“Vivências negras: negação, aceitação….” – Por Mirella Lima


Vivências negras: negação, aceitação....Em seu livro “Branca Negra Negra Negra”, a escritora e jornalista nascida em Juazeiro (BA) e criada em Pernambuco,  Shirlene Marques, reúne crônicas que contam a história de negação e aceitação da sua herança negra, ao mesmo tempo em que relata casos de algumas personalidades negras deste país.

Com uma leitura simples, a autora descreve o processo que a fez renascer e identificar-se com a sua própria essência. Esta que foi negada e camuflada pela mídia opressora, pelo preconceito e padrões estabelecidos pela sociedade. Ser negro no Brasil é se despir de todo o preconceito que possa existir e está atrelada às esferas religiosas raciais e, sobretudo, culturais.

Nas histórias contadas por Shirlene, existe a real possibilidade de que o leitor se identifique com uma criança que cresceu ouvindo falar que tinha o cabelo ruim e que precisava estar sempre “alisada” para ser aceita.

Shirlene Marques
Banco de Imagens

Também é possível ler sobre fatos dos seus primeiros momentos de aceitação, como ser confundida com uma garçonete, a professora negra da faculdade que usa tranças ou sendo chamada de Globeleza e outras inúmeras situações que estão ligadas à ideia de que “ser negro é sinônimo de inferioridade”.

A obra nos leva a refletir as inúmeras vezes que a mulher negra é discriminada e levada à exclusão. Somente aos 37 anos, a autora nasceu negra e possui desejos infinitos de entender o mundo ao qual sempre pertenceu. E, hoje, fala com muito orgulho : “A empoderada está aí”!

Esta é uma resenha do livro “Branca Negra Negra Negra”, de Shirlene Marques. A resenha é uma colaboração da jornalista, Mirella Lima (PE) para o Portal SoteroPreta.