Carla Akotirene estrela nova campanha da TRESemmé


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Uma campanha nacional na TV em prol do poder feminino para além dos padrões estabelecidos pela sociedade e, ainda, para valorizar a atuação intelectual da mulher negra. É assim que a pesquisadora soteropolitana Carla Akotirene estrela a nova campanha da TRESemmé, linha de cuidados para os cabelos. O VT publicitário estará no ar a partir desta segunda-feira (24).

“Estou muito feliz pelo convite e pelo resultado da campanha, que além de valorizar outras identidades estéticas, contraria o pensamento patriarcal ao mostrar que uma mulher bonita, vaidosa, sensual, também pode ser intelectual”, afirma.

Trajetória

Nascida em Salvador, Carla Akotirene, 41 anos, é autora dos livros “Inteseccionalidade (2019)” e “E aí, Prezadas! (2020)”, é mestra e doutoranda em Estudos de Gênero e Feminismos na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Com formação em Serviço Social, atua como servidora pública em um posto de saúde da capital baiana.

Pensadora inquieta, Carla Akoritene mantém uma intensa atuação intelectual como pesquisadora, palestrante, consultora e ainda reserva espaço para interagir nas redes sociais com análises sobre os temas atuais e as opressões de gênero e raça que marcam a sociedade brasileira.

“Há uma cobrança social para as mulheres cuidem dos cabelos, mas esqueçam de cuidar das cabeças. O pensamento africano nos diz que cuidar da nossa cabeça é também valorizar nossa autoestima, estarmos bem conosco e termos a melhor representação de nós mesmas”, defende a escritora, que é regida pela orixá Oxum Apará, uma vaidosa guerreira para as religiões de matriz africana.     

 A TRESemmé é uma das mais reconhecidas marcas internacionais em produtos para cabelos, fundada pelo pioneirismo da empreendedora Edna L. Emme, em 1948, que apostou no bem estar como fator de empoderamento das mulheres.

 

ASSISTA:

 

Intelectual baiana Carla Akotirene é a nova colunista da Vogue!


A feminista negra, intelectual, assistente social e doutoranda em estudos de gênero Carla Akotirene estreia nesta sexta-feira (24), como colunista da Vogue. E sua chegada se dá justamente no mês de Julho, em que se comemora, no dia 25, a data marco da Mulher Afro-Latino Americana e Caribenha. Todos os meses, ela comandará lives com convidados especiais e produzirá textos discutindo gênero, mulheres e pautas interseccionais como racismo policial, Lgtbfobia, afetividade, intelectualidade negra e autocuidado.

A sua live de estreia chama-se “A Mulher Negra na América Latina – Desafios e Possibilidades” e será ao lado da editora de Atualidades, Claudia Lima. Carla Akotirene é autora dos livros “Ó Paí Prezada: Racismo e Sexismo Institucionais Tomando Bonde nas Penitenciárias Femininas”, da editora Pólen e “O que é interseccionalidade?”, lançado pela coleção Feminismos Plurais, coordenada pela filósofa Djamila Ribeiro. Este último aliás, ganhará tradução para o italiano com lançamento previsto para dezembro.

Em depoimento em suas mídias sociais, Carla destacou: “Minhas irmãs, amigos, pessoas que gostam de mim, admiram minha existência e torcem pelo nosso progresso, venho agradecer imensamente pelas oferendas em forma de palavras. Não existe na modernidade nenhum aparato público ou privado ausentes do racismo”, diz.

Ela disse ainda que a população negra precisa reconhecer a importância de “aprender a gostar de dinheiro”. “Eu tenho sérios problemas com hipossuficiência, com certeza um aprendizado colonialista, já que fomos sequestradas e sequestrados de nossa abundância”, conta a intelectual que teve sua conquista celebrada por diversas pessoas negras de referências, tais como: Taís Araújo, Djamila Ribeiro, entre outras.

“Lendo Mulheres Negras” começa 2019 com a autora Carla Akotirene!


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Abrindo o ciclo 2019 de encontros do Lendo Mulheres Negras, a convidada é a pesquisadora, mestre e doutoranda em Estudos Interdisciplinares de Gênero, Mulheres e Feminismos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Carla Akotirene.  O papo será sobre o seu livro “O que é INTERSECCIONALIDADE?”,  livro da coleção Feminismos Plurais com a coordenação de Djamila Ribeiro e publicado em 2018, pelo Grupo Editorial Letramento.

Trazendo críticas levantadas pela estadunidense Kimberlé Crenshaw, assim como o entendimento do que se refere a interseccionalidade para o feminismo negro, o livro de Carla Akotirene propõe o fortalecimento da decolonidade para a construção de saberes, levantando o nome de acadêmicas e ativistas negras como Sueli Carneiro, Ângela Davis, Patrícia Hill Collins, entre outras.

#FalaPreta – Carla Akotirene fala de seu livro na coleção “Feminismos Plurais”, de Djamila Ribeiro!

Lendo Mulheres Negras – Carla Akotirene

Data: 29/03

Horário: 17h

Local: CEAO – Centro de Estudos Afro-Orientais

Joice Berth, Djamila Ribeiro, Carla Akotirene, Rita Batista e Lívia Natália – JUNTAS!


Djamila Ribeiro

O terceiro ano do projeto Mulher com a Palavra terá a presença da filósofa Djamila Ribeiro, da assistente social e pesquisadora de Gênero Carla Akotirene e a arquiteta e escritora Joice Berth. Com mediação de Rita Batista, as três autoras da bem sucedida coleção Feminismos Plurais irão conversar com o público baiano, no dia 21 de novembro, às 20h, na Sala Principal do Teatro Castro Alves. A noite ainda contará com uma performance da escritora baiana Lívia Natália. 

TRANSMISSÃO – Carla Akotirene lança livro “O que é Interseccionalidade?” em Salvador!

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Carla Akotirene Foto: Lucas Seixas

Organizada pela Mestre em Filosofia Política e feminista negra, Djamila Ribeiro, a coleção visa abordar em uma série de pequenos livros diversos aspectos e perspectivas dos feminismos, tendo como pilar principal mulheres negras e indígenas e homens negros como sujeitos políticos. Comumente, esses sujeitos são tratados como implícitos ou relegados à condição de “mero recorte” dentro de uma história única e excludente. Feminismos Plurais segue a responsabilidade histórica de romper silêncios.

A intenção de pautar o tema #feminismos ao longo do ano parte da compreensão de que há uma diversidade de perspectivas de luta por igualdade, o que é perceptível por meio do uso uso da internet e das redes sociais, uma arena pública, onde todos emitem opiniões, compartilham experiências e posicionamentos.

PROGRAME-SE!

Mulher com a Palavra – Djamila Ribeiro, Carla Akotirene, Joice Berth e Lívia Natália
Dia 21 de novembro, às 20h
Palco Principal do Teatro Castro Alves
Ingressos: R$10,00 (inteira) e R$5,00 (meia entrada) (disponíveis nas bilheterias do Teatro Castro Alves, Balcões SAC e no site http://www.ingressorapido.com.br

TRANSMISSÃO – Carla Akotirene lança livro “O que é Interseccionalidade?” em Salvador!


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Foto: Antonio Terra

Na noite do dia 21 de novembro, às 19 horas, a pesquisadora baiana Carla Akotirene lança seu primeiro livro autoral, intitulado “O que é Interseccionalidade?”, o quinto volume da Coleção Feminismos Plurais. As primeiras 200 pessoas ganharão o livro.

VEJA AQUI TRANSMISSÃO DO LANÇAMENTO E COLETIVA COM DJAMILA RIBEIRO E CARLA NA FANPAGE DO SOTEROPRETA!

A Coleção Feminismos Plurais apresenta conceitos e debates fundamentais articulados por pensadoras e pensadores negras/os numa linguagem acessível e pedagógica. Impulsionada e coordenada pela filósofa Djamila Ribeiro, foi inaugurada com o best-seller “O que é lugar de fala?”, da própria Djamila Ribeiro, obra indicada ao Prêmio Jabuti em 2018. Os livros seguintes: “O que é empoderamento?”, de Joice Berth; “O que é encarceramento em massa?”, de Juliana Borges; e o “O que é racismo estrutural?”, de Silvio Almeida; já firmaram a Coleção como uma referência de produção intelectual negra no Brasil.

Carla atravessa o Atlântico, propondo uma encruzilhada discursiva para a interseccionalidade. Apresenta sete críticas ao conceito, dialogando com Angela Davis, Ochy Curiel, Gilza Marques, Jasbir Puar, Sueli Carneiro, Patrícia Hill Collins e Houria Bouteldja. Filiando-se ao método diásporico, ela busca explicar como esta “sensibilidade analítica”, cunhada pela estadunidense Kimberlé Crenshaw, no âmbito das leis antidiscriminação e pensada pelas feministas negras, está sofrendo maus usos pelas branquitudes acadêmicas, especialmente do Norte Global.

Temas como homonacionalismo, matripotência iorubá, racismo religioso, LGBTfobia e colonialismo moderno são enunciados centrais deste volume.

VEJA AQUI TRANSMISSÃO DO LANÇAMENTO E COLETIVA COM DJAMILA RIBEIRO E CARLA NA FANPAGE DO SOTEROPRETA!

 

QUEM É ELA

Doutoranda pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Carla Akotirene é referência nacional em estudos sobre gênero, raça e feminismo e sua obra foi a quarta mais vendida da FLICA – Festa Literária de Cachoeira.  O livro conta com escritas consagradas no campo acadêmico, como a doutora em sociologia, Ângela Figueiredo, responsável pelo texto de orelha, e a doutora em estudos étnicos e africanos, Zelinda Barros, que assina a nota introdutória.

No lançamento, serão distribuídos 200 (duzentos) exemplares, uma cortesia da Lola Cosmetics. A noite contará com a participação da coordenadora da Coleção Feminismos Plurais, Djamila Ribeiro, e também com a arquiteta e escritora Joice Berth.

Joice Berth, Djamila Ribeiro, Carla Akotirene, Rita Batista e Lívia Natália – JUNTAS!

Serviço

O que? Lançamento do livro “O que é interseccionalidade?”, de Carla Akotirene.

Quando? Dia 21 de novembro, às 19 horas.

Onde? TCA – Teatro Castro Alves.

#FlicaPreta – Carla Akotirene leva seu livro “O Que é Interseccionalidade?” para Cachoeira!


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Foto: Lucas Seixas

A oitava edição da Festa Literária Internacional de Cachoeira (FLICA), que acontece entre os dias 11 e 14 de outubro, no recôncavo baiano é marcada pela forte presença de autores negros em lançamentos de livros, mesas de debate e recitais.

No sábado, dia 13 de outubro, às 11h, tem o lançamento do livro “O Que é Interseccionalidade?”, da doutoranda em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo, Carla Akotirene (UFBA). O livro é o quinto da Coleção Feminismos Plurais, coordenada pela filósofa Djamila Ribeiro.

#FalaPreta – Carla Akotirene fala de seu livro na coleção “Feminismos Plurais”, de Djamila Ribeiro!

A obra traz a origem, o fundamento e as críticas ao conceito de interseccionalidade, uma sensibilidade analítica pensada por feministas negras, cujas experiências e reivindicações políticas eram desrespeitadas tanto pelo feminismo branco quanto pelo movimento antirracista, a rigor, focado nos homens negros.

A autora apresenta nesse volume sete críticas a interseccionalidade, dialogando com as pensadoras negras Angela Davis, Ochy Curiel, Gilza Marques, Jasbir Puar, Sueli Carneiro, Patrícia Hill Collins e Houria Bouteldja. “Quero explicar as condições estruturais do racismo, capitalismo e heteropatriarcado inseparadamente, bem como sob quais condições as mulheres negras como Marielle Franco são atingidas pela colonialidade”, diz Carla.

 

Sobre a Flica

Carla Akotirene afirma que “a Flica é a celebração intelectual do pensamento feminista negro nordestino para o Brasil e das trocas literárias pelo mundo. É a oportunidade de validação das nossas experiências como pontos de partida do conhecimento”.

A escritora também citou algumas mulheres inspiradoras: “Conceição Evaristo, Patricia Hill Collins e Djamila Ribeiro representam a nossa disputa de narrativa por outro modelo de humanidade. Estamos enfrentando os racismos epistêmicos, o espaço de fala. O lugar da nossa fala mostra que viemos aqui nos levantar contra os epistemicídios”.

 

SERVIÇO

O quê: Flica – Lançamentos de Livros com Temática Negra

Onde: Casa Educar para Transformar – Cachoeira – BA

Quando: De 11 a 14 de outubro de 2018

Quanto: Gratuito

#FalaPreta – Carla Akotirene fala de seu livro na coleção “Feminismos Plurais”, de Djamila Ribeiro!


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Foto: Antonio Terra

 

Carla Akotirene. Mulher negra, assistente social, pesquisadora da Epistemologia Feminista Negra, Doutoranda em Estudos de Gênero, Mulheres e Feminismo (UFBA) e coordenadora do projeto de Extensão da UFBA Opará Saberes, uma iniciativa que visa auxiliar estudantes negros e negras nos cursos de nível superior em Universidades estaduais e federais. E ela tem mais uma conquista pra acrescentar: autora do livro “O que é Interseccionalidade?”, da Coleção Feminismos Plurais, coordenada pela Mestra em Filosofia Política e feminista negra Djamila Ribeiro. Como foi isso? Carla Akotirene nos conta:

Portal Soteropreta – Carla, como surgiu o convite para a Coleção e o que você sentiu com ele?

Carla Akotirene – Ele veio ano passado, quando Djamila Ribeiro -ao proferir a Conferência de abertura da segunda edição da Opará Saberes – ratificou, publicamente, a necessidade do volume “O que é interseccionalidade”, deixando-me tomada pelo medo de escrever; aumentando o trabalho de si, coordenadora, que precisou lidar, muitas vezes, com as minhas autosabotagens. Sem dúvida, o racismo é o maior inviabilizador da escrita de uma mulher negra, conforme já explicou a mestiza Gloria Anzáldua. Para nós, mulheres negras do terceiro mundo, o medo de escrever pode fazer o “sangue coagular na caneta”.

Fomos condicionadas pela insignificância racial imposta às nossas epistemes africanas e, por mais que irmãs negras estejam ali, dizendo o contrário, temos dificuldade de apostar na Orientação do Sul global. Pra você ter ideia, à época, minhas alunas da UFBA fizeram rituais de incentivo espiritual, deixaram recados nos quadros e registraram depoimentos dizendo: Eu já li “o que é lugar de fala” da Djamila Ribeiro, agora quero ler Akotirene. “Professora, comprei “O que é Encarceramento em Massa”, da Juliana Borges, ela até cita a senhora”. “Professora, a Joice Berth lançou o que é empoderamento, escreva para nós, vamos nos sentir empoderadas coletivamente.”

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Portal Soteropreta – Seu tema nesta Coleção é “Interseccionalidade”. O que mais você pauta neste debate, e qual a urgência de tratá-los desta forma?

Carla Akotirene – A interseccionalidade é uma ferramenta metodológica pensada pelas feministas negras da diáspora africana, a fim de manifestar que, politicamente, a luta dos negros não escapa do caráter masculinista e do regime nacional heterossexista, bem como as pautas feministas só são possíveis graças ao racismo. Propriamente dito o conceito de interseccionalidade foi nomeado por Kimberlé Crenshaw, jurista estadunidense, no âmbito das leis antidiscriminação. Ela evidenciou o colonialismo, produtor do acidente estrutural sofrido por humanidades colonizadas, tendo em vista que o racismo, capitalismo e cis-heteropatriarcado se cruzam inseparadamente, repetidas vezes, atingindo frequentemente as mulheres negras posicionadas nas avenidas identitárias.

A interseccionalidade proporciona a articulação entre teoria, metodologia e prática aos acidentados durante esta colisão, amparando-os intelectualmente na própria avenida do acidente, ou seja, na encruzilhada discursiva.  Abordagens eurocêntricas por vezes chegam à contramão para darem socorro epistemológico, ignorando o contexto do acidente e causando, por conseqüência, mais fluxos no cruzamento de raça, nação, gênero e classe. É o modismo acadêmico da interseccionalidade. Estabeleço sete críticas ao conceito, dialogando com Angela Davis, Ochy Curiel, Gilza Marques, Jasbir Puar, Sueli Carneiro, Patrícia Hill Collins e Houria Bouteldja.

Portal Soteropreta – Como única preta nordestina nesta Coleção, o que significa pra você esta representatividade e como isso tangência sua temática?

Carla Akotirene – Vou responder usando a própria interseccionalidade. Assim como as negras estadunidenses sofrem o racismo epistêmico das branquitudes do Norte Global mas publicam assertivamente as teorias do ponto de vistas feministas negros acerca de nós, suas irmãs de barcos noutra América, as mulheres negras do nordestes são contempladas pela publicação da intelectualidade negra independentemente da fronteira. No entanto, sabemos que a publicação e autoridade discursiva das regiões sul e sudeste do Brasil marcam a diferenciação epistêmica entre quem pensa e quem faz o trabalho pesado. Então, Djamila Ribeiro, sem dúvidas, é uma brilhante feminista negra ao reconhecer que, mesmo sendo todas nós, independentemente de escolaridade, grandes intelectuais negras, somos atravessadas pelas encruzilhadas regionais de saber-poder.

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Portal Soteropreta – Você está à frente do Opará Saberes, uma iniciativa que pauta a presença feminina negra no campo acadêmico. Quais tem sido os frutos deste trabalho?

Carla Akotirene – A Opará Saberes descoloniza a teoria e rompe com a dependência epistemológica ocidental. Elaboramos nossas teses e dissertações, pleiteamos projetos acadêmicos sem as correntes da Europa. Como a academia é uma espaço de manutenção da colonialidade,desde a primeira edição a Opará nunca recebemos um centavo da universidade, também não acessamos quaisquer recursos governamentais formalmente instituídos. Particularmente guardo recursos espirituais para esta finalidade política, aliás, não restrita a mim. As formadoras são inúmeras, cito aqui Zelinda Barros, Denise Carrascosa e Dayse Sacramento que desde a primeira edição tem feito a proposta acontecer como pancada de água no epistemicídio. Este ano 70% das candidaturas aprovadas no mestrado e doutorado, nos estudos feministas da Universidade Federal da Bahia fizeram formação na Opará Saberes. Digo mais: As novas mestrandas e doutorandas foram assistir minhas aulas do Bacharelado em Gênero e Diversidade do início ao fim. Somos Extraordinárias e cheias de segredos para minar a Casa Grande.

Portal Soteropreta – Carla Akotirene e os Feminismos Plurais: que resultado podemos apreender deste encontro?

Carla Akotirene – Odé acertou, através do Orí de Djamila. Não teremos mais fome epistemológica. Estamos publicando, e assim como as yabás conseguem ser lindas e aguerridas, nós conseguimos evitar essencialismos, porque a noção identitária de ser de casa ou da rua, já explicada por Sueli Carneiro e Jurema Werneck, cabe à cosmogonia eurocêntrica, cuja visão é ocidental e apressada em levantar hipóteses fáceis sobre nós. Temos outros sentidos epistêmicos para dar conta. A rainha Osum trabalha fora de casa e manda bem na cozinha sem hierarquias, afinal, ela é ialodê.

A Coleção Feminismos Plurais aborda os feminismos, tendo como pilar principal mulheres negras e indígenas e homens negros como sujeitos políticos. Acesse aqui!

#OparáSaberes – Carla Akotirene, da revolta à ascenção negra em Mestrados e Doutorados!


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Foto Andreia Magnoni

Ela é assistente social, recém integrada no quadro de docentes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), pesquisadora da Epistemologia Feminista Negra, Mestra, Doutoranda em Estudos de Gênero, Mulheres e Feminismo (UFBA) e idealizadora do Opará Saberes.

Opará é uma iniciativa que visa auxiliar estudantes negros e negras nos cursos de nível superior nas Universidades estaduais e federais. Carla Akotirene é nossa entrevistada e falou pra nós sobre a iniciativa, que chega a sua 2ª edição na próxima terça-feira (24). Confira:

Portal Soteropreta  – De onde veio a ideia do Opará Saberes?

Carla Akotirene – Duma revolta intelectual, vontade de superar aquela inércia política durante o Mestrado, quando eu era única negra da turma e perdia nas disputas de cosmogonias e pensamento. Apesar de ter feito dissertação denunciando o racismo institucional imposto às mulheres negras encarceradas, nada de substancial estava fazendo para trazer outras negras para o Mestrado/Doutorado e, assim, aumentar o front. Na graduação havia idealizado o NUMAR – Núcleo Matilde Ribeiro, proporcionando discussões curriculares antirracistas e de gênero para o Serviço Social mas, no Mestrado, a apatia impediu de ajudar com unhas e dentes outras mulheres.

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Portal Soteropreta  – O que te deu o gatilho para criar esta formação?!

Carla Akotirene – Quando a jornalista Sueide Kintê lançou a “Campanha Mais Amor em Nós”, fiquei tocada no espírito. Após um banho de rio comentei com a historiadora Viecha Vinhático sobre a ideia de fomentar outras epistemologias às candidaturas de Mestrado e Doutorado, especialmente àquelas dedicadas nas pesquisas sobre racismo institucional, violência letal e encarceramento de mulheres negras. Sonhei, então, com a ideia do Opará Saberes, como yabá disposta a enxergar outros conhecimentos, não olhando exclusivamente para mim. Escrevi para as professoras Zelinda Barros, Ana Flauzina, Denise Carrascosa, Claudia Pons, Emanuelle Góes, Denize Ribeiro, Ana Claudia Pacheco e Elisabete Pinto, que aceitaram prontamente a instrumentalizar candidaturas negras para seleções de Mestrado e Doutorado. Ainda com Josane Silva, Dayse Sacramento, as parcerias foram se estabelecendo.

Portal Soteropreta  – O que o Opará Saberes trouxe para nós?

Carla Akotirene  – Estima-se 20 aprovações no Mestrado e Doutorado após a iniciativa. Dentre elas, Vagner Rocha no Doutorado CEAO/UFBA, Monica Santana em Artes Cênicas e Shirlei Sanveja no Mestrado PPGNEIM, esta que agora será uma das formadoras nesta segunda edição.

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Portal Soteropreta  – O que você espera deste novo Ciclo?

Carla Akotirene – Consolidar a plataforma moodle criada pelo Grupo Gira- UFBA, parceiro da Opará Saberes, como ferramenta colaborativa para revisar projetos e socializar glossário de conceitos chave nas provas teóricas dos estudos feministas e das ciências sociais aplicadas. Nesta ferramenta, vamos direcionar os projetos para pesquisadorxs afins. A prova de proficiência em língua inglesa, por exemplo, contará com a Dra. Raquel Luciana, tão conhecida pela tradução política. Outro ponto é a abordagem psicossocial da Rede Dandaras. Laura Augusta foi uma das parceiras no primeiro ciclo e agora vem como psicóloga nesta edição.

No dia 24 de outubro, o 2º Ciclo Formativo Opará Saberes será aberto pela conferência “Teoria do Pensamento Branco: Branquitude e Branquidade”, com o professor Lourenço Cardoso, às 14h. Será no auditório da Faculdade de Arquitetura da UFBA (Federação). Só chegar!

 

Tem muito mais, veja programação: 

#OparáSaberes – Djamila Ribeiro trará o “Pensamento de Simone de Beauvoir sob o olhar de uma filósofa negra”!

#DiálogosInsubmissos – Carla Akotirene e Ana Carla Portela no 2º encontro!


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Carla AKotirene – Foto Andreia Magnoni

Os Diálogos Insubmissos começaram nesta terça-feira (11), no Espaço Cultural da Barroquinha e foi daquele jeito: casa lotada!

O próximo encontro – neste sábado, 15 – já promete também: será no Goethe Institut – Corredor da Vitória e destacará dois dos 13 contos da obra de Conceição Evaristo: Natalina Soledad e Aramides Florença. Duas mulheres negras, duas histórias que se encontram em muitos pontos. A partir das 19h!

O primeiro conto – Natalina Soledad – será analisado pela Assistente Social, pesquisadora da Epistemologia Feminista Negra, Mestra e Doutoranda em Estudos de Gênero, Mulheres e Feminismo (UFBA), Carla Akotirene.

No conto, Evaristo traz formas de expressão do patriarcado e das relações desiguais de poder no âmbito familiar, pautando, ainda as rupturas necessárias a este modelo para a construção e/ou afirmação da identidade feminina.

Já a mestranda em Educação e Contemporaneidade (UNEB), Ana Carla Portela se debruçará sobre o conto de Aramides Florença, que decidiu por ter seu filho antes de resolver quem seria o pai – no pleno exercício de sua liberdade feminina no final do século XX.

Ter um filho havia sido uma escolha que ela fizera desde mocinha, mas que vinha adiando sempre. Vivia à espera de um encontro, em que o homem certo lhe chegaria, para ser o seu companheiro e pai de seu filho” (Evaristo, 2011, p. 13). 

 

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Ana Carla Portela – Foto Lis Pedreira

As apresentações de cada pesquisadora e o debate com o público serão mediados pela YouTuber do canal Narrativas Negras, ativista do Coletivo Enegrecer e da Marcha do Empoderamento Crespo, Samira Soares.

“Eu estou muito feliz em participar de um evento que tem uma energia ancestral muito forte. Me sinto no dever de cumprir um papel de intermediar diálogos potentes de mulheres negras, referências. Tenho a certeza que eu, assim como muitas outras, sairei transformada e ainda mais engajada na luta das nossas” – Samira Soares

Inspiração

Os Diálogos Insubmissos, idealizado pela pesquisadora Dayse Sacramento, reúne intelectuais negras baianas para analisar os contos da obra “Insubmissas lágrimas de mulheres”, lançada em 2011 pela escritora Conceição Evaristo. A autora estará no evento também, encerrando o ciclo, no dia 11 de agosto. Confira toda programação abaixo: 

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Projeto Mulher com a Palavra segue até outubro pautando Ciência e Afrofuturos


Rita Batista, Sônia Guimarães e Carla Akotirene – foto Caio Lirio

A quinta edição do ‘Mulher Com A Palavra’ segue até outubro deste ano, com mais dois novos episódios, sempre no último domingo de cada mês, às 18h, no canal do YouTube do Projeto e também na TVE. No encontro do dia 26 de setembro, o projeto falará sobre ‘Mulheres e Ciência’.

Será com Carla Akotirene, mestra e doutoranda em estudos feministas, e Sônia Guimarães, a primeira mulher negra brasileira doutora em Física. As personalidades discutirão sobre as importantes contribuições das mulheres no meio científico brasileiro e mundial, a despeito de serem minoria e muitas vezes não reconhecidas.

Mulher com a Palavra
Rita Batista, Monique Evelle, Preta Rara e Magareth Menezes Foto Caio Lírio

 

Já a última exibição da temporada, prevista para ir ao ar no dia 31 de outubro, vai trazer as perspectivas de artistas negras sobre o presente e apontando para o futuro, ultrapassando barreiras espaço-tempo, em ‘Afrofuturos’. Marcarão presença no episódio, a fundadora da Inventivos, plataforma de aprendizagem para o futuro do trabalho, Monique Evelle, a cantora Margareth Menezes e a rapper, historiadora, turbanista e escritora Preta Rara.

Serviço:

O que: Projeto Mulher com a Palavra – 5ª edição

Onde: TVE

Quando: Nos domingos 26/9 e 21/10, das 18h às 19h

Quem: Rita Batista e convidadas especiais