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Políticas

Julho das Pretas reforça luta antirracista

Kelly Bouéres

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O Julho das Pretas, campanha que mobiliza organizações, coletivos e movimentos sociais em todo o Brasil, ganha ainda mais relevância neste ano ao reforçar a necessidade de ampliar o debate sobre os direitos das mulheres negras, os desafios enfrentados na diáspora e a urgência de pautar a saúde e a qualidade de vida dessa população.

Para a consultora em relações étnico-raciais e de gênero Tainara Ferreira, o mês representa, além de uma celebração da identidade negra feminina, um período de denúncia das desigualdades estruturais e de construção de estratégias para garantir que as mulheres negras tenham direito ao Bem Viver, enfrentando os impactos do racismo, do sexismo e da xenofobia.

“O Julho das Pretas nos convoca a olhar para as mulheres negras como o verdadeiro motor da transformação social, mas exige também que a sociedade pare de romantizar a nossa exaustão. É tempo de referendar nossas trajetórias e denunciar as violências estruturais, mas também de reivindicar o nosso direito de existir com qualidade. A nossa luta não tem fronteiras, até porque o racismo e a colonialidade se reorganizam globalmente para tentar nos manter no lugar da subalternidade”, destaca.

Segundo Tainara, o conceito de diáspora precisa ser compreendido para além do deslocamento geográfico, envolvendo também as experiências compartilhadas por populações negras que enfrentam diferentes formas de discriminação em diversos países.

“Falar de diáspora é falar de populações que carregam em si saberes ancestrais e tecnologias de resistência, mas que também compartilham atravessamentos muito duros, como o racismo institucional, a xenofobia e a sobrecarga de trabalho. Por isso, construir redes transnacionais de solidariedade e de afeto político é uma urgência para a nossa sobrevivência.”

Ao longo de julho, organizações negras promovem debates, atividades culturais e ações de incidência política chamando atenção para temas como violência de gênero, equidade racial, acesso à educação, saúde integral e justiça social.

Para Tainara Ferreira, ampliar esse debate é fundamental para que a sociedade avance na construção de políticas públicas efetivas que garantam não apenas a sobrevivência, mas a dignidade plena.

“Nós sobrevivemos diariamente a múltiplas violências geradas pelas hierarquias de raça e gênero, e a sociedade precisa entender que o nosso bem-estar passa, obrigatoriamente, pelo direito ao descanso remunerado, pela saúde física e mental e pela qualidade de vida. O Julho das Pretas é um chamado contínuo para que o Estado e as instituições assumam suas responsabilidades. Nós não queremos ser reconhecidas apenas pela nossa capacidade de suportar a dor; nós exigimos políticas públicas que nos garantam o direito ao Bem Viver.”

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Políticas

Artistas e trabalhadores convocam ato pela aprovação da PEC da Cultura

Jamile Menezes

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No dia 29 de setembro (terça-feira), às 19h, artistas, trabalhadores e trabalhadoras da Cultura no estado estarão reunidos na Casa Preta (Dois de Julho), em Salvador, para debater com candidatos e candidatas destas eleições 2026 sobre a PEC 421/2014, conhecida como a PEC da Cultura. Interessados devem se inscrever no link: https://forms.gle/KpCiEx9X1ihLkro16 

O intuito é convocá-los (as) à mobilização em suas atuações políticas e mandatos, caso eleitos (as), pela aprovação da proposta que cria um piso orçamentário obrigatório e permanente de 2% do orçamento anual federal para investimentos em cultura nas três esferas de governo. O ato será aberto ao público, sujeito à lotação do espaço.

Atualmente, na União, o percentual é de 0,07%, colocando a Cultura em um cenário de instabilidade política e financeira, além de limitar investimentos e políticas públicas para o setor. O debate com as candidaturas propõe pensar o papel da cultura no crescimento do país e a aprovação urgente da PEC da Cultura para garantir estes recursos nos municípios.

Ao transformar os repasses orçamentários obrigatórios, o setor cultural garante estabilidade de financiamento, uma melhor e mais democrática distribuição da verba artística e a preservação do patrimônio histórico entre estados e municípios.

Atualmente, apesar de já ter sido avaliada na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, a PEC da Cultura depende de votação no Plenário da Câmara. Com isso, passará à tramitação e aprovação no Senado Federal antes de virar emenda constitucional.

 

PEC da Cultura “Eu apoio, e você?” – Encontro com Candidatos

📅 29 de setembro, terça-feira

🕡 19h

📍 Casa Preta (Rua Areal de Cima, 07, Dois de Julho – Salvador/BA)

Inscrições:  https://forms.gle/KpCiEx9X1ihLkro16  (bio Instagram Casa Preta)

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Políticas

Terreiro do Bogum agora é Patrimônio Cultural da Bahia

Jamile Menezes

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O Terreiro Zoogodô Bogum Malê Hundó, um dos mais antigos e representativos templos de candomblé da tradição Jeje-Mahi na Bahia, foi tombado como Patrimônio Cultural da Bahia.

Localizado no bairro do Engenho Velho da Federação, em Salvador, o Terreiro do Bogum é reconhecido por sua relevância histórica, religiosa, cultural e social. Fundado no século XVIII, por volta de 1719, o terreiro é considerado uma das mais importantes referências da tradição Jeje no Brasil e um dos principais espaços de preservação dos saberes, práticas e valores herdados dos povos Fõ e Mahi, originários da região do atual Benim, na África Ocidental.

O tombamento reconhece o valor excepcional do terreiro para a preservação do patrimônio afro-brasileiro e da memória da população negra na Bahia. Além de seu papel religioso, o Bogum se consolidou historicamente como espaço de resistência cultural diante da perseguição às religiões de matriz africana e da repressão sofrida pelas comunidades negras ao longo dos séculos.

Outros pontos históricos também reforçam sua importância: pesquisas históricas apontam a relação do Terreiro do Bogum com a Revolta dos Malês, em 1835. O espaço teria servido como ponto de encontro para lideranças do movimento, além de local de guarda de recursos destinados à insurreição; além da formação do bairro do Engenho Velho da Federação.O Bogum contribuiu para a ocupação histórica da região, hoje reconhecida como um quilombo urbano pela forte concentração de terreiros de candomblé e pela permanência de práticas culturais afro-brasileiras.

O Terreiro do Bogum preserva uma das mais antigas tradições religiosas de matriz africana existentes no país. Diferentemente da tradição Ketu, voltada ao culto dos orixás, a nação Jeje-Mahi tem como centro de sua cosmologia os voduns, divindades originárias do antigo Reino do Daomé.

Ao longo de mais de três séculos, o terreiro manteve vivos rituais, celebrações, conhecimentos ancestrais e a língua litúrgica éwé-fon. Sua territorialidade sagrada reúne edificações, árvores consagradas, espaços naturais e práticas religiosas.

Fotos: Terreiro  Zoogodô Bogum Malê Hundó/Divulgação

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Cultura

Roberta Rodrigues é homenageada no Prêmio Maria Felipa

Kelly Bouéres

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Divulgação
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A comunicóloga Roberta Rodrigues foi uma das homenageadas da 17ª edição do Prêmio Maria Felipa, realizada no último sábado (25), no Centro de Cultura Vereador Manuel Querino, na Câmara Municipal de Salvador. Conduzida pela vereadora Ireuda Silva, a solenidade reconheceu mulheres com trajetórias de destaque na defesa dos direitos humanos, no enfrentamento ao racismo e ao machismo e na valorização do protagonismo feminino.

Emocionada ao receber a honraria, Roberta destacou a importância das pessoas que fizeram parte de sua trajetória pessoal e profissional. “Ninguém constrói nada sozinho”, afirmou. Durante o discurso, dedicou o reconhecimento ao filho, à mãe, aos irmãos, sobrinhos e amigos que a acompanharam ao longo de sua caminhada, além de prestar uma homenagem à memória do pai, lembrado como um de seus grandes incentivadores.

Roberta também aproveitou o momento para deixar uma mensagem às mulheres, especialmente às mulheres negras, sobre a importância de ocupar espaços, buscar referências e abrir caminhos para as novas gerações.

“Que elas nunca desistam dos sonhos delas, que sempre procurem inspirações em outras mulheres, principalmente as mulheres negras, e procurem sempre se aprimorar e inspirar também as próximas gerações”, declarou.

A 17ª edição do Prêmio Maria Felipa integrou as celebrações pelo Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha e pelo Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Além de Roberta Rodrigues, foram homenageadas Cristiane Santos Oliveira, Barbara Hannelore, Márcia Moreira, Anailza Meirelles, Anatalina Lourenço, Cecília Queiroz, Isaura Genoveva, Mariane Sotero e Laís Cunha.

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