Audiovisual
Curta“Talvez meu pai seja negro” integra Festival É Tudo Verdade
O curta-metragem “Talvez meu pai seja negro”, dirigido pela realizadora baiana Flávia Santana e produzido pela Mulungu Realizações Culturais (@mulungurealizações) é o único filme baiano a integrar a Mostra Competitiva do festival É Tudo Verdade, um dos mais importantes eventos de documentário da América Latina. Com sessões em São Paulo nos dias 13 e 17 de abril e no Rio de Janeiro nos dias 14 e 18 de abril. As sessões contam com a presença da diretora em parte da programação e marcam mais um passo na circulação do filme pelo circuito audiovisual nacional.
No documentário, a diretora conduz a narrativa ao lado de seu pai, Antônio Santana, em uma investigação íntima sobre as origens da família. A partir de uma revelação que atravessa gerações, o filme percorre documentos, fotografias e memórias fragmentadas, abordando temas como identidade racial, pertencimento e apagamentos históricos. Ao partir de uma experiência pessoal, a obra alcança dimensões coletivas, refletindo sobre lacunas na construção das histórias familiares negras no Brasil.
A diretora destaca que o documentário nasce de um impulso profundo de reconstrução da memória familiar e de elaboração de ausências históricas.
“O filme veio mesmo como um desejo e urgência de tentar salvaguardar a memória da minha família paterna, num exercício de tentar remontar e contar uma história que foi estilhaçada, que temos pouco acesso a informações, documentos e registros. Nessa jornada, que foi muito profunda e desafiadora, eu e meu pai iniciamos um processo de troca e reflexão sobre a história dele e da nossa família que nunca tínhamos falado antes, inclusive sobre temas que me atravessaram toda a vida, como questões relacionadas à identidade e pertencimento.”
O filme tem roteiro e direção de Flávia Santana e produção da Mulungu Realizações. A direção de fotografia é de Hury Ahmadi; montagem, operação de câmera, assistência de direção e cor de Nin la Croix; direção de som e trilha sonora de Italo Oliveira, captação, edição de som e mixagem de Victor Brasileiro; identidade visual e design Gráfico de Alyssa Volpini; distribuição da Mulungu e Pique Filmes.
Entre o íntimo e o coletivo
Ao revisitar territórios do interior e encontrar personagens que ajudam a recompor fragmentos da história, o filme evidencia tanto a dificuldade de acesso à memória quanto a potência dos encontros. A diretora aponta que o processo revelou como o direito à memória ainda é desigual, mas também foi atravessado por experiências de acolhimento e generosidade.
A obra também aborda questões como trabalho infantil e desigualdade social, a partir de conversas familiares que revelam diferentes formas de compreender o passado. Nesse sentido, o filme assume uma dimensão política ao não naturalizar violências históricas e ao propor reflexão crítica a partir do cotidiano.
“Tratar de temas como memória, apagamentos e identidade racial a partir de uma vivência pessoal foi muito desafiador, sobretudo por compartilhar esse espaço íntimo da minha família. O filme foi feito com muito afeto e verdade, sem a pretensão de trazer respostas concretas. O próprio título já traz incertezas, a dúvida, e acredito que aí está a força do cinema também: de ser essa ferramenta que possa colaborar para gerar discussões, provocar reflexões e ampliar perspectivas.”, conclui Flávia.
Serviço:
O quê: Exibição do curta “Talvez meu pai seja negro” – Mostra Competitiva do É Tudo Verdade
Direção: Flávia Santana
Classificação: Livre Acompanhe em: @mulungurealizacoes
Audiovisual
Documentário ‘Mulheres do Bando’ é premiado em festival
O documentário “Mulheres do Bando” estreou com pé direito e conquistou o Troféu Candango na Mostra Caleidoscópio, na categoria Melhor Longa-Metragem escolhido pelo Júri Jovem UnB, no 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A premiação do primeiro longa-metragem da cineasta baiana Thamires Vieira foi realizada no último sábado (19), no encerramento do evento, no Distrito Federal.
“É uma emoção muito grande, passar por esse momento, começar o filme por aqui, por esse festival, nesse cinema, ser premiada pelo Júri Jovem com um texto tão emocionante sobre a importância desse trabalho. Acho que nasce uma artista que estava já em processo”, celebra Thamires Vieira, diretora do filme.
“Mulheres do Bando” reúne atrizes de diferentes gerações do Bando de Teatro Olodum, uma das mais importantes companhias negras de teatro do Brasil, em um mergulho afetivo e político pelas memórias, experiências e transformações vividas por essas mulheres dentro e fora da cena.
O filme olha para a trajetória do grupo a partir de suas atrizes, que construíram parte importante da história cultural de Salvador e do Brasil. Entre arquivos, ensaios, improvisações, conversas e silêncios, o documentário aproxima diferentes gerações para investigar o que permanece, o que se transforma e aquilo que ainda precisa ser dito. O elenco do documentário é composto por Edvana Carvalho, Valdineia Soriano, Merry Batista, Cassia do Valle, Luciana Souza, Rejane Maia, Arlete Dias, Naira da Hora, Jamile Alves e Ella Nascimento.
Produzido pela Terá Filme e distribuído pela Fistaile, “Mulheres do Bando” revisita a trajetória do Bando e exalta o protagonismo e o legado dessas mulheres na cultura brasileira, em sala de ensaio com vista mar vemos os processos criativos, depoimentos e material de arquivo. No filme, essa história é revisitada a partir das experiências de suas atrizes, que compartilham lembranças pessoais e coletivas atravessadas por questões de raça, gênero, afeto, pertencimento e transformação. Ao colocar em diálogo diferentes tempos e perspectivas, Thamires Vieira constrói uma narrativa sobre o que significa ser uma mulher negra em cena e na sociedade brasileira.
Mais do que recuperar uma trajetória, “Mulheres do Bando” propõe um encontro entre passado e presente. A memória se torna ponto de partida para perguntas sobre as conquistas alcançadas, as ausências que permanecem e as narrativas que ainda precisam ser construídas.
Audiovisual
Mostra de Cinemas Africanos segue com programação gratuita
A 9ª Mostra de Cinemas Africanos (@mostradecinemasafricanos) segue com programação gratuita em Salvador até quarta-feira (23), reunindo exibições de filmes e atividades formativas que ampliam o debate sobre as cinematografias do continente africano. Nesta semana, a agenda inclui uma masterclass com a cineasta burkinabé Chloé Aïcha Boro, um minicurso on-line sobre cinema de gênero e um fórum dedicado à crítica cinematográfica, festivais e cinemas não hegemônicos. A programação completa está disponível no site: www.mostradecinemasafricanos.com
Realizada na Sala Walter da Silveira e no Cine Lankiana, a Mostra apresenta 12 longas-metragens e 10 curtas, entre ficções e documentários de 11 países africanos, propondo um olhar para a diversidade estética do continente a partir do recorte temático desta edição: o cinema de gênero.
Entre os destaques da programação da semana está o Fórum “Crítica cinematográfica, festivais e cinemas não hegemônicos”, que acontece nesta segunda-feira (21), das 9h às 13h, na Facom/UFBA. O encontro reúne Ivonete Pinto, Juliano Gomes e críticos baianos de cinema, com mediação de Enoe Lopes Pontes e Regina Gomes.
A programação de filmes segue ao longo da semana na Sala Walter da Silveira, com sessões de curtas e longas-metragens que exploram diferentes gêneros, narrativas e perspectivas das cinematografias africanas. Entre os títulos estão As Desvirtuosas, O Pescador, Movimentos Concretos, Liti Liti, Independência Hoje, Minha História em Jebba, A Última Dança da Vergonha, Mobembo, Guardião dos Mundos, Roupa Suja e Por Detrás das Palmeiras.
Com curadoria da pesquisadora e produtora Ana Camila Esteves, a 9ª edição da Mostra busca afastar visões estereotipadas sobre os cinemas africanos e evidenciar a pluralidade de linguagens, narrativas e experimentações produzidas no continente.
A Mostra de Cinemas Africanos é realizada pela Ana Camila Comunicação e Cultura, com apoio da Embaixada da França no Brasil e do Instituto Francês. Em Salvador, conta com apoio financeiro do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura.
Serviço:
9ª Mostra de Cinemas Africanos
Quando: até 23 de setembro de 2026
Onde: Sala Walter da Silveira e Cine Lankiana – Salvador
Entrada: gratuita
Inscrições para atividades formativas: https://mostradecinemasafricanos.com/inscricoes2026/
Saiba mais em:
www.mostradecinemasafricanos.com
Audiovisual
Mostra de Cinemas Africanos acontece em Salvador
De 17 a 23 de setembro, Salvador recebe a Mostra de Cinemas Africanos (@mostradecinemasafricanos), com uma programação que reúne 22 filmes de 11 países e busca afastar visões estereotipadas sobre a produção audiovisual africana. Além das exibições de filmes, que acontecem na Sala Walter da Silveira e no Cine Lankiana, o festival realiza encontros com cineastas, críticos e pesquisadores em atividades como debate pós-sessão, masterclass, minicurso e seminário. Toda a programação é gratuita e está disponível no site: www.mostradecinemasafricanos.
A curadoria assinada pela pesquisadora e produtora Ana Camila Esteves destaca a pluralidade estética do continente a partir do cinema de gênero. O público poderá conferir uma seleção de produções recentes e inéditas no Brasil que transitam pela ficção científica, comédia, musical, romance, aventura e thriller psicológico. Temas como o uso da inteligência artificial no cinema e narrativas urbanas nas grandes cidades africanas também estarão presentes na programação.
Ao todo serão exibidos 12 longas-metragens e 10 curtas, entre ficções e documentários, provenientes de 11 países: Quênia, Senegal, Gana, Chade, Marrocos, Burkina Faso, Nigéria, Sudão, Tunísia, Benin e República Democrática do Congo.
Segundo a curadora, o foco desta edição surgiu do próprio processo de pesquisa, ao observar que filmes realizados em diferentes países e condições de produção se aproximavam pela maneira como elaboravam referências, linguagens e estéticas.
“A proposta é colocar em questão aquilo que aprendemos a reconhecer como cinema de gênero a partir de um repertório formado sobretudo pelas cinematografias estadunidense e europeia”, destaca Ana Camila Esteves.
Destaques da programação e presença de cineastas africanos
A abertura oficial da Mostra de Cinemas Africanos acontece no dia 17 de setembro (quinta-feira), às 19h, na Sala Walter da Silveira, com a exibição do filme Memória da Princesa Mumbi e a presença do cineasta, escritor e diretor suíço-queniano Damien Hauser, que também participará de debates sobre seu filme ao longo da programação. O longa é uma aventura romântica futurista, realizada com suporte da inteligência artificial.
Chloé Aïcha Boro, cineasta burkinabé conhecida por sua obra no documentário, também é uma das convidadas desta edição. A realizadora apresentará seu primeiro longa de ficção, As Desvirtuosas. O filme acompanha quatro mulheres expulsas de sua aldeia que formam uma comunidade às margens da sociedade, combinando humor, música e diferentes gêneros cinematográficos.
Boro também realizará uma masterclass gratuita na capital baiana, na qual compartilhará sua trajetória do documentário à ficção, analisando como uma narrativa familiar pode se transformar em cinema sem perder sua dimensão íntima, ética e política.
Outro destaque é o documentário “Crocodilo”, um suspense centrado em conflitos familiares, produzido pelo coletivo nigeriano The Critics, formado por jovens que começaram a produzir seus próprios filmes de gênero para a internet.
A programação inclui ainda títulos como “O Pescador”, comédia fantástica de Gana; “O Despertar de Anam”, produção queniana que aborda o luto por meio de elementos sobrenaturais; o thriller psicológico de “Por Detrás das Palmeiras” e o suspense policial de “Diya”; além de curtas de ação, comédia, ficção científica e sobrenatural.
SERVIÇO
Mostra de Cinemas Africanos 2026
Salvador – 17 a 23 de setembro
Abertura: 17/09 (quinta), às 19h, Sala Walter da Silveira
Sala Walter da Silveira (Rua General Labatut, 27 – Barris) e Cine Lankiana (Avenida Aliomar Baleeiro (Estrada Velha do Aeroporto), Km 10,5, 15, Cajazeiras)
Entrada gratuita.
Acompanhe em:
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