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Artes

Exposição “Meia-noite na Encruzilhada” chega a Salvador

Kelly Bouéres

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Meia-noite na Encruzilhada
Pé de Cobra

Salvador recebe, a partir desta quarta-feira (15), a exposição inédita no Brasil Meia-Noite na Encruzilhada, que será aberta ao público no espaço Pé de Cobra (@pedecobra.lab), localizado na Rua do Bispo, 35, no Centro Histórico, bem no coração do Pelourinho. Com visitação gratuita de segunda a sexta-feira, das 13h às 17h, a mostra conta com apoio institucional do Instituto Cervantes Salvador e apresenta imagens de rituais dedicados à Exu, entidade central nas religiões de matriz africana, associada ao movimento, à comunicação e às encruzilhadas.

Com fotografias feitas ao longo de três anos, a mostra percorre territórios como Benim, Cuba, Brasil e Haiti. As imagens são da espanhola Cristina De Middel, um dos principais nomes da fotografia contemporânea internacional, e por Bruno Morais, cuja trajetória é marcada por uma abordagem documental e poética voltada ao imaginário popular e aos direitos humanos.

“Entre registros de rituais e construções visuais que dialogam com o mito, a exposição se inscreve no intervalo entre o visível e o oculto, propondo ao público uma experiência que atravessa narrativa, espiritualidade e imaginação”, destaca Cristina De Middel.

Apresentado inicialmente no festival Rencontres de Arles, em 2018, o projeto já passou por cidades como Barcelona, México e Bogotá. Sua chegada a Salvador carrega um simbolismo especial.

“Após passar por diferentes países, chegar a Salvador, com tudo o que esta cidade representa, torna-se particularmente significativo”, afirma Bruno Morais.

A exposição marca a abertura do Pé de Cobra, iniciativa que passa a integrar o circuito cultural da cidade com a proposta de ser um espaço voltado à experimentação e reflexão em torno da imagem. Instalado em um imóvel histórico, a iniciativa ocupa um prédio que, entre as décadas de 1960 e 1990, funcionou como estrutura de fiscalização do comércio ambulante, conhecido popularmente como “Rapa”. Após cinco anos de obras, o local é ressignificado como um centro dedicado à produção e ao pensamento visual, com ambientes que incluem sala expositiva, biblioteca especializada e laboratório fotográfico.

A mostra integra o conceito “A Esquina”, eixo curatorial que orienta as atividades do Pé de Cobra ao longo de 2026 e que deverá atravessar exposições, encontros e ações do espaço ao longo do ano.

“Desejamos um lugar onde a arte não seja colocada em um pedestal, mas que as pessoas se sintam à vontade para entrar e participar”, afirma Julieta Lopresto.

Ao lado de Cristina De Middel e Bruno Morais, ela está à frente do Pé de Cobra, iniciativa que propõe um ambiente acessível, onde o processo criativo permanece aberto e em constante diálogo com a comunidade.

SERVIÇO

Meia-Noite na Encruzilhada
Onde: Pé de Cobra – Rua do Bispo, 35 – Centro Histórico, Salvador
Abertura: 15 de abril (quarta-feira)
Visitação: segunda a sexta, das 13h às 17h
Mais informações: @pedecobra.lab

Artes

Gleciara Ramos promove visita guiada e contação no MAB

Jamile Menezes

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Gleciara Ramos
Com sua exposição ‘Iramaia e o Encontro das Águas”, no Museu de Arte da Bahia (MAB), a artista visual e escritora Gleciara Ramos vai promover visitas guiadas com contação de histórias para o público. Na ocasião, a artista falará do seu processo criativo e os 13 contos inspirados nos mitos amazônicos sobre a lua.
A mostra é composta por instalações de bordados e tessituras, que inspiraram o livro de mesmo nome e o documentário sobre as cosmogonias, lugares e etnias da pesquisa pelos rios e lagos da Amazônia e Andes Peruanos, encerrando na Bahia.
“Este conhecimento construído e tecido ancestralmente, que fala profundamente com o corpo e nossas intuições, dialoga profundamente com a contemporaneidade, ao trazer bordados como uma tecnologia ancestral para dentro de museus, espaços de legitimação da arte. As tessituras constroem narrativas, contam histórias de avós, tataravós e mães ancestrais que têm a vida no centro das coletividades”, reflete Gleciara Ramos.
Resultado de uma pesquisa de oito anos, entre 2018 e 2026, passando pela Amazônia, Bahia e Andes Peruanos, a artista contou com a parceria do cinegrafista e cineclubista Luís Sérgio Brito Nascimento, mais conhecido como Sérgio Zumby.
“Começamos pesquisando os mitos da Lua, no Espelho da Lua, lago que foi a morada e o local ritualístico das Icamiabas, em Nhamundá, fronteira entre o Pará e Amazonas. No local ocorreu a grande batalha entre portugueses e espanhóis, que levou ao genocídio das mulheres guerreiras”, ressalta Gleciara.
Na instalação, o público poderá conferir 13 contos bordados sobre a Lua, que posteriormente resultou em textos na forma de contos, que fazem parte de um dos livros, o Jacy Waurá. As sete instalações em bordados e tecituras intituladas ‘Roupas da Terra’ são malocas como peles fronteiriças de aconchego, entre o interno e o externo, portais tecidos à mão.
“São ferramentas, instrumentos carregados de subjetividade, escrituras de nossas cosmogonias, trazendo reflexões sobre as epistemes que envolvem os mitos presentes em nossa contemporaneidade e, também como atravessaram minha própria existência,  e a técnica de bordado que aprendia com minhas mães ancestrais, resultando no livro Jacy Epóma”, relata a artista.
Documentário 
A oitava instalação será uma videoinstalação, com exibição do documentário “Pachamama, a mãe do Tempo e Espaço, que nos ensina a tecer nossas Roupas da Terra”, imagens filmadas por Sérgio Zumby e editadas por Gleciara, a partir de pesquisas da Amazônia aos Andes.
Sobre a artista 
Nascida no Rio de Janeiro (RJ), a artista visual, cineclubista e sindicalista Gleciara de Aguiar Ramos morou durante a infância em Tabatinga (AM) e em Vitória (ES). Em 1989, escolheu morar em Salvador (BA). Recentemente, retornou ao Amazonas, onde fez a pesquisa Espelhos da Lua, sobre os Mitos Originários da Lua. Formada pela Escola de Belas Artes na Universidade Federal da Bahia (UFBA), foi professora substituta de Percepção Visual e Técnicas de Representação Gráficas da Universidade Federal da Bahia (UFBA), de 2002 a 2004.
Serviço
Visita guiada e contação de histórias com Gleciara Ramos sobre a exposição ‘Iramaia e o Encontro das Águas’
Quando: Todos os domingos, às 15h
Onde: Museu de Arte da Bahia (MAB) – Galeria Jardins, no Corredor da Vitória
Visitação: Até 19 de julho de 2026 (terça a domingo), 10h às 18h
Quanto: Entrada gratuita
Valor do livro: R$125
Foto: Ana Paula Nobre
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Artes

Black Brazil Art divulga lista de artistas e Bahia lidera Nordeste

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Black Brazil Arts

A Bienal Black Brazil Art (BB) divulgou os 124 artistas que participarão da 4ª edição, prevista para o último trimestre de 2026. A mostra acontecerá em espaços culturais da capital pernambucana, como o Museu da Abolição, o Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MAMAM) e o Museu Cais do Sertão, em Recife (PE). A Bahia lidera a participação nordestina, com 14 representantes. As produções contemplam pintura, instalação, performance, fotografia, colagem, assemblage e arte têxtil.

O resultado reforça a descentralização da produção artística negra no país e a presença de novos polos de criação fora do eixo Rio-São Paulo. São Paulo concentra o maior número de participantes, com 26 artistas, seguido pelo Rio de Janeiro, com 18.

Entre os representantes baianos estão artistas de Salvador e do interior do estado. Da capital, integram a mostra Aaaalexandra Martins, Amélia Serpa, Ana Carolina Vidal, Anna Motta, Helen Salomão, Jaqueline Nascimento, Kall Yoga, Livia Passos, Rafa Sales, Suzana Amorim e Tina Melo, além do Coletivo Vivedoras de Ganho, formado por Adinelson Souza, Livia Passos e Luzimar Azevedo. Do interior, participa Camille Moreira, de São Félix, no Recôncavo Baiano.

Crédito: Lívia Passos

Para a curadora da Bienal, Patrícia Brito, a escolha dos participantes reflete a diversidade da produção artística afrodiaspórica no país e o fortalecimento de artistas em circuitos institucionais.

“A forte presença de Bahia e Pernambuco entre os estados com maior número de representantes reflete a potência histórica da produção cultural nordestina. O que historicamente faltou não foi criação, mas acesso aos grandes circuitos de legitimação, aos editais, às instituições e ao mercado concentrado no eixo Rio-São Paulo.

A Bienal Black atua nessa ruptura, reposicionando o olhar do mercado, dos museus e dos colecionadores para produções que sempre existiram, mas muitas vezes permaneceram à margem das estruturas tradicionais de visibilidade.”

Além da Bahia e de Pernambuco, o Nordeste contará com representantes do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas, Maranhão, Piauí e Sergipe. A relação inclui ainda artistas das regiões Sul, Centro-Oeste e Norte, além de participantes internacionais vindos de Porto Rico, Canadá, Alemanha, Cabo Verde, Estados Unidos e Portugal.

A programação inclui ainda a participação de estudantes da Escola Técnica Estadual Alfredo Freyre (ETE), com ações de aproximação com processos criativos e formação artística. O evento também prevê intercâmbios, residências artísticas e programas de mobilidade curatorial com instituições do Brasil, Porto Rico e Canadá, além de uma programação virtual paralela.

A dimensão internacional da Bienal é apontada por Patrícia Brito como um dos pilares estruturantes do projeto desde suas primeiras edições.

“A Bienal Black é estrutural desde suas primeiras edições. Desde a 2ª edição, a Black Brazil Art desenvolve parcerias fora do país, entendendo que a arte contemporânea negra dialoga não apenas com questões raciais, mas também com transformações políticas, sociais e culturais globais. Porto Rico e Canadá integram essa circulação de experiências da diáspora.

No Canadá, essa relação se fortalece com minha atuação na Cátedra de Pesquisa desde 2025 e como curadora convidada da Bienal AF-Flux de Montreal, em 2028, responsável pela escolha de artistas da América Latina. Ao longo de quatro edições, a Bienal já dialogou com mais de 11 países.”

A relação completa dos participantes pode ser consultada no site oficial da www.bienalblack.com.br

 

 

Texto de Wal Melo (DRT 0006980/BA) – Jornalista 

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Artes

Espetáculo de resistência negra participa de circuito de artes cênicas

Kelly Bouéres

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Dandara na Terra dos Palmares
Fábio Bouzas

O espetáculo baiano “Dandara na Terra dos Palmares”, da Arte Sintonia Companhia de Teatro, segue ampliando seu alcance pelo país ao integrar a 28ª edição do Palco Giratório, maior circuito de circulação de artes cênicas do Brasil.

Ao longo da circulação nacional, o projeto realizará 28 apresentações e atividades formativas em 12 estados brasileiros, levando ao público uma potente reflexão sobre ancestralidade, identidade e resistência negra.

Desde sua estreia, em 2022, “Dandara na Terra dos Palmares” já emocionou mais de 45 mil espectadores e consolidou-se como uma das produções mais relevantes do teatro baiano contemporâneo. Indicada ao Prêmio Braskem de Teatro nas categorias Melhor Espetáculo Infantojuvenil e Melhor Direção, a peça também marcou presença em importantes eventos literários, como a Flica e a Flipelô. 

A obra aborda, de forma sensível e potente, questões ligadas ao racismo estrutural, à ancestralidade negra e à construção da autoestima infantil, acompanhando a trajetória de Dandara, uma menina negra que aprende a reconhecer a força de sua identidade ao mergulhar simbolicamente na história do Quilombo dos Palmares.

Com texto de Antônio Marques e direção de Agamenon de Abreu, o espetáculo mistura fantasia e realidade para estimular reflexões sobre pertencimento, resistência e educação antirracista. A trilha sonora original assinada por Emille Lapa e Natalyne Santos reforça a atmosfera emocional da montagem, que conta ainda com as atuações de Maria Alice Xavier, Yandra Góes, Denise Correia, Gilson Garcia, Leonardo Freitas, Pablo Pereira e Natalyne Santos.

A turnê nacional terá início em maio, com apresentações no Rio Grande do Sul e Espírito Santo, passando ainda por Pernambuco e diversas cidades de Santa Catarina nos meses de junho e julho. Em agosto, o espetáculo chega a Minas Gerais e São Paulo; em setembro, circula por Mato Grosso do Sul, Pará, Amapá e Maranhão; em outubro, será apresentado no Ceará; e, em novembro, encerra a circulação com atividades e apresentações no Paraná e no Rio Grande do Sul. 

O projeto conta ainda com ações formativas e encontros, ampliando o diálogo entre artistas e o público. Entre as atividades está a oficina “Corpo, Voz e Ancestralidade – Musicalização Através do Teatro”, ministrada por Natalyne Santos, atriz e diretora musical, que propõe uma vivência integrada entre expressão corporal, voz e heranças culturais afro-brasileiras. Já o “Pensamento Giratório” será conduzido por Denise Correia, atriz, cantora e integrante da Arte Sintonia, em uma reflexão coletiva abordando identidade cultural, ancestralidade, racismo, resistência e o papel da música como narrativa cênica.

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