Literatura
Maio com Dendê lança livros de infantojuvenil no Dia da África
A literatura negra baiana voltada às infâncias e juventudes ganha destaque na programação da 2ª edição do Maio com Dendê com o lançamento do livro Contos para Ibejada, nova coletânea infantojuvenil da Liga do Dendê (@ligadodende). Reunindo 26 autores e autoras negros da Bahia, sob a organização de Cássia Valle (cassiavallereal), Denise Ferreira (@soudeniseferreira), Luciana Palmeira (@lupalmeirareal), Paula Brito (paulabritooficial) e Taísa Ferreira (@profa.taisaferreira), a obra celebra ancestralidade, memória e identidade. O lançamento acontece dia 25 de maio, data em que se comemora o Dia da África, as 9h às 20h, na Biblioteca dos Barris.
O Maio com Dendê evidencia as raízes culturais africanas em nossa cultura, integrando ações socioeducativas voltadas à promoção do protagonismo negro por meio das linguagens literárias e artísticas. Neste ano, o evento propõe um movimento de conexão ancestral entre África e sua diáspora.
Com ilustrações de Edson de Souza e diagramação de Esa Gomes, Contos para Ibejada reafirma o compromisso da Liga do Dendê com a valorização de narrativas negras produzidas na Bahia.
Segundo Cássia Valle, uma das organizadoras, a Liga nasceu para propagar autores baianos que escrevem a partir da identidade, da ancestralidade e do território.
“Entendemos a escrita como continuidade de memória e também como construção de futuro. Quando falamos de saída, falamos de coletividade. Ninguém constrói nada sozinho. Nossa escrita é roda, é encontro, é movimento”, afirma.
Os contos percorrem referências culturais africanas e afro-diaspóricas em histórias que convidam crianças e jovens a um mergulho afetivo em valores ancestrais. São narrativas que resgatam conhecimentos, celebram heranças e fortalecem o orgulho identitário.
Para Luciana Palmeira, incentivar o contato de crianças e adolescentes com a literatura negra produzida por autores baianos é uma ação essencial para ampliar representatividade e fortalecer identidades.
“A literatura atua como ferramenta de formação simbólica, permitindo que crianças e jovens tenham acesso a narrativas plurais nas quais possam se reconhecer e compreender a diversidade da sociedade”, destaca.
O projeto também evidencia o protagonismo infanto-juvenil com o lançamento da Liguinha do Dendê, braço do coletivo voltado a crianças e jovens escritores negros. A iniciativa nasce de um desejo antigo do coletivo e reúne autores mirins e suas famílias em um espaço de acolhimento, incentivo e circulação literária.
“Linguinha nasceu de um desejo inspirado na infância, um sopro sensível que nos convocou a escutar. E assim, a Liga do Dendê passou a reconhecer, acolher e catalogar crianças que escrevem seu próprio mundo”, explica Taísa Ferreira.
Participam da coletânea os autores: Paula Brito, Cássia Valle, Taísa Ferreira, Denise Ferreira, Akin Rudá Ferreira, Dennis Emanuel Ferreira, Genivaldo Santos, Jamile Kyanda Barboza, Raí Santana, Carine Barboza, Jacqueline Meire, Luis Pedro Azevedo, Zion Passos, Yalle Tárique, Bia Barreto, Maurício Akin, Anderson Shon, Duda Santhana, Luciana Palmeira, Aysha Oliveira, Carol Adesewa, Jaqueline Santana, Joaquim Jesus, Ladjane Alves Sousa, Niní Kemba Nàió e Ulisses Passos.
Programação celebra Dia da África com Arte e Reflexão: Quem conta nossa história?
Além do lançamento da coletânea, a programação do Maio com Dendê contará com apresentações culturais, rodas de conversa, contação de histórias, oficinas de pintura e escrita criativa, inspiradas na pergunta “Quem conta nossa história?”, buscando reconhecer os saberes, memórias e experiências que atravessam as infâncias dos participantes.
O evento também promoverá brincadeiras africanas, e doação de livros para escolas participantes. As atividades têm como objetivo fortalecer o acesso à literatura negra baiana e criar experiências formativas e afetivas para crianças, jovens, educadores e público em geral. A programação fecha com o Sarau da Liga, que reúne integrantes da Coletânea Contos para Ibejada para celebrar a infância com música, apresentações artísticas e poesias.
Serviço
Maio com Dendê – Lançamento da coletânea Contos para Ibejada
Data: 25 de maio (segunda)
Local: Biblioteca Central do Estado da Bahia – Rua General Labatut, 27 – Barris
Entrada: Gratuita
Público: crianças, jovens, estudantes, educadores/as e público em geral
Valor do livro: R$ 54,00
Acompanhe: @ligadodende
Literatura
Escritor Baiano Davi Nunes lança livro durante a Bett Brasil
O escritor Davi Nunes lança o livro “O menino Akins e a árvore sagrada” durante a Bett Brasil 2026, que acontece de 5 a 8 de maio, no Expo Center Norte, em São Paulo. Referência em inovação e tecnologia para a educação na América Latina, o evento reúne educadores, especialistas e famílias em torno de experiências que ampliam o papel da leitura na formação de crianças e jovens.
Com ilustrações de Zai Moura, a obra apresenta Akins, um menino do quilombo que encontra na floresta um espaço de aprendizado, espiritualidade e proteção. Acostumado a dormir aos pés de árvores sagradas e a dialogar com o mundo dos sonhos, o personagem revela sua essência ao poupar um animal durante sua primeira caçada. Perdido na mata, ele é acolhido pela Árvore Sagrada e passa a ser guiado por três pássaros mágicos, que o conduzem de volta ao seu caminho. Ao retornar para sua família, Akins compreende que sua verdadeira coragem nasce da bondade e dos ensinamentos da natureza.
A inspiração para a narrativa vem da própria infância do autor, vivida na região do Cabula, em Salvador — território marcado pela presença histórica de comunidades negras e quilombolas. “Foi ali, entre histórias de passarinhos, rios e árvores, que comecei a inventar palavras e a construir minha escrita”, conta.
Com uma trajetória literária já consolidada, Davi Nunes soma ao novo título outras cinco obras publicadas, transitando entre literatura infantil, contos, poesia e romance. Sua escrita é marcada pelo diálogo entre memória, identidade e imaginação, elementos que também atravessam a nova obra.
Para o autor, integrar o selo editorial Brasil de Todos os Povos é motivo de alegria e responsabilidade. “É perceber que a escrita, muitas vezes solitária, encontra um espaço coletivo de escuta e valorização. É fazer parte de um selo que reconhece a diversidade de vozes e histórias do país”, afirma.
Davi também destaca a importância de obras que abordam a história e a cultura afro-brasileira e dos povos originários na educação. Segundo ele, essas narrativas ampliam a compreensão sobre a formação do Brasil e fortalecem o respeito à diversidade e à memória coletiva. “Elas contribuem para uma educação mais crítica, inclusiva e comprometida com a justiça histórica”, ressalta.
A expectativa para o lançamento na Bett Brasil 2026 é ampliar o alcance da obra e fortalecer o diálogo com educadores e leitores de diferentes regiões. O evento se apresenta como um espaço estratégico para a circulação de ideias e para o reconhecimento de novas perspectivas educacionais.
O lançamento integra o selo editorial Brasil de Todos os Povos, iniciativa que propõe dar visibilidade às múltiplas identidades, culturas e saberes que compõem o país, reunindo narrativas de autores indígenas, negros, quilombolas, ribeirinhos, de diferentes territórios do Brasil.
Davi Nunes, que participa de uma sessão de autógrafos no estande da Inteligênios, deixa uma mensagem ao público: “Que a leitura seja sempre um caminho de encontro com outras histórias, memórias e possibilidades de mundo, despertando curiosidade, sensibilidade e reflexão sobre quem somos e que futuro queremos construir.”
Sobre o autor – Davi Nunes é escritor soteropolitano, doutor em Literatura e autor de obras como Bucala: a pequena princesa do Quilombo do Cabula, Zanga, Banzo e Um dia para famílias negras. Sua escrita nasce das memórias de uma infância vivida entre a mata e a cidade, marcada por vivências em territórios quilombolas e periféricos. Desde cedo, inventa palavras e mundos — prática que segue alimentando sua produção literária.
Sobre o selo Brasil de Todos os Povos – O selo editorial Brasil de Todos os Povos é uma iniciativa literária que dá voz às múltiplas identidades, culturas e saberes que formam o Brasil. Reunindo autores e ilustradores indígenas, negros, quilombolas, ribeirinhos, de diferentes territórios, valoriza a ancestralidade, a oralidade e vivências historicamente silenciadas. A proposta é promover uma literatura inclusiva, acessível e conectada com a realidade brasileira, contribuindo para uma educação mais representativa, sensível e transformadora.
Sobre a Bett Brasil 2026 – A Bett Brasil é o maior evento de inovação e tecnologia para a educação da América Latina, reunindo educadores, gestores e especialistas em uma programação que promove reflexões, experiências e conexões sobre o futuro da aprendizagem. Realizada no Expo Center Norte, em São Paulo, a feira é parte da série global Bett Show, consolidando-se como um dos principais pontos de encontro do setor educacional. Acesse: https://brasil.bettshow.com/
Literatura
Rosane Borges lança livro em Salvador sobre mulheres negras
A jornalista e pesquisadora Rosane Borges chega a Salvador (BA) para o lançamento do livro “Imaginários emergentes e mulheres negras: representação, visibilidade e formas de gestar o impossível”. O evento acontece nesta sexta-feira (24), às 18h30, na Casa das Histórias, no Comércio.
No livro, a autora articula referências do pensamento negro feminino, da comunicação e da política para analisar o esgotamento de modelos sociais vigentes e apontar alternativas. A autora investiga de que forma as práticas e saberes construídos por mulheres negras operam como estratégias de transformação, capazes de tensionar estruturas como o racismo, o sexismo e as desigualdades sociais.
A publicação também se apoia em vozes ancestrais e na memória coletiva para discutir a ideia de futuro. Ao reconhecer a herança da escravidão transatlântica e seus desdobramentos, o livro propõe uma leitura que conecta passado, presente e projeções de mundo, destacando o papel das mulheres negras na formulação de novas possibilidades históricas.
Segundo Rosana, sua obra:
“investe em reconhecer os gestos de quem soube metamorfosear a dor em beleza, sem esquecer o que significou a escravidão transatlântica, fazendo dessa experiência um acontecimento que devolve para o coletivo a responsabilidade de todos e de cada um e nos coloca como protagonistas para urdir o tempo que vem, o tempo espiralar”.
O lançamento em Salvador contará ainda com uma mesa de debate com as participações de Lívia Vaz, promotora de justiça do Ministério Público da Bahia; Luana Souza, jornalista, doutoranda em Comunicação e repórter da Rede Bahia; e Valdecir Nascimento, historiadora e cofundadora do Odara, com trajetória de mais de 40 anos no movimento de mulheres negras; com mediação da jornalista Alane Reis, coordenadora do Programa de Comunicação do Odara – Instituto da Mulher Negra e coordenadora executiva da Revista Afirmativa. A apresentação musical ficará por conta da cantora e compositora Emillie Lapa.
A atividade tem correalização da Revista Afirmativa e do Odara – Instituto da Mulher Negra, com apoio da Fundação Rosa Luxemburgo e do Instituto Cultura, Comunicação e Incidência (ICCI).
Sobre a autora
Nascida em São Luís do Maranhão (MA), no ano de 1974, Rosane da Silva Borges formou-se em Comunicação Social na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), fez mestrado, doutorado e pós-doutorado em Jornalismo na Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, trabalha como professora convidada do Diversitas (FFLCH-USP), coordenadora da Escola Online Longa e professora de comunicação na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Escreve regularmente no portal de notícias “Jornalistas Livres”, na Folha de S.Paulo e na IstoÉ. Organizou os livros Espelho infiel: o negro no jornalismo brasileiro (Imesp, 2004), Mídia e racismo (DP et Alii, 2012) e é autora de Esboços de um tempo presente (Malê, 2021).
Serviço:
O quê: Lançamento do livro “Imaginários emergentes e mulheres negras: representação, visibilidade e formas de gestar o impossível” e debate com ativistas e comunicadoras
Quando: Sexta-feira, 24 de abril, às 18h30
Onde: Casa das Histórias, Rua da Bélgica, nº 2, Comércio, Salvador (BA).
Literatura
Carla Akotirene lança Amor Preto na Bienal do Livro BA
A Bienal do Livro da Bahia foi palco, nesta terça-feira, 21, na Arena Farol, do pré-lançamento do novo livro da escritora Carla Akotirene, “Amor Preto” (Civilização Brasileira), que teve sua capa apresentada em primeira mão ao público.
A atividade integra a mesa “Diálogo sobre afeto”, que contou também com a participação do filósofo Renato Nogueira, responsável pelo prefácio da obra, e mediação da jornalista Val Benvindo.
A nova publicação marca mais um aprofundamento de Carla Akotirene em um tema que tem centralidade em sua produção intelectual: as relações afetivas entre pessoas negras. Presente em suas falas públicas, entrevistas, palestras e conteúdos compartilhados nas redes sociais, a discussão sobre amor, cuidado e reciprocidade aparece, em “Amor Preto”, sistematizada a partir de uma perspectiva crítica e afrocentrada, articulando teoria, vivência e espiritualidade.
Reconhecida como uma das principais vozes do pensamento antirracista contemporâneo, Carla Akotirene é autora de obras fundamentais como Interseccionalidade (2019), Ó Paí, Prezada (2020) e É Fragrante Fojado Dôtor Vossa Excelência (2024). Em seu novo livro, a autora desloca o debate para o campo do afeto como dimensão política, propondo uma reflexão sobre os atravessamentos de raça e gênero nas experiências amorosas.
Na obra, já disponível em pré-venda, Akotirene constrói o que define como um “diário de Iyabá”, dialogando com a tradição da escrevivência e evocando o legado de Conceição Evaristo. O livro propõe um caminho voltado ao bem viver da população negra, afirmando o afeto afrocentrado como estratégia de enfrentamento às violências históricas e contemporâneas.
“Uma mulher negra deve saber receber amor. Lembrar-se que Osun dança com as mãos abertas. Uma mulher negra deve cuidar de si. Lembrar-se que Osun cuida das jóias antes de lavar as crianças” , destaca a autora.
A apresentação inédita da capa aconteceu no contexto da mesa “Diálogo sobre afeto”, que reúne Carla Akotirene e Renato Nogueira em um debate que articula literatura, filosofia e experiências negras contemporâneas. O encontro integrou a programação do Coletivo Compiladas, formado por 16 editoras independentes de diferentes regiões do país.
Ao colocar o afeto no centro da reflexão, a mesa reafirma o papel da Bienal do Livro da Bahia como espaço de circulação de ideias e valorização de perspectivas plurais, promovendo discussões que ampliam os horizontes do pensamento crítico no Brasil.
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