Gastronomia
Afrochefe Jorge Washington leva Culinária Musical ao Cortiço Carioca
O Afrochefe Jorge Washington desembarcou no Rio de Janeiro e já está nos preparativos para uma edição especial do Culinária Musical na cidade. A convite do restaurante Cortiço Carioca, localizado no boêmio bairro da Lapa, o Afrochefe vai levar sua gastronomia afetiva pela primeira vez ao espaço. Por conta disso, em maio, não haverá Culinária Musical em Salvador.

Ph Mocidade
A edição no Cortiço Carioca será neste sábado, 16 de maio, das 13h às 19h, e terá como atração musical o Samba do Cortiço com Makley Mattos, Alex Primo, Alexandre Xuxu e Tiago Bandolim. Terá ainda participação especial de PH Mocidade (Terreiro de Criolo) e da DJ Bieta.

Samba do Cortiço
Terá também o Cantinho do Empreendedor com o Encontro Preto, loja colaborativa que oferece produtos de afroempreendedorismo, moda e design, focados no protagonismo negro e consumo consciente.

DJ Bieta
Na cozinha, o Afrochefe Jorge Washington fará os pratos: Bacalhau a Martelo, Arrumadinho de Fumeiro, Carne de Porco Defumada e Casquinha de Siri.
Para quem estiver no Rio no dia, os ingressos já podem ser adquiridos no Sympla.
Onde será: Rua Joaquim Silva, 105, Cortiço Carioca, Lapa / Centro
Gastronomia
#Perfil – Solange Borges e o saber ancestral do tabuleiro à gestão
Conheça a trajetória da idealizadora da Culinária de Terreiro, que une educação, axé e visão estratégica para transformar a gastronomia baiana em ferramenta de soberania negra
A chef baiana Solange Borges é uma das vozes mais potentes da gastronomia ancestral e do empreendedorismo negro no Brasil. Nascida em Periperi, subúrbio de Salvador, viveu no bairro até os nove anos. Após a separação da mãe, mudou-se com a família para a Agrovila Pinhão Manso, em Camaçari, município da Região Metropolitana de Salvador, onde fincou suas raízes. Aos 63 anos, entre o pilão e os livros, construiu uma trajetória que transforma memória em estratégia e faz da culinária de terreiro uma ferramenta de soberania e resistência negra.
Sua força vem de Dona Joselita Borges, sua mãe e maior referência. Baiana de acarajé e trabalhadora doméstica, partiu cedo, mas deixou os segredos da culinária e da sobrevivência no tabuleiro, legado que a chef assumiu com a mesma coragem com que criou irmãos e filhos.
“Minhas raízes são familiares. Vêm do cuidado de Mainha em preparar uma comida para servir. Ela tinha esse prazer tanto para servir às pessoas quanto para servir o santo dela. Essa comida que eu faço é uma comida ancestral, feita com ingredientes frescos. Essa é a minha verdade: organizar e servir sem alterar a tradição”, afirma a chef.

A educação como pilar de transformação aliada ao inconformismo, herança de sua mãe, motivou Solange a priorizar os estudos. Em 1992, formou-se no Magistério; em 2009, concluiu a formação de Cozinheira Profissional pelo Senac. Graduou-se em Letras pela Unijorge em 2011 e, em 2016, finalizou a extensão em Fitoterapia na UFBA. Esse currículo fundamentou a criação do projeto Culinária de Terreiro, em 2017.
“A educação, eu sabia que era transformadora. E o curso de Letras fala de Linguística, fala de Direito, fala de Literatura… as Letras mudam todas as perspectivas da gente! Eu amei demais entrar nesse mundo da linguagem, da literatura e da comunicação. É algo maravilhoso! ”, declara a chef.
Empreendedorismo: da necessidade à gestão
Solange aprendeu a empreender ainda menina, observando o movimento do dinheiro no tabuleiro da mãe. Para ela, o trabalho autônomo é um caminho de prosperidade, mas exige evolução. “Nós, mulheres pretas, muitas vezes começamos por necessidade: fazemos o produto, vendemos, pagamos as contas e voltamos para a rua… Acho fantástico poder honrar seus compromissos diariamente”, reflete.

Restaurante Culinária de Terreiro
Hoje, à frente do seu restaurante Culinária de Terreiro, no Boulevard Camaçari, ela entende que o sucesso exige visão estratégica. Ela destaca que a gestão de grandes empresas envolve planejamento, contratação de profissionais e acesso a crédito, etapas que empreendedoras de base muitas vezes desconhecem ou não conseguem acessar por falta de organização.
“Hoje, empreendendo com o restaurante no Boulevard Camaçari, entendo que é muito mais do que saber cozinhar; é preciso aprender gestão e saber lidar com pessoas. Estou muito animada nesse caminho, especialmente no empreendedorismo feminino.”

Agrovila Pinhão Manso | Arquivo Pessoal
Guiada pelo Axé: a força da comunidade e a fé que orienta os negócios
Na Agrovila Pinhão Manso, onde o solo estava degradado por projetos industriais falidos, Solange enxergou prosperidade, acreditou, cultivou, plantou e colheu ancestralidade. O desejo de cultivar o próprio alimento uniu-se a uma busca espiritual. O lugar revelou-se um “chamado do santo”, sinalizando que ali deveria ser erguido o terreiro, e dessa conexão nasceu o Terreiro Unzo N’Ganga Kuatelesa Ninza.
“Estávamos procurando um lugar e me falaram que lá haveria um espaço maravilhoso para o terreiro; os caminhos se abriram e nós chegamos. Eu não sou ninguém sem o meu axé. O axé é muito vivo na minha vida e o sagrado está presente em todo o meu viver; é algo incrível e sem precedentes”, recorda Solange.
Essa força se manifesta de forma prática em seu cotidiano. Ela recorda, por exemplo, o dia em que gravaria um documentário em seu restaurante e precisava de imagens da casa cheia:
“Justamente naquele dia, havia muitas pessoas de Candomblé comendo. Sempre tem, mas aquele dia foi especial. Isso mostra a força do axé. Algumas pessoas dizem que o povo de Candomblé não se apoia ou não se ajuda, mas eu nunca vi um grupo tão unido. No terreiro, você não faz nada sozinho; tudo é feito em comunidade. Nós somos muito unidos.”
Para Solange, a gestão de sua vida e de seus negócios não é uma caminhada solitária, mas um percurso orientado pela espiritualidade.
“A minha caminhada é totalmente guiada. Tenho muita fé e minhas decisões carregam a energia do Santo. Às vezes quero fazer algo, mas percebo que não está no caminho, então não insisto”.
Ela complementa: “Sou uma mulher de muita fé, que acredita nas energias e se sente guiada. Faço tudo para ser uma boa filha, porque todo mundo do Candomblé sabe que o Orixá ‘nasce’ no nosso ori (cabeça). Como ele guia minhas ações, busco fazer o melhor possível para que ele continue cuidando de mim, sentindo que sua filha merece esse cuidado.”
O registro como ferramenta de poder
A inquietação de Solange surgiu na Academia pela dificuldade em abordar a representação do negro no livro didático, estudo baseado na tese da professora Ana Célia Silva. Ao notar a escassez de autores negros também no campo da religiosidade, ela descobriu as barreiras do mundo acadêmico: para ser citado, é preciso estar em um artigo ou livro.
“Achei aquilo inadmissível! Às vezes temos tantos saberes, as pessoas vêm, pegam nosso conhecimento, a gente fala, mas o que dizemos ‘não pode’ ir para a Academia ou para os livros. Por isso, eu vou ter que escrever um livro e, mais do que isso, vou ter que incentivar as pessoas de comunidades tradicionais a escreverem também”, afirma Solange.

E assim aconteceu. O livro já está escrito, embora a autora explique que ainda não o publicou oficialmente. A obra foi feita em parceria com outras mulheres, como a jornalista Midiã Noelle, uma importante parceria em sua trajetória.
Quebrando barreiras e ganhando o mundo
Desde 2012, Solange começou a postar receitas no YouTube. Mais do que ensinar a cozinhar, a chef utiliza as redes sociais como ferramenta de visibilidade para combater a intolerância religiosa e quebrar barreiras na alta gastronomia.
Chegou ao Instagram com sua simplicidade, compartilhando o cotidiano na Agrovila Pinhão Manso, ensinando o preparo de hortaliças e exaltando a comida tradicional, especialmente o acarajé que aprendeu com sua mãe.
“Mesmo sabendo que existe a intolerância com o Candomblé, eu quis falar da minha religiosidade. A gente não tem que se esconder; nós descendemos de reis e rainhas e só fomos escravizados porque possuíamos tecnologia ancestral”, afirma Solange. “O acarajé é patrimônio imaterial e eu quis levar essa essência das primeiras mulheres a empreenderem neste país. Hoje encontro pessoas com coragem de usar suas contas no pescoço porque me viram; antes, quantas donas de restaurante pretas você conhecia?”
Esse impacto alcançou personalidades como o maior chef do país, Alex Atala, que chegou à Agrovila para participar do Festival do Dendê e, dali, nasceu uma forte amizade gastronômica. Isso aconteceu por intermédio da chef Ieda de Matos, que acompanhava as suas lives na pandemia.

Alex Atala e Solange Borges | Foto: Tatiana Azeviche-Ascom/Setur-BA
A visibilidade levou Solange a voar para fora do país, onde apresentou a Agrovila e o Festival do Dendê na França, despertando o interesse de estrangeiros que vieram ao Brasil conhecer sua terra.
A chef ressalta que fazer algo com verdade tem um valor sem precedentes: “Sei que, como mulher preta, as coisas não são fáceis e as dores são grandes, mas vejo o impacto do que faço”, pontua a chef. “Muitos chefs usam o dendê hoje porque aprenderam com a gente. Eu me conecto com as pessoas pela energia e estou muito feliz com o que está acontecendo.”
Regando a plantinha: prêmios que inspiram e validam o saber ancestral
Ser convidada para o Festival Mesa São Paulo e ver chefs renomados, com formação em Lyon e vasta experiência internacional, comerem sua comida tradicional, elogiarem e repetirem o prato é uma das maiores honrarias. Para a chef, esses são os melhores prêmios que poderia receber; é como regar uma planta.

Ela se emociona ao ouvir frases como: “Esse é o melhor bobó que eu já comi na minha vida”, ou depoimentos de clientes que garantem nunca terem comido uma moqueca igual. “É como se estivessem me dizendo: ‘Solange, você está no caminho certo’”, afirma a baiana. “É um afago, me dizendo que o que eu faço é fantástico. Não é um divisor de águas, mas sim um fortalecimento do que eu já venho construindo. É o sinal de que estou no caminho certo.”
Outro momento marcante foi o “Prêmio Empreender Mulher“, concedido por um veículo de comunicação de Camaçari. O valor dessa premiação declara uma proximidade e pertencimento com suas raízes. “É o meu povo me reconhecendo. E quando os seus te reconhecem, o negócio fica fantástico! Porque, às vezes, é difícil os nossos nos darem esse valor”, diz a chef. “Quando você sai e o mundo te coloca no pedestal, as pessoas que estão perto dizem: ‘Cara, a Solange é tudo isso?’. Eu não entendia isso antes, mas agora eu entendo. Esse reconhecimento local me honra muito.”
Sustentabilidade e expansão
A chef Solange Borges revela que seu foco atual é a sustentabilidade do restaurante Culinária de Terreiro, localizado no Shopping Boulevard, em Camaçari. Para isso, investiu em uma mentoria de gestão: “Eu sou cozinheira, mas preciso de ajuda na gestão porque quero que o meu restaurante seja uma grande marca. Fui para o Boulevard na perspectiva de virar uma franquia e já tem pessoas interessadas em comprar, então preciso que ele seja um restaurante ‘bombado’”, explica.
A próxima novidade acontece no dia 27 de setembro, com um caruru especial para celebrar os três anos do estabelecimento. “O número três é muito importante para a gente no Candomblé; fazemos obrigações de um, três, sete e vinte e um anos. Quero fazer uma celebração bem especial e receber as pessoas”, planeja a chef.

Projetos e Vivência na Roça
Já o Festival do Dendê, projeto com uma energia que Solange define como poderosa, busca investimentos públicos e leis de incentivo para ampliar o alcance do evento. Em seu planejamento, há propostas para atender um desejo crescente do público: vivenciar o cotidiano da roça. “As pessoas querem ir para a Agrovila! Querem plantar, colher, botar o pé no chão e fazer coisas que não encontram nas grandes cidades. Por isso, estamos trabalhando na perspectiva de construir chalés, uma pousadinha para as pessoas ficarem”, revela.
Ela encerra reafirmando seu compromisso com o crescimento: “As minhas metas para este ano estão bem organizadas: a sustentabilidade do restaurante, para que ele dê lucro e seja potente, e a estruturação da Agrovila. E, claro, a construção do festival, que deve ser em março ou abril. Vamos sentar com a equipe agora em maio para definir a data certa”.

Pavimentando sonhos: o conselho de Solange para a sua própria história
Ao olhar para trás, Solange não esconde a emoção. Se pudesse falar hoje com a menina que foi um dia, o conselho seria direto e carregado de esperança: “Estude e acredite em você. Se ame e acredite no que você quer. E estude, porque tudo precisa de estudo e não é só o estudo da academia, sabe? É estudar mesmo: ler, pesquisar, ver as coisas”, aconselha a baiana.
“Relacione-se com pessoas, porque, na ‘hora H’, você precisa de gente ao seu lado. Seja verdadeira e se importe realmente com elas, independente do dinheiro ou do valor que elas tenham. É sobre isso”, finaliza Solange, selando sua trajetória com a generosidade de quem sabe que ninguém caminha sozinho.

Entre a gestão do restaurante e o pé no barro na Agrovila, ela segue pavimentando caminhos com afeto. Seja com o seu vibrante “Alô, alô!” que abre portas e corações, ou incentivando o “se amostrar” para o mundo com orgulho de suas raízes, a chef prova que o saber ancestral é, acima de tudo, uma ferramenta de libertação.
Fotos Solange: Acervo Pessoal

Texto de Waldecir Melo (DRT 0006980/BA) – Jornalista
Gastronomia
Culinária Musical estreia na Ocupação Côro Comeu neste domingo
Abril chega pro Afrochefe Jorge Washington com novidades e parcerias: após a celebração de 9 anos do Culinária Musical, o projeto vai estrear na Ocupação Côro Comeu no Café Teatro Nilda Spencer (Barroquinha). Será dia 12 de abril (domingo), e o formato será diferenciado. Desde fevereiro, a Ocupação vem reunindo música, gastronomia e artes em programação regular de quinta a sábado na Rua do Couro – coração do Centro Histórico de Salvador. O encontro de iniciativas acontecerá das 12h às 17h, nas partes interna e externa do Teatro, e ingressos limitados serão vendidos no pix do Afrochefe e na portaria no dia do evento.
Neste lugar que guarda a memória cultural soteropolitana, a Ocupação vem pra valorizar territórios livres de experimentação artística, cruzando linguagens e experiências, casamento alinhado com a proposta do Culinária Musical que vem, ao longo de 9 anos, promovendo a transversalidade de linguagens, revelando talentos artísticos e empreendedores diversos. Instalada no tradicional Café Nilda Spencer, a Ocupação é promovida por Simone Carrera (Sole Produções), Xande Martins (XM Produções) e Ricardo Vallari (Proa Gastrobar).
E para animar o público fiel do Culinária e o novo esperado, o Afrochefe convidou a cantora e compositora Ayrá Soares, nascida e criada na primeira periferia do centro antigo de Salvador, o bairro da Liberdade. A artista tem trabalho autoral marcado por sua raiz soteropolitana, ancestralidade, seu axé e pela capoeira Angola, apresentando uma arte política e atenta às questões atuais referentes à negritude, fé e mulheres da diáspora africana.
Como convidado especial da edição, o público terá participação do cantor e compositor Dão Black, com uma experiência musical que ressignifica as diferentes vertentes do samba: samba de roda, samba funk, samba rock, samba canção, samba soul, partido alto e até samba reggae estarão no repertório.
E não vai ser só Música nessa estreia em novo espaço. Também vai ter Intervenção Poética com Ednaldo Muniz, do SaraudeSe7e, e sessão de autógrafos com Zulu Araújo e seu livro “Apenas um cidadão”, reafirmando o compromisso do Culinária Musical com a valorização da literatura e da arte independente.
Pratos do Dia
O Afrochefe vai pra cozinha da Ocupação Côro Comeu preparar sua premiada e reconhecida Maxixada de Carne Seca (Panela de Bairro), o Arrumadinho de Fumeiro e a Casquinha de Siri, além da Moqueca de Legumes para veganos e vegetarianos.
SERVIÇO
O que: Culinária Musical chega na Ocupação Côro Comeu
Onde: Café Teatro Nilda Spencer (Rua do Couro – Barroquinha)
Quanto: Ingressos limitados antecipados R$40 (pix 71 988784634, com envio de comprovante para este número) ou na portaria no dia do evento.
Prato principal: R$ 80 (p/ duas pessoas)
Mais informações: @culinariamusical/@coro.comeu
Gastronomia
Festival fortalece economia do Dendê e lança cooperativa de produção em Camaçari
A 5ª edição do Festival do Dendê termina nesta quarta-feira (11), em Camaçari, após uma semana de atividades dedicadas à valorização da gastronomia afro-brasileira, das tradições ligadas ao dendê e de outros saberes da culinária baiana. Um dos principais resultados do evento foi o fortalecimento da Cooperativa Mulheres Solares, formada por produtoras da Agrovila Pinhão Manso.
O encerramento será marcado por um jantar especial, a partir das 19h, no restaurante Culinária de Terreiro, localizado no Boulevard Shopping Camaçari. O encontro reunirá chefs convidados, entre eles Alex Atala, Antonuela Ariza e Alessandra Santana.
Criada pela chef Solange Borges em parceria com mulheres da comunidade, a cooperativa busca organizar e profissionalizar a produção artesanal de azeite de dendê e farinha de mandioca, atividades que há gerações garantem o sustento de famílias da zona rural.
O núcleo inicial do projeto pretende reunir 22 integrantes e estruturar uma sede própria para ampliar a produção e a comercialização dos produtos. Segundo Solange Borges, a iniciativa demonstra como o compartilhamento de conhecimento pode gerar novas oportunidades para a comunidade.
“Aprendi que não precisamos esperar tudo estar pronto para começar. O importante é iniciar, aprender no caminho e dividir o que sabemos”, afirma.
Para Carla Vanessa, integrante da cooperativa, o projeto também representa uma forma de fortalecer a economia local e valorizar o território. “Queremos transformar o trabalho que sempre fizemos em uma oportunidade de crescimento para toda a comunidade”, destaca.
Conhecida pelo bordão “Alô, alô…”, marca registrada da chef Solange, na Agrovila Pinhão Manso, a anfitriã reuniu cozinheiros, pesquisadores, jornalistas e representantes de comunidades tradicionais ao longo da programação. O grupo compartilhou histórias, conhecimentos e práticas ligadas ao dendê e a outros elementos da gastronomia afro-brasileira. O evento também contou com demonstrações do processo artesanal de extração do azeite.
Entre os participantes das atividades gastronômicas estiveram os chefs Rafa Sampoliver, Maia Luz (Oxebah Gastronomia) e Leonela Borges. A programação cultural contou ainda com apresentações do Grupo Cultural Bangariô e do samba de roda do Coletivo Atunbi, de Monte Gordo, distrito de Camaçari.

Também participou das atividades o mestre Griot Dadu, referência na preservação das tradições afro-baianas e do samba de roda na região. Durante o evento, ele destacou a intenção de registrar em livro histórias e memórias da comunidade, incluindo relatos sobre a origem do nome Camaçari.
Programação cultural e educativa
Durante a semana, o festival promoveu atividades culturais, esportivas e educativas em diferentes espaços do município. Entre elas, a primeira edição da Trilha do Dendê, corrida ecológica seguida de almoço preparado pelo chef Ídolo Giusti.
Outras ações incluíram o intercâmbio “Tecnologia Ancestral”, realizado no Quilombo do Kaonge com os chefs africanos Axel Mbetcha e Adenike Abisola. Também houve o encontro “Saberes e Sabores”, promovido no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), em Camaçari, que integrou conhecimento popular e ensino técnico.
O festival promoveu ainda intercâmbio internacional por meio do projeto Tastes of Transition, que reuniu cozinheiras e chefs de diferentes países. Participaram da iniciativa a chef Antonuela Ariza, da Colômbia, além de Olivia de Souza, Marie-Jo Gastard e Débora Cavalcanti.
Livro registra saberes do dendê
A abertura do festival, no dia 4 de março, também foi marcada pelo lançamento do livro Festival do Dendê, de autoria da chef Solange Borges. A obra reúne receitas, histórias e saberes ligados ao fruto e destaca a importância da autoria feminina na preservação da memória gastronômica.
“Preciso registrar nossos saberes, assumir o protagonismo e construir nossas próprias narrativas”, afirma a autora.
Reservas para o jantar de encerramento:
Data: 11 de março
Horário: 19h
Local: Boulevard Shopping Camaçari
Reservas: (71) 9 9351-1060

Texto de Waldecir Melo (DRT 0006980/BA) – Jornalista
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