Artes
Black Brazil Art divulga lista de artistas e Bahia lidera Nordeste
A Bienal Black Brazil Art (BB) divulgou os 124 artistas que participarão da 4ª edição, prevista para o último trimestre de 2026. A mostra acontecerá em espaços culturais da capital pernambucana, como o Museu da Abolição, o Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MAMAM) e o Museu Cais do Sertão, em Recife (PE). A Bahia lidera a participação nordestina, com 14 representantes. As produções contemplam pintura, instalação, performance, fotografia, colagem, assemblage e arte têxtil.
O resultado reforça a descentralização da produção artística negra no país e a presença de novos polos de criação fora do eixo Rio-São Paulo. São Paulo concentra o maior número de participantes, com 26 artistas, seguido pelo Rio de Janeiro, com 18.
Entre os representantes baianos estão artistas de Salvador e do interior do estado. Da capital, integram a mostra Aaaalexandra Martins, Amélia Serpa, Ana Carolina Vidal, Anna Motta, Helen Salomão, Jaqueline Nascimento, Kall Yoga, Livia Passos, Rafa Sales, Suzana Amorim e Tina Melo, além do Coletivo Vivedoras de Ganho, formado por Adinelson Souza, Livia Passos e Luzimar Azevedo. Do interior, participa Camille Moreira, de São Félix, no Recôncavo Baiano.
Crédito: Lívia Passos
Para a curadora da Bienal, Patrícia Brito, a escolha dos participantes reflete a diversidade da produção artística afrodiaspórica no país e o fortalecimento de artistas em circuitos institucionais.
“A forte presença de Bahia e Pernambuco entre os estados com maior número de representantes reflete a potência histórica da produção cultural nordestina. O que historicamente faltou não foi criação, mas acesso aos grandes circuitos de legitimação, aos editais, às instituições e ao mercado concentrado no eixo Rio-São Paulo.
A Bienal Black atua nessa ruptura, reposicionando o olhar do mercado, dos museus e dos colecionadores para produções que sempre existiram, mas muitas vezes permaneceram à margem das estruturas tradicionais de visibilidade.”
Além da Bahia e de Pernambuco, o Nordeste contará com representantes do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas, Maranhão, Piauí e Sergipe. A relação inclui ainda artistas das regiões Sul, Centro-Oeste e Norte, além de participantes internacionais vindos de Porto Rico, Canadá, Alemanha, Cabo Verde, Estados Unidos e Portugal.
A programação inclui ainda a participação de estudantes da Escola Técnica Estadual Alfredo Freyre (ETE), com ações de aproximação com processos criativos e formação artística. O evento também prevê intercâmbios, residências artísticas e programas de mobilidade curatorial com instituições do Brasil, Porto Rico e Canadá, além de uma programação virtual paralela.
A dimensão internacional da Bienal é apontada por Patrícia Brito como um dos pilares estruturantes do projeto desde suas primeiras edições.
“A Bienal Black é estrutural desde suas primeiras edições. Desde a 2ª edição, a Black Brazil Art desenvolve parcerias fora do país, entendendo que a arte contemporânea negra dialoga não apenas com questões raciais, mas também com transformações políticas, sociais e culturais globais. Porto Rico e Canadá integram essa circulação de experiências da diáspora.
No Canadá, essa relação se fortalece com minha atuação na Cátedra de Pesquisa desde 2025 e como curadora convidada da Bienal AF-Flux de Montreal, em 2028, responsável pela escolha de artistas da América Latina. Ao longo de quatro edições, a Bienal já dialogou com mais de 11 países.”
A relação completa dos participantes pode ser consultada no site oficial da www.bienalblack.com.br

Texto de Wal Melo (DRT 0006980/BA) – Jornalista
Artes
Espetáculo de resistência negra participa de circuito de artes cênicas
O espetáculo baiano “Dandara na Terra dos Palmares”, da Arte Sintonia Companhia de Teatro, segue ampliando seu alcance pelo país ao integrar a 28ª edição do Palco Giratório, maior circuito de circulação de artes cênicas do Brasil.
Ao longo da circulação nacional, o projeto realizará 28 apresentações e atividades formativas em 12 estados brasileiros, levando ao público uma potente reflexão sobre ancestralidade, identidade e resistência negra.
Desde sua estreia, em 2022, “Dandara na Terra dos Palmares” já emocionou mais de 45 mil espectadores e consolidou-se como uma das produções mais relevantes do teatro baiano contemporâneo. Indicada ao Prêmio Braskem de Teatro nas categorias Melhor Espetáculo Infantojuvenil e Melhor Direção, a peça também marcou presença em importantes eventos literários, como a Flica e a Flipelô.
A obra aborda, de forma sensível e potente, questões ligadas ao racismo estrutural, à ancestralidade negra e à construção da autoestima infantil, acompanhando a trajetória de Dandara, uma menina negra que aprende a reconhecer a força de sua identidade ao mergulhar simbolicamente na história do Quilombo dos Palmares.
Com texto de Antônio Marques e direção de Agamenon de Abreu, o espetáculo mistura fantasia e realidade para estimular reflexões sobre pertencimento, resistência e educação antirracista. A trilha sonora original assinada por Emille Lapa e Natalyne Santos reforça a atmosfera emocional da montagem, que conta ainda com as atuações de Maria Alice Xavier, Yandra Góes, Denise Correia, Gilson Garcia, Leonardo Freitas, Pablo Pereira e Natalyne Santos.
A turnê nacional terá início em maio, com apresentações no Rio Grande do Sul e Espírito Santo, passando ainda por Pernambuco e diversas cidades de Santa Catarina nos meses de junho e julho. Em agosto, o espetáculo chega a Minas Gerais e São Paulo; em setembro, circula por Mato Grosso do Sul, Pará, Amapá e Maranhão; em outubro, será apresentado no Ceará; e, em novembro, encerra a circulação com atividades e apresentações no Paraná e no Rio Grande do Sul.
O projeto conta ainda com ações formativas e encontros, ampliando o diálogo entre artistas e o público. Entre as atividades está a oficina “Corpo, Voz e Ancestralidade – Musicalização Através do Teatro”, ministrada por Natalyne Santos, atriz e diretora musical, que propõe uma vivência integrada entre expressão corporal, voz e heranças culturais afro-brasileiras. Já o “Pensamento Giratório” será conduzido por Denise Correia, atriz, cantora e integrante da Arte Sintonia, em uma reflexão coletiva abordando identidade cultural, ancestralidade, racismo, resistência e o papel da música como narrativa cênica.
Artes
MUNCAB em Salvador recebe edição do Festival Fora da Caixola
No dia 31 de maio, o MUNCAB- Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira em Salvador recebe a primeira edição doFestival Fora da Caixola, iniciativa inédita que une arte, ludicidade e inclusão em uma tarde dedicada ao universo circense. A programação acontece das 14h às 18h e é voltada para crianças de 4 a 12 anos, além de suas famílias.
Idealizado pelo produtor cultural David França, o festival surge como uma proposta de transformação social, estimulando a autonomia, a criatividade e a imaginação das crianças. A iniciativa reforça a importância da democratização do acesso à cultura ao oferecer uma programação gratuita e acessível.
Além das apresentações circenses, o evento contará com oficinas de confecção de adereços circenses. Nessas atividades práticas, os participantes poderão criar seus próprios chapéus coloridos, narizes de palhaço e varinhas mágicas, aproximando-se do fazer artístico de forma participativa, educativa e lúdica.
Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.
SERVIÇO
Evento: Festival Fora da Caixola (1ª edição)
Data: 31 de maio (domingo)
Horário: das 14h às 18h
Local: MUNCAB – Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Rua das Vassouras, 25 – Centro Histórico, Salvador – BA)
Público-alvo: crianças de 4 a 12 anos
Entrada: gratuito
Artes
Mostra retrata o Centro Histórico e sua fusão com o Rio Vermelho
Quadros e esculturas que transmitem legados ancestrais, história e memória. Esta é a proposta da exposição “Pelourinho: Ecos de Pedra, Mar e Encantaria — do coração da cidade ao Rio Vermelho”. Com curadoria de Tati Sampaio, traz 25 artistas visuais retratando o Centro Histórico através de um viés cultural, religioso e territorial. A abertura, para convidados e imprensa, será no dia 02 de junho, das 19h às 21h. O público poderá conferir as obras a partir do dia 03 até 04 de julho, na Confraria das Ostras, no Rio Vermelho.
Os artistas desta edição são Adriana Campelo, Alba Trindade, Alexandre Soares, Augusto Wences, Bruno Pamponet, Calixto, Carmen Freaza, Célia Mallett, Coletivo Fuerza Natura, Cristinne Castro, Fred Sá, Gabriela Cruz, Graça Lima, Helena Maria Cruz, Josefa Amorim, Kátia Cunha, Maria Laura Sourbeck, Maria Nazaré Santos, Matheus Andrade, Pico Garcez, Rosana Asfora, Sônia Amorim, Sônia Castro, Tati Sampaio e Vini Dendê. O grupo traz uma diversidade de linguagens artísticas, com o uso de cerâmica, pintura, escultura e instalação.
Pelourinho: força e vivência que se estende até o Rio Vermelho
Inspirada na força simbólica do Pelourinho, um dos principais marcos culturais do Brasil, a mostra reúne obras que dialogam com as heranças afro-diaspóricas e os vestígios urbanos que constituem a identidade de Salvador. Desafiadora, a exposição propõe uma expansão desse imaginário até o Rio Vermelho, bairro onde a arte contemporânea, o mar e a vida cotidiana se encontram.
Segundo a curadora, “Pelourinho…” é mais do que uma exposição.
“O projeto propõe uma travessia poética entre espaços e tempos, conectando passado e presente, centro e margem, tradição e criação contemporânea. É um convite para perceber Salvador como um território vivo, onde cada pedra, cada onda e cada gesto artístico carregam ecos de histórias profundas e forças invisíveis”, pontua.
Serviço:
“Pelourinho: Ecos de Pedra, Mar e Encantaria — do coração da cidade ao Rio Vermelho”
Onde: Restaurante Confraria das Ostras (Rua Fonte do Boi, 8)
Quando: de 03 de junho a 04 de julho de 2026
Quanto: entrada franca
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