Filme “Terras que Libertam – histórias dos Cupertinos” coleciona prêmios


 

A liderança dos irmãos Júlio Cupertino e Jaime Cupertino no território negro quilombola na Chapada Diamantina (Bahia) é o fio condutor do filme “Terras que Libertam – histórias dos Cupertinos”. O trabalho, que lança luz sobre os conflitos e as resistências pelo direito às terras ancestrais negras, foi premiado no mês de outubro como Melhor Documentário do FIVE CONTINENTS INTERNATIONAL FILM FESTIVAL – FICOCC 5-8  (Venezuela) e em julho foi premiado  Melhor Documentário Sul Americano no International Documentary Film Awards (Eslováquia). Além da conquista de Melhor Documentário, o FICOCC premiou o filme nas categorias Melhor Documentário com Trilha Original, assinada pelo multi-instrumentista Mauricio Lourenço e Menção Especial no Prêmio de Melhor Cinematografia ao diretor de fotografia Chico Soares.

   O filme “Terras que Libertam – histórias dos Cupertinos” (veja trailer no final) conquistou também indicações em outros concursos internacionais: foi finalista do  Boden International Film Festival (BIFF) e semifinalista no Stockholm Film & Television Festival (SFTF), ambos na Suécia. Em outubro, o documentário foi selecionado para participar do 7º  FestiFrance Brasil (Festival Internacional de Cinema de Belo Horizonte).

Quando o geógrafo Diosmar Filho, pesquisador e roteirista do filme, pisou pela primeira vez no Território Quilombola de Vazante, em 2007, mergulhou na trajetória da família dos Cupertinos na defesa da comunidade contra a construção da Barragem Baraúnas e como a consciência negra sustentou essa luta territorial e social.  Anos depois, com o falecimento de Seu Júlio Cupertino, em 21 de novembro de 2014, aos 74 anos, Diosmar Filho deu início em 07 de fevereiro de 2015 às gravações do documentário com seu parceiro cinegrafista Chico Soares, fazendo o registro da memória que tem como horizonte central a história dos Cupertinos e a luta quilombola. A direção de “Terras que Libertam – histórias dos Cupertinos” é de Harisson Araújo e Diosmar Filho, com realização da Ajayô Filmes.

Narrado por Seu Jaime Cupertino, familiares de Seu Julio Cupertino, amigas e amigos da luta negra, o documentário traz também às memórias dos quilombolas em vida e luta nas terras dos territórios de Vazante, Baixão Velho, Agreste e Mocambo e Cachoeira (Seabra-BA), rompendo com a ideia de disputa silenciosa pela qual negros e negras travam para manter a ancestralidade negra e os direitos de permanecer no território. “Esse documentário não é o primeiro registro sobre quilombola no país, mas sua ideia avança na forma de memorizar a história em contemporaneidade da luta por liberdade negra quilombola no país, sendo uma importante contribuição para nosso cinema negro, ressalta Diosmar Filho.