Connect with us

Dança

Bethania Nascimento é única brasileira homenageada no Dance Theatre of Harlem

Jamile Menezes

Published

on

Bethania-Nascimento

Aquela dura realidade em que brasileiros são empurrados para outros caminhos mais abertos que o de seu próprio país. Na arte esse cenário é ainda mais cruel e esquizofrênico. O Brasil ainda obriga seus artistas a buscarem reconhecimento lá fora para poder valorizá-los e reconhecê-los em suas grandiosidades.  Os gringos amam, o Brasil aplaude.

Essa foi a realidade da bailarina Bethânia Nascimento, filha da renomada intelectual Maria Beatriz Nascimento, que hoje nomeia a Biblioteca do Arquivo Nacional. Principal incentivadora da carreira de Bethania, desde os 9 anos quando começou no Balé, Beatriz não só fortalecia na filha a vontade de dançar, mas de ter como referência outras bailarinas negras no mundo.

Bethania Nascimento

De única aluna negra nas primeiras aulas, aos 13 anos ela chegou à escola do Theatro Municipal do Rio, onde também sofreu por ser a única. Mas foi lá que sua trajetória deu um novo passo, pois foi onde conheceu o também bailarino Arthur Mitchell, que a levou para a Dance Theatre of Harlem School, instituição que há mais de 50 anos vem democratizando o acesso ao ballet clássico de excelência a bailarinos afro-americanos.

“Se não fosse Arthur Mitchell e sua visão, eu não teria tido uma carreira digna de uma bailarina que eu fui nos palcos do mundo. Essa gratidão realmente expande o meu coração. Essa bailarina ainda é viva e pulsante no meu corpo no meu espírito”, diz a bailarina.

Bethania-Nascimento

Em 2001, Bethania alcançou o topo: se tornou solista e depois primeira-bailarina da companhia. Ela foi a primeira brasileira negra a alcançar o posto mais alto de uma companhia internacional. Nela, passou por mais de 20 países, acumulando papéis em obras como Romeu e Julieta (1976), de Gabriella Taub-Darvash; O corsário (1974), de Karel Shook (1920-1985); Return (2000), de Robert Garland; South African Suite (1999) e The Greatest (1977), de Arthur Mitchell (1934-2018); Signs and Wonders (1995), de Alonzo King; Adagietto No. 5 (1977), de Royston Maldoom; The Four Temperaments (1946), de George Balanchine (1904-1983); e Concerto in F (1981), de Billy Wilson (1935-1994).

E o icônico Firebird (1982), de John Taras (1919-2004), papel que abriu caminhos.

“Através desse papel eu abri portas para as futuras gerações de bailarinas e bailarinos brasileiros no exterior, principalmente afrobrasileiros. Eu fui atrás de um sonho sem saber que estava abrindo portas. Com isso veio o amadurecimento, o que me fez entender o peso dessa trajetória, mas não só o peso, mas o valor da grandiosidade dessa trajetória. Espero ver uma bailarina brasileira dançar o Balé Pássaro de Fogo completo um dia. Até hoje eu fui a única, e proporcionou a minha promoção à Primeira Bailarina, mudando e avançando na história da dança no Brasil”, diz Bethania.

Bethania-Nascimento

Foto: Shane Augustus

Homenagem

Nesta quinta-feira (16), a Dance Theatre of Harlem School homenageia as bailarinas do icônico “Firebird”, dentre as quais ela é a única estrangeira, única brasileira homenageada. Um legado importante na história da Dança no Brasil e no mundo devidamente reconhecido. E Firebirds também nomeia o filme que contará a história de mãe e filha.

“O legado de minha mãe sempre refletiu na minha dança desde pequena. Eu entendi em muitos momentos que eu era uma das únicas crianças negras no estúdio de dança. Desde pequena entendia o significado de estar ali, e hoje continuo o legado de minha mãe nos estúdios de dança aqui no Harlem em Nova Iorque em outras instituições pelos Estados Unidos, onde a maioria dos meus alunos são afrodescendentes. Quanto ao Brasil, mesmo à distância, acompanho apoio e incentivo bailarinos negros e projetos sociais. E esse é o legado de Beatriz Nascimento, eu como sua filha não poderia deixar de honrar minha mãe na minha arte no meu trabalho na minha missão no qual ela tanto me apoiou”, diz Bethania.

Sobre o filme “Firebird”, em planejamento, ela adianta:

“O filme contará a história da minha vida e a vida da minha mãe através do ponto de vista de uma filha. É uma história muito preciosa, inspirada no meu livro infantil “Bete Bailarina Pretinha” e nas minhas escritas e narrações. Tem uma história muito rica e quero compartilhar com o mundo”.

E para aqueles e aquelas que sonham alcançar o topo como ela, Bethania aconselha:

“Que sempre se conectem com a sua ancestralidade e entendam que o sonho dos nossos ancestrais é o hoje, é o presente. E que façam de suas vidas uma passagem preciosa, sem bandeiras, sem limitações que o sistema nos imponha. Somos artistas, e um bom artista é conectado com a sua alma e com seu corpo, que é um vaso sagrado em movimento com a missão de fazer esse mundo um lugar melhor”.

Dança

Marcos Ferreira e Ruan Wills chegam em Lauro com “Cabeça Quente”

Jamile Menezes

Published

on

Marcos Ferreira e Ruan Wills

Depois de estrear no Espaço Xisto Bahia, em Salvador, Cabeça Quente, novo espetáculo de dança de Marcos Ferreira e Ruan Wills, chega a Lauro de Freitas no dia 16 de outubro, para apresentação gratuita no Cine Lauro de Freitas. A sessão será seguida de bate-papo com os artistas.

A obra parte da força de Oyá para investigar a raiva, a ancestralidade e as masculinidades a partir das experiências dos dois artistas, homens negros, gays, candomblecistas e periféricos. Em cena, a raiva não aparece como sinônimo de ódio ou descontrole, mas como uma força que nasce da consciência diante da violência e pode produzir movimento, transformação e continuidade.

A pesquisa coreográfica atravessa referências do Daró de Oyá, do funk, frevo, maracatu, samba, arrocha, pagodão baiano e capoeira, além dos gestos e danças presentes no cotidiano. Para Marcos e Ruan, trazer ritmos e danças cotidianas para a cena é uma forma de manter o fundamento vivo. Significa honrar a ancestralidade e o direito de continuar criando a partir dela.

“Desta forma mantemos o fundamento em movimento. Aprendemos a fluir na chama e nos ventos de Oyá. O espetáculo investiga uma cabeça que ferve, pensa, aprende e muda de temperatura. Cabeça Quente é sobre caminhos de continuidade”, destacam.

Após a apresentação em Lauro de Freitas, a circulação segue para o Espaço Cultural Alagados, em Salvador, no dia 22 de outubro, às 17h, também com espetáculo e bate-papo. Todas as apresentações da temporada são gratuitas.

Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.

SERVIÇO

O quê: Cabeça Quente – espetáculo de dança de Marcos Ferreira e Ruan Wills

Onde: Cine Lauro de Freitas
Quando: 16 de outubro de 2026, às 19h | Espetáculo + bate-papo
Entrada gratuita |Ingressos Antecipados – https://www.sympla.com.br/evento/espetaculo-cabeca-quente/3585774)

Próxima apresentação: Espaço Cultural Alagados – Salvador | 22 de outubro de 2026, às 17h

Foto: Diogenes Neghet

Continue Reading

Dança

Espetáculo “Cabeça Quente” estreia dia 1° de outubro

Kelly Bouéres

Published

on

Alice Rodrigues
Alice Rodrigues

O que fazer com uma cabeça que tem todos os motivos para estar quente? É a partir dessa pergunta que os artistas Marcos Ferreira e Ruan Wills constroem Cabeça Quente, novo espetáculo de dança que estreia em outubro de 2026. A obra parte da força de Oyá para investigar a raiva, a ancestralidade e as masculinidades, tendo como ponto de partida as experiências dos dois artistas, homens negros, gays, candomblecistas e periféricos.

A temporada começa em Salvador, no Espaço Xisto Bahia, nos dias 1º, 2 e 3 de outubro, às 20h, com bate-papo após a apresentação do dia 3. Em seguida, o espetáculo chega ao Cine Lauro de Freitas, em 16 de outubro, às 19h, e ao Espaço Cultural Alagados, em 22 de outubro, às 17h. As duas últimas apresentações também serão acompanhadas de bate-papo. Todas as sessões da temporada de estreia são GRATUITAS e os ingressos podem ser retirados através do SYMPLA (https://www.sympla.com.br/evento/espetaculo-cabeca-quente/3585774), ou pelo perfil @dembwa_.

Depois de Dembwa, em que os artistas perguntavam “Qual é a pessoa mais antiga da sua família que você conhece?”, Cabeça Quente dá continuidade à pesquisa sobre ancestralidade e caminhos de existência com dignidade. Se no trabalho anterior o desejo era aprender com quem veio antes, agora Oyá surge como uma referência para ressignificar caminhos e posturas. 

Raiva como consciência

Em Cabeça Quente, a raiva é também o ponto de partida para a criação. Mas não aparece como sinônimo de ódio ou descontrole. É compreendida como uma força que nasce da consciência diante da violência e pode produzir movimento, transformação e continuidade. Colocando em questão como os corpos de homens negros, gays e periféricos são percebidos socialmente.

“A raiva aparece como energia condutora da criação. Uma raiva que não nasce simplesmente do ódio, mas da consciência que surge quando a violência deixa de ser aceita como destino. Buscamos escutar essa força, perceber o que ela movimenta e no que pode se transformar quando encontra o corpo, a ancestralidade e o desejo de continuar.”

A pesquisa parte da compreensão de que, diante de tecnologias coloniais de morte, povos negros produziram tecnologias ancestrais de continuidade. Separação tornou-se comunidade; violência, ritual; memória, cultura; silêncio, linguagem; ausência, presença. “A sociedade embranquecida coloca nossos corpos pretos e bichas em descontrole. Mas a nossa raiva vem da consciência, uma estratégia afrofuturista de sobrevivência”, afirmam os artistas.

Do Daró ao vento

O Daró de Oyá, ritmo tocado para a yabá, é um dos fundamentos da pesquisa coreográfica. A partir dele, os movimentos baseados no ternário entram em diálogo funk, frevo, maracatu, samba, arrocha, pagodão baiano, capoeira e o gingado dançado nas avenidas carnavalescas. A cena é atravessada pela circularidade e pela sinuosidade. Os corpos se encontram e se enfrentam. Há um corpo que se arma para a guerra cotidiana, mas também um corpo que aprende a reconhecer, retornar e mudar de direção. 

Em determinado momento, os intérpretes assumem a força da búfala. Chifres, braços e musculatura constroem uma presença de potência, enquanto os pés sapateiam em referências às brincadeiras de infância. O corpo-búfala circula e, aos poucos, se transforma em vento. O movimento passa pela ginga da capoeira e chega ao eruexim (ferramenta de Oyá), que também se transmuta: vira força, gesto, punho cerrado.

A sequência conduz ao confronto, ao afronte e ao ranger dos dentes. Em dança, a força física abre espaço para uma reflexão sobre o masculino. É quando se reafirma uma das questões centrais do espetáculo. A partir do ofó (poder da palavra) do cantor, compositor e pesquisador da ancestralidade musical pan-africana Mateus Aleluia, na canção O Sagrado Masculino, afirma-se: “o sagrado masculino é gestado e parido pelo sagrado feminino.” 

A afirmação conduz uma reflexão sobre as referências que formaram esses homens e sobre as mulheres — avós, mães, tias, irmãs e tantas outras — que ensinaram os artistas a existir. Reverenciar o sagrado feminino, portanto, também significa questionar os modelos de masculinidade construídos por uma sociedade marcada por estruturas coloniais e patriarcais.

“Nossa experiência enquanto homens negros, gays, candomblecistas e periféricos nos coloca diante da necessidade de questionar essas aprendizagens e imaginar outras formas de existência. Estamos aprendendo com Oyá a força de uma cabeça quente: de passear pelos planos, fluir na chama e saber medir os graus a menos ou a mais, conforme nossas necessidades”.

SERVIÇO

O quê: CABEÇA QUENTE – espetáculo de dança de Marcos Ferreira e Ruan Wills

Espaço Xisto Bahia | Salvador
01, 02 e 03 de outubro de 2026, às 20h
Bate-papo: 03 de outubro

Cine Lauro de Freitas
16 de outubro de 2026, às 19h
Espetáculo + bate-papo

Espaço Cultural Alagados
22 de outubro de 2026, às 17h
Espetáculo + bate-papo

Entrada: GRATUITA – ingressos disponíveis pelo SYMPLA (https://www.sympla.com.br/evento/espetaculo-cabeca-quente/3585774), retirada através do perfil @dembwa_

Continue Reading

Dança

Dimi Ferreira lança livro “Existe uma dança afro-contemporânea?”

Jamile Menezes

Published

on

Dançarina, coreógrafa e professora de Dança, Dionisia (Dimi) Ferreira estudou música, dança popular e tradicional. Baiana radicada na França, estudou técnicas clássica, Limon, Graham e Dunham nos grupos África Poesia e Mantra Companhia de Dança. Em Salvador, ela lança seu primeiro livro – “Existe uma dança afro-contemporânea” (EDUFBA) na FLIPELÔ, dia 8 de agosto, a partir das 18h, onde vai disponibilizar para novas vendas, autógrafos e diálogo com o público. O stand da EDUFBA estará na Faculdade de Medicina da Bahia, no Terreiro de Jesus (Pelourinho).

O livro é resultado de uma pesquisa de campo realizada em 1995 e 1996, quando a autora estudava na Universidade Paris V. Um compilado de relatos de coreógrafos de diferentes regiões, discutindo a diversidade da dança negra global.  Na obra, o leitor encontra entrevistas com nomes como Alphonse Tiérou e Georges Momboye (Costa do Marfim), Koffi Kôkô (Benin), Germaine Acogny (Senegal), Norma Claire (Guiana Francesa e França), Katherine Joséphau (Guadalupe – Antilhas Francesas), Armando Pekeno (Brasil), Kettly Noël (Haiti), Rick Odums (EUA) e Elsa Wolliaston (Jamaica e EUA).

“Elsa, grande dama pioneira das danças africanas e da dança contemporânea de expressão africana na França, que nos deixou em março deste ano. Em 1996, ela foi a última entrevistada e a primeira que respondeu, quase 30 anos depois, ao meu pedido de autorização para publicar sua foto neste livro.  Ela era tão grande na sua arte quanto acessível e sensível”, lembra Dimi.

Em suas abordagens, Dimi abriu portas para novas descobertas e reflexões sobre a diversidade de concepções, de processos criativos e de visões com relação aos outros estilos de dança. Apectos como a concepção do movimento e a técnica, a concepção musical, a relação com o públic, acessórios e figurinos, a utilização da improvisação, a distinção e a ligação entre suas danças da dança clássica, contemporânea ocidental, jazz e das danças africanas tradicionais, foram alguns dos abordados nas entrevistas.

“Espero que o compartilhamento de visões e saberes através deste livro alimente, de alguma forma, nossas danças e pesquisas. Nós, baianas e baianos, que temos os continentes africano e europeu tão perto, mas também tão afastados pelas barreiras linguísticas e geográficas”, diz Dimi.

Sobre a autora

Nascida em Cachoeira (BA), Dionisia (Dimi) Ferreira se formou em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde também se especializou em coreografia. É mestra em Dança Contemporânea, na área de Pesquisa, na Universidade René Descartes (Paris) e professora titular de Dança Contemporânea no Conservatório Charles Munch, também em Paris, desde 2012. Na instituição ela criou e dirigiu o Balé Jovem de 2015 a 2019 e, atualmente, coordena o projeto « Ce soir on improvise » (Esta noite se improvisa), que reúne jovens estudantes de música, teatro e dança de vários conservatórios de Paris.

Desde 1992, sua abordagem ao mesmo tempo simbólica e coreográfica das danças afro-brasileiras gerou várias criações. Em 2000, foi selecionada para o Festival de Bagnolet, ganhando o concurso de Danças Mestiças presidido por Norma Claire. Por 18 anos, Dimi foi professora de dança afro-brasileira na Associação Danses du Monde e no Conservatório Camille Saint-Saëns em Dieppe, na Normandia, França.

Enquanto dançarina ela colabora no Brasil com Armando Pekeno, Marcelo Moacyr, Paulo Fonseca e Lícia Morais. Em Paris ela dança para Kettly Noël, Cláudio Basílio e Thierry Guedj. Muito interessada pela improvisação, em 2003 a artista participa deum show de Steve Coleman, ao lado das dançarinas/coreógrafas brasileiras Rosangela Silvestre e Vera Passos, e em 2024 no show em homenagem a Naná Vasconcelos, a convite de Zé Luis Nascimento e Fred Soul.

 

 

Continue Reading

EM ALTA