Audiovisual
Produtora baiana ‘Gran Maître Filmes’ foca em narrativas negras
Quatro cineastas baianos fundaram uma produtora com nome inspirado em religião de matriz africana: a Gran Maître Filmes. No contexto do vodu haitiano, “Gran Maître” é considerado o criador do cosmos, do céu e da terra, e a sua presença está no topo da hierarquia espiritual. Com projetos de destaque nacional e internacional, o intuito é ressignificar questões sociais através de histórias e narrativas interessantes, promovendo um espaço de criação audiovisual inclusivo e diverso para comunidades negras e grupos sub-representados.
O objetivo inicial era reunir pessoas interessadas em produzir seus próprios curtas-metragens de forma colaborativa, mas os projetos foram crescendo a ponto dos diretores Marcos Alexandre e Wesley Rosa e das produtoras Susan Rodrigues e Gabriela Correia, formados pela Unijorge e Universidade Federal da Bahia e com diversas especializações no setor, decidirem lançar a produtora especializada no desenvolvimento de projetos artísticos para cinema, televisão e plataformas digitais. A Gran Maître tem planos de expandir as ações para outras regiões do país no próximo ano, criando um ambiente propício de negócios e produções com América Latina, África e Europa.
“Os projetos refletem profundamente os valores da Gran Maître Filmes, pois através de cada filme propomos novos olhares para o cinema baiano. Buscamos contar histórias que dialoguem diretamente com as experiências das comunidades negras e outros grupos sub-representados. Acreditamos que essas narrativas podem alcançar novas audiências no país inteiro e também no exterior”, complementa Gabriela Correia.
Já consolidada no mercado, a produtora realiza parcerias e fomenta trabalhos autorais de co-produtores, cineastas, criadores e artistas emergentes que buscam um espaço inclusivo, além de curadores, players e organizadores de festivais comprometidos com a diversidade e inclusão. “Nossas narrativas priorizam as comunidades negras e grupos sub-representados, seja para cinema, TV, internet ou iniciativas formativas, desde a concepção criativa até a execução. Também promovemos a diversidade nas equipes e incentivamos um espaço criativo colaborativo e acolhedor”, afirma Marcos Alexandre, um dos fundadores.
Novidades nas telas
Caluim | Foto: Divulgação
Em circulação em diversos festivais nacionais está o curta-metragem “Caluim”, que retrata o racismo velado. O filme também foi licenciado para o Canal Curta! e VOD Streaming e também será apresentado em festivais internacionais no México, Colômbia, Uruguai, Chile e Argentina. Além disso, o sci-fi afrofuturista “Meu Pai e a Praia”, entrou em processo de distribuição internacional e está previsto para estrear ainda esse ano. A Gran Maître iniciou as gravações em Belo Horizonte do documentário “Preguiça: a trajetória de uma Mestra”, que celebra a trajetória de Cleonice Damasceno, primeira e única mulher a receber o prestigiado lenço branco da Capoeira Regional.
Outra novidade é a parceria inédita com a Open Television (OTV), premiada plataforma de streaming internacional e incubadora de mídia, e em co-produção com a Portátil e a DiALAB, para a realização do programa “Brave Futures”, que desafia cineastas soteropolitanos a criar, produzir e finalizar um curta-metragem de 3 a 7 minutos, em até 48h, usando a capital baiana como tela; e ainda o desenvolvimento do do longa-metragem “Alex” que além de ter tido importantes participações em laboratórios nacionais e internacionais, está sendo co-produzido com a Portátil para dar vida a história de um jovem bailarino negro de Salvador e a relação com sua mãe.
Audiovisual
Mostra Pitanga chega a Salvador com realização do CCBB
Entre os dias 31 de julho e 9 de agosto, Salvador recebe a Mostra Pitanga (@mostrapitanga), maior retrospectiva cinematográfica dedicada à trajetória do ator e diretor Antonio Pitanga, um dos nomes mais emblemáticos do Cinema Novo e do protagonismo negro no audiovisual brasileiro.
Realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e com curadoria de Camila Pitanga e Thiago Ortman, a mostra reúne 29 filmes, entre longas, médias e curtas-metragens, além de sessões comentadas, debates, curso e um catálogo digital inédito dedicado à carreira do artista. A programação é gratuita e será exibida no Cine Glauber Rocha (Centro) e no Cine Lankiana (Fazenda Grande 4). O projeto é realizado pela Lúdica Produções, com coordenação-geral de Diogo Cavour e produção-executiva de Ana Gabriela Dickstein.
Com quase 70 anos de carreira e cerca de 100 filmes no currículo, Antonio Pitanga tem papel fundamental na construção do cinema brasileiro. Dessa rica trajetória, a curadoria destaca clássicos do Cinema Novo, movimento do qual Pitanga foi um dos artistas mais marcantes, além de obras raras e produções contemporâneas de sua participação como ator e diretor.
Para a curadoria, a construção da mostra exigiu um olhar atento para uma trajetória artística extensa e diversa. “A ideia foi construir um arco que dialogasse com esse panteão do cinema brasileiro e com os filmes mais importantes da carreira do meu pai até os dias de hoje. É interessante perceber como essa trajetória conecta diretores consagrados e estreantes, diferentes momentos da história do país e questões que seguem dialogando com o presente e com o futuro”, afirma a filha do homenageado e uma das curadoras da mostra, Camila Pitanga.
Entre os destaques da retrospectiva estão os longas Barravento (1961) e A idade da Terra (1980), de Glauber Rocha; Ganga Zumba (1963) e A grande cidade (1966), de Cacá Diegues, além de O pagador de promessas (1962), de Anselmo Duarte, primeiro filme brasileiro a concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e único da história a conquistar o prêmio máximo do Festival de Cannes – hoje denominado Palma de Ouro.
A programação apresenta ainda títulos raros e menos conhecidos da filmografia do ator, como o curta-metragem Colagem (1968), de David Neves, e o contemporâneo Bom dia, eternidade (2010), de Rogério de Moura. Alguns filmes serão exibidos em versões restauradas, como A grande feira (1961) e Tocaia no asfalto (1962), dois longas do cineasta baiano Roberto Pires, precursor do Cinema Novo; além do já mencionado Barravento (1961), de Glauber Rocha, e A mulher de todos (1969), de Rogério Sganzerla.
A curadoria também apresenta um mergulho no papel de Pitanga em momentos decisivos da cultura e traz obras que abordam questões sociais e raciais em meio à ditadura militar, como Jardim de guerra (1968), de Neville D’Almeida, e Compasso de espera (1973), de Antunes Filho.
Segundo o curador Thiago Ortman, “Pitanga teve uma força de expressividade, de intensidade, de insubmissão de seus personagens que foi fundamental, e que hoje em dia, ecoam para além dos filmes. Esses personagens têm uma presença e uma força política, de contestação”.
Como diretor, Pitanga fez parte de uma geração que, junto com Odilon Lopez, Zózimo Bulbul e Waldyr Onofre, teve papel central na abertura de espaço para o cinema negro no Brasil. A mostra inclui suas duas obras como diretor, Na boca do mundo (1978), estreia de Pitanga na direção, e Malês (2025), que venceu o Troféu Jangada de Melhor Filme no Festival de Cinema Brasileiro de Paris.
SERVIÇO
Mostra Pitanga
Período: 31 de julho a 9 de agosto
Entrada Gratuita: Ingressos disponíveis na bilheteria uma hora antes de cada sessão
Locais: Cine Glauber Rocha (Praça Castro Alves, 5 – Centro, Salvador)
Cine Lankiana (Avenida Aliomar Baleeiro, Km 10,5, nº 15, Fazenda Grande 4)
Mais informações em: bb.com.br/cultura
instagram.com/
Classificação Indicativa: Consulte a programação
Curso: “Cinemas negros: histórias, escritas e percursos”
Professora: Izabel Melo
Datas: 5, 6 e 7 de agosto
Inscrições: bit.ly/mostrapitanga
Instagram: @mostrapitanga
Audiovisual
DiALAB abre inscrições para laboratórios audiovisuais
A DiALAB, plataforma baiana voltada ao desenvolvimento de carreiras, formação e conexão de profissionais negros no audiovisual, está com inscrições abertas para o DiALAB Talents, programa de consultoria e laboratório para projetos audiovisuais em desenvolvimento.
A iniciativa é direcionada a roteiristas e produtores de qualquer nacionalidade, que falem português ou espanhol, já tenham realizado longa ou curtas metragens e tenham algum projeto de filme e série para desenvolver.
Cada projeto inscrito deve ter, obrigatoriamente, um/a roteirista e produtor/a vinculados à proposta, sendo que pelo menos um dos dois profissionais deve ser autodeclarado negro.
As inscrições estão abertas até dia 10 de julho no site: www.dialab.me
Os projetos selecionados passarão por um programa especial orientado por profissionais do setor audiovisual renomados no Brasil e no exterior, entre eles: Xenia Rivery (Cuba), Tanya Valette (República Dominicana), Francine Barbosa (Brasil), Raquel Leiko (Brasil) e Matheus Mello (Espanha/Brasil), Johanné Gómez Terrero (República Dominicana). O programa inclui workshops, palestras, estudos de caso, exibição de filmes e séries e consultorias direcionadas ao aprimoramento de suas narrativas audiovisuais e capacidade criativa e mercadológica
Os interessados podem se inscrever em três categorias de desenvolvimentos de projetos em estágio inicial: o DiALAB Fics, DiALAB Docs e DiALAB Séries, que passam pelas fases de roteiro, produção e distribuição.
Já o DiALAB WIP é voltado para o estágio de pós-produção, uma consultoria para filmes em fase de montagem e finalização com foco na exibição e circuitos de festivais.
“A DiALAB amplia sua atuação ao conectar profissionais negros do audiovisual a redes internacionais de desenvolvimento, financiamento e circulação. Esta edição consolida parcerias estratégicas e fortalece a presença de projetos em diferentes territórios”, afirma Emerson Dindo, diretor executivo da plataforma.
Foto: Black Rec
Serviço
Inscrições abertas para DiALAB Talents
Categorias: DiALAB Fics, DiALAB Docs e DiALAB Séries, DiALab WIP
Até 10 de julho
Informações e inscrições: www.dialab.me
Audiovisual
Doc com Mateus Aleluia concorre no In-Edit Brasil 2026
O filme “Pontos de Força”, da Têm Dendê Produções, que estreia no dia 20 de junho (sábado) no In-Edit Brasil 2026 — Festival Internacional do Documentário Musical, concorre como melhor filme na competição nacional.
A natureza, as imagens e as paisagens do cotidiano de Cachoeira e do exercício do Candomblé na cidade do Recôncavo Baiano ilustram “Pontos de Força”, sob a direção e roteiro de Vânia Lima a partir da ideia original de Mateus Aleluia, que faz uma imersão em busca de sua ancestralidade através de uma leitura inovadora sobre a relação de sua arte com a fé, além de revisitar sua história.
Mateus Aleluia é um artista mergulhado na sua ancestralidade, construída desde a sua infância no Recôncavo da Bahia, em Cachoeira — cidade que, para ele, já nasceu sendo metrópole e como um ponto de convergência de interesses, “pela sua própria localização, pelas pessoas de decisões que aqui vieram parar.
Por esse encontro mesmo de cultura. Aqui estão os donos da terra, chegam os portugueses, depois vêm os africanos. Cachoeira é justamente isso, verdadeiramente afrobarroco”, define no documentário.
Diretora do filme, Vânia Lima lembra que Mateus é gravado com frequência por artistas de diferentes gerações da música brasileira — mais recentemente, Anitta trouxe para seu novo disco um trecho de “Cordeiro de Nanã”, dos Tincoãs, grupo liderado por ele.
“Na música, a investigação de Mateus consolidou o sotaque africano na MPB. O trabalho desenvolvido no Brasil e na África ganhou reverberação nas novas gerações da música brasileira, veteranos e novos talentos bebem da fonte de sua pesquisa e imersão na ancestralidade”. Para ela, “Pontos de Força” é uma oportunidade de evidenciar lugares sagrados de reencontro com o passado histórico e antropológico, crenças e culturas que emolduram a identidade baiana e brasileira.
O documentário visita terreiros e paisagens de Cachoeira, com depoimentos de lideranças religiosas, historiadores e guias turísticos que atestam que a cidade é um dos berços da cultura afro-brasileira e foi, durante muito tempo, uma das mais importantes do Brasil.
Sobre sua relação com a espiritualidade, tema recorrente de sua obra, Mateus define como uma realidade física. “Ela é. Não adianta eu concordar ou discordar. Ela independe. Aquilo que não é pra ser desaparece. Aquilo que é pra ser permanece, por mais que seja combatido”, fala, em “Pontos de Força”.
A direção de produção é de Bruno Ramos e Paula Hazin e Direção de Fotografia de Cláudio Antônio.
O filme integra a programação do festival com exibições no SPCINE Olido em sua estreia, às 16h do dia 20; CineSesc, no dia 27 de junho, às 20h30; e na Cinemateca Brasileira (Sala Grande Otelo), no dia 28 de junho, às 16h, em uma sessão com debate. “Bregueragem”, outro projeto da Têm Dendê, dirigido por Daniel Arcades, também foi selecionado para o festival e ganha exibição nos dias 18, às 19h, no Matilha Cultural; 20, às 21h, no Cine Bijou; e 24, às 15h, no CCSP Paulo Emílio.
Foto: Vinicius Xavier
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