Projeto Pérolas Negras e Coletivo Mais Amor Entre Nós lançam doc “Enrolado na Raiz”


doc enrolado na raiz

O projeto Pérolas Negras e Coletivo Mais Amor Entre Nós lançam, no dia 26 de julho, às 19h, no Teatro Gamboa Nova, em Salvador, o documentário “Enrolado na Raiz”.

Dirigido pela diretora Camila Caracol, o filme traz relatos de mulheres negras distintas que mostram como o racismo atua em diversos aspectos sociais de suas vidas através de suas vivências e da relação com o próprio cabelo.

Vai ter ainda bate-papo com a diretora Caracol e as convidadas Sueide Kintê (Mais Amor Entre Nós), Naira Gomes (Marcha do Empoderamento Crespo), Lorena Ifé (Afrodengo) e Fátima Fróes (Festival Pan Africano de Cinema).

Sobre o filme

Estreando na cena do audiovisual como diretora, a mineira Camila Caracol, que é também roteirista e editora do filme, coletou depoimentos de mais de 20 mulheres dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Bahia. Neles, o público verá relatos de suas questões pessoais de identidade negra. Parte desse resultado foi apresentado no seu trabalho de conclusão do curso de Comunicação Social e transformou-se em seu primeiro filme documentário.

 

Enrolado na raiz doc
Camila Caracol

SERVIÇO

O que: Documentário Enrolados na Raiz,  23’’, 2017

Quando: 26 de julho, quarta-feira

Horário: 19 horas

Onde: Teatro Gamboa Nova, Aflitos, Salvador-BA

Custo: Gratuito (espaço sujeito a lotação)

Festival Caymmi de Música no Subúrbio teve #MaisAmorEntreNós


 

Mais amor entre nósO  #MaisAmorEntreNós surgiu a partir de uma inquietação da jornalista Sueide Kintê, através das redes sociais oferecendo troca de serviços entre as mulheres. A campanha se espalhou pelo Brasil, tendo centenas de seguidoras e, neste domingo (30), ela esteve em destaque na progrmação do Festival Caymmi de Música, que chegou ao Subúrbio de Salvador.

Na campanha, diversos serviços são oferecidos, como massagens, aula de dança e, principalmente, a doação do tempo para outra pessoa. A sororidade  colocada em prática entre as mulheres.

Mais amor entre nós

“As pessoas nos procuram para fazer parte das atividades. Nosso grupo fechado tem hoje mais de 20 mil seguidoras no Facebook, e a Fanpage tem mais de 90 mil. Então, a gente pede que as pessoas acessem as nossas redes e, a partir daí, ela fará uma publicação de algo que ela tem a oferecer”, diz  Nélia Sobrau, integrante.

A administradora e ilustradora, Tati Marques, fala de como é fazer parte de projetos como esses. “Essa interação entre as mulheres é mais uma forma de amar. Mais amor entre nos é o que a gente está buscando. Tanta violência no mundo, as coisas estão de cabeça para baixo, então, quanto mais amor a gente praticar, gerações futuras melhores virão”, disse.

Mais amor entre nós

Na programação, as mulheres foram agraciadas com técnicas de relaxamento anti-estresse, com a facilitadora Sueli Kintê e a terapeuta Mônica Gonçalves, além de um tratamento nos pés e ombros, por meio de massagem.

Teve ainda aula de dança Coupe Decalé, de origem africana e mais praticada na Costa do Marfim, ensinada por Brisa Alves. “É uma dança que precisa muito de ritmo, então, precisa ter muita energia por ter uma base ancestral. Ela traz liberdade de expressão pras mulheres, sensação liberdade. Me senti livre com elas”, disse.

Mais amor entre nós

Pelo mundo

A campanha #MaisAmorEntreNós está em todo Brasil, presente em oito países como França, Suíça, Estados Unidos, México. Tudo acontece através das redes: as mulheres oferecem uma ajuda a outra com necessidade. Daí uma equipe – a partir de um banco de dados – cruzam as ofertas e procuras, ajudando inúmeras mulheres. De um corte de cabelo, aula de inglês ou, simplesmente, uma pessoa conversar.

Fotos: Suzana Batista

Festival Caymmi de Música no Subúrbio vai ter RBF, Nara Couto e #MaisAmorEntreNós


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Nara Couto – Melhor Show

O Festival Caymmi de Música chega ao Subúrbio Ferroviário nos dias 29 e 30 de abril. Na Praça São Brás (Plataforma) a música se unirá a diversas expressões e linguagens artísticas. O evento contará com atividades de bem-estar, vivências, oficinas e mostras assinadas pelo projeto #OcupaLajes e pelos coletivos artísticos ACORDA Samba, A Rua é a Voz e #MaisAmorEntreNós.

As atividades da programação têm início às 8h e os shows acontecem às 16h. No sábado (29), apresentam-se os grupos RBF – Rapaziada da Baixa Fria, Gazumba, Skanibais e a cantora Nara Couto, concorrentes na categoria ‘Show’ ao Prêmio Caymmi de Música. A participação especial fica por conta da cantora baiana Márcia Castro.

No dia 30 (domingo), sobem ao palco os grupos Performáticos Quilombo, Africania, o cantor Filipe Lorenzo e a banda Ifá. A tarde contará com participação da cantora convidada Jadsa Castro.

Rapaziada da Baixa Fria
Rapaziada da Baixa Fria – Foto Lane Silva

Programação:

Na manhã de sábado, às 10h, uma vivência promovida pelo Coletivo A CORDA Samba de Roda vai destacar a Memória Viva do Samba de Roda do Subúrbio. A ocupação segue com a Mostra ‘Curtas do Subúrbio’ que, a partir das 14h, contará com exibições dos filmes, ‘A Beleza Invisível’, dirigido por Leandro Souza, ‘Balú’, de Paula Gomes, ‘A Beleza do Subúrbio’, de Jose Sebastian Barreneche, e ‘Não Somos + Um’, com direção assinada pelo grupo Juventude Negra e com participação política da Agência de Comunicação do Subúrbio – Cipó Comunicação Interativa.

Antes do show, às 15h30, a Batalha de MC’s, atividade do coletivo A Rua é a Voz, que tradicionalmente já ocupa a Praça São Brás com MC’s, grupos de rap e elementos da cultura hip hop, movimenta o Festival com competições de rima. 

mais amor entre nos
Auto Cuidado – Mais Amor Entre Nós

No domingo, a partir das 9h, o coletivo “Mais Amor Entre Nós (#MAEN), promoverá uma corrente de cuidado mútuo entre mulheres. O grupo convida todas as mulheres a realizarem atividades que trabalham técnicas de relaxamento do estresse, com facilitação de Sueli Kintê, tratamento terapêutico, com Mônica Gonçalves, e um aulão de Coupé Décalé – dança urbana de origem africana – com condução do Farafina Brasil e Kety Kim.

Serviço:

Festival Caymmi de Música

Datas: 29 e 30 de abril (sábado e domingo)

Local: Praça São Brás (Plataforma)

Atrações: RBF – Rapaziada da Baixa Fria, Gazumba, Skanibais e Nara Couto (sáb) | Performáticos Quilombo, Africania, Filipe Lorenzo, Ifá (dom)

Participações especiais: Márcia Castro (sáb) e Jadsa Castro (dom)

Horário: Atividades – a partir das 9h | Shows – 16h

ENTRADA FRANCA

Balé das Iyabás e #MaisAmorEntreNós – Encontros de afeto entre SSA e RJ


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Ludmilla Almeida e Sinara Rúbia, duas mulheres negras cariocas à frente do Grupo Cultural Balé das Iyabás (RJ). Elas estiveram em Salvador para participar de mais um Encontro de Auto Cuidado e Segurança de Ativistas (últimos domingos do mês), uma iniciativa pautada no movimento #MaisAmorEntreNós, idealizado pela jornalista soteropreta, Sueide Kintê.

A programação deste Encontro é definida a partir da necessidade de um grupo de mulheres ou de uma mulher. Fazemos tudo que ela gosta, além de fazermos, em grupo, a Técnica de Redução de Stress (TRE), reflexologia e conversar bem descontraidamente sobre as intempéries da militância e da nossa vida”, explica Sueide.

Conheça mais um pouco do Balé (fotos de Safira Moreira):

baledasiyabasPortalSoteroPreta – Como o Balé tem atuado no RJ? 
Elas – O Grupo Cultural Balé das Iyabás é um grupo de Mulheres Negras que propõe a reflexão sobre o protagonismo da mulher na sociedade a partir da mitologia dos Orixás. Pensando a arte de forma política, trabalhamos com as questões de gênero e raça, tendo como missão o fortalecimento, emancipação e empoderamento de mulheres, sobretudo Mulheres Negras. Desde o início do trabalho, sobretudo das oficinas que começaram em 2013, temos um público frequente de mulheres que reconhecem a nossa vivência como o espaço que ela se propõe: um espaço permanente de diálogo, resistência, manutenção da nossa cultura, combate ao racismo, ao machismo, à violência contra a mulher e empoderamento feminino.
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PortalSoteroPreta –  Como as mulheres têm interagido com as vivências?
Elas – Devido à dinâmica e forma como conduzimos a oficina, a Vivência se torna um espaço de acolhimento, em que muitas mulheres se sentem motivadas a compartilhar suas experiências, mesmo as mais traumáticas. As mulheres vão em busca de conhecimento, trocas de experiências, afetividade, empoderamento, identidade. Já presenciamos filhas que levaram as mães, mães que levaram filhas e filhos, mulheres com seus companheiros e mesmo empreendimentos que surgiram inspirados no nosso trabalho.

“Todo esse retorno nos impulsiona para seguir com a missão do nosso trabalho, que traz resultados importantes e gratificantes!”

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PortalSoteroPreta – Onde vocês atuam e qual tem sido o alcance do Balé?
Elas – As Vivências do Balé acontecem uma vez por mês em um espaço fixo, que se reveza entre o Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo e o Sindsprev/RJ. Por sermos apoiadas pelo Fundo Fale Sem Medo – parceria entre o ELAS Fundo de Investimento Social e o Instituto Avon -podemos, desde 2014, ampliar nossa área de atuação, levando a oficina para um abrigo de mulheres em situação de violência doméstica e algumas comunidades/favelas do Rio de Janeiro como, Morro dos Prazeres, Cidade de Deus, Batan, Vidigal e Maré. Além disso, levamos as Vivências para outras cidades, como Salvador , Redenção (CE), São Paulo, Vitória (ES), Brasília (DF).
baledasiyabasPortalSoteroPreta – Como se dá as vivências propostas por vocês?
Elas – A Vivência do Balé é uma oficina com dinâmicas de interação entre a mitologia das Iyabás e suas manifestações e ressignificações em nosso cotidiano, propondo analisar aspectos políticos, sociais e culturais das mulheres no nosso dia-a-dia. Trazemos também para o corpo, movimentos inspirados na gestualidade das Iyabàs, propondo uma leitura que dialogue com este universo no contemporâneo e nos fortaleça através do balé dessas Orixás. Já as performances desenvolvidas pelo grupo, correspondem a uma linha de pesquisa e criação que aborda a semelhança entre os Itans – “mitos”ancestrais – e as vivências da vida cotidiana das mulheres de nossa sociedade contemporânea.
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Encontro em Salvador
PortalSoteroPreta – Qual importância de Encontros como este proposto pelo #MaisAmorEntreNós aqui em Salvador?
Elas – Esse encontro entre nós mulheres negras, nos fortalece para continuarmos abrindo espaço, caminhando e nos empoderando juntas. Consideramos ainda, a importância de reconhecer na nossa ancestralidade, história, religiosidade e cultura negra, a força e o conhecimento que atuam como alicerces para toda nossa compreensão de mundo.
A ida para Salvador, além contribuir com a missão do nosso trabalho, possibilita a ampliação de uma rede de afetividade, autocuidado e conhecimento entre mulheres de diferentes estados, que se encontram por questões semelhantes: sermos mulheres, sobretudo mulheres negras, numa sociedade racista e patriarcal como a nossa.

baledasiyabasPortalSoteroPreta – Como vocês vêem a crescente preocupação quanto à afetividade das mulheres negras?

Elas – As mulheres negras no Brasil, ainda sofrem as consequências de uma sociedade escravagista, em que foram objetificadas enquanto mercadoria de trabalho braçal, doméstico e sexual. Aprendemos desde cedo que somos mulheres fortes, que devemos servir ao trabalho e nunca nos foi ofertado o lugar de fragilidade dado às mulheres brancas. Aprendemos desde cedo também, o que é o abandono e solidão, já que a realidade de muitas mulheres negras é de conduzirem sozinhas suas vidas, famílias, filhas e filhos; ou com a ajuda de mães, avós e outras mulheres que formam essa rede de cuidado e sororidade. Aprendemos a odiar nossos traços, nosso cabelo, nossa cor. Como pensar em amor, com toda essa realidade imposta de dor?

“Acreditamos que os diversos grupos e coletivos de mulheres negras que promovem diferentes iniciativas e encontros, são fundamentais neste processo de autoconhecimento, autocuidado e transformação, colaborando assim para a mudança desse quadro estrutural e possibilitando a consciência que nos estimula a lutar pelo nosso direito à vida, à felicidade e ao amor.”

 

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Júlia Couto

POR Júlia Couto, presente no Encontro realizado em Salvador:

Um balé de emoções!

As Ayabás se fizeram presentes

Bussoladas por águas raras, caras de Kinté

Ela trouxe um batalhão de flores, borboletas, cores

Os sabores sentidos, vistos, tocados no olfato

Duas belas rainhas bailando as sentimentalidades do meu ser

Senti Orisá perto, junto, tranquilo, feliz

O #MaisAmorEntreNós me faz sentido

Pois “Eu sou ela e ela sou eu!”

Fui dormir sonhando auto-cuidado!

Sonhos bons!

Culinária Musical de junho celebrará Dia dos Namorados e as festas juninas


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Irma Ferreira

 

Moqueca de Ostras e Xinxim de Bofe. Pratos tão tradicionais na gastronomia afro-brasileira e que estarão em destaque na próxima edição do projeto Culinária Musical, do Afrochefe Jorge Washington – dias 12, 18 e 26 de junho. O projeto – que antes da pandemia ocupava e dinamizava a Casa do Benin, no Pelourinho – agora acontece virtualmente, no Youtube da Fundação Gregório de Matos.

Um afrochefe que mistura as culinárias afrobrasileira, sertaneja, nordestina a suas lembranças familiares, Jorge Washington reúne também seu carisma e bom gosto desde a escolha dos ingredientes até as atrações musicais. Nesta sexta edição, o público já cativo do projeto terá três dias de encontros.

Dão
Dão

 

Começando com o dia 12 de junho, para celebrar o amor, a edição terá a participação musical do cantor e compositor Dão e da cantora Irma Ferreira – ambos farão um repertório de “MPB para Namorar”, em alusão ao Dia dos Namorados. Será a partir das 12h no Youtube, quando o público também poderá encomendar o prato do dia: Moqueca de Ostras. A entrega no Pra Levar do Afrochefe será de uma porção para duas pessoas do prato, no valor de R$60 mais a taxa de entrega.

O bate-papo culinário com a Sexta Formativa será no dia 18 de junho, a partir das 15h. Nessa edição, o encontro será com Fernando Munaretto, que falará da ligação dos alimentos com os astros. Ele é educador, pesquisador, palestrante, divulgador científico e editor do blog O Guardador de Estrelas.

Super-Tom
Super Tom

Fechando a 6ª edição e trazendo o melhor do forró da época, no dia 26 de junho (sábado), às 12h, o Culinária Musical será com Super Tom (Zé de Tonha) – músico profissional há mais de 30 anos, cantor e compositor, e Mauricio Lourenço – diretor e arranjador musical. Terá também a participação da aquarelista Fernanda Vera Cruz, que pintará uma aquarela ao vivo direto do Belém do Pará. Neste dia, o Pra Levar do Afrochefe será com Xinxim de Bofe, também em uma porção para duas pessoas, no valor de R$50 + taxa de entrega.

Em ambos os dias, pedidos até as 10h serão entregues até as 12h. Já pedidos feitos após as 10h serão entregues após a transmissão ao vivo – porções para duas pessoas. Este mês, nas redes sociais do projeto, será sorteado um prato em cada dia (12 e 26/6).

Culinária Musical
Maurício Lourenço

Edital – O projeto Culinária Musical, idealizado pelo afrochefe Jorge Washington,  com gestão de projeto da Simples Produções e produção da Mil Produções, foi contemplado pelo edital de Ocupação e Dinamização dos Espaços Culturais da Fundação Gregório de Mattos, Prefeitura de Salvador para ocupar a Casa do Benin até junho de 2021.

SERVIÇO

Quando: 12/6 (sábado, 12h) 18/6 (sexta-15h) e 26/06 (sábado- 12h)

Onde: Youtube da Fundação Gregório de Matos

Quanto: encomendas R$60 porção ((sábado – 12) )para duas pessoas (+ taxa de entrega), pedidos pelo zap do Afrochefe 71 98878-4634

Cantor e compositor André Dias lança o disco “Das Mais Belas Tristezas às Mais Doces Levezas”


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Foto Glauco Neves

 

O cantor, compositor e guitarrista, André Dias, lança o disco “Das Mais Belas Tristezas às Mais Doces Levezas” (DMBTAMDL) nas plataformas de streaming.

“Me permiti olhar minhas composições mais antigas, que não fizeram parte de nenhum dos meus trabalhos anteriores, e pude entrar em contato com um André mais jovem e mais livre das dores do mundo e isso foi revigorante. Por fim, ainda tive a possibilidade de trabalhar com diversos músicos mais experientes do que eu e isso acrescentou muito na minha percepção musical”, explica o músico.

DMBTAMDL conta com a participação de músicos conhecidos no cenário baiano, dentre eles, estão: André T, que além de mixar e masterizar, ficou responsável pelo Piano, Programações e Bateria Eletrônica,  Antenor Cardoso (Bateria), Cadinho Almeida (Baixo), Carlos Vilas Boas (Guitarras), Felipe Guedes (Baixo e Guitarra), Heverton (Efeitos Percussivos), Morotó Slim (Guitarras) e Joatan Nascimento (Trompete).

Sobre André Dias

Nascido em Salvador (BA), André Dias é compositor, cantor e guitarrista autodidata, iniciou sua jornada aos 14 anos. Se inseriu no cenário da música alternativa soteropolitana com diversos projetos, tanto como idealizador (Headfones, ExoEsqueleto), quanto como integrante (Declinium, Mr. Armeng).

Com o EP e vídeo release “Primeiros Tons”, André dá seu pontapé inicial na carreira solo. Suas canções são autobiográficas e tentam lançar luz à forma como a tristeza e seus diversos tons permeiam – positiva e negativamente – as relações amorosas através de uma sonoridade que passeia pelo rock, pop, jazz, eletrônico, dentre outros subgêneros.

Siga:

Instagram: https://www.instagram.com/andrediasmusica

Cantor Alê Santana lança álbum sobre amor entre pessoas negras!


Nesta sexta-feira (4), o cantor Alê Santana lança o álbum “Afroamor”, trazendo o conceito de amor afrocentrado como temática principal. O álbum estará disponível nas plataformas de música como Spotify, Deezer, Youtube Music e Itunes. Em 7 faixas, o artista trata de diversas temáticas que envolvem a relação afetiva entre pessoas negras,a  exemplo da música “Afrocrush”. “Eu quero um amor afrocentrado, afro-ancestralizado, um amor assim melaninado. Eu quero um amor preto, com humor negro, que me deixe sem jeito”. Isso também fica evidente em músicas como “Gente preta se amando”.

A idéia do álbum surgiu após o artista participar do projeto “Afromanhoso”, ao lado de um grupo de amigos. O repertório era composto por músicas autorais e de artistas negros, sendo todas falando de amor. Dentre essas, muitas canções de baianos como Carlinhos Brown, Jauperi, Lazzo, Timbalada, Margareth Menezes, Olodum, Ilê Aiyê e outros.

O trabalho traz a sonoridade de ritmos como kizomba, semba, kuduro e afrobeat, com forte inspiração em grupos e artistas como Buraka Som Sistema, Mayra Andrade, Branko, Dino D’Santiago, Sara Tavares, Nelson Freitas, C4 Pedro, Burna Boy, Yemi Alade e outros tantos que trazem a fusão entre a musicalidade de origem africana e batidas eletrônicas. A produção musical é assinada por Marcelo Santana, da Aquahertz Beats, e as composições são todas do próprio Alê Santana.

 

SOBRE O ARTISTA

Nascido e criado no bairro da Liberdade, em Salvador-BA, começou a cantar no início da adolescência e já passou por bandas de vários estilos musicais, como pagode, samba, axé, forró e black music. Também participou dos festivais de música de blocos afro como Olodum e Ilê Aiyê, dos quais já foi finalista.

Por muitos anos foi vocalista do grupo Balansoul e, em trabalho solo, lançou o DVD “Boas Novas” em 2014, o álbum promocional “Soul & Violão” em 2017, no qual interpreta grandes sucessos da música preta brasileira, e mais oito singles que estão disponíveis no youtube e outras plataformas digitais de música, como Spotify, Deezer, Itunes, etc.

Entrevista: “Está na hora de fazer o combate, de enfrentar a escravidão mental da população”, afirma Sílvio Humberto (PSB), pré-candidato a prefeito de Salvador!


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Presidente do PSB em Salvador, o vereador Silvio Humberto confirmou, em entrevista exclusiva para o portal Mídia 4P, que é pré-candidato a prefeito da capital baiana pelo seu partido. Ele é o quarto entrevistado da série de bate-papos publicados pela plataforma com os pré-candidatos negros à disputa pelo Palácio Thomé de Souza. Após falarem para a reportagem Vovô do Ilê (PDT), Vilma Reis (PT) e Moisés Rocha (PT), o pessebista abordou, nesta conversa, em seu gabinete, temas como o racismo das burocracias partidárias, o projeto político do movimento negro para a cidade de Salvador, o embate interno com a ex-senadora, ex-prefeita e atual deputada federal Lídice da Mata (PSB), que também é pré-candidata a prefeita, entre outros assuntos correlatos. Citando Gandhi, Silvio alertou que será necessário “fazer o combate” para chegar até o objetivo final de ter um prefeito ou prefeita negra em Salvador. E frisou, em tom de confiança: “Está na hora de enfrentar a escravidão mental da nossa população”. O Portal Soteropreta compartilhará todas as entrevistas. Confere abaixo:

Mídia 4P – Vou começar pelo mais óbvio. Silvio Humberto é pré-candidato a prefeito de Salvador?

Silvio Humberto – Sim. Há um tempo, eu fui até perguntado por colegas se eu me colocava como pré-candidato nessa disputa. Eu entendo que não só a minha candidatura, mas a candidatura de Olívia (Santana, do PCdoB), a candidatura de Vilma Reis (do PT) que vem agora, a candidatura de Vovô (do Ilê Aiyê, filiado ao PDT) mais recente, acho que a gente fez um efeito dominó, colocando esse debate como necessário para Salvador dar um salto civilizatório. O que temos de comum é que as pessoas que estão colocando seus nomes não propõem a mudança da cor pela cor. Estamos falando de um campo, de pessoas que têm uma história de luta em prol da igualdade racial em Salvador, na Bahia e no Brasil, pessoas que têm um legado de enfrentamento ao racismo. É desse lugar que nossas pré-candidaturas estão falando. Eu faço questão de afirmar sempre o campo, porque gosto de dizer que estamos construindo uma visão sobre a cidade. Para mim, a centralidade dessa questão racial é de fundamental importância.

Mídia 4P – Salvador tem diversas pautas que de vez em quando vão e voltam para o holofote, como a educação, a falta de assistência de saúde, o péssimo transporte público. Ter um prefeito negro teria que impacto sobre essas pautas da gestão pública, que afetam diretamente a população negra, mas em geral não são discutidas sob essa perspectiva racial?

Silvio Humberto – Eu diria que a gente precisa separar algumas coisas. É muito importante ter um prefeito negro, uma prefeita negra, porque nós temos 500 anos nesse país, Salvador desde o século 18 deixou de ser a capital do Brasil, tem 131 anos de abolição, e a cor do poder na nossa cidade não muda. Você termina com a abolição, mas as hierarquias raciais são mantidas e, à medida que as hierarquias raciais são mantidas, você mantêm as hierarquias sociais. Então, eu entendo que o racismo leva a uma espécie de travamento da cidade, que mantém a cidade em um círculo vicioso da pobreza. A gente não rompe o círculo da pobreza. A gente precisa, ao enfrentar ao racismo, e eu acho que é isso que temos de plataforma comum, enfrentar algo que estrutura as relações sociais, as relações de poder. Se você não tiver políticas de promoção da igualdade racial para valer, para além de uma secretaria, mas ter a centralidade para enfrentar isso, a gente não vai resolver o problema da educação, da saúde, não vai resolver um problema que é crucial nessa cidade, que é oportunidade de geração de trabalho e renda para a juventude. Então a cidade não dá um salto do ponto de vista do desenvolvimento sem isso. Do ponto de vista simbólico, o mundo voltou seus olhos quando os Estados Unidos, considerado o país da segregação racial, elegeu Obama em 2008. Então imagine que o natural aconteça nessa cidade. Na política não tem natural, mas é o óbvio que poderia, nessa cidade de maioria negra, você chegar a ter um prefeito ou uma prefeita negra. E olhe que a gente está só se colocando. Não chegamos a ter um prefeito. Olhe o atraso civilizatório que nós temos. Ainda é uma discussão de pré-candidaturas e nós já observamos as resistências a essas pré-candidaturas. Então, eu diria que, se num primeiro momento é uma negra ou um negro que é eleito, num segundo momento, ao assumir, você vira um prefeito negro. Então você tem todas as demandas da cidade, você precisa governar para toda a cidade, e entendo que precisa ser eleito para toda a cidade, numa visão de que as pessoas importam. Eu acho que uma característica importante nossa é trazer as pessoas para o centro, se importar com as pessoas, de entender que, para as pessoas estarem bem, você precisa enfrentar o racismo, o sexismo, precisa saber que a pobreza tem cor, tem gênero. O que eu entendo que quem passou por aí não tem é empatia com seu povo. Essa é uma característica que eu diria ser importante: você ser empático, sofrer junto. E nessa quadra que nós estamos, nessa conjuntura, se há essa possibilidade de sofrer juntos e apresentar alternativas, isso nós temos. Se num primeiro momento nós vamos ter essa simbologia, que é importante, é evidente que é preciso ter um plano, do plano ter um programa e do programa você ter um projeto para a cidade. Entender que essa precisa ser uma cidade para todas e tratar as pessoas de forma digna. Quando no debate sobre transporte público ainda estamos discutindo se vai ter ar-condicionado no ônibus, isso não é digno. Tem serviços nessa cidade que não estão à altura de uma metrópole e das pessoas que residem nessa metrópole.

Vão dizer que vamos errar, isso é evidente. Mas as pessoas que estão administrando essa cidade não erram, eles acertam na gente quando não nos dão tratamento digno. Vão existir erros (quando um prefeito/a negro/a assumir)? Evidente. Você está numa administração pública de uma cidade que tem problemas seculares e tem uma herança de tratar indignamente a população. E você não vai resolver isso da noite para o dia. O que temos, e está chegando a hora, é que é preciso mudar. É pedagógico que as pessoas negras e mestiças apresentem uma outra visão sobre a cidade. É preciso de fato acreditar que é possível construir políticas públicas não para as pessoas, mas com as pessoas.

Mídia 4P – Como o senhor enxerga a dificuldade de diálogo sobre uma candidatura negra com as burocracias partidárias que se estruturam de forma racista?

Silvio Humberto – Se olhar no retrovisor, já foi pior. A gente estaria fora da máquina, do sistema. Hoje não podem nos tirar dizendo que não cumprimos as regras. Eu sou presidente do partido, Olívia tem uma experiência, já foi presidente do partido, tem mandato. Eu tenho (mandato). Moisés tem mandato. Vilma é filiada ao partido. Vovô é filiado a um partido. Tem um dever de casa que está feito. Poder é finito. A gente está disputando poder. A gente está numa situação, lembrando até de Gandhi, em que na primeira eles ignoram, depois ridicularizam e na outra eles combatem. A gente está na fase do combate. É natural que quem tem poder não vai dar. A gente vai fazer uma disputa e essa disputa você vai pelo convencimento ou vai vencer as pessoas. Quem tiver a melhor proposta, vai vencer. O que a gente está dizendo e cobrando coerência da esquerda é que, se você defende justiça social, se você entende que a pobreza é multidimensional, tem cor, tem gênero, tem idade, tem território, se tem essa visão é preciso sair da retórica, é preciso sair da nota de rodapé dos partidos e dizer que temos pessoas viáveis. Por isso foi muito importante o documento escrito pelo professor José Sérgio Gabrielli. Nós estamos dizendo que somos viáveis. Dentro de uma cidade negra, isso é perguntar “por que o óbvio não acontece?”. A cor não conta? Como é que a cor não conta? Eu gostaria que a cor não contasse, porque o salto civilizatório que teríamos dado seria fantástico. O Brasil estaria em outro lugar. Mas a cor conta. Conta se você vive, se você morre, como você vive, como você morre, como você mora, como você se relaciona e como você aproveita as melhoras oportunidades essa cidade. Salvador é uma cidade negra e paraíso dos brancos. Temos que entender as pessoas que não compõem essa elite branca racista e que entendem a importância do enfrentamento ao racismo. É chegada a hora de dar continuidade a Búzios. Nós fizemos isso em 1798, quando estávamos lá defendendo República, igualdade, fraternidade e liberdade. Quem entende isso, se convenceu disso, que sabe a importância desse salto, tem que se somar. Tem que entender que é chegada a hora. É chegada a hora do povo bahiense, de verdade. É isso que estamos construindo, dentro da democracia. Ao defender a ideia das pré-candidaturas, com os movimentos que estão aí, o que estamos trazendo é uma visão sobre o poder dessa cidade, que tem que ser voltado para uma maioria. Como é que em pleno século XXI tem um lado da cidade pensando em robótica, games, e no outro há problema com fardamento? Isso são escolhas políticas, porque 25% do orçamento é obrigado a gastar com educação. É muito dinheiro. Algo que me marcou para todo o sempre e que me fez refletir sobre o que é ser político numa cidade negra foi entrar numa sala de aula trajado assim, como vereador, presidente da Comissão de Educação, uma criança ficar sorrindo o tempo todo e, quando a professora perguntou o porquê de ela estar sorrindo, ela dizer “é porque ele parece com meu pai”. Esse aspecto simbólico, essa empatia, tem um lugar, tem força, dá voto.

As pessoas negras votam tranquilamente nas pessoas brancas, mas qual o problema de inverter isso? Qual o problema agora do leite votar no café? Qual o problema? Estamos falando de uma cidade em que 38% das pessoas não andam de ônibus porque não conseguem pagar. Se você não investir nas pessoas, se não potencializar nossas crianças e adolescentes, vamos perder gente. É de fundamental importância enfrentar o racismo e garantir educação e saúde. Esses são os pilares para colocar a cidade num patamar competitivo. O que estamos fazendo com essas candidaturas é encontrar uma janela de oportunidades na história. Quem é de esquerda, quem entende a igualdade e a equidade como valor e a justiça social como princípio não pode cair na armadilha de achar que a cor não conta numa cidade como essa.

Mídia 4P – Dentro dessa questão sobre as direções partidárias, a deputada federal, ex-senadora e ex-prefeita Lídice da Mata, que é considerada a maior liderança do seu partido, do qual o senhor é presidente, também se coloca como pré-candidata. O senhor falou que vai ser preciso fazer o combate, citando Gandhi inclusive. Como essa questão se dará no PSB?

Silvio Humberto – Olhe, nós defendemos o socialismo democrático. A gente tem uma história. A atual deputada e ex-senadora Lídice da Mata tem uma história nessa cidade, tem uma história nesse país, extremamente respeitada, em prol da promoção da igualdade de gênero, racial, social. Essa é a história dela. Deixou uma marca na cidade com a Fundação Cidade Mãe. Foi extremamente perseguida por esse grupo que aí está (na prefeitura), porque, em nome de garantir o poder, se prejudicou a cidade, atrasou a cidade, são pessoas que só olham para o umbigo, com essa visão de Império de pessoas que exclui as pessoas, que não aceitam o outro lado. Então, dentro desse embate, eu tenho me colocado. Nós temos uma relação fraterna dentro do nosso partido. Estou me colocando porque é bom para o partido ter o meu nome e ter o nome da senadora e atual deputada Lídice da Mata. Para a cidade, ter os nossos nomes é bom para a cidade. Partido que não almeja chegar no poder não pode ser chamado de partido. Então a gente precisa querer o poder. Mas não pode ser o poder pelo poder.

Mídia 4P – Mas dentro do PSB o diálogo foi dificultado depois que você se colocou como candidato?

Silvio Humberto – Não. Eu diria que é tranquilo. A política também tem suas tranquilidades e os seus momentos de tensão. Isso é parte do jogo político. No momento, estamos vivendo um clima de tranquilidade e de construção coletivo. Nós estamos construindo um programa junto com a cidade que é chamado “Salvador, Sua Cidade, Sua Gente”. Estamos fazendo debates. Vamos fazer isso com cada um dos temas. Com a educação, com a saúde, com a questão do meio-ambiente. Essa é uma ideia de fazer um debate com a cidade para construir um programa e oferecer, porque a gente só chega com a validação do povo. Esse é um momento singular, ímpar na história da cidade, na história política e nas histórias das relações raciais. A gente está discutindo enfrentamento ao racismo e políticas de igualdade racial como forma de destravar a cidade. Isso precisa ser pensado como uma estratégia social e econômica para a cidade.

Mídia 4P – Nunca tivemos tantas candidaturas negras. Qual o impacto dessa ebulição de candidaturas e qual a avaliação que o senhor tem sobre os outros nomes?

Silvio Humberto – A cidade ganha com isso. O debate racial, do ponto de vista do avanço civilizatório, ganha. Até para que as pessoas saiam de dentro dos seus armários e venham debater. É um debate de convencimento. É preciso dizer que nós não vivemos numa democracia racial e que os piores indicadores estão com a população negra, entre os mais vulneráveis. A gente tem uma boa oportunidade de sair de um lugar e dizer que queremos influir diretamente, governando o destino da nossa cidade. Simples assim. Por que precisamos ficar o tempo todo fazendo escada para os outros? Por que nós temos que ser o tempo todo degraus e sempre manter a hierarquia racial e a hierarquia social? É preciso quebrar as caixinhas, ampliar a visão. Não quero nem discutir a direita. Estou falando do centro e da esquerda. Como diriam, “pegue a visão”. Isso que está acontecendo não é geração espontânea, não surgiu à toa. São anos e décadas das pessoas levando o debate. A Marcha Zumbi dos Palmares tem pelo menos 40 anos. Isso precisa dar em alguma coisa. Essas experiências de Luiz Alberto, Luiza Bairros, Valmir Assunção e outros que estão aí precisam servir de exemplo. O parlamento é importante, mas o Executivo é fundamental. Todas essas pré-candidaturas estão falando de um lugar, de formação dentro do movimento negro, que sabe da importância de enfrentar o racismo estrutural. Quando entramos no debate sobre políticas públicas, nós (negros) incluímos todo mundo. Veja o exemplo das ações afirmativas. As ações afirmativas trouxeram todo mundo. Trouxeram os segmentos pobres, os invisíveis. Quem foi que trouxe os indígenas, os quilombolas? Nós temos uma expertise de incluir as pessoas. O Ilê de 1974 foi o iconoclasta daquele momento. Isso é efeito do Ilê, do Olodum, do Muzenza, do Cortejo Afro. Isso é fruto dos terreiros de candomblé, de caboclo, dos Filhos de Gandhi, da Embaixada Africana. Eu posso lembrar do saudoso Limeira, que disse “se Palmares não existe mais, façamos Palmares de novo”. Está em jogo fazer Palmares de novo, está em jogo com essa geração a continuidade de Búzios. Mas Búzios estava falando, lá atrás, de igualdade, fraternidade e liberdade. Foi assim que se pensou no Haiti. Isso é história construída para o povo negro. Estamos dizendo que somos portadores de uma visão que entende que, para romper o círculo vicioso da pobreza, é preciso enfrentar o racismo e promover igualdade racial não específico numa secretaria. A Secretaria Municipal de Reparação (Semur) é a que tem o menor orçamento. De 12 secretários, só tem uma negra e está justamente onde? A secretaria que mais mudou o secretário foi a de educação, passaram uns sete por lá. Como é que tem uma reitora (Ivete Sacramento, ex-reitora da UNEB, titular da Semur) e não vai (para o cargo na educação)? Se você tem um modelo em que acha que as pessoas negras só servem para ser subalternas, com a gente isso vai mudar.

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Mídia 4P – No xadrez político, vocês pré-candidatos negros são todos do mesmo campo, mas há as idiossincrasias, as posturas hegemonistas de partidos como o PT etc. Diante disso, e da nova regra eleitoral, como é que o senhor enxerga que vai ficar essa quebra-cabeça?

Silvio Humberto –Eu acho que a regra eleitoral que, em tese, todo mundo tenha candidato, porque você precisa fazer vereadores e vereadoras. O que está interessante é que, dessa vez, o protagonismo não está nas mãos dos mesmos. Vou pensar pelo meu campo. Então isso leva, diante da singularidade, a uma mudança, um corte traumático. A gente está ouvindo os clamores das ruas, a gente tem conversado com as pessoas. E as pessoas têm dito que agora é o momento. O que não existe entre nós é a falta de união que às vezes dizem. O que existe entre a gente é convergência, porque a gente não perde a nossa identidade e continua ali. Estamos marchando em prol de algo que a gente considera importante para a cidade, que é igualdade. A gente está apresentando uma visão sobre a cidade, dizendo que as pessoas que não têm teto conta, que a moradia conta, que a educação para nossa juventude conta. Vai ser uma responsabilidade danada para quem chegar? Vai. Mas a missão eu posso dizer que será uma missão oguniana. Você vai ter que ir na frente abrindo os caminhos para outros. E, se não der certo, tenta de novo. Eles estão aí o tempo todo não dando certo e acertando na gente. E a gente não pode errar? Luther King afirmou que não somos super-homens nem super-mulheres, somos pessoas. Estou muito feliz com o fato de as pessoas estarem se lançando, oferecendo seus nomes. Vai ser uma luta árdua, mas o que eu ouvi dos diálogos é que não existe uma luta fratricida entre a gente. Isso é fruto do nosso amadurecimento político. A gente não vai deixar as armas dos colonizadores, dos racistas, para nos dividirem. Nesse momento a gente não precisa discutir colorismo. Eles vão tentar também usar o aspecto religioso. Temos que ficar atentos a isso, porque eles vão usar essas armadilhas para jogar um contra o outro. Agora a gente não tem os grilhões nas mãos, mas tem um pouco os grilhões na cabeça, então está na hora de enfrentar essa escravidão mental, não só em nós, mas na população. E eles aproveitem enquanto nossas mãos estão abertas, querendo conciliação e construção coletiva, porque quando nossas mãos se fecharem…

Estamos abertos, querendo colocar Salvador em um outro patamar, de combater o racismo e o sexismo. É fantástico ter feministas negras como Olívia e Vilma como candidatas. Disseram lá atrás, por outro motivo, que éramos a cidade das mulheres. Mas esse poder precisa sair do poder simbólico e ir para o poder real. E aqueles que colocam como nossos aliados e se consideram do nosso campo precisam abraçar de verdade a causa, porque já fizemos muito, nós já fomos vagão demais dessa locomotiva. Isso não vem sem embate, mas como diria a nossa saudosa Makota Valdina, agora é a hora dos nossos jeitos.

Mídia 4P – O que vai ser mais difícil para chegar a esse poder real?

Silvio Humberto – Inicialmente vencer as barreiras de dentro dos partidos para sair de fato como candidato. E, para isso, construir um programa como nunca se fez antes nessa cidade, com aqueles considerados subalternizados sendo protagonistas. Você vai ter que enfrentar o poder econômico. É preciso quebrar esse pacto narcísico. Eles só se veem. E a gente está dizendo que acredita na pluralidade, na diversidade. Já vencemos o desafio de acreditar que é possível. Vencido isso, vamos para o dia a dia, que é pensar a estratégia política, pensar o recurso e, acima de tudo, comprar um bom sapato e andar muito. Vão perguntar se estamos antecipando o debate, mas a gente sabe que quem não tem carro sai de casa mais cedo. Então, a gente está saindo de casa mais cedo. Mao Tsé-Tung falava que quando se quer andar 200 km a primeira coisa a se fazer é dar o primeiro passo. Então foi a tomada de atitude de vários e de várias, de quem entende a importância do combate ao racismo, que se garantiu essas conversas, essas movimentações. Há um medo grande de Salvador virar um Haiti, porque o processo de haitização provocou uma hecatombe nas américas. Agora é conclamar todo mundo. Por ser vários, eu acho que nós temos chances. Quem sabe agora a gente consegue realizar o que Capinam fala em sua música, em que ele diz “agora quem manda é a galera, navio negreiro já era nessa cidade-nação Salvador”. Para fazer de Salvador essa cidade-nação, a gente precisa se livrar do navio negreiro para a galera mandar. Então meu nome, Moisés, Vilma, Olívia, Valmir, Vovô são esses nomes que estão postos e caberá à galera que se vê e se reconhece escolher. E não só a galera que se vê e se reconhece, porque a gente precisa daqueles que não têm a cor, a história, mas é gente que se importa com gente e, por isso, é preciso ter muita fé na gente. E muita fé, porque precisa ter muita fé. (Risos)

Entrevista concedida originalmente ao repórter Yuri Silva para o Portal Mídia 4P, publicado em 02 de ago de 2019. Acesse aqui!

Wanda Chase estreia roda de conversa e convida Tatau e Alan Cordeiro para falar de amor


Foto: Divulgação

Com a proposta de ser quinzenal, a primeira roda de conversa conduzida por Wanda Chase acontece no dia 05 de junho (quarta-feira), às 19h, no Restaurante Solar Café, no Palacete das Artes, na Graça. Com a ideia de circular por outros espaços e locais de Salvador, as edições serão temáticas, começando a falar sobre Amor, e os convidados desta vez serão Tatau e Alan Cordeiro. Haverá um pocket show e relatos do cantor e compositor e do psicanalista, explorando desde os seus aspectos conjugais, suas representações sociais e as maneiras de nutrir e lidar com esse sentimento em suas várias nuances. O amor sem preconceitos. O amor na diversidade. O amor livre. Nada mais adequado ao mês em que se comemora o Dia dos Namorados. Criar esse espaço de trocas e múltiplos olhares pode inspirar e motivar pessoas a reconfigurar o seu cotidiano. A produção é do ator e jornalista Arlon Souza. Couvert: R$ 15,00

As rodas de conversa terão sempre a presença de estudiosos das diversas áreas, a exemplo de psicólogos, psicanalistas, antropólogos, professores, entre outros estudiosos. Através de uma conexão entre as experiências dos artistas, do público e a visão mais aprofundada dos especialistas, os encontros vão abordar uma série de assuntos, formando um painel leve, divertido e provocador. A participação do público será muito bem-vinda nesse papo reto e aberto sobre o assunto, por meio de relatos, comentários e perguntas.

O público ainda poderá conferir o cardápio da Chef Andréa Nascimento, que tem sua marca reconhecida pela qualidade no atendimento e foi eleito pela Revista Veja Comer e Beber Salvador, por 8 anos consecutivos, como um dos destaques gastronômicos de Salvador; além de ser destaque no Guia 4 Rodas e no Bahia International Guide. No menu, criações exclusivas e deliciosas, como petiscos, frutos do mar, risotos, pastas, filés, saladas e crepes – além de sanduíches e deliciosas sobremesas. Como o cardápio é servido o dia todo, o Solar é o lugar ideal para toda ocasião: almoço, almoço tardio, happy hour, jantar e encontros pré-balada.

SERVIÇO

Roda de Conversa com Wanda Chase convida Tatau e Alan Cordeiro

Local: Restaurante Solar Graça

Horário: 19h

End.: Rua da Graça, n 284 – Palacete das Artes – Graça

Informações e reservas: (71) 3328-3444– Solar Graça

[email protected]

Couvert: R$ 15,00

Últimas apresentações do evento Eu Brinco, Eu Existo do Amora leva práticas de promoção da igualdade racial


Foto: Magali Moraes

As últimas apresentações da Caravana do Amora com o evento Eu Brinco, Eu Existo, acontecem nos dia 20 e 28 de maio, nos bairros de San Martin e Periperi, respectivamente. Durante três meses, o projeto percorreu escolas públicas da região metropolitana levando representatividade e práticas de promoção de igualdade racial através de atividades lúdicas envolvendo contação de histórias com uma boneca humanizada, abordando questões como estética e cultura afro, diversidade étnica e história africana. Desta vez, a cantora Gilmelândia, madrinha do projeto, participa fazendo números de mágica e levando música e mensagens afirmativas para as crianças.

“Eu amo o Amora porque desde que conheci o projeto fiquei encantada com a valorização que faz da criança, de ensinar a ela a ter autoestima, amar o cabelo dela, amar a cor dela, afinal é muito importante quando o ser humano se ama porque ela vai espalhar esse amor pelo mundo, essa autovalorização, porque a gente só pode amar o outro se a gente primeiro se amar”, observa Gilmelândia, que esteve no último dia 16 junto com o Amora na escola Quingoma, no bairro Caji, em Lauro de Freitas.

Foto: Magali Moraes

Gilmelândia começou a cantar ainda criança. A irreverência e o jeito moleca, características de Gil, marcam a sua carreira nos palcos. A energia contagiante dos shows mostra que a presença dela sempre foi um diferencial. “Tenho uma relação muito forte com o projeto e também estudei em escolas públicas. Sou apaixonada pelo Amora”, completa Gil. O evento Eu Brinco, Eu Existo é parte das ações do “Mais que brinquedos, representatividade”, único projeto baiano selecionado, dentre 172 inscritos, pelo edital Negras Potências realizado em 2018 em parceria entre o Benfeitoria e o Fundo Baobá.

O professor Paulo Henrique, coordenador do Lab Social, ambiente de negócios sociais da Unifacs, onde o projeto Amora foi germinado, pontua que o Amora é o “principal case de inovação social com foco em venda de produtos infantis, porque essa inovação é trabalhada em várias vertentes: criatividade, relacionamento com clientes, canais, parcerias, tornando o negócio sustentável  e contribuinte para a construção de uma política pública de trabalho em escolas municipais, para o enriquecimento sociocultural dessas crianças.”

Por desenvolver brinquedos que auto afirmam a identidade étnica da criança que brinca com eles, o Ateliê ganhou em 2017 o Prêmio International Laureautte de Empreendedorismo Social, que Paulo pontua como “um divisor de águas” na jornada do Amora: “foi para o projeto e foi para nós também, para que percebêssemos o quanto vale confiar no empreendedor que está à frente de um negócio. A parceria entre o Amora e o Lab Social é contínua e vemos o projeto como um importante multiplicador da importância do impacto social.”

“Montamos uma rede com importantes parcerias e apoios para ampliar o alcance da mensagem do Amora como negócio social, que vem resultando no crescimento do projeto, no seu alcance e na aparição dos primeiros resultados”, afirma Ivanna Soutto, Especialista em Gestão Cultural, mentora do projeto há dois anos.

Em 2018, além do Negras Potências, o Amora foi selecionado no primeiro semestre para ser pré-acelerado pela Vale do Dendê, uma holding social que fomenta o ecossistema de inovação e criatividade da cidade de Salvador, com foco no desenvolvimento do protagonismo dos jovens afro-brasileiros. Ainda nesse mesmo ano foi um dos 9 projetos (dentre 230 inscritos, oriundos de 16 países) que recebeu menção honrosa no Here for Good, premiação internacional que reconhece iniciativas de impacto social que conferem um bem à sociedade.

Jaciara Nogueira dos Santos Araújo, diretora da Escola Municipal Saturnino Cabral, uma das 12 escolas selecionadas pelo projeto, fala da sua alegria de ter visto um projeto como o Amora acontecendo na escola localizada no bairro Cosme de Farias: “Estamos aqui em um ambiente humilde, cercado de violência urbana, porém a comunidade acredita na escola, e escola realmente acredita no poder da educação. Aqui os meninos são extremamente interativos e educados, o que desmistifica isso de que a criança pobre é mal educada. Complicado é você ir para o shopping, ir nas lojas e não encontrar um brinquedo que pareça com você: tem que ter representatividade no brinquedo!”.

Criado e gerenciado por Geo Nunes, especialista em Design Estratégico, o Amora Brinquedos Afirmativos, em apenas três anos de atuação, já impactou a vida de centenas de pessoas, envolvendo costureiras e artesãs capacitadas com a tecnologia social de produção de bonecos, crianças impactadas diretamente através das oficinas e aquisição de bonecos e bonecas pretas e pessoas impactadas em palestras e oficinas que discutem representatividade negra infantil. Hoje, a cada peça vendida, uma é doada.

 

Últimas apresentações do evento Eu Brinco, Eu Existo:

_ Dia 20 de maio: Escola Municipal Calafate

Rua Direita do Calafate, 151 San Martim

_ Dia 28 de maio: Escola Municipal Periperi

Rua Rosalvo Barbosa Romeu, Periperi

Confira ações da Amora nas redes sociais:

Instagram: https://www.instagram.com/amorabonecas/

Facebook: https://www.facebook.com/amorabonecas/

Site: www.amorabonecas.com.br

Fotos e vídeos de todas as edições realizadas do Eu Brinco, Eu existo:

http://www.amorabonecas.com.br/eu-brinco-eu-existo-pg-64292