Teatro
O espetáculo ‘Namíbia, Não!’ retorna ao Teatro Sesc Casa do Comércio
O aclamado espetáculo ‘Namíbia, Não!’, escrito por Aldri Anunciação e dirigido por Lázaro Ramos, retorna ao Teatro Sesc Casa do Comércio, em Salvador, nos próximos dias 14 e 15 de abril. A montagem que conquistou mais de um milhão de espectadores no Brasil e na cena internacional, como Portugal, Londres e Alemanha, comemora os seus “15 anos de espetáculo”, com duas únicas sessões, a partir das 20h.
Sucesso de público e de crítica, a montagem que deu origem ao longa-metragem “Medida Provisória” (2022) e que venceu o ‘Prêmio Jabuti’ (2013), retorna à cena com os primos Antônio (Aldri Anunciação) e André (Jhonny Salaberg) no centro do confinamento.
Deportando pessoas negras às repúblicas afrodiaspóricas, mas ‘Namíbia, Não!’, o espetáculo aguarda baianos e turistas para a temporada em Salvador, anunciando a montagem com figuras conhecidas da dramaturgia. As interpretações em ‘off’, que atravessaram quase duas décadas de espetáculo, chegam nas vozes do ator Wagner Moura como ‘Ministro da Devolução’; Léa Garcia (1993 – 2023) como ‘Mãe Idosa’; Suely Franco como ‘Dona Araci’; Pedro Paulo Rangel (1948 – 2022) como ‘Seu Nina’ e Lázaro Ramos como ‘seu Machado’.
Trazendo à memória do público as vozes que marcaram a dramaturgia brasileira, a montagem ‘Namíbia, Não!’ celebra a sua temporada comemorativa pela longevidade da peça, ao passo que reafirma sua contemporaneidade após o endurecimento de políticas migratórias e deportações no cenário global. Idealizado pelo autor, ator, diretor e produtor Aldri Anunciação, o espetáculo já rodou mais de 20 cidades e 11 estados, totalizando mais de mil apresentações ao redor do Brasil e do mundo.
“O espetáculo trabalha com um desenho de vozes (vozes ‘fantasmas’ e vozes muito reais) que pressionam as personagens por dentro da narrativa. E uma dessas vozes é a voz do poder, uma voz opressora, que determina a execução da Medida Provisória — essa ideia brutal de exigir que pessoas negras ‘retornem’ à África em pleno século XXI. Dramaturgicamente, essa voz é decisiva porque ela materializa a máquina do Estado e fecha o cerco, empurra as personagens para o limite e participa diretamente do desfecho do conflito. E aí entra a importância de personagens como o de Wagner Moura, que empresta a essa figura um timbre de autoridade e uma densidade interpretativa que tornam o dispositivo ainda mais forte. Outras participações em off, como a de Léa Garcia, que é um ícone do teatro, cinema e TV do Brasil e pioneira abrindo o caminho para toda uma geração, traz ainda mais nostalgia à peça”, comenta Aldri.
Saindo do off para contracenar no palco do ‘Teatro Sesc Casa do Comércio’, Aldri se junta a Jhonny Salaberg para provocar boas risadas do público, mas não sem antes propor uma reflexão sobre uma diáspora reversa que atravessa a contemporaneidade. Os cidadãos de “Melanina Acentuada” — como atendem no longa ‘Medida Provisória’ — seguem confinados a uma narrativa de reparação social que, na visão do autor e ator Aldri Anunciação, entra no próprio enredo como critério de perseguição estatal.
“Melanina” nasce dentro da obra como um gesto dramaturgicamente prático e politicamente irônico. Em num momento em que se discutia muito como nomear a negritude (preto, negro, etc.), eu crio um termo próprio ‘melanina acentuada’ que desloca a conversa do rótulo para o mecanismo do racismo, e ainda lembra que melanina é um elemento biológico humano (em diferentes gradações). Essa expressão entra no próprio enredo como critério absurdo de perseguição estatal. E ela extrapola o palco porque vira linguagem de rede, dá nome a uma plataforma e a um ecossistema de produção/circulação de narrativas negras, com festival e portal. No campo acadêmico, isso também vira chave de leitura, com pesquisas e dissertações que mobilizam a obra e a discussão de ‘melanina acentuada’ como categoria para pensar teatro negro contemporâneo e política do corpo”, explica.
O espetáculo ‘Namíbia, Não!’ é uma realização da Melanina Acentuada Produções, com apoio do SESC Bahia.
SERVIÇO:
[Espetáculo ‘Namíbia, Não!’ – 15 anos]
Onde: Teatro Sesc Casa do Comércio – Av. Tancredo Neves, 1109 – Caminho das Árvores, Salvador – BA, 41820-021
Quando: 14 e 15 de abril
Horário: a partir das 20h
Ingressos: via Sympla
FICHA TÉCNICA
Texto: Aldri Anunciação
Elenco: Jhonny Salaberg e Aldri Anunciação
Direção geral: Lázaro Ramos
Assistência de direção: Ana Paula Bouzas, Caio Rodrigo e Bárbara Barbará
Direção musical: Arto Lindsay, Wladimir Pinheiro e Rafael Rocha
Supervisão artística: Luiz Antônio Pilar
Produção musical: Rodrigo Coelho e Rafael Rocha
Desenho de luz: Jorginho Carvalho
Adaptador de Desenho de Luz e Técnico de luz: Caboclo de Cobre
Cenário: Rodrigo Frota
Assistência de Cenografia: Erik Saboya
Cenotécnico e contraregra: Leonardo Brito
Técnico de som e projeção: Raif Emerich
Figurino: Diana Moreira
Assistente de figurino: Mariane Lima
Modelista: Dora Moreira
Preparador de lutas: Felipe Khoury
Produção executiva: Fernanda Daltro
Coordenação de produção: Renata Peralva
Assessoria de imprensa: CRIATIVOS
Realização: Melanina Acentuada Produções
PERSONAGENS NOS VÍDEOS
Nóia Maria: Luis Miranda
Maria Beltrão: Maria Beltrão
Capitão Ricardo: Edmilson Barros
Apresentadora de TV: Cláudia Ventura
Repórter: Antônio Fragoso
VOZES DOS PERSONAGENS (EM OFF)
Mãe idosa: Léa Garcia
Ministro da Devolução: Wagner Moura
Socióloga: Ana Paula Bouzas
Policial 1: Caio Rodrigo
Policial 2: Marcelo Flores
Garota assaltada: Laura Castro
Moleque: Francisco Pithon
Dona Araci: Suely Franco
Seu Machado: Lázaro Ramos
Seu Nina (vizinho): Pedro Paulo Rangel
Advogado: Filipe Pires
Aeromoça: Evelin Buchegger
Repórter em Angola: Antônio Fragoso
Teatro
Espetáculo “Preta” estreia nos dias 30 e 31 de Maio, no Xisto
Livremente inspirada na consagrada peça teatral ‘O Santo Inquérito’ de Dias Gomes, o espetáculo ‘PRETA’ é ambientado no ano 3000 e sua encenação se ampara em elementos de religiões de matriz afro-brasileira e o cristianismo, com foco na discussão do poder opressor do patriarcado, no empoderamento feminino e na intolerância religiosa.
A peça tem Direção Geral, Texto, Figurinos e Adereços de Fernando Santana, é encenada por intérpretes formandos da Oficina de Atores Salvador que tem a Coordenação da Professora, Atriz e Diretora Aline Nepomuceno.
O espetáculo ‘PRETA’ reflete, de forma distópica, uma sociedade que uniu dois polos importantes na constituição de uma sociedade (política e religião), e que regrediu, de forma geral, em valores e princípios humanos e sociais, mas que também, ao longo da trama, aponta curas de muitas feridas sociais em comparação ao nosso período atual da história.
SERVIÇO
‘PRETA’ tem sua estreia confirmada no Teatro Espaço Xisto Bahia
30 e 31 de Maio, (Sábado: 19 horas e domingo: 16 horas)
Ingressos disponíveis na bilheteria do Teatro, (pagamento via Pix, cartão ou espécie por 30 e 15 reais (meia)
A duração é de 70 minutos. Classificação 14 anos
MINI BIO DE FERNANDO SANTANA
Fernando Santana é um artista baiano, Bacharel em Interpretação Teatral pela UFBA. Também é Dramaturgo, Roteirista, Diretor Teatral, Cenógrafo, Aderecista, Figurinista e Monitor Artístico. É cofundador da Sinuosa Companhia de Teatro e integra o Colectivo Âmbar- rede de artistas e promotores cênicos da América Latina. Possui também formação em clown, dança afro e canto popular. Está presente no campo artístico há mais de 26 anos e atuou e se mantém atuante em mais de 60 produções artísticas no teatro, cinema, streaming, TV e publicidade.Dentre elas destacam-se ‘Namíbia, Não!’, ‘O Filho de Mil Homens’, ‘Mesmo Sem Te Tocar’ e ‘Exu- A boca do Universo’.
Teatro
Bando de Teatro Olodum é finalista do Prêmio Sim à Igualdade Racial
O Bando de Teatro Olodum foi indicado como finalista ao Prêmio Sim à Igualdade Racial 2026, na categoria Arte em Movimento, integrante do pilar Cultura. A premiação, oferecida pelo Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), é reconhecida por valorizar iniciativas que promovem a equidade racial, a diversidade e a inclusão por meio de diferentes linguagens artísticas.
A categoria Arte em Movimento celebra expressões artísticas, em formatos físicos e digitais, protagonizadas por pessoas negras ou indígenas, que impulsionam reflexões sobre pautas étnico-raciais, justiça climática e transformação social. Neste ano, o Bando integra uma lista de finalistas que reúne importantes nomes e projetos que são pilares da cultura negra e indígena contemporânea.

Foto: Leticia Franca
A cerimônia de entrega do prêmio acontecerá no dia 13 de maio, no Rio de Janeiro, e será exibida no dia 24 de maio, após o Fantástico, na TV Globo, além do canal oficial da premiação no YouTube. O Bando será representado na cerimônia pelas atrizes Cássia Valle e Valdineia Soriano e os atores Jorge Washington e Renan Motta.

Com mais de três décadas de trajetória, o Bando de Teatro Olodum reafirma sua relevância ao seguir contribuindo para o teatro brasileiro com uma linguagem própria, marcada pela valorização das identidades negras, pelo enfrentamento ao racismo e pela formação de gerações de artistas comprometidos com a arte engajada.

Em abril deste ano, o Bando de Teatro Olodum foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador, por meio de lei municipal proposta pela Câmara de Vereadores.
Ao lado do Bando, também concorrem na categoria nomes e iniciativas de grande impacto cultural, como o artista visual Dalton Paula, com o projeto “O Sertão Negro”; o DJ indígena Eric Terena; o projeto “O Futuro é Ancestral”, liderado por Alok e Devam Bhaskar; a rapper Souto; além do Zumví Arquivo Afro Fotográfico, referência na preservação da memória afro-brasileira.

“Recebemos essa indicação do Bando de Teatro Olodum a este importante prêmio com muita alegria e responsabilidade, pois reconhece a relevância da nossa trajetória, ainda mais ao lado de iniciativas que utilizam a arte como instrumento de transformação social e construção de futuros mais justos, assim como nós acreditamos e nos dedicamos a isso”, destacou o ator e produtor, Fábio Santana
Teatro
Espetáculo Isto Não É Uma Mulata completa 10 anos
O solo teatral Isto Não É Uma Mulata completa 10 anos de sua criação, temporada e desdobramentos. Vencedora do Prêmio Braskem de Teatro 2015, na categoria Revelação, a peça é uma obra que provoca reflexões sobre a representação da mulher negra, além de apontar as fragilidades do mito da democracia racial brasileira, com ironia e humor.
Com criação e atuação de Monica Santana, a obra ganhou ressonância na cena teatral de Salvador por trazer uma perspectiva de discussão sobre as questões raciais, com uma linguagem aproximada com a performance, mas também incorporando elementos de cultura pop, ironia, depoimento pessoal e apontamentos de teatro épico.
Isto Não É Uma Mulata retorna ao palco do Gamboa Nova, fundamental na trajetória da peça, por ter abrigado a sua estreia e fará apresentações nos dias 8, 9, 15 e 16 de maio, (às sextas, às 19h e aos sábados, às 17h). Os ingressos já estão à venda aqui.
O retorno aos palcos é marcado pela atualização de passagens da obra, incorporando discussões do contexto político atual e dos próprios debates em torno da noção de raça. Quando lançado em 2015, o caráter atual e inquietante da obra gerou forte repercussão na internet junto às mulheres negras de vários pontos do Brasil levou a artista ser escolhida como uma das 25 Mulheres Negras Mais Influentes na Internet Brasileira, na lista realizada pelas Blogueiras Negras e amplamente divulgada na web.
A peça conta com discotecagem de Nai Kiese, figurinos de Cássio Caiazzo, soluções cenográficas de Deilton José, concepção de maquiagem de Nayara Homem e iluminação de Caboclo de Cobre. Elivan Nascimento colabora na preparação corporal e orientação de movimento. A produção é da Crioula Arte e Cultura e Lucas Oliveira.
Serviço
Isto Não É Uma Mulata
Teatro Gamboa Nova
Às sextas-feiras, dia 8 e 15 de maio, às 19h e aos sábados, dias 9 e 16 de maio, às 17h
Ingressos à venda aqui
Valor: R$40,00 (inteira) e R$20,00 (meia entrada)
Classificação indicativa: 14 anos
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