Cultura
Elegbapho destaca feitos históricos negros no mês da Lei Áurea
O dia 13 de maio de 1888 não é uma data a ser celebrada, mas sim questionada. É um dia de luta que lembra ao país que mesmo após a abolição a população negra continuou excluída da sociedade brasileira. Por isso, o projetoElegbapho – Território Afrocênico de Celebração Negra realiza cinco rodas de conversa neste mês de maio, com estudantes das cidades de Alagoinhas e Salvador, para destacar personagens negros e seus feitos históricos. Mediadas pelo ator Nando Zâmbia e pela encenadora Onisajé, as rodas de conversa em Alagoinhas acontecem no IFBaiano, no dia 13, às 9h30; na UNEB, no dia 14, às 15h30; no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, no dia 21, às 8h; e na Escola Estadual Luís Eduardo Magalhães, também no dia 21, às 13h30. Já em Salvador, a atividade acontece no Colégio Edgard Santos, no bairro do Garcia, no dia 22, às 10h20.
“Apesar da forma desumana como a abolição da escravatura aconteceu, abandonando os negros à própria sorte, continuamos lutando e dando enormes contribuições à construção do país”, afirma Nando Zâmbia. Para ele, a data não merece celebração, mas tampouco deve ser abandonada, pois ela é resultado de longos processos de lutas ancestrais. Por isso, a roda de conversa IWADI DUDU ITAN – Pesquisando Feitos Históricos Negros apresenta a trajetória de pessoas negras que merecem ser lembradas pelos seus importantes legados, como Antonieta de Barros, a primeira mulher negra eleita deputada, em 1934, e Hemetério José dos Santos, um dos primeiros professores negros que se tem registro.
Onisajé e Nando Zâmbia são artistas alagoinhenses que há mais de 20 anos desenvolvem o Teatro Preto de Candomblé, poética que se inspira na estética e na mitologia do Candomblé para criar espetáculos teatrais sobre temas da contemporaneidade.
As rodas de conversa IWADI DUDU ITAN – Pesquisando Feitos Históricos Negros fazem parte da programação do projeto ELEGBAPHO – Território Afrocênico de Celebração Negra, que está em fase de montagem do novo espetáculo do ator Nando Zâmbia. O projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.
SERVIÇO:
Elegbapho – Território Afrocênico de Celebração Negra
Roda de Conversa em Alagoinhas
IWADI DUDU ITAN – Pesquisando Feitos Históricos Negros
IFBaiano (Alagoinhas) – 13/05, às 9h30
UNEB (Alagoinhas) – 14/05, às 15h30
Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães (Alagoinhas) – 21/05, às 8h
Escola Estadual Luís Eduardo Magalhães (Alagoinhas) – 21/05, às 13h30
Colégio Edgard Santos (Salvador) – 22/05, às 10h20
Acesso Gratuito
Cultura
Celebração aos mestres do samba acontece nesta quarta-feira (13)
Um espetáculo especial inteiramente dedicado à preservação e celebração do samba de raiz e de seus baluartes na Bahia. O CineTeatro 2 de Julho, na Federação, recebe nesta quarta-feira (13), às 18h, um show de encontro dos grupos “Patrulha do Samba” e “Samba do Pretinho” reunindo a diversos convidados ícones da cultura baiana. O evento é gratuito com ingressos esgotados após distribuição via plataforma Sympla. A noite terá transmissão ao vivo pela TVE e através do youtube do canal (www.youtube.com/@tvebahia).
Mais do que um show, o evento será um rito de passagem e memória. Os grupos Patrulha do Samba e Samba do Pretinho terão ao lado o mestre Chocolate da Bahia como anfitrião da celebração, conduzindo uma verdadeira constelação de convidados que representam a história viva do gênero. No palco, o público terá a união de vozes e trajetórias de artistas como Walmir Lima, Roberto Mendes, Edil Pacheco, Guiga de Ogum, Gal do Beco, Roque Bentenquê, Muniz do Garcia, Seu Régis de Itapoã e Paulinho do Reco.
Patrimônio Imaterial da Bahia, o grupo Ganhadeiras de Itapuã levará a força feminina e a tradição ancestral para a celebração, reforçando a conexão entre o samba e a cultura popular. O projeto conta com apoio do Ministério do Turismo e promete transformar o palco do CineTeatro 2 de Julho, equipamento do IRDEB, em uma grande e autêntica roda de samba.
Homenagem aos imortais – A noite homenageará também personagens que já partiram, mas cujas obras são eternas, são eles: Batatinha, Riachão, Ederaldo Gentil, Edson Conceição, Tião Motorista, Claudete Macedo, Panela e Firmino de Itapoã. O objetivo da iniciativa é promover o resgate e a reverência aos mestres que transformaram o samba em alicerce da identidade da Bahia.
SERVIÇO:
Patrulha do Samba, Samba do Pretinho e Convidados: Homenagem aos Mestres e Mestras do Samba da Bahia.
Onde: CineTeatro 2 de Julho (IRDEB), Rua Pedro Gama, nº 413 E – Federação.
Quando: 13 de maio de 2026, às 18h
Ingressos: à venda via plataforma Sympla (ESGOTADO!)
Transmissão: Canal de televisão TVE e pelo Youtube da emissora (www.youtube.com/@tvebahia).
Instagram: @mestresdosambaoficial
Patrocínio: Ministério do Turismo
Cultura
Projeto Mãos no Tambor realiza workshop gratuito
Com o objetivo de resgatar memórias e fortalecer a continuidade das tradições do Candomblé por meio da prática, o Projeto Mãos no Tambor promove, no dia 16 de maio, às 9h30, a 4ª edição do Workshop Gratuito de Ritmos e Toques de Candomblé. A atividade será realizada no Terreiro Casa Branca e terá como foco os toques dos Orixás, com abordagem teórica e prática sobre suas funções, contextos de execução e a dinâmica dos atabaques.
A programação será iniciada com uma roda de conversa sobre “O papel da juventude de Candomblé na manutenção das tradições”. O encontro reúne os idealizadores Jean Chagas e Nego Kiri, além dos colaboradores Saimon Bispo, Jefferson Chagas, Diego Ferreira e Aynã Oliveira, com mediação da gestora do projeto, Laísa Gabriela.
O debate parte de experiências vivenciadas pelos participantes para destacar o papel estratégico das novas gerações na preservação das tradições, da oralidade e das práticas litúrgicas, reforçando o Candomblé como um sistema cultural dinâmico e em constante construção.
De acordo com Nego Kiri, ogan do Terreiro do Cobre, a iniciativa atua diretamente na valorização e continuidade dos saberes tradicionais.
“Hoje existe um olhar crítico sobre a juventude de axé. Nosso objetivo é demonstrar compromisso com a religião e compartilhar conhecimentos que garantam a preservação dos saberes ancestrais”, afirma.
O workshop propõe um ambiente de troca em que ritmo, escuta e oralidade são elementos centrais do processo de aprendizagem. A iniciativa busca ampliar o acesso de jovens, especialmente de comunidades periféricas, ao conhecimento sobre ancestralidade, utilizando a musicalidade como eixo de conexão e fortalecimento identitário.
Para Jean Chagas, ogan do Terreiro Casa Branca, a proposta também responde a uma lacuna histórica de acesso ao conhecimento tradicional.
“Nos terreiros, nem sempre é possível registrar ou compartilhar determinados rituais. Por isso, criamos esse espaço de troca, entendendo que o conhecimento precisa circular”, explica.
As vagas são limitadas a 25 participantes. As inscrições devem ser realizadas por meio de formulário online, e a seleção levará em conta a capacidade do espaço. Ao final da atividade, será emitido certificado para os participantes.
Serviço
Evento: 4º Workshop Gratuito de Ritmos e Toques de Candomblé
Data: 16 de maio
Horário: 9h30
Local: Terreiro Casa Branca
Inscrições: Formulário online (clique aqui)
Vagas: 25 participantes
Certificação: Sim
Cultura
Bia Barreto cria o Afrobeto para uma educação antirracista
O Afrobeto, criado pela educadora, artista e pesquisadora Bianca Barreto do Nascimento, a Bia Barreto, também conhecida como Afroprof, é uma tecnologia educacional afrorreferenciada que une alfabetização, identidade cultural, diversidade, pertencimento e educação antirracista.
Mais do que um material didático, o Afrobeto se apresenta como uma proposta pedagógica e cultural que transforma referências da diáspora africana, da cultura afro-brasileira, dos saberes ancestrais e das produções negras em caminhos de aprendizagem. A iniciativa contribui diretamente para a implementação das Leis 10.639/03 e 11.645/08, que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena nas escolas brasileiras.
A proposta nasceu da inquietação de Bia Barreto diante da ausência de referências negras nos processos de alfabetização e formação escolar. A partir disso, o projeto passou a desenvolver materiais afrodidáticos que dialogam com crianças, jovens, educadores e comunidades escolares, ampliando repertórios, fortalecendo a autoestima de estudantes negros e negras e promovendo práticas pedagógicas mais plurais, inclusivas e comprometidas com a equidade racial.
Atualmente, o Afrobeto reúne diferentes coleções e possibilidades formativas, como o Afrobeto de Saberes, Afrobeto de Personalidades Negras, Afrobeto de Sabores, Afrobeto de Folhas e Ervas, Afrobeto Adinkras, Afrobeto de Expressões de Axé, Afrobeto Marinho, Caligrafia Afrobetizada, Colorigrafia Afrobetizada e a linha Afrogoods, voltada para atividades de colorir, criação, identidade visual e repertório cultural afrorreferenciado.
Com circulação em escolas, formações, eventos literários, ações culturais e espaços institucionais, o Afrobeto já alcançou mais de 100 escolas, passou por mais de 20 cidades e impactou milhares de estudantes e educadores. O projeto também foi finalista do Prêmio Educador Transformador 2024, do Sebrae, reconhecimento que ampliou sua visibilidade como experiência inovadora em educação, cultura e impacto social.
Em 2026, o Afrobeto fortaleceu ainda mais sua presença pública com participação na Bienal do Livro Bahia, entrevistas para veículos de comunicação e ações de difusão voltadas ao incentivo à leitura, à educação antirracista e à valorização da produção intelectual negra. A iniciativa também vem se consolidando como proposta para palestras, oficinas, formações pedagógicas, exposições, rodas de conversa e consultorias para redes de ensino, instituições culturais, empresas, feiras literárias e projetos sociais.
Para Bia Barreto, o Afrobeto é uma forma de disputar imaginários e devolver às crianças negras o direito de aprender a partir de referências que também se pareçam com elas.
“O Afrobeto nasce da necessidade de alfabetizar sem apagar identidades. Quando uma criança aprende a letra A a partir de ancestralidade, a letra B a partir de baobá, a letra C a partir de capoeira ou cabelo crespo, ela não está apenas aprendendo letras. Ela está aprendendo que sua história, seu corpo, sua cultura e sua memória também são conhecimento”, afirma Bia Barreto.
Além da atuação pedagógica, o projeto também dialoga com empreendedorismo, sustentabilidade, produção editorial independente e economia criativa, consolidando a marca Afro.didáticos como um campo de criação de materiais educativos, culturais e afrorreferenciados.
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