e a construção política.

gleice3“O projeto é feito com recursos próprios e, às vezes, com alguma doação de apoiadores. Em minha sala de aula, trabalho com princesas e príncipes negros africanos, já usei o livro “Boi Multicor”, de Jorge Conceição, tivemos a mestra em Teoria e Crítica da Literatura e da Cultura, Jovina Souza, que também é poeta e escritora do livro de poesia “Agda”, formando os professores sobre a lei 10.639. Recebemos o griot Augusto Cardoso, de Guiné Bissau – da etnia dos Bijagós-  e também já tivemos oficina com o rapper Mr. Armeng, dentre outras ações”, relata Gleice. Além de atuar na formação e conscientização das crianças, o projeto busca apoiar os escritores e escritoras negras em suas publicações. “Quando compro os livros, eles vão e divulgam o trabalho e cavam espaços”, diz.

gleice4Em novembro – Mês da Consciência Negra -, o projeto se intensifica e, este ano, já está sendo programado pela professora um trabalho voltado para a descoberta e estudo de inventores negros. O objetivo é mostrar que o protagonismo negro vai além do campo da Cultura. “Estamos pesquisando algumas tecnologias que usamos no dia a dia, que sabemos que foram inventos de homens e mulheres negras. A ideia é mostrar o invento e contextualizar com a história do inventor, africanos, americanos, brasileiros e outros negros e negras”, explica.

Quer ajudar?

Quem quiser pode doar bonecas negras, de cabelo black, livros sobre a cultura negra, jogos de origem africana, instrumentos musicais. “Também convidamos profissionais  de diferentes áreas para falar às crianças sobre seus trabalhos. Queremos que elas conheçam médicas, jornalistas, advogadas e médicos negro e negras e os tenham como referências”, convida Gleice Pinto.

Contatos: Gleice Pinto [email protected] | (71) 99235-4964

 

 

Danielle Anatólio: uma história de Águas, Ventos, Matriarcas e exemplos


WhatsApp Image 2016-09-05 at 5.11.16 PMEla é mineira, da Vila Suzana, primeira filha de Glória e Daniel, neta de Ercília, espiritualista que admira o Candomblé e as Irmandades do Rosário. É atriz, terapeuta reikiana, mestranda em Artes Cênicas pela UNIRIO e hoje mora no Rio de Janeiro. O sotaque ainda revela sua naturalidade, mas suas iniciativas profissionais, suas experiências de vida e planos para o futuro legam a Salvador um cabedal de histórias e de expectativas.

Estamos falando de Danielle Anatólio, a Flor de Lótus que encantou centenas de mulheres – e homens também – com sua performance homônima, encenada entre os meses de julho e agosto, em Salvador. Danielle é guiada pelas Águas e pelo Vento, como ela mesma diz; guerreira incansável, desbravadora mas, ao mesmo tempo, muito sensível, que gosta de gente, movimento e que ainda acredita no ser humano. Ela pode ter tido muitos motivos, quando criança e adolescente, para pensar diferente. Sua estética sempre foi daquelas que geram olhares e comentários. Uma mulher grande, de corpo negro fora dos “padrões”, um corpo que não conhecia e que, por isso, a fez recuar muitas vezes diante das agressivas insinuações de homens em seus caminhos. Mas ela sempre teve uma inspiração: vó Ercília, uma lavadeira mineira que a ensinou sobre gratidão. “Faça chuva, faça Sol vamos plantar e vamos agradecer… uma hora a colheita é certa!”, Danielle ouvia.

“A resiliência da minha avó nas enchentes, quando perdia as coisas e ainda assim conseguia levantar a cabeça e seguir em frente sorrindo. Isso foi uma grande aula para meu amadurecimento!”

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Foto: Lis Pedreira

A primeira neta de D. Ercília aprendeu a ser adulta ainda muito nova, a lidar com casa alagada todo fim de ano, com a ausência do pai Daniel, assassinado antes dela ecoar seu primeiro choro. O racismo na escola a testou por muito tempo a acreditar e ver beleza em si mesma, uma luta diária que muitas jovens negras ainda passam hoje. Mas os tempos são outros, muita munição já lhes foi e ainda é dada para serem maiores que o racismo.

Mulheres como Danielle pavimentaram esse caminho de descobertas e a influenciaram em suas buscas. Ariana – ou “Satanáries” como a amiga Carla Akotirene a chama nas redes sociais -, encontrou seu lugar na Arte, em especial no Teatro. Foi como arte-educadora que ela conseguiu acreditar em seu “poder, inteligência, beleza e magnitude”. Aos 19 anos começou a formar outras mentes, lecionando Teatro, coordenando o pré-vestibular comunitário Educafro Minas e se descobrindo enquanto mulher e negra.

No rol das inspirações tem nada menos que Ruth de Souza, Léa Garcia e Chica Xavier, nas quais se vê, e Lázaro Ramos, exemplo de inteligência e profissionalismo para Danielle. As letras negras de Conceição Evaristo a emocionam e, na música, Maria Bethânia, Legião Urbana, Jovelina Pérola Negra, Zé Ramalho e Mateus Aleluia a transformam. Essa parte merece destaque: “Estamos no caos e, às vezes, é realmente difícil manter a fé viva. É nessa hora que o poder de transformação tem que entrar em cena e nos impulsionar para onde quer que queiramos ir.”

E não é? O caos está aí, mas Danielle Anatólio é guiada pelas Águas e pelos Ventos, lembram? Ela quer deixar um legado: o exemplo de alguém que “foi à luta, rompeu com a correnteza, mas alcançou o objetivo”. Foi desacreditada, como muitas, e hoje ela tem a sala de aula e o palco onde pode dar seu recado às crianças e jovens, que é esse: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”. ” Aprendi desde cedo que é consigo mesmo que tudo se inicia e é entre os nossos que deve ser feita a transformação, porque “a revolução começa em casa”, conclui.

Conheça aqui sua mais recente iniciativa: a “Vivência de Auto gestão do corpo feminino”, realizada em Salvador em agosto e que pretende voltar em novembro.

Comunidade negra tem, a partir de hoje, portal exclusivo para cobertura de temas culturais


jamilecoelho-15Faltava apenas dez minutos para começar a última apresentação de Lótus e o Teatro Vila Velha estava repleto de pessoas negras para assistir ali um espetáculo encenado e produzido por mulheres também negras. Havia naquele dia, uma série de critérios e valores que demonstravam que a performance da atriz e bailarina Danielle Anatólio, tinha valor objetivo e subjetivo para ser pauta de cobertura jornalística da mídia. Mas nenhum veículo de comunicação baiano apareceu.

A partir de hoje isso mudou. Mudou porque a jornalista Jamile Menezes arregaçou as mangas e suspendeu a barra da saia para lançar na noite de segunda-feira (10), o primeiro portal de notícias que prioriza a visibilidade da produção cultural da comunidade negra de Salvador, o SOTEROPRETA.

No auditório do Centro de Estudos Afro-Orientais – CEAO, da Universidade Federal da Bahia, mais de 100 pessoas estiveram reunidas nessa noite para conhecer de perto o portal de notícias que vai dar a visibilidade jornalística que a cultura negra soteropolitana tem produzido e gerado nos últimos anos e na atualidade.

jamilecoelho-18Quem “abriu os trabalhos” da noite, foi a Ialorixá Jaciara do Terreiro Abassá de Ogum, em Itapuã, que falou sobre a importância da comunicação e dos caminhos iluminados que Jamile vislumbrou ao criar o portal, trazendo em sua fala a referência à apropriação das mulheres nas diversas áreas da produção humana. “O uso da palavra SoteroPreta e não SoteroPreto já demonstra como é importante entender o poder feminino dentro de nossa sociedade”, destacou.

O lançamento contou ainda com a fala de autoridades políticas e institucionais, entre elas a do arquiteto e diretor da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, Zulu Araújo, que não deixou passar despercebida a atual situação política no Brasil. “Jamile está de parabéns pela coragem de estabelecer novas formas de comunicação, especialmente nesse momento em que a linguagem é tão importante na disputa de poder”.

img_2602Em se tratando de um portal de notícias afroculturais, não poderia faltar a presença cultural no lançamento, que ficou a cargo das apresentações da jovem cantora Ayana Amorim e da performance da transformista, Luana Lins. Para abrilhantar ainda mais o lançamento e seguir a linha defendida por Jamile Menezes e que guiará a publicidade do portal, foi montado no espaço do CEAO o Espaço Colaborativo da Tacho & Dendêcom as marcas Adynkra, Quilombos&Flores, Casa da Nêga, Oro Mi Maio, Chato&Chata e Moda Étnica. Teve ainda coquetel com a Sabores Docinhos Docinhos e Pizzará. Confere mais fotos na Fanpage SoteroPreta!

Texto de Juliana Dias

Fotos: Jamile Coelho/Estandarte Produções

Coletivo N realiza Oficinas de Qualificação Artística para Grandes Espetáculos


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Coletivo Criativo N.- empresas de entretenimento e produção cultural coordenadas pelo diretor artístico e roteirista Elísio Lopes Jr, realizam de 21 a 23 de outubro, o Projeto de Qualificação Artística para Grandes espetáculos, que propõe oficinas de formação em diferentes áreas que compõem espetáculos, em sintonia com as mais modernas tecnologias do palco.

Esse projeto de qualificação baseia-se no processo criativo de grandes espetáculos a partir da metodologia colaborativa do Coletivo Criativo N. Cada área de atuação criativa terá nessa primeira edição, uma turma com apenas 10 vagas por linguagem e área de atuação. As oficinas terão duração de 12h cada, com emissão de certificados, e serão distribuídas entre turmas matutinas (8h às 12h) e vespertinas (14h às 18h), com exceção da aula coletiva que acontecerá na sexta-feira (21), de 18h às 21h.

As aulas acontecem na Casa N. (Sede do Coletivo) e serão trocas de experiências entre os 15 artistas do coletivo e profissionais do mercado da comunicação, das artes de todas as linguagens e do entretenimento em geral, que desejem aprofundar seus conhecimentos na criação, e realização de grandes espetáculos, e projetos culturais.

As turmas de qualificação estão assim organizadas:

  1. OFICINA DE ROTEIRO PARA EVENTOS E ESPETÁCULOS

Facilitador: Elísio Lopes Jr

  1. OFICINA DE CENOGRAFIA

Facilitadora: Renata Mota

  1. OFICINA DE PRODUÇÃO ARTISTICA

Facilitadora: Clarissa Torres

  1.  OFICINA DE TRILHA SONORA E DIREÇÃO MUSICAL

Facilitador: Jarbas Bittencourt

  1. OFICINA DE FOTOGRAFIA

FACILITADOR: Fábio Bouzas

  1. OFICINA DE DIREÇÃO CÊNICA

Facilitador: Elísio Lopes Jr

  1. OFICINA DE PRODUÇÃO DE MODA

Facilitadora: Carine Cedraschi

  1.  OFICINA DE MESTRE DE CERIMÔNIAS

Facilitadora: Clarissa Torres

 Cada oficina tem o valor de R$150,00. As vagas só estarão garantidas a partir do preenchimento da ficha de inscrição e pagamento do valor de inscrição.

O COLETIVO CRIATIVO N.

A partir da união de 15 profissionais da área artística com expertises de diferentes linguagens, surgiu o Coletivo Criativo N. Em seus três anos de formação esse coletivo de artistas tem realizado grandes espetáculos, tendo como característica a multilinguagem. Música, teatro, dança, vídeo, efeitos cênicos, tudo se mistura em cena nas produções desse coletivo.

Espetáculos e projetos como o Festival Eu sou a Concha – reinauguração da Concha Acústica 2016, Concerto Pérolas mistas de Carlinhos Brown, a Noite da Beleza Negra 2014, 2015, 2016, o Troféu Dodô e Osmar 2014, 2015 e 2016, o Prêmio Braskem de Teatro 2016, Espetáculo de Natal do Hospital Martagão Gesteira com Ivete Sangalo e Orquestra Neojiba, a Comenda do Mérito Cultural 2014, entre outros.

 

“Obsessiva Dantesca”, solo de Laís Machado, estará na Saladearte do Cinema do Museu


obsessivadantesca_porizabellavalverde-75A atriz Laís Machado apresenta, no dia 16 de outubro, na Sala de Arte Cinema do Museu (Corredor da Vitória), seu trabalho “Obsessiva Dantesca”, criação e atuação da própria atriz e direção artística de Diego Pinheiro, com direção musical de Andrea Martins. A apresentação será às 19h, comentrada gratuita.

A performance cênico-musical de Laís trata de questões políticas atuais, como racismo e machismo, foi sucesso de público na primeira temporada e agora volta em cartaz em única apresentação, como parte da programação do II Encontro Fronteira Sa[n]grada: Artaud e seu Duplo, realizado pelo Núcleo Viansatã de Teatro Ritual.

 

Criação

Obsessiva Dantesca propõe um espaço de ritualização das obsessões políticas, existenciais e filosóficas da performer e pesquisadora Laís Machado enquanto mulher negra, mesclando duas estruturas estéticas: o show e o rito. A obra busca aglutinar potências femininas a partir da monstruosidade, conjurando a mágica de coisas passadas e presentes e propondo um espaço para extravasar performances do que é ser mulher e negra ontem e hoje. Acima de tudo, “Obsessiva Dantesca foi uma expressão usada para me identificar durante uma brincadeira e, ao perceber que este termo poderia ser aplicado a muitas das minhas irmãs, ganhou um tom sério. Esta persona que me habita, intitulada de Obsessiva Dantesca, é monotemática, militante, violenta, contraditória, feminista, impaciente, indócil, sensível, jocosa, insegura, grotesca, arrogante, diva, escatológica, monstruosa e preta” declara a criadora.

img_5635Segundo ela, o ponto de partida inicial era fazer covers de divas negras que abordaram as questões raciais em suas músicas, mas no decorrer do processo foram nascendo canções inéditas e autorais. Assim, a música se faz presente, realizada ao vivo no palco, convocando o público a uma comunhão com a performer.

A estética afro-futurista permeia o trabalho, que brinca com a relação entre a tradição e a atemporalidade, mas também com o questionamento sobre os velhos estereótipos e clichês em cima das pessoas negras. Em cena, serão abordadas questões políticas atuais, como a fragilização dos direitos conquistados pelas minorias nos últimos meses e retomada da força dos movimentos feministas, naquilo que já se considera uma nova onda. “É um híbrido entre música, performance, teatro, envolvendo a colaboração de muitas mulheres. Uma espécie de performance travestida de show, mas também com os momentos do púlpito, porque existe a demanda da palavra. Um momento de comunhão com as mulheres que estiverem no teatro” explica Laís, que também coloca em cena as questões étnico-raciais, por meio das suas percepções enquanto mulher negra.

Foto: Izabella Valverde
Fotos: Izabella Valverde

FICHA TÉCNICA

Criação e Atuação de Laís Machado

Direção Musical: Andrea Martins

Trilha Sonora Original: Andrea Martins, Diego Pinheiro e Laís Machado

Direção Artística: Diego Pinheiro

Banda Obsessiva:

Voz: Laís Machado, Andrea Martins, Sanara Rocha e Josyara.

Percussão: Sanara Rocha e Juliana Almeida.

Violão e Guitarra: Josyara e Diego Pinheiro

Samples: Andrea Martins.

Figurino: Tina Melo

Maquiagem: Hávata West

Iluminação: Larissa Lacerda

Projeção Mapeada: Marcília Barros

Fotografias: Izabella Valverde

Assistente de cenografia: Sarah Saboya

Instalação cenográfica: Erick Saboya Bastos

Sarau da Onça transforma bairro de Sussuarana a partir da Poesia


Foto: Lissandra Pedreira
Foto: Lissandra Pedreira

A referência é o Sarau Bem Black, realizado em Salvador pelo Coletivo Blackitude do poeta Nelson Maca há sete anos e o Sarau da Cooperifa (SP). A idéia é de sete amigos que, vivendo no bairro de Sussuarana, resolveram contrariar as estatísticas de violência, pobreza e baixa autoestima que poderiam ser os únicos adjetivos deste bairro periférico, em Salvador.

A força vem na marca, com um felino de grande porte: a onça chamada suçuarana. Estamos falando do Sarau da Onça, que há cinco anos vem unindo jovens negros e negras em torno da poesia, da música e da vontade de transformar. O Sarau já é ponto de encontro de muitas atividades: lá rola apresentações musicais, leituras poéticas, tem parcerias com outras ações e realizadores culturais da região e de outras localidades da cidade, ocupando um lugar especial na vida da juventude que o faz e refaz todos os dias. Em entrevista, Sandro Ribeiro dos Santos – Sandro Sussuarana – um dos idealizadores do Sarau da Onça, produtor e articulador cultural do bairro, nos conta mais, confere: 

Foto: Lissandra Pedreira
Foto: Lissandra Pedreira

PortalSoteroPreta – “De nós para nós e por nós mesmos”. Porque a frase no site de vocês e como a Poesia se torna um instrumento nesta relação?

Sandro Sussuarana – Quando é a gente que faz por nós mesmos, sabemos que voltará de alguma forma, então fazemos com o máximo de respeito, carinho e amor. As pessoas começam a enxergar na Poesia uma forma de falar com liberdade e propriedade de suas questões, deixando de ser apenas ouvintes. Ela é um instrumento muito forte na periferia, em especial na Sussuarana.

PortalSoteroPreta – Como o Sarau se integra à comunidade de Sussuarana e vice-versa?            

Sandro Sussuarana – Somos jovens moradores daqui, crescemos aqui, sabemos como tudo funciona. Fazer o Sarau de forma gratuita, o que possibilita que muitas outras pessoas tenham acesso a esse conhecimento. Queremos expandir isso, criar um referencial positivo para elas do lugar onde elas moram. A gente se integra assim, fazendo com que elas entendam que a Sussuarana é um local positivo, trazendo a boa visibilidade para o bairro, promovendo nelas o orgulho, a partir daí elas divulgam, participam.

PortalSoteroPreta – Sussuarana não é só violência, com o é estigmatizado, é também um potencial cultural?

Sandro Sussuarana – Sou professor de Capoeira, fiz Teatro há muito tempo. Temos tantos grupos culturais aqui que trabalham com a juventude, então porque na mídia é só o negativo? Tem o Centro da Pastoral Afro, onde nós fazemos o Sarau, que já tem um trabalho há mais de 14 anos, grupos de Teatro com mais 10 anos, grupo de Valsa com mais de 15 anos e grupo de Capoeira com mais de 30 anos de trabalho cultural na comunidade. Não queremos estigmatização de marginalidade. Não, nós resolvemos unir todos eles para modificar esta visibilidade para os próprios grupos e pros moradores, para que todos os enxerguem e os ouçam. A Sussuarana é um pólo cultural por conta desta essência dos grupos que aqui mantém seus trabalhos comunitários.

13177105_1102783453117191_2277873747677808287_nPortalSoteroPreta – Quais os desafios de manter este trabalho?

Sandro Sussuarana – O principal é o financeiro. Não trabalhamos com dinheiro, somos todos voluntários, mas precisamos de muita coisa que hoje contamos com ajuda de parceiros ou tiramos do nosso próprio bolso. Também não temos um centro cultural na comunidade, apesar de tantos grupos culturais. Não há um espaço pra organizar tudo isso no bairro. Além de tudo, temos as realidades de cada um de nós que produzimos o Sarau. Temos nossas vidas de estudos, trabalhos que, em muitos casos, nos impede de dedicar tudo que gostaríamos ao projeto.

PortalSoteroPreta – Mas dificuldades não barram o crescimento do Sarau, vocês já não são apenas de Sussuarana.

Sandro Sussuarana – Nestes cinco anos já fomos a vários locais na cidade, estado e país. Já estivemos na Região Metropolitana de Salvador, na Chapada Diamantina, Recôncavo, Feira de Santana, Serrinha, levando recital e oficinas de poesia. Lançamos nosso livro “O Diferencial da Favela: Poesias Quebradas de Quebrada!”, na 23ª Bienal de São Paulo, onde já estivemos também no Centro Cultural da Penha, no Sarau da Cooperifa, já fomos a Minas Gerais, Brasília e, recentemente, voltamos a Minas, onde participamos no Encontro Nacional do Levante Popular da Juventude. Foram mais de sete mil jovens, pudemos dialogar com uma juventude que quer mudar o país e foi uma experiência ímpar. Saímos com a certeza de que há muitos jovens que anseiam fazer o que a gente faz e não sabem como. Então fomos ajudar, dar esse direcionamento, e esperamos que tenhamos conseguido acender essa fagulha para que eles possam voltar pra suas cidades com mais desejos de mudança.

 

Foto: Lissandra Pedreira
Foto: Lissandra Pedreira

PortalSoteroPreta – Quais são os planos do Sarau da Onça?

Sandro Sussuarana – Continuar e esperar que chegue aonde não chegou ainda, além de manter a relação onde já estivemos. Queremos expandir, fazer com que a periferia se reconheça mais enquanto detentora do poder de mudança, ir pra cima pela Poesia, mas também com a música, a dança, o teatro, nos estudos. Queremos que ela se arme com a arte de alguma forma pra alcançar as melhoras.

Foto: Sara Barreto
Foto: Sara Barreto

PortalSoteroPreta – O que dizer para jovens de outras comunidades que querem fazer alguma diferença em seus bairros?

Sandro Sussuarana – Que eles são capazes. Mas não só dizer isso da boca pra fora. Dizer e mostrar. Fazemos isso, mostramos que eles são capazes de contar suas próprias histórias, mudar suas vidas a partir deles mesmos, em qualquer lugar que eles estejam inseridos. Estamos aqui pra mostrar que quando acreditamos nisso, as coisas começaram a mudar prá nós.

O Sarau da Onça hoje é formado por Sandro Sussuarana, Evanilson Alves, Lissandra Pedreira, Gleise Souza, Brenda Gomes, Maiara Silva e Mateus Silva, mas também já teve Preta Mai e Emael Vieira, quando tudo começou. Atua nas dependências do Espaço CENPAH – Centro de Pastoral Afro, pertencente à Paróquia São Daniel Comboni, no bairro de Sussuarana (Novo Horizonte), em Salvador. Acompanhe esses jovens na Página no Facebook!

Mais informações:

O que: Sarau da Onça
Onde: Espaço CENPAH – Centro de Pastoral Afro – Rua Albino Fernandes, 59–C – Novo Horizonte – Sussuarana, Salvador-BA.
Quanto: Entrada Gratuita
Contatos: (71) 993315781 / 987464521 / [email protected]

Manuela Rodrigues leva show “Se a Canção Mudasse Tudo” para a Commons este sábado (15)


manurodrigues-2A cantora e compositora baiana Manuela Rodrigues apresenta neste sábado (15) o show “Se a canção mudasse tudo” (Natura Musical/Tratore). Este é o terceiro trabalho autoral de Manuela, que se consolida como um dos principais expoentes da nova música baiana. O show acontece na Commons Studio Bar (Rio Vermelho), às 21h, com ingressos a R$20 e R$15 (lista amiga).

Com uma longa experiência artística e musical, a cantora e compositora Manuela Rodrigues vêm conquistando espaço e reconhecimento ao longo de sua trajetória, que começou aos nove anos com estudo de flauta, piano erudito, iniciação musical, canto coral, até formar-se em Canto pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). A cantora ganhou destaque com apresentações em projetos como Petrobras de Música, Música no Porto, Música no Parque, Conexão Vivo.

Além de ter a composição como um traço forte em sua carreira, Manuela também se destaca pela forte presença de palco em suas apresentações. Em fevereiro de 2016 Manuela lançou “Se a canção mudasse tudo”, seu terceiro álbum autoral, que patrocinado pelo edital Natura Musical, com apoio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através do Fazcultura. O disco foi lançado com download gratuito no portal da Natura.

Diferentemente de seus dois álbuns anteriores, em que o produtor Tadeu Mascarenhas e uma única banda foram responsáveis por traduzir as ideias da artista, “Se a canção mudasse tudo” foi acalentado por muitas mãos. Os produtores Andre T, Gustavo di Dalva, João Milet Meirelles, Luciano Bahia e Tadeu Mascarenhas dividiram a produção das faixas (em média três para cada um). Manuela participou ativamente do processo de produção ao lado do time de produtores – é responsável pela direção artística, concepção, co-produção musical, vocais e pianos do álbum. “Se a canção mudasse tudo” também contou com as contribuições dos compositores Rômulo Fróes, Clima e Ronei Jorge e participações de Nicolas Krassik, Silvia Machete e João Cavalcanti (Casuarina).

Fotos: João Milet

SERVIÇO:

O que: Manuela Rodrigues – Se a Canção Mudasse Tudo

Quando: Sábado 15/10 pontualmente às 21h

Onde: Commons Studio Bar (Rua Doutor Odilon Santos, 224, Rio Vermelho)

Ingressos: R$ 15,00 (lista amiga – http://www.commons.com.br/listaamiga) R$ 20,00 (bilheteria).

Larissa Luz – Grammy, territórios, conquistas e empoderamento artístico


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Ela foi a única baiana na lista dos indicados ao Grammy Latino 2016, ela é preta, de Salvador e – podemos dizer – está em um momento único de sua carreira: conquistando seu território. Estamos falando de Larissa Luz, cantora, atriz, antenada com o que seu público quer ouvir, ver e com quem ele quer se identificar. “Território Conquistado” concorre ao título de Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Português, junto a pérolas como Martinho da Vila, Djavan e da própria inspiração de Larissa – Elza Soares. Ela conversou com o SoteroPreta, confira:

Portal SoteroPreta – Larissa Luz, como definir a pessoa e a artista? Há pontos que não se encontram nesta relação?

Larissa Luz – Acredito que somos uma coisa só. Somos ideias vindo de dentro, das vivências e experiências, virando arte concreta e extremamente verdadeira. Quando a arte é feita com verdade, ela vai a fundo no emocional das pessoas. Costumo ser explosiva, viver tudo muito intensamente, viciada em sentir…visceral…mergulho de cabeça e sinto muito prazer fazendo o que faço. Me vejo transbordando e inundando a plateia. Estou sempre estabelecendo relação entre o palco e a vida, a pessoa e a artista, ligando os pontos e proporcionando uma interação entre eles.

Foto: SafiraMoreira
Foto: SafiraMoreira

Portal SoteroPreta – Em que momento você entendeu que era na música que estava seu caminho e como você avalia suas experiências até então?

Larissa Luz – Minha relação com a música começou muito cedo, desde muito nova já ouvia os cds de Gonzaguinha, Gilberto Gil de minha mãe, que me fez mergulhar na literatura. Através da literatura, veio o interesse pelo teatro, o teatro me fez cantar e quando eu cantei tive a certeza de que era o queria para minha vida. Desde então passei a trabalhar por isso arduamente, vivendo, amadurecendo, e tentando tirar o melhor de cada experiência. Vivi muito por esse tempo fora…transitei por bares, navios, musicais.. agora estou investindo num trabalho autoral e ele está sendo bem aceito … uau! Acho que foi maravilhoso ter vivido tudo que vivi. Tudo necessário, tudo como tinha que ser! Adquiri uma experiência única. E continuo querendo mais!

Portal SoteroPreta – Qual mais te marcou e acrescentou nesta trajetória? Quem te influencia hoje?

Larissa Luz – Acho que assumir o Ara Ketu com 20 anos, super inexperiente, foi uma pressão punk. Marcou demais o processo todo. Chegar e sair. Hoje em dia escuto muito Nneka, Betty Davis, Concha Buika, Titika, Flávia Coelho, Elza Soares, MIA, Gil, Criolo…são artistas que me influenciam artisticamente e ideologicamente.

Portal SoteroPreta – Única baiana indicada ao Grammy Latino. O que é isso pra você, artista negra soteropolitana?

Larissa Luz – Representatividade. Território conquistado! Caminhos sendo traçados rumo a uma conquista de um território mais amplo. Portas se abrindo. Oportunidade.

foto_fig116Portal SoteroPreta – Seu estilo hoje se encontra com diversos discursos, há política em sua arte. Como você define estes encontros?

Larissa Luz – O meu discurso se forma através das minhas experiências e relatos de mulheres. Fui desenvolvendo as letras ao lado do meu Parceiro Pedro Itan, dando vida a elas, colocando para fora o que estava vivendo e sentindo. Vejo a arte como uma ferramenta política e transformadora, tento contribuir para a formação de uma sociedade que eu acredito ser melhor do que a que vivemos,  livre do racismo, da homofobia, do machismo.

Portal SoteroPreta – Que “Território” é este que você “Conquistou”?

Larissa Luz – O território primeiramente definido como nosso cabelo, nossa estética..(tíítulo inspirado num texto de Bell Hooks). É uma metáfora dos espaços que estamos conquistando. Na mídia, no mercado de trabalho, espaço na sociedade pra ser, sentir e acontecer livremente. E acredito que estamos num processo evolutivo. Já conquistamos espaços sim. E vamos além.

28492486545_3d82889f24_oPortal SoteroPreta – Como você avalia o cenário artístico baiano atualmente?

Larissa Luz – Acho muito pouco o que nos é oferecido em termos de oportunidade, apesar disso acredito que estamos em constante crescimento, na luta.

Portal SoteroPreta – Quais os planos de Larissa Luz daqui pra frente?

Larissa Luz – Gravar um clipe por agora, dar continuidade à turnê e começar a trabalhar a carreira internacional. Ano que vem devo voltar a trabalhar com teatro.

Portal SoteroPreta – O que dizer aos artistas independentes de Salvador, em especial negros e negras que tem tentando manter sua música diferenciada em um território como Salvador?

Larissa Luz – Sejamos senhoras das nossas próprias histórias. Podemos.

 

Frases de Mainha: Coletivo de quatro amigos ultrapassa 2 milhões de views


14439001_1080740021994957_911413069_oMais de 100 mil seguidores, mais de 2 milhões de visualizações e muito, mas muito sucesso destes quatro soteropretos que, há quase um ano começaram com cards e hoje viralizam com seus vídeos de humor. Estamos falando do Coletivo Frases de Mainha, formado por Caio Cezar Oliveira – Idealizador e Relações-Públicas, Erick Paz – Idealizador, Designer e Videomaker e os atores Thiago Almasy (Junio) e Sulivã Bispo (Mainha), que também dirigem. Confere nossa entrevista com Caio Cezar, porta voz do Coletivo:

PortalSoteroPreta – Fala pra gente como é o processo criativo de vocês, como vocês chegam nos vídeos?

Caio Cezar – Nosso processo criativo acontece numa construção coletiva entre os quatro e, também, com significativa participação dos usuários que enviam frases e situações para colaborar na produção do conteúdo. Anotamos, escrevemos um roteiro básico, com uma linha de pensamento: começo, meio e fim. Depois disso, vamos gravando as cenas, que são muitas, geralmente quatro horas de gravação para fazer um vídeo de 3min. Tudo muito espontâneo, as falas e frases. Tudo isso, claro, a partir de um conhecimento técnico de direção de fotografia, atuação e tudo que é necessário para executar um produto audiovisual. Sulivã e Thiago são ótimos atores, o que facilita o trabalho de Erick, que é quem executa a parte técnica de filmar e editar os vídeos.

PortalSoteroPreta – A maior parte do conteúdo vem de colaboração dos internautas? Quantas ideias em média vocês recebem por dia?

Caio Cezar — Muitas ideias vêm dos internautas. Há pouco mais de um ano, quando ainda não produzíamos os vídeos, só os cards, a estratégia pensada foi a aproximação com os usuários e estímulo à sua participação. Queríamos construir um conteúdo que se aproximasse ao máximo da ideia comum que todos temos de “Mainha”. Então, essa era a melhor forma: usar as ferramentas digitais para receber ideias e publicá-las, inclusive, com os nomes das pessoas que enviaram. No começo recebíamos de 10 a 20 mensagens por dia. Agora, recebemos 100, em média. Eu me esforço para responder a todos nos comentários e nas mensagens. Queremos manter o projeto próximo, que as pessoas se sintam parte disso e respondê-las é imprescindível.

O Paredão no Carro de Mainha”, vídeo com mais de 1 milhão de views, do qual temos muito orgulho. Pensamos muito antes de produzí-lo. Fizemos convites a pessoas que contribuem muito para o nosso trabalho e o dia da gravação foi muito divertido. (veja aqui

14466972_1080740075328285_1582012189_o-copiaPortalSoteroPreta – Conta como foi a decisão de fazer tudo isso…

Caio Cezar – – Um dia eu (Caio) estava em minha casa e senti falta da minha mãe reclamando, gritando por causa das coisas erradas. Resolvi fazer cards bem simples com frases e nome da minha mãe. Publiquei em meu Facebook pessoal, que renderam mais de 100 curtidas e compartilhamentos muito rapidamente. Erick, que é meu amigo e já desenvolvia outros projetos comigo na faculdade, me ligou propondo desenvolver um projeto. Sentamos, escrevemos e colocamos no ar. De um dia pro outro ganhamos 100 likes, depois 500 e em um mês 5mil. Pulamos muito rapidamente para os 10mil curtidores e então demos um tempo. Percebemos o potencial de “Frases de Mainha” e precisávamos dedicar tempo, por isso, o “engavetamos” por alguns meses.

PortalSoteroPreta – Aqui surgem Mainha, Junio, Cintia, Meire…? Como vocês receberam a repercussão inicial desse projeto?

Caio Cezar – – Quando retomamos, queríamos algo diferente para relançar a página. Decidimos fazer um vídeo. Convidamos os atores Sulivã e Thiago para dar vida às nossas personagens e foi um sucesso imediato. Mainha e Junio foram os primeiros nomes que vieram à cabeça quando pensamos em fazer vídeos e retrata a relação mãe e filho. Já Cintia e Meire surgiram no calor da gravação das cenas. Cintia, por exemplo, foi uma invenção inesperada, de uma fala que não havia sido combinada, de Sulivã, enquanto gravávamos. As pessoas amaram e resolvemos continuar falando dela.

14489548_1080740018661624_823886468_oPortalSoteroPreta – Hoje vocês já ultrapassam 100 mil seguidores, a que vocês atribuem esse alcance?

Caio Cezar – – Toda vez que nos perguntam “quantos seguidores vocês têm?” e nós respondemos, a resposta defasa na mesma hora! (risos) Nesse momento no qual lhe respondo temos 101mil, daqui a 10min a resposta já está defasada. Além da belíssima atuação dos atores e do conhecimento técnico em produção de conteúdo e comunicação meu e de Erick, nós atribuímos o alcance à grande identificação das pessoas que conhecem Frases de Mainha. Queremos chegar o mais próximo do ideal que temos de “mainha”. As pessoas vêem suas mães nos vídeos, nós publicamos as frases que nos enviam com nome de mãe e filho e isso gera muita identificação.

PortalSoteroPreta – Algum momento ou intervenção do público que marcou?

Caio Cezar – – Uma fala importante de uma ouvinte nos deixou orgulhosos enquanto dávamos entrevista numa rádio: “Fico segura porque minha filha pode assistir. Toda a família pode.” Uma amiga, uma vez, me enviou uma mensagem dizendo “fico feliz por ver o pessoal da minha igreja compartilhar e se divertir com um conteúdo sem apelação”. Temos um cuidado com Frases de Mainha e ficamos abertos para receber críticas e sugestões que nos ajudem a divertir as pessoas no sentido de construir e reforçar nossa cultura.

14192185_527198084140179_5906449701622297759_nPortalSoteroPreta – Bastidor! Nos fale dos cenários e participações, como são escolhidos?

Caio Cezar – – Nossa verba é curta, usamos lugares acessíveis. A casa de “Mainha e Junio” é a casa de um dos atores. Quando desenvolvemos os roteiros, pensamos nas nossas possibilidades. Temos as nossas casas disponíveis e as vias públicas. Como Mainha e Junio vivem situações rotineiras, não temos muita dificuldade para encontrar locações. Adotamos a política de sempre convidar atores para participar, o que fica sob responsabilidade de Sulivã e Thiago. Para o vídeo “Paredão no Carro de Mainha”, nós convidamos fãs que participam e se envolvem muito no projeto, para fazer a figuração. Ficamos felizes com o resultado.


13901371_517328781793776_4697630552511053050_nPortalSoteroPreta – Como vocês veem o cenário afrocultural soteropolitano?

Caio Cezar — Thiago Almasy traz a seguinte fala “acredito que exista uma certa resistência a projetos cujos temas perpassam questões envolvendo “minorias” (que, em nossa sociedade, quase sempre são maiorias). Estamos num período da humanidade onde a transição do pensamento está extremamente desenhada. Os perfis de uma antiga e de uma nova geração estão bem palpáveis e cada vez mais fáceis de serem identificados. Temos essa geração da descontrução normativa e da militância. Ao meu ver, ao invés de militar objetivamente, sinto que o nosso trabalho faz a mesma coisa, mas de forma subjetiva. O Frases de Mainha conta com atores predominantemente negros, trazendo situações dentro de um recorte bem específico, mas sem levantar bandeiras e, acredito, sem ridicularizá-los. É importante que existam as militâncias e que todo mundo seja ouvido. Acredito que podemos sim viver num mundo menos injusto para com os diferentes gêneros, etnias ou credos. Mas acho interessante entrar nesse “jogo”, sem necessariamente parecer que estamos pedindo isso ou aquilo. É entender como as coisas funcionam, e moldá-las ao nosso favor. Subitamente as pessoas estão torcendo por uma obra que, de forma nem um pouco inocente, subverte esses padrões. Gosto disso.”

PortalSoteroPreta – Quais os planos futuros?

Caio Cezar — Queremos finalizar a temporada de vídeos no fim do ano para pôr em ação nossos próximos passos. Enquanto isso, estamos fazendo parcerias com outros canais baianos para produzir vídeos, legendando-os para pessoas com deficiência auditiva e pensando em uma promoção bacana. No fim do ano, quando estivermos mais folgados, vamos começar os esforços para chegar ao teatro.

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Making of pra se acabar de rir!

Acessibilidade –  Frases de Mainha agora também tem vídeos legendados para deficientes auditivos, disponíveis no canal no Youtube (http://migre.me/v2tGp).