Formação
Olodum realiza seminário “Milton Santos e a Geografia da Liberdade”
Nesta sexta (28), o Olodum realiza o seminário “Milton Santos e a Geografia da Liberdade: Pelourinho, Búzios e Olodum” como parte da programação do ÒDEDÉ – A Varanda Cultural do Olodum.
A edição de 2026 celebra o centenário de nascimento de Milton Santos (1926-2001), geógrafo baiano que se tornou um dos mais importantes intelectuais brasileiros e uma referência internacional do pensamento geográfico.
A proposta é revisitar a atualidade de sua obra e colocá-la em diálogo com questões que atravessam a história e o presente da população negra: território, cidadania, desigualdade, memória, resistência e direito à cidade.
A programação começa às 13h, com o credenciamento e uma sessão especial do Cineclube Olodum, que exibirá o documentário Encontro com Milton Santos: O Mundo Global Visto do Lado de Cá (2006), dirigido por Sílvio Tendler. Às 14h, acontece a Abertura Ritual e começa a Gira de Saberes “Milton Santos e a Geografia da Liberdade: Pelourinho, Búzios e Olodum”, reunindo pesquisadores com diferentes perspectivas sobre a obra, a trajetória e o legado do intelectual baiano.
A geógrafa Profa. Dra. Flávia Grimm, que foi orientanda de Mestrado de Milton Santos, é doutora em Geografia pela Universidade de São Paulo (USP) e realizou pesquisa de pós-doutorado junto ao Acervo Milton Santos, no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP). Pesquisadora da Geografia Humana e da tradição da Geografia Crítica brasileira, Flávia também foi curadora da Ocupação Milton Santos, realizada pelo Itaú Cultural em 2023.
Também participa da Gira de Saberes o historiador Prof. Dr. Bruno Moreira, professor do Instituto Federal da Bahia (IFBA), Campus Santo Amaro. Mestre e doutor em História pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com etapa de Doutorado Sanduíche no Instituto de Altos Estudos sobre a América Latina da Universidade Sorbonne Nouvelle, em Paris, Bruno dedicou sua tese à trajetória de Milton Santos durante a ditadura civil-militar brasileira, abordando sua prisão pelo regime, o exílio e as memórias produzidas sobre as perseguições sofridas pelo intelectual.
A mediação será realizada pela Profa. Dra. Ana Flávia Magalhães Pinto, historiadora e professora da Universidade de Brasília (UnB), pesquisadora das insurgências negras, da imprensa negra e das trajetórias intelectuais afro-brasileiras. Olodúnica de carteirinha, Ana Flávia mantém uma relação de proximidade e diálogo com o Olodum, o que confere à sua mediação um lugar especial na construção do encontro. Caberá a ela costurar as reflexões apresentadas pelos convidados e estabelecer as conexões entre o pensamento de Milton Santos, o Pelourinho como território negro de memória e disputa, a Revolta dos Búzios como projeto histórico de liberdade e igualdade e o Olodum como presença contemporânea de cultura, educação e resistência nesse território. Uma mediação que pretende fazer a história conversar com a geografia e ambas com a cidade que continua sendo escrita por quem a ocupa, transforma e reinventa.
O seminário será encerrado com uma performance poético-musical da juventude da Escola Olodum, aproximando pensamento, palavra, música e ancestralidade.
Ao celebrar Milton Santos no coração do Pelourinho, o ÒDEDÉ 2026 reafirma o compromisso do Olodum com a circulação do pensamento negro, a educação interétnica e antirracista, a preservação da memória e a produção de conhecimento para além dos espaços acadêmicos.
O ÒDEDÉ – A Varanda Cultural do Olodum é uma realização da Associação Cultural Olodum e conta com o apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio do Fundo de Cultura, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), através do Edital Eventos Calendarizados.
SERVIÇO
Seminário ÒDEDÉ 2026- Milton Santos e a Geografia da Liberdade: Pelourinho, Búzios e Olodum
Data: 28 de agosto de 2026 (sexta-feira)
Credenciamento e Cineclube Olodum: 13h
Horário: 14h às 18h
Local: Museu Eugênio Teixeira Leal – Pelourinho, Salvador/BA
Participação: gratuita, mediante inscrição prévia
Certificação: 4 horas
Inscrições: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfYpTnwnYqXEf0opgPGX9iji-4CjG0P2wFPeiirtB6NuTnn3w/viewform
Formação
Formação política debate legado de Maria Felipa e Abdias do Nascimento
A Marcha Coalizão e a Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) realizam, no próximo sábado (19), mais uma etapa do Curso de Extensão em Formação Política rumo à 47ª Marcha da Consciência Negra Zumbi e Dandara de Palmares. O encontro acontece das 9h às 12h, com transmissão pelo YouTube do LEPEL/UFBA.
A terceira aula da programação terá como tema “Maria Felipa e as lutas emancipatórias das mulheres negras na contemporaneidade, Paulina Chiziane e Abdias do Nascimento”, reunindo a Mestra Sônia Abiké Ribeiro e a professora doutora Gildete Clarinda das Virgens Silva.
A formação, realizada entre julho e novembro de 2026, integra a preparação para a 47ª Marcha da Consciência Negra Zumbi e Dandara, marcada para 20 de novembro, e homenageia duas referências da luta negra no Brasil: Maria Felipa de Oliveira, liderança da resistência na Ilha de Itaparica durante a Independência da Bahia, e Abdias do Nascimento, intelectual, artista e político reconhecido pela atuação no combate ao racismo e na afirmação da identidade negra.
O curso acontece em encontros mensais e propõe um espaço de aprofundamento teórico e fortalecimento da organização coletiva, articulando debates sobre memória, resistência e pensamento negro contemporâneo.
Realização: @a_marcha_coalizao_ e @conenoficial
Formação
Educativo Zumví promove formação para jovens negros
Fortalecer o ensino da história e da cultura afro-brasileira a partir da memória, da fotografia e de narrativas construídas pela própria população negra é a proposta do “Educativo Zumví: Educando Através da Memória e da Cultura Afro-Brasileira”, que será realizado em Salvador entre 22 de setembro até 22 de outubro de 2026.
A iniciativa busca contribuir para a aplicação da Lei 11.645 por meio de visitas mediadas, materiais pedagógicos e um Curso de Mediação Cultural voltado à formação de 30 jovens negros para atuação no mercado de museus e espaços culturais. O projeto também contará com visitas guiadas, para estudantes de escolas e universidades ainda no mês de outubro
Voltado principalmente para estudantes e educadores, o projeto está estruturado em três frentes. A primeira é a criação de uma metodologia de visitação mediada às galerias do Zumví, estimulando novas formas de contato com as fotografias e com as histórias presentes no acervo. A proposta é transformar a visita ao espaço cultural em uma experiência de aprendizado, reflexão e valorização da cultura afro-brasileira.
A segunda frente prevê a produção e distribuição de kits pedagógicos com imagens do acervo do Zumví, que poderão ser utilizados pelos educadores em sala de aula. Os materiais funcionam como ferramentas para ampliar as possibilidades de abordagem da história e da cultura afro-brasileira, levando para o cotidiano escolar registros visuais que apresentam diferentes dimensões da vida, da identidade, das manifestações culturais e das lutas da população negra.
A terceira vertente é o Curso de Mediação Cultural, voltado à formação e à inserção de 30 jovens negros de Salvador no mercado de museus e espaços culturais. A capacitação abordará práticas de mediação, memória, patrimônio e cultura, incluindo também aspectos relacionados à Acessibilidade Cultural, ampliando a compreensão sobre a construção de espaços culturais mais inclusivos e acessíveis.
Mais do que uma formação técnica, o curso parte da experiência do Zumví para apresentar aos participantes outras possibilidades de atuação profissional no campo da cultura. A instituição reúne décadas de experiência na preservação e ativação de um acervo produzido a partir do olhar de fotógrafos negros, além de uma atuação voltada à educação, à memória e à construção de narrativas próprias sobre a população negra.
Para Lázaro Roberto, fotógrafo e arte-educador, cofundador do Zumví Arquivo Fotográfico em 1990, a iniciativa representa uma continuidade do compromisso do arquivo com a preservação e a circulação dessas memórias.
“Para nós, do Zumví, trabalhar com educação é também uma forma de preservar e fazer circular memórias que por muito tempo ficaram fora dos registros oficiais. Nosso acervo nasceu do olhar de fotógrafos negros sobre suas próprias comunidades e histórias, e essa experiência nos permite contribuir para que novas gerações reconheçam a importância da cultura afro-brasileira e compreendam a memória como uma ferramenta de transformação. O Educativo Zumví amplia esse compromisso ao aproximar estudantes, educadores e jovens de um acervo construído a partir de diferentes vivências da população negra, criando possibilidades de aprendizado, formação e atuação nos espaços de cultura e memória”, afirma.
Memória, educação e representação
Fundado em Salvador, em 1990, por Lázaro Roberto, Aldemar Marques e Raimundo Monteiro, o Zumví Arquivo Afro Fotográfico nasceu do compromisso de registrar a vida da população negra a partir do olhar de fotógrafos negros. Desde então, o arquivo vem construindo um importante repertório visual sobre Salvador e a Bahia, reunindo registros de festas populares, manifestações de matriz africana, blocos afro, afoxés, movimentos sociais, territórios quilombolas, feiras, cenas do cotidiano, política, afetos e estética.
Essa trajetória faz do Zumví um espaço estratégico para iniciativas de formação que utilizam a memória e a fotografia como instrumentos educativos. Ao trabalhar com um acervo produzido a partir das próprias experiências e perspectivas da população negra, o projeto contribui para ampliar as referências apresentadas aos estudantes e fortalecer processos educativos comprometidos com a diversidade e com a valorização das culturas afro-brasileiras.
A atuação do Zumví também está inserida no debate sobre arquivos comunitários. A instituição integra o Conselho Nacional de Arquivos-CONARQ, fortalecendo sua participação em discussões sobre preservação da memória, protagonismo das comunidades e reconhecimento de acervos que ajudam a contar histórias que muitas vezes não estão presentes nos registros oficiais.
A nova sede do Zumví, no Rio Vermelho, amplia essa atuação ao reunir galeria de exposições temporárias, laboratório/estúdio, ações de mediação e atividades educativas. O espaço consolida uma proposta institucional voltada à formação de público, à preservação e à ativação do acervo e ao diálogo com parceiros locais, nacionais e internacionais.
O Zumvi Arquivo Afro Fotográfico é mantido com apoio do Fundo de Cultura do Estado da Bahia. O projeto Educativo Zumví: Educando Através da Memória e da Cultura Afro-Brasileira conta com Patrocínio da Wilson, Sons via Programa de Isenção Fiscal Viva Cultura – Salvador, da Prefeitura de Salvador, Secretaria Municipal da Fazenda– SEFAZ, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo –SECULT e Fundação Gregório de Mattos – FGM.
Programação do Curso de Mediação Cultural
O Curso de Mediação Cultural será realizado em duas turmas. A primeira etapa de inscrições acontece entre 10 de setembro até 15 de setembro, seguida pela divulgação dos selecionados no dia 18 de setembro. As matrículas devem ser realizadas do dia 18 de setembro até 21 de setembro. As aulas da primeira turma serão realizadas de 22 de setembro a 22 de outubro, com evento de certificação marcado para 24 de outubro.
Com o Educativo Zumví, memória, educação e cultura afro-brasileira se encontram em uma proposta que busca não apenas ampliar o acesso ao patrimônio e à história da população negra, mas também formar novos agentes para atuar na preservação, na mediação e na construção de narrativas dentro dos espaços culturais.
SERVIÇO:
O quê: Curso de Mediação Cultural do Zumví, iniciativa do projeto Educativo Zumví: Educando Através da Memória e da Cultura Afro-Brasileira.
Quem pode participar: Jovens, preferencialmente pessoas negras, provenientes de escolas públicas localizadas em regiões subúrbio, calçada, centro e comércio de Salvador ou que tenham ingressado no ensino universitário por meio de sistema de cotas a partir de escolas públicas dessas regiões.
Quando: De 22 de setembro até 22 de outubro.
Onde: Galeria do ZUMVÍ, no Pelourinho, Rua Gregório de Matos, 29, Salvador.
Inscrições: A primeira turma recebe inscrições de 10/09 até 15/09/2026.
Como se inscrever: As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas por meio do formulário online: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdopc03u18MMrwxIoKQB6BAtOscFBG0gmYLi7SgNnDuf-D76A/viewform?usp=header
Formação
Filhas de Gandhy formam mulheres com cursos musicais
O som dos tambores e dos clarins vai ganhar novas mãos no Pelourinho. A partir de 15 de setembro, o Afoxé Filhas de Gandhy inicia o segundo ciclo do Arte das Yabás, projeto de formação patrimonial que convida mulheres a se aproximarem da música, da memória e dos saberes que atravessam a tradição dos afoxés. Gratuita, a iniciativa oferece cursos de Percussão e Clarins, além de rodas terapêuticas para as participantes.
Com duração de dez meses, o projeto vai além do aprendizado técnico dos instrumentos. A proposta é criar um espaço de formação, pertencimento e troca, aproximando as alunas de referências culturais ligadas à trajetória do Afoxé e, ao mesmo tempo, fortalecendo a presença feminina na produção e na transmissão desses saberes.
A dimensão do cuidado também integra a formação. Quinzenalmente, as alunas participarão de rodas terapêuticas conduzidas pela psicóloga Beatriz Moreira. Os encontros serão espaços de escuta e diálogo sobre saúde mental, relações, desafios e experiências vividas pelas mulheres. A participação é exclusiva para as inscritas nos cursos e não exige uma segunda inscrição.
À frente das aulas de Percussão estará Rose Ratinha, percussionista formada musicalmente no Candeal e que iniciou sua trajetória aos 13 anos, nas ruas da comunidade. Integrante do primeiro ciclo do Arte das Yabás, ela retorna para formar uma nova turma. Ao longo da carreira, participou de projetos como Bolacha Maria, TIMBROWN e Trietá, com apresentações no Brasil e no exterior.
Em 2025, Ratinha esteve à frente, ao lado de Carlinhos Brown, do projeto FE MENINA, que reuniu 100 mulheres percussionistas no Carnaval de Salvador. A experiência dialoga diretamente com uma das ideias centrais do Arte das Yabás: ampliar espaços para que mulheres não apenas participem da música, mas também se reconheçam como instrumentistas e multiplicadoras desse conhecimento.
Já o curso de Clarins será conduzido pelo músico e educador baiano Geanderson Brito, bacharel, licenciado e mestre em Música pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Com experiência no ensino e na prática de instrumentos de sopro, ele acompanhará as participantes desde a aproximação com o instrumento até o desenvolvimento da técnica e da sonoridade.
Ao reunir formação musical, patrimônio cultural e cuidado emocional, o segundo ciclo reforça a proposta do Arte das Yabás de fazer da cultura também um território de fortalecimento feminino.
As vagas são limitadas e as inscrições são gratuitas.
Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento a Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.
Serviço
Projeto de Formação Patrimonial para Mulheres – Arte das Yabás | Ciclo 2
Cursos gratuitos de Percussão e Clarins para mulheres
Clarins: terças-feiras, das 15h às 17h
Percussão: terças-feiras, das 18h às 20h
Início dos cursos: 15 de setembro de 2026
Rodas terapêuticas: quinzenalmente, às quintas-feiras, das 18h às 20h, exclusivas para as participantes dos cursos
Primeiro encontro: 24 de setembro de 2026
Local: Sede do Afoxé Filhas de Gandhy
Rua Maciel de Baixo, nº 51, 1º andar — Pelourinho, Salvador
Inscrições gratuitas: [Formulário de inscrição](https://forms.gle/
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