Dança
Marcos Ferreira e Ruan Wills chegam em Lauro com “Cabeça Quente”
Depois de estrear no Espaço Xisto Bahia, em Salvador, Cabeça Quente, novo espetáculo de dança de Marcos Ferreira e Ruan Wills, chega a Lauro de Freitas no dia 16 de outubro, para apresentação gratuita no Cine Lauro de Freitas. A sessão será seguida de bate-papo com os artistas.
A obra parte da força de Oyá para investigar a raiva, a ancestralidade e as masculinidades a partir das experiências dos dois artistas, homens negros, gays, candomblecistas e periféricos. Em cena, a raiva não aparece como sinônimo de ódio ou descontrole, mas como uma força que nasce da consciência diante da violência e pode produzir movimento, transformação e continuidade.
A pesquisa coreográfica atravessa referências do Daró de Oyá, do funk, frevo, maracatu, samba, arrocha, pagodão baiano e capoeira, além dos gestos e danças presentes no cotidiano. Para Marcos e Ruan, trazer ritmos e danças cotidianas para a cena é uma forma de manter o fundamento vivo. Significa honrar a ancestralidade e o direito de continuar criando a partir dela.
“Desta forma mantemos o fundamento em movimento. Aprendemos a fluir na chama e nos ventos de Oyá. O espetáculo investiga uma cabeça que ferve, pensa, aprende e muda de temperatura. Cabeça Quente é sobre caminhos de continuidade”, destacam.
Após a apresentação em Lauro de Freitas, a circulação segue para o Espaço Cultural Alagados, em Salvador, no dia 22 de outubro, às 17h, também com espetáculo e bate-papo. Todas as apresentações da temporada são gratuitas.
Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.
SERVIÇO
O quê: Cabeça Quente – espetáculo de dança de Marcos Ferreira e Ruan Wills
Onde: Cine Lauro de Freitas
Quando: 16 de outubro de 2026, às 19h | Espetáculo + bate-papo
Entrada gratuita |Ingressos Antecipados – https://www.sympla.com.br/
Próxima apresentação: Espaço Cultural Alagados – Salvador | 22 de outubro de 2026, às 17h
Foto: Diogenes Neghet
Dança
Espetáculo “Cabeça Quente” estreia dia 1° de outubro
O que fazer com uma cabeça que tem todos os motivos para estar quente? É a partir dessa pergunta que os artistas Marcos Ferreira e Ruan Wills constroem Cabeça Quente, novo espetáculo de dança que estreia em outubro de 2026. A obra parte da força de Oyá para investigar a raiva, a ancestralidade e as masculinidades, tendo como ponto de partida as experiências dos dois artistas, homens negros, gays, candomblecistas e periféricos.
A temporada começa em Salvador, no Espaço Xisto Bahia, nos dias 1º, 2 e 3 de outubro, às 20h, com bate-papo após a apresentação do dia 3. Em seguida, o espetáculo chega ao Cine Lauro de Freitas, em 16 de outubro, às 19h, e ao Espaço Cultural Alagados, em 22 de outubro, às 17h. As duas últimas apresentações também serão acompanhadas de bate-papo. Todas as sessões da temporada de estreia são GRATUITAS e os ingressos podem ser retirados através do SYMPLA (https://www.sympla.com.br/
Depois de Dembwa, em que os artistas perguntavam “Qual é a pessoa mais antiga da sua família que você conhece?”, Cabeça Quente dá continuidade à pesquisa sobre ancestralidade e caminhos de existência com dignidade. Se no trabalho anterior o desejo era aprender com quem veio antes, agora Oyá surge como uma referência para ressignificar caminhos e posturas.
Raiva como consciência
Em Cabeça Quente, a raiva é também o ponto de partida para a criação. Mas não aparece como sinônimo de ódio ou descontrole. É compreendida como uma força que nasce da consciência diante da violência e pode produzir movimento, transformação e continuidade. Colocando em questão como os corpos de homens negros, gays e periféricos são percebidos socialmente.
“A raiva aparece como energia condutora da criação. Uma raiva que não nasce simplesmente do ódio, mas da consciência que surge quando a violência deixa de ser aceita como destino. Buscamos escutar essa força, perceber o que ela movimenta e no que pode se transformar quando encontra o corpo, a ancestralidade e o desejo de continuar.”
A pesquisa parte da compreensão de que, diante de tecnologias coloniais de morte, povos negros produziram tecnologias ancestrais de continuidade. Separação tornou-se comunidade; violência, ritual; memória, cultura; silêncio, linguagem; ausência, presença. “A sociedade embranquecida coloca nossos corpos pretos e bichas em descontrole. Mas a nossa raiva vem da consciência, uma estratégia afrofuturista de sobrevivência”, afirmam os artistas.
Do Daró ao vento
O Daró de Oyá, ritmo tocado para a yabá, é um dos fundamentos da pesquisa coreográfica. A partir dele, os movimentos baseados no ternário entram em diálogo funk, frevo, maracatu, samba, arrocha, pagodão baiano, capoeira e o gingado dançado nas avenidas carnavalescas. A cena é atravessada pela circularidade e pela sinuosidade. Os corpos se encontram e se enfrentam. Há um corpo que se arma para a guerra cotidiana, mas também um corpo que aprende a reconhecer, retornar e mudar de direção.
Em determinado momento, os intérpretes assumem a força da búfala. Chifres, braços e musculatura constroem uma presença de potência, enquanto os pés sapateiam em referências às brincadeiras de infância. O corpo-búfala circula e, aos poucos, se transforma em vento. O movimento passa pela ginga da capoeira e chega ao eruexim (ferramenta de Oyá), que também se transmuta: vira força, gesto, punho cerrado.
A sequência conduz ao confronto, ao afronte e ao ranger dos dentes. Em dança, a força física abre espaço para uma reflexão sobre o masculino. É quando se reafirma uma das questões centrais do espetáculo. A partir do ofó (poder da palavra) do cantor, compositor e pesquisador da ancestralidade musical pan-africana Mateus Aleluia, na canção O Sagrado Masculino, afirma-se: “o sagrado masculino é gestado e parido pelo sagrado feminino.”
A afirmação conduz uma reflexão sobre as referências que formaram esses homens e sobre as mulheres — avós, mães, tias, irmãs e tantas outras — que ensinaram os artistas a existir. Reverenciar o sagrado feminino, portanto, também significa questionar os modelos de masculinidade construídos por uma sociedade marcada por estruturas coloniais e patriarcais.
“Nossa experiência enquanto homens negros, gays, candomblecistas e periféricos nos coloca diante da necessidade de questionar essas aprendizagens e imaginar outras formas de existência. Estamos aprendendo com Oyá a força de uma cabeça quente: de passear pelos planos, fluir na chama e saber medir os graus a menos ou a mais, conforme nossas necessidades”.
SERVIÇO
O quê: CABEÇA QUENTE – espetáculo de dança de Marcos Ferreira e Ruan Wills
Espaço Xisto Bahia | Salvador
01, 02 e 03 de outubro de 2026, às 20h
Bate-papo: 03 de outubro
Cine Lauro de Freitas
16 de outubro de 2026, às 19h
Espetáculo + bate-papo
Espaço Cultural Alagados
22 de outubro de 2026, às 17h
Espetáculo + bate-papo
Entrada: GRATUITA – ingressos disponíveis pelo SYMPLA (https://www.sympla.com.br/
Dança
Dimi Ferreira lança livro “Existe uma dança afro-contemporânea?”
Dançarina, coreógrafa e professora de Dança, Dionisia (Dimi) Ferreira estudou música, dança popular e tradicional. Baiana radicada na França, estudou técnicas clássica, Limon, Graham e Dunham nos grupos África Poesia e Mantra Companhia de Dança. Em Salvador, ela lança seu primeiro livro – “Existe uma dança afro-contemporânea” (EDUFBA) na FLIPELÔ, dia 8 de agosto, a partir das 18h, onde vai disponibilizar para novas vendas, autógrafos e diálogo com o público. O stand da EDUFBA estará na Faculdade de Medicina da Bahia, no Terreiro de Jesus (Pelourinho).

O livro é resultado de uma pesquisa de campo realizada em 1995 e 1996, quando a autora estudava na Universidade Paris V. Um compilado de relatos de coreógrafos de diferentes regiões, discutindo a diversidade da dança negra global. Na obra, o leitor encontra entrevistas com nomes como Alphonse Tiérou e Georges Momboye (Costa do Marfim), Koffi Kôkô (Benin), Germaine Acogny (Senegal), Norma Claire (Guiana Francesa e França), Katherine Joséphau (Guadalupe – Antilhas Francesas), Armando Pekeno (Brasil), Kettly Noël (Haiti), Rick Odums (EUA) e Elsa Wolliaston (Jamaica e EUA).
“Elsa, grande dama pioneira das danças africanas e da dança contemporânea de expressão africana na França, que nos deixou em março deste ano. Em 1996, ela foi a última entrevistada e a primeira que respondeu, quase 30 anos depois, ao meu pedido de autorização para publicar sua foto neste livro. Ela era tão grande na sua arte quanto acessível e sensível”, lembra Dimi.

Em suas abordagens, Dimi abriu portas para novas descobertas e reflexões sobre a diversidade de concepções, de processos criativos e de visões com relação aos outros estilos de dança. Apectos como a concepção do movimento e a técnica, a concepção musical, a relação com o públic, acessórios e figurinos, a utilização da improvisação, a distinção e a ligação entre suas danças da dança clássica, contemporânea ocidental, jazz e das danças africanas tradicionais, foram alguns dos abordados nas entrevistas.
“Espero que o compartilhamento de visões e saberes através deste livro alimente, de alguma forma, nossas danças e pesquisas. Nós, baianas e baianos, que temos os continentes africano e europeu tão perto, mas também tão afastados pelas barreiras linguísticas e geográficas”, diz Dimi.
Sobre a autora
Nascida em Cachoeira (BA), Dionisia (Dimi) Ferreira se formou em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde também se especializou em coreografia. É mestra em Dança Contemporânea, na área de Pesquisa, na Universidade René Descartes (Paris) e professora titular de Dança Contemporânea no Conservatório Charles Munch, também em Paris, desde 2012. Na instituição ela criou e dirigiu o Balé Jovem de 2015 a 2019 e, atualmente, coordena o projeto « Ce soir on improvise » (Esta noite se improvisa), que reúne jovens estudantes de música, teatro e dança de vários conservatórios de Paris.
Desde 1992, sua abordagem ao mesmo tempo simbólica e coreográfica das danças afro-brasileiras gerou várias criações. Em 2000, foi selecionada para o Festival de Bagnolet, ganhando o concurso de Danças Mestiças presidido por Norma Claire. Por 18 anos, Dimi foi professora de dança afro-brasileira na Associação Danses du Monde e no Conservatório Camille Saint-Saëns em Dieppe, na Normandia, França.
Enquanto dançarina ela colabora no Brasil com Armando Pekeno, Marcelo Moacyr, Paulo Fonseca e Lícia Morais. Em Paris ela dança para Kettly Noël, Cláudio Basílio e Thierry Guedj. Muito interessada pela improvisação, em 2003 a artista participa deum show de Steve Coleman, ao lado das dançarinas/coreógrafas brasileiras Rosangela Silvestre e Vera Passos, e em 2024 no show em homenagem a Naná Vasconcelos, a convite de Zé Luis Nascimento e Fred Soul.
Dança
Jamile Alves e Velluma Azevedo realizam vivência com samba raiz
“O samba te chama. E esse chamado é ancestral.”
O bairro da Massaranduba vai receber no próximo dia 19 de julho (domingo), a imersão “O Samba Te Chama”. O encontro será na Associação de Moradores, uma manhã de conexão com o samba raiz, suas origens e significados.
Conduzida pelas artistas Jamile Alves e Velluma Azevedo, a vivência terá som ao vivo, mergulhando o público na essência do samba como linguagem de resistência, celebração e identidade.
O intuito é promover um espaço de partilha, cuidado coletivo e fortalecimento das raízes.
SOBRE ELAS
Jamile Alves é atriz do Bando de Teatro Olodum desde 2001, reconhecida por sua trajetória artística comprometida com a valorização da cultura afro-brasileira. Além de atriz, é arte-educadora e militante, atuando diretamente na formação, conscientização e fortalecimento da identidade negra através da arte. Sua pesquisa e prática atravessam o teatro, o corpo e o samba como ferramentas de transformação social e resgate ancestral.
Velluma Azevedo é advogada, especialista em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia Política de São Paulo (FESPSP), mestranda em Relações Internacionais pela UFBA e sambadeira. Em sua atuação artística, vai conduz o público por uma experiência de reconexão com a ancestralidade, valorizando a memória coletiva, o feminino negro e a potência do samba como território de resistência e liberdade.
Serviço:
Data: 19 de julho
Horário: 9h às 11h
Local: Associação de Moradores – Rua Jaime Coelho, nº 07, Massaranduba
Valor: R$ 35,00
PIX e envio de comprovante: (71) 99350-6953
Vagas limitadas
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