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Religião

Terreiro Axé Omin Ifan recebe roda de conversa sobre legado ancestral

Ana Paula Nobre

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Foto: Divulgação

O Terreiro Ilê Axé Omin Ifan, em São Tomé de Paripe, em Salvador, receberá uma roda de conversa sobre acolhimento à população LGBTQIAPN+ e o legado ancestral através das gerações no candomblé, dia 22 de março (sábado), a partir das 10h.

A ação integra o projeto Okàn Dùdù, que articula saberes ancestrais e contemporâneos, conectando o candomblé às questões sociais.

Foto: Divulgação

A primeira edição do projeto conta somente com as pessoas de terreiro para debater importantes temáticas dentro da religião, como seus desafios e aproximações com a nova geração, compreendendo que a tradição depende da continuidade.

“Realizar itinerários formativos que fertilizam e diluem pontes entre os mais velhos e a juventude no candomblé é uma responsabilidade de todos nós, uma vez que a tradição implica em continuidade”, afirma Almerson Cerqueira, Bàbá Egbé do Ilê Axé Omin Ifan.

Música

Ópera dos Terreiros volta a Salvador com apresentação no TCA

Jamile Menezes

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O Teatro Castro Alves se prepara para receber a Ópera dos Terreiros, criação do compositor e maestro Aldo Brizzi, que assina também o libreto em parceria com Jorge Portugal. A apresentação marca o retorno a Salvador de uma obra ligada à história, à cultura e à espiritualidade afro-baiana.

A ópera conta uma história de amor entre Nzailu, um homem bantu vivendo em um quilombo e Dara, uma mulher nagô que vive e trabalha na Casa Grande. Ambientada no Recôncavo Baiano, em 1840, ela traz ambos separados por dois mundos que coexistem no mesmo território, mas que a estrutura escravista torna inconciliáveis.

A história dos dois amantes é acompanhada por um segundo plano, invisível e imaterial. Exu tece, sem ser visto pelos humanos, os fios de seus destinos, acompanhado por Oxum, Iansã e a Dona do Tempo. O mundo histórico do Recôncavo escravista e o universo dos Orixás
coexistem e interferem um no outro, conduzindo uma narrativa que parte de uma história íntima para falar da diáspora africana, da ancestralidade, da resistência e da formação do Brasil.

Os dois procuram realizar um amor atravessado pela violência da escravidão, pela resistência e pelo desejo de liberdade.

A obra é sustentada por uma presença maciça da percussão afro-brasileira, associada à eletrônica e em diálogo permanente com as vozes líricas, o coro e a cena.

A tradição lírica europeia encontra a experiência histórica, musical, corporal e espiritual afrodescendente da Bahia e, desse encontro, nasce uma forma particular de ópera brasileira contemporânea.

O espetáculo integra a Programação Artística – Operação Teste do Novo TCA, realizada por meio da Convocatória para Ocupação Artística Gratuita da Sala Principal – Edição Especial Novo TCA. A iniciativa busca garantir apresentações na Sala Principal durante o período de Operação Teste, etapa que integra o processo de retomada após as obras do Novo TCA.

FICHA TÉCNICA
Ópera dos Terreiros
Música: Aldo Brizzi
Libreto: Aldo Brizzi e Jorge Portugal
Direção de cena: Aldo Brizzi
Cenário e figurinos: Alberto Pitta
Desenho de luz: Rubens Almeida
Realização: Núcleo de Ópera da Bahia
Cantores principais: Irma Ferreira, Carlos Morais, Graça Reis, Josehr
Santos, Lucas Timóteo, Michel Silva, Milla Franco e Gabriel Menezes

SERVIÇO

Data: 11 de novembro de 2026
Horário: 20h
Local: Teatro Castro Alves (TCA) – Salvador, Bahia
Ingressos: à venda pela Sympla
Preços: R$ 100 / R$ 50 (meia); R$ 60 / R$ 30 (meia); R$ 40 / R$ 20 (meia)

Fotos: Beatriz Meneses

 

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Religião

Iniciados para Oxumaré homenageiam Babá Pecê pelos 60 anos de iniciação

Jamile Menezes

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Babá Pecê Oxumarê

Neste domingo (30), será celebrado o aniversário de Sivanilton Encarnação da Mata, conhecido como Babá Pecê, líder religioso do Ilê Axé Oxumarê, terreiro que celebrou 190 anos este mês. A data será marcada por uma homenagem que reconhece uma trajetória de fé, liderança e compromisso com a preservação das tradições religiosas afro-brasileiras.

Iniciados para o Orixá Oxumarê no Terreiro divulgam carta aberta em homenagem ao sacerdote, que celebra 60 anos de iniciação no Candomblé. A homenagem apresenta Babá Pecê não apenas a partir de sua trajetória sacerdotal, mas como guardião de uma tradição que atravessa gerações e mantém viva uma das importantes Casas religiosas do Candomblé brasileiro.

“Hoje, não celebramos apenas uma data. Celebramos uma vida consagrada ao sagrado”, afirma a carta, que relaciona os 60 anos de iniciação de Babá Pecê à história da própria Casa de Oxumarê e ao compromisso de preservar sua ancestralidade para as próximas gerações.

O documento destaca a Casa de Oxumarê como espaço de fé, memória, formação, resistência e continuidade do povo negro no Brasil. Apresentada como um “arquivo vivo da presença africana no Brasil”, no qual religião, história, conhecimento e pertencimento permanecem conectados, a instituição representa uma parte da preservação da memória e do patrimônio religioso afro-brasileiro de enfrentamento ao racismo religioso.

Confira carta na íntegra abaixo:

 

HOMENAGEM

60 ANOS DE INICIAÇÃO

Ao Babá Pecê • Sivanilton Encarnação da Mata

Homenagem a Babá Pecê pelos 60 anos de iniciação
Por Luciane Reis e os demais iniciados para o Orixá Oxumaré

Com licença aos mais velhos. Com licença aos ancestrais. Com licença aos Òrìṣà que sustentam esta Casa.

Com licença à sagrada Casa de Oxumaré, território de axé, memória, resistência e continuidade do povo negro no Brasil.

É com o coração tomado de gratidão, reverência e amor que a Ordem Primeira dos Filhos e Filhas de Oxumaré se apresenta diante do senhor, Babá Pecê, nosso Olorí Ègbé, nosso guia, nosso pai espiritual, nosso guardião.

Hoje, não celebramos apenas uma data. Celebramos uma vida consagrada ao sagrado.

Celebramos os 190 anos desta Casa que nos acolhe, nos forma, nos protege e nos ensina a caminhar com dignidade. Mas celebramos, sobretudo, os seus 60 anos de iniciação: seis décadas de entrega, silêncio, firmeza, renúncia, sabedoria e amor profundo aos Òrìṣà.

Sessenta anos de cabeça feita. Sessenta anos de serviço. Sessenta anos de axé sustentado com responsabilidade.

Babá, a Casa de Oxumaré não é apenas um terreiro. Ela é raiz. É escola. É quilombo. É arquivo vivo da presença africana no Brasil. É um território onde o sagrado se manifesta, mas também onde a história do nosso povo se preserva, se reorganiza e se projeta para o futuro.

E se esta Casa permanece de pé, respeitada e reconhecida como uma das grandes matrizes do Candomblé brasileiro, é porque homens e mulheres antes de nós dedicaram suas vidas a este fundamento. E porque o senhor, Babá Pecê, recebeu essa herança não como posse, mas como missão.

O senhor assumiu a responsabilidade de guardar uma linhagem. De proteger um território sagrado. De conduzir filhos e filhas. De dialogar com o mundo sem abandonar o fundamento. De honrar os que vieram antes e preparar os que ainda virão.

Essa é uma das maiores grandezas da sua caminhada: o senhor nos ensina que tradição não é passado parado. Tradição é movimento com raiz. É permanência com responsabilidade. É saber de onde se veio para não se perder diante do tempo.

Como Oxumaré, o senhor nos ensina o mistério dos ciclos.

Oxumaré é arco-íris e serpente. É a força que liga o céu e a terra. É o movimento que recolhe as águas e as devolve às nuvens. É a beleza que surge depois da tempestade. É riqueza que circula. É continuidade. É transformação.

Assim também tem sido sua trajetória, Babá.

O senhor atravessou ciclos. Sustentou mudanças. Protegeu memórias. Transformou ameaça em resistência, dor em aprendizado, fé em comunidade, ancestralidade em futuro. Onde muitos enxergam apenas religião, o senhor nos ensinou a enxergar civilização.

Onde muitos enxergam apenas um terreiro, o senhor nos ensinou a enxergar território, povo, conhecimento, cuidado, política pública, justiça social e direito à existência.

Porque defender o Candomblé, Babá, é defender a vida.

É defender a liberdade religiosa. É enfrentar o racismo religioso. É proteger crianças, idosos, mulheres, homens, famílias e comunidades inteiras que encontram no axé um caminho de pertencimento.

É afirmar que nossa fé não é menor, nossa memória não é folclore, nossos símbolos não são enfeites e nossos terreiros não são restos do passado. São instituições negras de futuro.

Por isso, sua liderança é religiosa, mas também é pública. É espiritual, mas também é social. É de fundamento, mas também é de coragem política no sentido mais profundo da palavra: a política da dignidade, da proteção do território, da preservação da memória e da defesa inegociável do povo de axé.

Babá, sua vida nos mostra que um Babalorixá é também educador, mediador, conselheiro, defensor, articulador e guardião de uma coletividade.

O senhor conduz com autoridade, mas também com cuidado. Com firmeza, mas também com escuta.

Com  tradição, mas também com  inteligência para  atravessar  os novos tempos.

Sua palavra orienta. Seu silêncio ensina. Sua bênção acolhe e também faz rir.

Sua presença organiza. Sua história sustenta.

Babá Pecê Oxumarê

Babá Pecê Oxumarê | Fto Vinícius Tourinho

Celebrar seus 60 anos de iniciação é celebrar a criança iniciada que se tornou sacerdote. É celebrar o filho que honrou sua ancestralidade. É celebrar o homem negro que fez da fé uma forma de serviço. É celebrar o líder que compreendeu que o axé precisa ser cuidado no altar, no chão, na palavra, na comunidade e também diante das instituições do mundo.

Babá Pecê, diante do senhor, nós nos curvamos não por submissão, mas por reverência.

Reverência a quem dedicou a vida à Casa de Oxumaré.

Reverência a quem preserva o sagrado sem transformar fundamento em espetáculo.

Reverência a quem conduz gerações.

Reverência a quem protege uma das casas mais importantes da história afro-brasileira.

Reverência a quem fez da própria vida uma ponte entre os ancestrais e os que ainda vão chegar.

Que Oxumaré continue envolvendo sua cabeça com luz, beleza, movimento e proteção.

Que Nanã lhe conceda longevidade e sabedoria. Que Xangô sustente sua justiça. Que Ogum abra seus caminhos. Que Oxum adoce seus dias. Que Iemanjá lhe cubra de cuidado.

Que todos os Òrìṣà desta Casa fortaleçam seu corpo, sua vida, sua missão e seu destino.

Babá, obrigado por nos ensinar que a fé também é memória. Que o terreiro também é nação.

Que ancestralidade também é responsabilidade. Que tradição também é futuro em movimento.

Se Oxumaré é o arco que liga o céu e a terra, o senhor é uma das mãos que mantém essa ponte aberta para nós.

Hoje, a Ordem Primeira dos Filhos e Filhas de Oxumaré se curva diante da sua história e se levanta fortalecida pelo seu exemplo.

Que seus dias sejam longos. Que sua cabeça siga abençoada. Que sua palavra continue orientando gerações.

Que sua vida permaneça como arco-íris sobre esta Casa: sinal de aliança, continuidade, proteção e axé.

KOLÓFÉ, BABÁ PECÊ.

Nossa bênção. • Axé

 

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Religião

Podcast Axé das Plantas chega à 3ª temporada

Jamile Menezes

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PODCAST AXÉ DAS PLANTAS

A 3ª temporada do podcast Axé das Plantas – Cura do Corpo e da Alma está chegando com a proposta de abordar as plantas dos biomas existentes no Brasil. As primeiras plantas trazidas para o público são da Caatinga, um bioma exclusivamente brasileiro, que ocupa nove estados nordestinos e o norte de Minas Gerais.

Esta temporada terá 5 episódios, com as seguintes plantas: Catingueira, Cactáceas, Juazeiro,  Jurema Preta, Licurizeiro e Umbuzeiro.

Os apresentadores Dr. Victor Diógenes Silva e Dr. Vagner Rocha, conversaram com 24 convidados e convidadas,, entre pesquisadores e pesquisadoras de universidades públicas brasileiras, caciques e caçicas, pajés, lideranças de terreiro de candomblé, juremeiros e quilombolas, consolidando a proposta do podcast de cruzar saberes tradicionais e da ciência moderna sobre as plantas medicinais do Brasil.

Esta temporada começar com a Catingueira não é por acaso, ela batiza o bioma. Extremamente presente e marcante na Caatinga, ela é conhecida popularmente também como “pau-de-rato” ou “catinga-de-porco”, resiste ao semiárido, é a primeira a renascer quando chegam as chuvas. A catingueira tem sido usada amplamente na medicina tradicional, suas cascas, folhas, flores e raízes são utilizadas na forma de decocção e infusão para o tratamento de gastrite, cólica, diarreia, asma, bronquite, diabetes, inflamação, além de apresentarem atividade curativa.

Participam também do 1º episódio a Caciça Neide, dos Truká Tupan; as artesãs Marlene e Maria Eliene, da Associação de Mulheres Quilombolas da Serra da Viúva; Makota Kayaci, do Terreiro de Katendê de Òdòmìròsóòdún ; Prof. Me. Maristela Mazzotti, Farmacêutica e Profª Colegiados Farmácia e Odontologia do Centro Universitário do Rio São Francisco- Unirios; Cacique Milton, liderança da Aldeia Pankararé, no Raso da Catarina; Profa. Márcia Vanusa da Silva, Doutora em Biologia e Professora do Departamento de Bioquímica do Centro de Biociências da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); e a jornalista cearense e podcaster Pamela Queiroz, criadora do Catingueiras.

Para o Dr. Victor Diógenes Silva, “A escolha de falar sobre os biomas brasileiros nasceu da importância de valorizar nossa biodiversidade, cultura e conhecimentos tradicionais. Cada bioma possui espécies e saberes únicos, que fazem parte da história e da identidade do nosso país. Queremos aproximar esses conhecimentos da sociedade de forma acessível e interessante. Falar sobre os biomas também é falar sobre preservação, saúde e cultura. É uma forma de mostrar a riqueza do Brasil e a importância de conhecê-la e protegê-la.”

Segundo o Dr. Vagner Rocha, “Chegar à terceira temporada do Axé das Plantas é uma conquista que mostra a força e a relevância do projeto. O apoio do Instituto Serrapilheira foi fundamental para ampliar o alcance e consolidar essa iniciativa de divulgação científica. Esse apoio nos permite continuar aproximando ciência, biodiversidade, cultura e sociedade. Também fortalece a valorização dos saberes populares e da nossa biodiversidade.”

Com lançamentos quinzenais, o podcast “Axé das Plantas – Cura do Corpo e da Alma” é uma produção da Universidade Federal da Bahia, em parceria com o podcast Viagem Gastronômica com Dr. Dendê, e apoio do Instituto Serrapilheira.

SERVIÇO:

3ª Temporada podcast Axé das Plantas – Cura do Corpo e da Alma

Estreia: 1º episódio em 28 de agosto de 2026, com lançamentos quinzenais dos demais episódios.

Streamings: Spotify, Deezer, Youtube, Apple Podcast e Amazon Music

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