Artes
Seminário de Museologia Popular debate a periferia em Salvador
O Grupo de Arte Popular A Pombagem realiza, entre os dias 20 e 22 de maio, o Seminário de Museologia Popular, integrando a programação da 24ª Semana Nacional de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). A atividade faz parte das ações da ocupação artística “O Museu é a Rua”, projeto desenvolvido pelo grupo em diálogo com o Centro Cultural Solar Ferrão, articulando museologia social, arte periférica e intervenções culturais. A programação do Seminário acontece na Casa do Museu Popular da Bahia (@casadomuseupopulardabahia), localizada na Fazenda Grande do Retiro.
O seminário promove o encontro entre três experiências de museologia comunitária desenvolvidas em periferias e favelas brasileiras: o Ecomuseu de Manguinhos, do Rio de Janeiro; o Museu da Boneca de Pano, do Ceará; e a própria Casa do Museu Popular da Bahia. A proposta busca fortalecer trocas de saberes e discutir estratégias de preservação da memória, autonomia institucional e resistência cultural produzidas em territórios populares.
Criado em 2009, o Grupo A Pombagem nasceu das poesias declamadas nas ruas e praças da periferia de Salvador, especialmente nos bairros de Fazenda Grande do Retiro e São Caetano, transformando literatura periférica em experiências de teatro de rua, cortejos e ações de museologia social. Ao longo de 16 anos, o coletivo consolidou o movimento “O Museu é a Rua”, conceito que entende o espaço público como território legítimo de memória, criação artística e transmissão de saberes populares.
Museologia social, arte periférica e direito à memória
A ideia do seminário foi inspirada no Curso de Museologia Popular, idealizado pela museóloga Waldisa Rússio na década de 1980, e propõe reflexões sobre o papel social dos museus em um mundo marcado por desigualdades e disputas de narrativas. A programação inclui palestras, mesas temáticas, batalhas de rap, apresentações artísticas e debates sobre memória, gestão de museus comunitários e práticas educativas nas periferias.
Mais do que uma ocupação artística, o projeto propõe uma reflexão sobre os modelos tradicionais de museu, defendendo uma museologia viva, acessível e conectada com as dinâmicas culturais da cidade. A iniciativa foi reconhecida recentemente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), através do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, destacando sua contribuição para a valorização da cultura popular e das práticas comunitárias de preservação da memória.
Já a Casa do Museu Popular da Bahia foi criada como um museu comunitário voltado à valorização da história local e das experiências culturais da periferia. Certificada como Ponto de Memória pelo Instituto Brasileiro de Museus, a iniciativa desenvolve ações educativas, culturais e políticas que articulam arte, território e mobilização social.
O projeto foi contemplado nos editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia (PNAB) e conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.
SERVIÇO:
Seminário de Museologia Popular
20 a 22 de maio de 2026
Casa do Museu Popular da Bahia e ruas de Fazenda Grande do Retiro – Salvador/BA
Gratuito Acompanhe em: @apombagem @casadomuseupopulardabahia
Artes
Exposição de tema “Resistências Negras” segue no MAM-BA
Em cartaz desde março no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) e superando os 12 mil visitantes, a exposição “Uma história da arte brasileira” segue movimentando a agenda cultural de Salvador. Nestes sábado (16) e domingo (17), às 11h, um percurso especial pela mostra vai destacar o protagonismo, a memória e a produção de artistas negros na arte nacional.
Através de artistas como Heitor dos Prazeres e das representações de identidade e território presentes na exposição, a mediação convida a uma reflexão sobre a arte como ferramenta de afirmação, história e luta contra o apagamento.
Também no sábado, mas às 15h, o tema ganha um debate, com a professora Tina Melo. Tina é artista visual, pesquisadora, professora de pintura da Escola de Belas Artes da UFBA, e desenvolve projetos artísticos entre a pintura, performance-arte, fotografia e audiovisual. Pesquisa a afro fabulação em narrativas visuais como possibilidades de criação de imagens e histórias negras que recriam existências, para além da dor.
Ela é doutora em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFBA e mestra em História da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas pela UFRB, especialista em Estudos Étnicos e Raciais pelo IFBA, e graduada em Artes Plásticas pela UFBA.
Já no domingo, às 15h, a atividade proposta pela exposição é de contação de histórias com contos afrobrasileiros de tradição oral. O contador de histórias Mario Omar se une ao músico Rick Carvalho, que traz a Kora, instrumento tradicional da África Ocidental, para uma apresentação onde narrativa e música se entrelaçam.
Inspirados pela tradição oral, os narradores evocam o papel ancestral do contador de histórias como aquele que orienta, cura, encanta e fortalece comunidades. Entre contos e saberes afro-brasileiros, a apresentação convida o público a mergulhar em um universo onde a imaginação é livre.
Baianos e turistas que visitam a mostra têm acesso a um conjunto de obras que abrange movimentos decisivos da arte no país, do modernismo às produções contemporâneas, reunindo artistas como Adriana Varejão, Anita Malfatti, Beatriz Milhazes, Candido Portinari, Di Cavalcanti, Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape, Sebastião Salgado, Tomie Ohtake, Tunga e Waltercio Caldas. Dois dos mais importantes fotógrafos brasileiros, os baianos Mario Cravo Neto e Evandro Teixeira também fazem parte da exposição inaugurada em março.
SERVIÇO:
Exposição: “Uma história da arte brasileira”
Curadoria: Raquel Barreto e Pablo Lafuente
Encerramento: 28 de junho de 2026
Local: Museu de Arte Moderna da Bahia
Endereço: Av. Lafayete Coutinho, s/n – Comércio, Salvador | BA
Tel: (71) 3117-6132
Website: http://www.mam.ba.gov.br/ | Instagram: @bahiamam
Horários de visitação: terça a domingo, das 10h às 18h
Classificação: livre
Artes
Zumví lança exposição e amplia acesso a arquivo afro-fotográfico
O Zumví Arquivo Afro Fotográfico amplia sua atuação no ambiente digital com duas ações articuladas ao longo do mês de maio. No dia 13, entra no ar a exposição online Zumví: Na rota das Manifestações Afro Culturais de Itaparica ao Recôncavo Baiano, nova mostra virtual do acervo. Já no dia 29 de maio, às 17h30, a Casa Zumví, no Rio Vermelho, recebe o encontro Acervos: da Produção à Difusão Digital, com duas mesas dedicadas aos desafios da criação artística para exposições virtuais e às possibilidades de circulação de acervos no ambiente digital.
A exposição online marca um novo momento de difusão do Zumví a partir da obra de Lázaro Roberto, fotógrafo negro baiano, fundador e diretor do arquivo. A mostra nasce de uma nova série fotográfica dedicada às manifestações afro-culturais em Salvador, no Recôncavo Baiano e na Ilha de Itaparica, ampliando o percurso do fotógrafo por territórios e práticas culturais negras de forte densidade simbólica e histórica. O texto da exposição é assinado por José Carlos Ferreira (Zezão), historiador e colaborador do Zumví, que acompanha o trabalho de preservação, organização e difusão do arquivo.
A proposta evidencia um retorno de Lázaro Roberto a processos fotográficos ligados à sua formação e à tradição documental, registrando manifestações ancestrais e populares em diferentes municípios baianos. Entre elas, estão celebrações como a Festa de Caboclo de Itaparica, a Festa de Iemanjá de Cachoeira, o Bembé do Mercado, em Santo Amaro, o Nego Fugido, a Chegança da Fragata Brasileira, em Saubara, a Zambiapunga e a Festa de São Bartolomeu, em Maragogipe. Após a realização dos registros, as imagens passaram por curadoria para compor a exposição virtual disponibilizada no site do Zumví.
Para Lázaro Roberto, a realização do projeto representa a possibilidade de ampliar e aprofundar um percurso documental construído ao longo de décadas.
“Foi muito importante ter a oportunidade de estar em loco, nessas localidades e regiões quilombolas, fotografando essas manifestações afro-culturais. São expressões de resistência que há séculos seguem vivas e que também alimentam a cultura negra de Salvador. Esse registro vai ficar para a posterioridade e permitir que mais pessoas conheçam e se debrucem sobre essas manifestações”, afirma.
Com mais de três décadas de atuação, o Zumví Arquivo Afro Fotográfico se consolidou como referência na preservação e promoção da memória afirmativa afro-brasileira por meio da educação, do fomento e da difusão da fotografia feita pelo povo negro.
Dando continuidade a esse movimento, o Zumví promove, no dia 29 de maio, às 17h30, o encontro Acervos: da Produção à Difusão Digital, na Casa Zumví, no Rio Vermelho. A programação está dividida em duas mesas e propõe uma reflexão pública sobre criação, curadoria, circulação e acesso a acervos no ambiente digital.
Essa trajetória de expansão e reconhecimento também ganha projeção nacional com a exposição Zumví Arquivo Afro Fotográfico, em cartaz no IMS Paulista, em São Paulo. A mostra apresenta um panorama do acervo por meio de cerca de 400 fotografias e documentos que atravessam movimentos sociais, blocos afro, afoxés, religiosidades, mercados populares e cenas do cotidiano da população negra baiana, reafirmando o lugar do Zumví como referência na preservação da memória visual negra e na produção de narrativas a partir de perspectivas negras.
SERVIÇO:
Lançamento da exposição online
Zumví: Na rota das Manifestações Afro Culturais de Itaparica ao Recôncavo Baiano
Data: 13 de maio
Acesso: https://zumvi.org.br/ (site do Zumví)
Encontro presencial
Acervos: da Produção à Difusão Digital
Data: 29 de maio, 17h30
Local: Casa Zumví, Rio Vermelho
– Mesa 1| Os desafios da criação artística para uma exposição em ambiente virtual7
Lázaro Roberto | Mediação: Cíntia Guedes
– Mesa 2 | Difusão de Acervos no ambiente digital
José Carlos Ferreira (Zumví) | Ricardo Sodré – Farinha | Millard Schisler – Pró-Memórias
Artes
MUNCAB inaugura exposição Padê Onã
O Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira (MUNCAB) inaugura, na quinta-feira (30), a exposição Padê Onã – Encontrar Caminhos, do artista visual Sandro Aiyê, com curadoria de Jamile Coelho e Jil Soares. Reunindo sete esculturas de grandes dimensões em madeira de demolição, a mostra se estrutura a partir da materialidade e da presença, inscrevendo no espaço figuras que operam no campo da escultura contemporânea a partir de referências negras.
As obras partem de madeiras marcadas pelo uso, reorganizadas em estruturas verticais que tensionam equilíbrio, escala e permanência. A matéria não é neutralizada e suas marcas permanecem visíveis, incorporadas à construção formal. O trabalho se dá na articulação entre transformação e continuidade, produzindo uma leitura em que memória e matéria operam no presente.
“Existe um interesse em trabalhar com aquilo que já carrega história, mas sem fixar essa leitura. O trabalho é reorganizar essa matéria para que ela produza outras presenças”, afirma Sandro Aiyê.
A exposição mobiliza Exu como um princípio de articulação ligado ao movimento, à mediação e à abertura de caminhos. Longe de uma leitura restrita ao campo religioso, sua presença opera no plano simbólico e cultural, organizando relações entre obra, espaço e circulação. Ao situar essas figuras no campo da escultura contemporânea, em escala ampliada e em relação direta com o público, a mostra desloca leituras estigmatizadas e reinscreve essas referências em um lugar de centralidade.
O título da exposição aponta para esse movimento. “Padê” é mobilizado como gesto inaugural, associado à criação de condições para o início e a circulação. “Onã”, palavra de origem iorubá, significa caminho. A união dos dois termos indicam a abertura de percursos e a construção de possibilidades no espaço.
Para os curadores Jamile Coelho e Jil Soares, a exposição se organiza a partir da relação direta entre corpo, obra e ambiente.
“As esculturas não operam como objetos isolados. Elas estruturam o espaço e exigem deslocamento, construindo leitura a partir da presença”, afirma Coelho.
A mostra é apresentada no Jardim das Esculturas, novo espaço a céu aberto do MUNCAB, instalado em uma área que abrigou uma Delegacia de Jogos e Costumes, historicamente associada à repressão de práticas culturais negras. A ocupação do espaço desloca esse histórico ao estabelecer outra relação com o território, convertendo um lugar de controle em um espaço de circulação e presença pública.
Para a diretora-geral do MUNCAB, Cintia Maria, o projeto articula produção contemporânea e reposicionamento institucional.
“Ao trazer essas obras para esse espaço, o museu afirma a centralidade dessas referências e estabelece uma relação direta com a cidade, ampliando o acesso e a circulação”, afirma.
Com Padê Onã – Encontrar Caminhos, o MUNCAB consolida uma linha de atuação que insere a produção contemporânea negra no centro do debate artístico, tensionando leituras e ampliando os regimes de visibilidade.
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