Audiovisual
Palavra de Mulher Preta estreia nova temporada
Hoje (05) será lançado nas plataformas digitais o podcast Palavra de Mulher Preta, que tem como anfitriã a pesquisadora, mestra e designer Adriele Regine. Serão 8 episódios, disponibilizados sempre às terças e quintas às 20h, abordando temas como o percurso pela escuta e pela comunicação do sofrimento psíquico racializado, reconhecendo a saúde mental como campo fundante para qualquer inscrição da palavra no mundo; a experiência negra enquanto materialidade, manifestando-se no gesto, na presença e na imagem; saberes acadêmicos, artísticos e ancestrais para falar de cura, ritual e cuidado coletivo.
Na metade da temporada, os assuntos são costurados com uma linha sutil que nos apresenta uma nova camada de proteção para a escrita de corpos negros no mundo, trazendo a reflexão sobre o vestir como expressão da identidade ancestral presente na moda.
Entre as convidadas estão nomes como Lugana Olaiá (comunicadora e escritora) e Edlamar França (psicóloga), Sara Barbosa (atriz e diretora) e Vilma Neres (arte-educadora, pesquisadora e multiartista), Ana Célia (mestra em culinária e cozinha afro-brasileira) e Lorena Bispo (dançarina), Anthea Xavier (diretora de arte, museóloga e artista visual) e Mestra Janja Araújo (professora, doutora e mestra de capoeira).
A partir da segunda quinzena, estarão disponíveis episódios que abordam a educação e o imaginário que precisa ser cultivado, recriado e traduzido para organizar a memória da história preta; os processos criativos que dão origem às narrativas negras e as condições políticas de distribuição desse material; a pele como território e arquivo em movimento, deslocando-se entre os tempos; e, no encerramento da temporada, um episódio que afirma que, apesar da longa travessia, descobrimos o endereço fixo da nossa embarcação-casa-orí.
Participam ainda grandes nomes em diversas áreas do saber, como Hildália Fernandes (doutora, pesquisadora e contista) e Feibriss Ametista (tradutora e professora), Deisiane Barbosa (artista da palavra), Bruna Bastos (multiartista), Amanda Julieta (escritora e pesquisadora) e Hanna Gomes (artista multidisciplinar).
Palavra de Mulher Preta foi contemplado pelo edital Territórios Criativos – Ano III, com recursos financeiros da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Prefeitura de Salvador e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), Ministério da Cultura, Governo Federal.
Ficha técnica
Produção Executiva e Produção: Ana Paula Menezes
Roteiro e entrevista: Adriele Regine
Pesquisa e curadoria: Adriele Regine e Hildália Fernandes
Coordenação Audiovisual, Colorização e Legendagem: Ana do Carmo
Identidade visual e design: Hanna Gomes
Coordenação de Arte: Adriele Regine e Hanna Gomes
Produção de arte: Hildália Fernandes
Audiovisual
Curta“Talvez meu pai seja negro” integra Festival É Tudo Verdade
O curta-metragem “Talvez meu pai seja negro”, dirigido pela realizadora baiana Flávia Santana e produzido pela Mulungu Realizações Culturais (@mulungurealizações) é o único filme baiano a integrar a Mostra Competitiva do festival É Tudo Verdade, um dos mais importantes eventos de documentário da América Latina. Com sessões em São Paulo nos dias 13 e 17 de abril e no Rio de Janeiro nos dias 14 e 18 de abril. As sessões contam com a presença da diretora em parte da programação e marcam mais um passo na circulação do filme pelo circuito audiovisual nacional.
No documentário, a diretora conduz a narrativa ao lado de seu pai, Antônio Santana, em uma investigação íntima sobre as origens da família. A partir de uma revelação que atravessa gerações, o filme percorre documentos, fotografias e memórias fragmentadas, abordando temas como identidade racial, pertencimento e apagamentos históricos. Ao partir de uma experiência pessoal, a obra alcança dimensões coletivas, refletindo sobre lacunas na construção das histórias familiares negras no Brasil.
A diretora destaca que o documentário nasce de um impulso profundo de reconstrução da memória familiar e de elaboração de ausências históricas.
“O filme veio mesmo como um desejo e urgência de tentar salvaguardar a memória da minha família paterna, num exercício de tentar remontar e contar uma história que foi estilhaçada, que temos pouco acesso a informações, documentos e registros. Nessa jornada, que foi muito profunda e desafiadora, eu e meu pai iniciamos um processo de troca e reflexão sobre a história dele e da nossa família que nunca tínhamos falado antes, inclusive sobre temas que me atravessaram toda a vida, como questões relacionadas à identidade e pertencimento.”
O filme tem roteiro e direção de Flávia Santana e produção da Mulungu Realizações. A direção de fotografia é de Hury Ahmadi; montagem, operação de câmera, assistência de direção e cor de Nin la Croix; direção de som e trilha sonora de Italo Oliveira, captação, edição de som e mixagem de Victor Brasileiro; identidade visual e design Gráfico de Alyssa Volpini; distribuição da Mulungu e Pique Filmes.
Entre o íntimo e o coletivo
Ao revisitar territórios do interior e encontrar personagens que ajudam a recompor fragmentos da história, o filme evidencia tanto a dificuldade de acesso à memória quanto a potência dos encontros. A diretora aponta que o processo revelou como o direito à memória ainda é desigual, mas também foi atravessado por experiências de acolhimento e generosidade.
A obra também aborda questões como trabalho infantil e desigualdade social, a partir de conversas familiares que revelam diferentes formas de compreender o passado. Nesse sentido, o filme assume uma dimensão política ao não naturalizar violências históricas e ao propor reflexão crítica a partir do cotidiano.
“Tratar de temas como memória, apagamentos e identidade racial a partir de uma vivência pessoal foi muito desafiador, sobretudo por compartilhar esse espaço íntimo da minha família. O filme foi feito com muito afeto e verdade, sem a pretensão de trazer respostas concretas. O próprio título já traz incertezas, a dúvida, e acredito que aí está a força do cinema também: de ser essa ferramenta que possa colaborar para gerar discussões, provocar reflexões e ampliar perspectivas.”, conclui Flávia.
Serviço:
O quê: Exibição do curta “Talvez meu pai seja negro” – Mostra Competitiva do É Tudo Verdade
Direção: Flávia Santana
Classificação: Livre Acompanhe em: @mulungurealizacoes
Audiovisual
Ceci Alves chefia sala de roteiro em série sobre Carlinhos Brown
A pesquisadora, roteirista e diretora baiana Ceci Alves está à frente da construção narrativa da nova série documental sobre Carlinhos Brown, CARLINHOS BROWN EM MEIA LUA INTEIRA, que estreou no dia 14 de abril na HBO Brasil e na HBO Max Brasil. Doutoranda na Escola de Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia, onde pesquisa as relações entre documentário e performance, Ceci ocupa pela primeira vez a posição de chefe de sala de roteiro, além de dirigir parte das entrevistas da produção.
Para a realizadora, o projeto marca também um retorno ao seu campo essencial de atuação.
“Documentário é o meu elemento. É o trato direto com a realidade, é fabular sobre a massa da realidade”, afirma.
A série percorre a trajetória de Carlinhos Brown desde suas origens no Candeal, em Salvador, até sua consagração como um dos nomes mais influentes da música brasileira, articulando sua obra com dimensões sociais, raciais, econômicas e políticas do país.
A construção da narrativa foi desenvolvida em colaboração com os roteiristas Vitor Sousa e Laís Motta. Ele foi colega de Ceci no Laboratório de Narrativas Negras da Globo, espaço voltado ao desenvolvimento de novas vozes e perspectivas no audiovisual brasileiro. Já Laís Motta é uma profissional com trajetória consolidada no setor audiovisual e atualmente atua como coordenadora de formação do SalCine.
“Eles são profissionais de extrema qualificação que mergulharam comigo nessa jornada de compreender não só a vida e a obra de Carlinhos Brown, mas também como isso se conecta com a vida brasileira, com as perspectivas sociais, raciais, econômicas e políticas do Brasil, em diálogo com o mundo”, comenta.
Além da liderança na sala de roteiro, Ceci também dirigiu entrevistas com personagens fundamentais dessa trajetória, como Gilberto Gil; os jornalistas Wanda Chase, já falecida – “uma mulher fantástica e de grande representatividade” —; Osmar Martins (Marrom); e a produtora e gestora cultural Ivana Souto, que esteve ao lado de Brown em seus primeiros passos, além do próprio artista e de seus filhos.
“Não tenho palavras para dimensionar a honra que é estar envolvida nesse projeto, celebrando essa figura que para mim é tão querida, tão necessária, tão atual, tão contemporânea, tão inventiva e tão essencial”, completa.
A relação entre Ceci Alves e Carlinhos Brown antecede o projeto. Ainda como jornalista, ela acompanhou de perto diferentes momentos da carreira do músico e desenvolveu uma interlocução marcada por respeito e admiração. Na redação do Jornal A Tarde, onde trabalhou, era frequentemente chamada de “tradutora” de Brown e de Gilberto Gil, por sua capacidade de decifrar a densidade filosófica, social e cultural presente nas falas dos artistas. Essa experiência se reflete na condução da série, que aposta em um olhar sensível e profundamente enraizado na experiência baiana.
Com quatro episódios, a produção reúne ainda depoimentos de nomes como Caetano Veloso, Marisa Monte e Daniela Mercury, compondo um mosaico de vozes que evidenciam a relevância de Carlinhos Brown para a música e a cultura brasileira. Mais do que um retrato biográfico, a série propõe uma leitura do Brasil contemporâneo a partir da obra de um artista cuja trajetória dialoga com identidade, território, invenção e transformação social.
CARLINHOS BROWN EM MEIA LUA INTEIRA é uma série documental coproduzida pela Warner Bros. Discovery, Giros Filmes e Candyall Music com direção geral de Bianca Lenti e Belisario Franca e produzida por Mauricio Magalhães, Bianca Lenti, Belisario Franca e Beatriz Petrini. Pelo lado da Warner Bros. Discovery, assinam a produção Sergio Nakasone, Adriana Cechetti e Luciana Soligo.
Audiovisual
Filme baiano Timidez estreia nos cinemas do Brasil no dia 16
Após circular por festivais nacionais e internacionais e conquistar diversos prêmios, o longa-metragem baiano TIMIDEZ estreia nas salas de cinema no dia 16 de abril. Dirigido pelos baianos Thiago Gomes Rosa e Susan Kalik, o filme é um suspense psicológico que propõe um olhar sensível sobre as feridas emocionais deixadas pelo racismo cotidiano, não em sua face explícita, mas nas cicatrizes íntimas que moldam subjetividades. Em Salvador (BA) o filme será exibido no Cine Glauber Rocha e no Circuito Saladearte.
Protagonizado pelos atores baianos Dan Ferreira (Meu Nome é Gal, Pixinguinha, Alemão 2) e Antonio Marcelo (As balas que não dei ao meu filho, Couraça), o roteiro do filme parte da adaptação do texto teatral O Cego e o Louco, da dramaturga Cláudia Barral, encenado há mais de 25 anos em diferentes palcos do Brasil. O filme conta com produção da Modupé (BA) e co-produção da Raccord Produtora (RJ).
Premiações e participação em Festivais
No 16º Festival de Cinema de Triunfo (dezembro de 2025), o longa conquistou seis premiações: Melhor Longa Nacional (Júri Oficial), Melhor Direção (Thiago Gomes Rosa e Susan Kalik), Melhor Roteiro (Susan Kalik, Cláudia Barral e Marcos Barbosa), Melhor Ator (Antonio Marcelo), Melhor Direção de Arte (Carol Tanajura), Melhor Montagem (Lucílio Jota e Quito Ribeiro), Menção Honrosa do Júri Popular.
Recentemente foi um dos destaques da 21ª edição do Panorama Internacional Coisa de Cinema (Salvador-BA) ao conquistar três prêmios. O filme, que participou da Competitiva Baiana, foi premiado pelo júri oficial na categoria Melhor Fotografia (Matheus da Rocha Pereira). No júri jovem e júri das Associações (APAN, APC, API, MULHERCINE, AUTORAIS, CONNE) o filme levou o prêmio de Melhor Longa Baiano.
Timidez também foi selecionado para dois dos mais importantes espaços do cinema negro contemporâneo da atualidade: o Pan-African Film & Arts Festival (PAFF), em Los Angeles, maior festival do gênero nos Estados Unidos e da Diáspora, e para o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul – Brasil, África e Caribe, maior e mais longeva mostra dedicada ao cinema negro no Brasil. A exibição no Encontro de Cinema Negro acontece no Rio de Janeiro, dia 14 de abril (terça), às 18h, no Museu de Arte do Rio (RJ).
Um filme sobre silêncios, afeto e opressão
O filme conta a história de Jonas, jovem negro, que divide a casa com o irmão Nestor, um homem cego cuja relação oscila entre afeto e opressão. Carregado por memórias que o adoecem, Jonas se tornou inábil nas relações sociais e alimenta um universo particular, marcado por rejeição e solidão. Essa “timidez” é mais que um traço de personalidade: é a manifestação íntima de feridas emocionais profundas, atravessadas por experiências que se acumulam desde a infância e moldam a sua percepção de si mesmo.
Mais do que um drama familiar, Timidez é um filme que investiga como os atravessamentos emocionais de ser negro em uma sociedade repleta de tensões raciais como o Brasil, moldam a identidade e a percepção de pessoas negras sobre si mesmas e sobre o amor.
Ficha Técnica de peso
Realizado por uma equipe majoritariamente baiana e negra, o filme Timidez conta com uma ficha técnica de peso e de destaque na cena audiovisual. A direção é assinada por Susan Kalik, indicada ao Emmy Internacional pela série sobre Anderson Silva, na Paramount, e por Thiago Gomes Rosa, que integra a equipe de direção da novela das 19h na TV Globo, Coração Acelerado.
O roteiro é adaptado do texto teatral “O Cego e o Louco”, de Cláudia Barral, encenado há mais de 25 anos em diferentes palcos do Brasil e foi construído com apoio de Kalik, Barral e Marcos Barbosa. O elenco conta com Dan Ferreira (Jonas), Antônio Marcelo (Nestor), Evana Jeyssan (Lúcia), Jane Santa Cruz (Tereza), João Pedro Costa (Jonas – criança), Zion Marley (Nestor – jovem), Lilica Rocha (Ana Flor) e Ridson Reis (Porteiro).
A direção de fotografia é de Matheus da Rocha Pereira, enquanto a direção de arte fica a cargo de Carol Tanajura, que atuou como diretora de arte no “Oeste Outra Vez”, premiado como Melhor Longa-metragem Brasileiro no 52o Festival de Cinema de Gramado.
A montagem é assinada por Lucílio Jota e Quito Ribeiro e a trilha original e direção musical são de Jarbas Bittencourt, referência na cena musical da dramaturgia baiana. A ficha técnica conta ainda com a coreografia de Zebrinha, importante nome da dança brasileira, além da produção de Clélia Bessa e Marcos Pieri, produtores da Raccord Produções, que acumulam uma trajetória com obras de destaque nacional no cinema e na TV.
A equipe conta ainda com Rodrigo Luna na primeira assistência de direção, Lena Santana no figurino, Jade Alves na caracterização, Napoleão Cunha no som direto e Bernardo Uzeda na edição de som e mixagem. A finalização traz o trabalho do colorista sênior Paulo M. Andrade, ABC (in memoriam), além da direção de produção de Alessandra Pastore, produção executiva de Paula Alves e produção de finalização de Gabriela Capanema.
Timidez é uma produção da MODUPÉ PRODUTORA (BA) em coprodução com a RACCORD PRODUTORA (RJ) e distribuição da O2 PLAY (SP), produzido por Clélia Bessa e Marcos Pieri. O filme foi realizado com investimento FSA/BRDE/ANCINE e Governo da Bahia através do Edital de Arranjos Regionais 2019. Com apoio financeiro da Fundação Cultural do Estado da Bahia, Fundo de Cultura, Secretaria de Cultura, através da Leis Paulo Gustavo e Política Nacional Aldir Blanc.
Estreia nos cinemas dia 16 de abril
Cinemas de Salvador (BA)
Cine Glauber Rocha e Circuito Saladearte
SINOPSE
Jonas divide a casa com Nestor, seu irmão cego, que é ao mesmo tempo amparo e prisão. Sob o silêncio de memórias que o adoecem, Jonas alimenta em segredo o afeto por Lúcia, sua vizinha. Mas nesta noite Lúcia virá para o jantar, e Jonas precisará enfrentar a sombra de sua timidez, confrontando os fantasmas que o impedem de se reconhecer digno de amor.
PREMIAÇÕES:
16º Festival de Cinema de Triunfo
Melhor Longa Nacional (Júri Oficial),
Melhor Direção (Thiago Gomes Rosa e Susan Kalik)
Melhor Roteiro (Susan Kalik, Cláudia Barral e Marcos Barbosa)
Melhor Ator (Antonio Marcelo)
Melhor Direção de Arte (Carol Tanajura)
Melhor Montagem (Lucílio Jota e Quito Ribeiro)
Menção Honrosa do Júri Popular.
21ª edição do Panorama Internacional Coisa de Cinema (Salvador-BA)
Competitiva Baiana
Melhor Fotografia (Matheus da Rocha Pereira) – Júri Oficial
Melhor Longa Baiano – Júri Jovem
Melhor Longa Baiano – Júri das Associações (APAN, APC, API, MULHERCINE, AUTORAIS, CONNE)
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