Cultura
Bia Barreto cria o Afrobeto para uma educação antirracista
O Afrobeto, criado pela educadora, artista e pesquisadora Bianca Barreto do Nascimento, a Bia Barreto, também conhecida como Afroprof, é uma tecnologia educacional afrorreferenciada que une alfabetização, identidade cultural, diversidade, pertencimento e educação antirracista.
Mais do que um material didático, o Afrobeto se apresenta como uma proposta pedagógica e cultural que transforma referências da diáspora africana, da cultura afro-brasileira, dos saberes ancestrais e das produções negras em caminhos de aprendizagem. A iniciativa contribui diretamente para a implementação das Leis 10.639/03 e 11.645/08, que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena nas escolas brasileiras.
A proposta nasceu da inquietação de Bia Barreto diante da ausência de referências negras nos processos de alfabetização e formação escolar. A partir disso, o projeto passou a desenvolver materiais afrodidáticos que dialogam com crianças, jovens, educadores e comunidades escolares, ampliando repertórios, fortalecendo a autoestima de estudantes negros e negras e promovendo práticas pedagógicas mais plurais, inclusivas e comprometidas com a equidade racial.
Atualmente, o Afrobeto reúne diferentes coleções e possibilidades formativas, como o Afrobeto de Saberes, Afrobeto de Personalidades Negras, Afrobeto de Sabores, Afrobeto de Folhas e Ervas, Afrobeto Adinkras, Afrobeto de Expressões de Axé, Afrobeto Marinho, Caligrafia Afrobetizada, Colorigrafia Afrobetizada e a linha Afrogoods, voltada para atividades de colorir, criação, identidade visual e repertório cultural afrorreferenciado.
Com circulação em escolas, formações, eventos literários, ações culturais e espaços institucionais, o Afrobeto já alcançou mais de 100 escolas, passou por mais de 20 cidades e impactou milhares de estudantes e educadores. O projeto também foi finalista do Prêmio Educador Transformador 2024, do Sebrae, reconhecimento que ampliou sua visibilidade como experiência inovadora em educação, cultura e impacto social.
Em 2026, o Afrobeto fortaleceu ainda mais sua presença pública com participação na Bienal do Livro Bahia, entrevistas para veículos de comunicação e ações de difusão voltadas ao incentivo à leitura, à educação antirracista e à valorização da produção intelectual negra. A iniciativa também vem se consolidando como proposta para palestras, oficinas, formações pedagógicas, exposições, rodas de conversa e consultorias para redes de ensino, instituições culturais, empresas, feiras literárias e projetos sociais.
Para Bia Barreto, o Afrobeto é uma forma de disputar imaginários e devolver às crianças negras o direito de aprender a partir de referências que também se pareçam com elas.
“O Afrobeto nasce da necessidade de alfabetizar sem apagar identidades. Quando uma criança aprende a letra A a partir de ancestralidade, a letra B a partir de baobá, a letra C a partir de capoeira ou cabelo crespo, ela não está apenas aprendendo letras. Ela está aprendendo que sua história, seu corpo, sua cultura e sua memória também são conhecimento”, afirma Bia Barreto.
Além da atuação pedagógica, o projeto também dialoga com empreendedorismo, sustentabilidade, produção editorial independente e economia criativa, consolidando a marca Afro.didáticos como um campo de criação de materiais educativos, culturais e afrorreferenciados.
Cultura
Seminário debate Hip-Hop como espaço de transformação social
O Hip-Hop vai muito além da música, da dança e da arte urbana. É também uma forma de produzir conhecimento, construir identidades e transformar realidades. É a partir dessa perspectiva que o Instituto Social EUMELANINA de Arte, Cultura e Educação realiza, nos dias 4, 5 e 6 de novembro de 2026, em Salvador, o Seminário Hip-Hop- O Quinto Elemento, um encontro dedicado ao diálogo entre cultura, educação e produção de conhecimento.
Com inscrições gratuitas, o evento pretende reunir pesquisadores, estudantes, educadores, artistas, produtores culturais, coletivos, movimentos sociais e integrantes da comunidade para compartilhar pesquisas, experiências e saberes construídos dentro e fora dos espaços acadêmicos.
Para a presidenta do Instituto, Udi Santos, o Hip-Hop sempre foi um espaço de construção de conhecimento, resistência e transformação social. “Com o Seminário queremos fortalecer o reconhecimento dos saberes que nascem nas periferias, valorizar as experiências de quem constrói essa cultura diariamente e ampliar o diálogo entre os territórios, a universidade e a sociedade”, afirma.
A programação contará com atividades na sede do Instituto EUMELANINA, no Colégio Estadual Barros Barreto e na Universidade Federal da Bahia (UFBA), com ações realizadas em parceria com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Educação Transformadora: Antirracismo, Interseccionalidade e Justiça Social na América Latina, ampliando o diálogo entre a produção acadêmica, os movimentos culturais e os conhecimentos construídos nos territórios.
Com abrangência nacional, o Seminário também terá a presença de pesquisadores de diferentes territórios do Brasil, promovendo o intercâmbio de experiências, pesquisas e perspectivas sobre o Hip-Hop, a educação e as relações raciais. A participação de representantes de diferentes regiões fortalece o caráter nacional do encontro e amplia o debate sobre o Hip-Hop como campo de produção de conhecimento.
A proposta é ampliar o reconhecimento do Hip-Hop como uma cultura que produz conhecimento a partir das vivências de seus participantes e das realidades dos territórios onde o movimento se desenvolve. O seminário também abre espaço para reflexões sobre antirracismo, educação e as perspectivas para o presente e o futuro da cultura urbana.
Tradicionalmente, o Hip-Hop é associado a quatro elementos: MC, DJ, breaking e graffiti. O quinto elemento, o conhecimento, destaca a dimensão educativa, crítica e política do movimento, valorizando a capacidade de seus integrantes de interpretar a realidade, construir narrativas próprias e produzir novas possibilidades de futuro.
É essa dimensão que orienta o seminário, aproximando a produção acadêmica dos saberes populares e das experiências vividas nas periferias. A iniciativa busca fortalecer o diálogo entre universidade, movimento cultural e sociedade, reconhecendo artistas, educadores e agentes culturais como produtores de conhecimento.
O seminário nasce dessa ideia de unir a sabedoria da universidade com a vivência e a cultura de quem faz acontecer diariamente. Valorizando artistas, educadores e fazedores de cultura como grandes criadores do saber.
Sobre o Instituto:
Fundado em 2017, o Instituto Social EUMELANINA de Arte, Cultura e Educação atua na promoção da arte, da cultura e da educação, utilizando especialmente o Hip-Hop como ferramenta de transformação social. Com atuação vinculada aos territórios periféricos de Salvador, a instituição desenvolve iniciativas voltadas à ampliação de oportunidades e ao fortalecimento de crianças, jovens e adultos.
Ao promover o seminário, o Instituto reafirma a importância de criar espaços de encontro entre diferentes experiências e formas de aprendizagem, contribuindo para a valorização da cultura periférica e para o reconhecimento dos conhecimentos produzidos nesses territórios.
A programação completa, com as atividades, os horários e os locais de realização, pode ser consultada na página oficial de inscrições.
SERVIÇO
O quê: Seminário Hip-Hop – O Quinto Elemento
Quando: 4, 5 e 6 de novembro de 2026
Onde: Sede do Instituto Eumelanina- 1º andar da Biblioteca Comunitária Paulo Freire, Rua Almeida Brandão, Escada.
Quanto: Gratuito
Inscrições:
https://www.even3.com.br/
Cultura
Instituto Social EUMELANINA realiza batalha de rimas sobre eleições
O Instituto Social EUMELANINA de Arte, Cultura e Educação realiza, neste sábado (24), em Escada (Subúrbio), a 10ª edição da batalha de rimas “KebraVerso-Confronto Lírico”, em uma edição temática, trazendo a política e o processo eleitoral para o centro das rimas e das reflexões.
A proposta é utilizar a força da cultura Hip Hop para estimular o pensamento crítico, valorizar a liberdade de expressão e ampliar o debate sobre democracia, cidadania e participação política, especialmente entre a juventude das periferias.
Ao chegar a sua 10ª edição, o evento reafirma a importância de ocupar os territórios com iniciativas culturais que incentivem o diálogo e a reflexão sobre a sociedade.
Desta vez, o contexto eleitoral será inspiração para os confrontos líricos, mostrando como a arte também pode contribuir para o debate público e para a construção de uma participação política mais consciente.
SERVIÇO
KebraVerso – Confronto Lírico | 10ª edição
Data: 24 de outubro de 2026 (sábado)
Horário: 16h
Local: Sede do Instituto EUMELANINA – 1º andar da Biblioteca Comunitária Paulo Freire, Rua Almeida Brandão, Escada, Salvador (BA).
Tema: Eleições, democracia e participação política por meio da cultura Hip Hop
Foto: Hilary Fonseca
Artes
Slam das Minas Bahia realiza final da temporada no dia 31
A palavra dita, declamada e em protesto percorreu diferentes espaços de Salvador, atravessou histórias, denunciou violências e abriu caminhos para novas vozes. Agora, é hora de celebrar essa trajetória. No dia 31 de outubro, o Slam das Minas Bahia realiza a grande final da temporada 2026, das 18h às 22h, na Praça Tereza Batista, no Pelourinho. O encontro reúne as quatro poetas classificadas ao longo do segundo semestre, além de apresentações musicais de Cinara e Maku Ma Kixikanu, performance da House of Montenegro, representante da cultura ballroom, e discotecagem de Nai Kiese.
Após quatro batalhas classificatórias, a final marca o encerramento de mais um ciclo de encontros em torno da poesia falada. Ao longo da temporada, as slammers ocuparam espaços como a Casa das Editoras Baianas, durante a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), a Casa Preta e o Cine Teatro 2 de Julho, transformando experiências individuais e coletivas em versos que abordam identidade, racismo, desigualdades, afetos e resistência. Mais do que uma disputa, a batalha celebra a potência da palavra como instrumento de expressão, denúncia e transformação social.
Quatro poetas estão confirmadas na grande final: Amanda Rosa, vencedora da primeira classificatória, realizada durante a Flipelô; Duda Santhana, que conquistou a segunda batalha; Mírian dos Santos, vencedora da terceira etapa; e Piracema, que garantiu a última vaga na quarta classificatória, realizada no dia 17 de outubro, na Casa Preta.
Na grande final, as slammers disputarão o título de campeã da temporada 2026 e uma vaga na seletiva estadual. As apresentações serão avaliadas por um júri popular, que acompanhará as rodadas de poesia e participará diretamente da escolha da vencedora. As três primeiras colocadas receberão premiações de R$ 500, R$ 300 e R$ 200, respectivamente.
Poesia, música e cultura ballroom
A programação da final também celebra diferentes expressões artísticas que dialogam com a cultura negra, periférica e LGBTQIAPN+. Entre as atrações confirmadas está a House of Montenegro, que levará à Praça Tereza Batista uma apresentação de ballroom, cultura marcada pela dança, performance, identidade e construção de espaços de pertencimento e expressão.
A noite contará ainda com apresentações musicais de Cinara, cantora que participou do reality musical Estrela da Casa, da TV Globo, e Maku Ma Kixikanu, grupo de percussão feminino, ampliando o encontro entre poesia, música e diferentes linguagens artísticas. A discotecagem ficará por conta de Nai Kiese, responsável por conduzir a trilha sonora da programação.
Nove anos de poesia e resistência
Em 2026, o Slam das Minas Bahia completa nove anos de atuação, consolidando-se como um espaço de fortalecimento da poesia falada e do protagonismo de mulheres na cena cultural baiana. Ao longo dessa trajetória, o projeto tem promovido batalhas, oficinas, debates e ações formativas, aproximando a literatura de diferentes públicos e territórios.
Nesta temporada, a programação também abriu espaço para reflexões sobre representatividade, profissionalização, violência e educação. Os encontros discutiram a presença das mulheres no mercado editorial, os desafios de viver da poesia, o enfrentamento à violência de gênero e o papel do Hip-Hop na formação e na construção de novas perspectivas para a juventude negra e periférica. Ao reunir essas discussões, o Slam das Minas Bahia reforçou seu papel como espaço de produção de conhecimento, circulação de experiências e construção coletiva.
A grande final chega como celebração de uma temporada em que a palavra foi instrumento de encontro, reflexão e resistência. Na Praça Tereza Batista, as vozes que atravessaram as classificatórias voltam a ocupar o palco para lembrar que a poesia também é uma forma de construir outros futuros.
“Há nove anos, fazemos da poesia um território onde mulheres podem disputar a própria narrativa, transformar silêncio em presença e ser reconhecidas pelo que criam. Cada poeta que chega a esta final carrega uma voz singular e amplia os caminhos para outras chegarem. Celebrar essa trajetória é afirmar que nossas palavras têm valor, nosso trabalho merece reconhecimento e nossa presença transforma a literatura”, afirma Ludmila Singa, slammaster do Slam das Minas Bahia.
SERVIÇO
O quê: Grande Final do Slam das Minas Bahia – Temporada 2026
Quando: 31 de outubro de 2026 (sábado), das 18h às 22h
Onde: Praça Tereza Batista, Pelourinho – Salvador (BA)
Finalistas: Amanda Rosa, Duda Santhana, Mírian dos Santos e Piracema.
Atrações musicais: Cinara e Maku Ma Kixikanu
Ballroom: House of Montenegro
Discotecagem: Nai Kiese
Premiação: R$ 300 (1º lugar), R$ 200 (2º lugar) e R$ 100 (3º lugar)
Entrada: gratuita
Mais informações: @slamdasminasba
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