Literatura
Professor Dr. Manuel Alves de Sousa Junior vence o Prêmio Jabuti com livro sobre racismo
O pesquisador e professor Manuel Alves de Sousa Junior, radicado na Bahia há 34 anos, é vencedor do 68º Prêmio Jabuti, na categoria Educação, com o livro Como conversar com crianças sobre racismo e diversidade, publicado pela Editora Schreiben. O anúncio foi realizado nesta terça-feira (27), durante a cerimônia de premiação na Sala São Paulo, na capital paulista. A conquista reconhece a obra dedicada à discussão das relações raciais desde a infância e coloca o pesquisador baiano entre os destaques da produção intelectual brasileira.
Doutor em Educação pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), historiador e professor do Instituto Federal da Bahia (IFBA), campus Lauro de Freitas, Manuel Alves de Sousa Junior é autor de 32 livros, com produção voltada especialmente às áreas de educação, história, cultura e relações raciais. Atualmente, coordena a Especialização em História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena do IFBA. Também é colunista do Soteroprosa e administrador do perfil @debateracialpolitico, dedicado a discussões sobre relações raciais e política.
“Receber o Prêmio Jabuti é uma emoção que ainda estou tentando compreender. Esse reconhecimento não é apenas sobre um livro, mas sobre a importância de falar de racismo e diversidade desde a infância, com responsabilidade e compromisso com a educação. Espero que essa conquista ajude a levar essa conversa a mais escolas, famílias e espaços de formação. Agradeço a todas as pessoas que fazem parte da minha trajetória e que acreditam na construção de uma educação antirracista”, afirma Manuel.
Publicado pela Editora Schreiben, Como conversar com crianças sobre racismo e diversidade aborda a importância de estabelecer, desde os primeiros anos de vida, diálogos sobre diferenças, identidade e relações raciais. A obra se relaciona à trajetória acadêmica e profissional do pesquisador, que desenvolve trabalhos voltados à educação e à ampliação do debate racial dentro e fora dos espaços acadêmicos.
Criado em 1958 pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Prêmio Jabuti é uma das mais tradicionais premiações do livro no país. Ao longo de suas 68 edições, consolidou-se como referência no mercado editorial brasileiro, reconhecendo autores, obras e profissionais que contribuem para a produção literária, intelectual e cultural nacional. A vitória na categoria Educação representa um reconhecimento relevante para uma obra que propõe discutir questões fundamentais da sociedade brasileira a partir da infância.
A conquista acontece em um ano de importantes avanços na trajetória de Manuel. Em janeiro, o pesquisador foi eleito para a Academia de Cultura da Bahia e, mais recentemente, passou a integrar a Academia de Cultura e Artes de Ipitanga, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador. Em 2026, também participou da Bienal do Livro Bahia e da Bienal do Livro de São Paulo, ampliando a circulação de seu trabalho em espaços de encontro entre escritores, leitores e profissionais do mercado editorial.
O prêmio amplia a visibilidade nacional da produção de Manuel Alves de Sousa Junior e reforça a relevância de publicações que abordam a educação antirracista. Em um país marcado por desigualdades raciais históricas, discutir como crianças compreendem as diferenças e constroem suas percepções sobre o mundo é parte importante do trabalho educativo. Com a conquista do Jabuti, o pesquisador baiano ganha novo espaço para ampliar essa discussão e fazer sua obra chegar a outros públicos.
Literatura
Escritora Claudia Alexandre lança obras infantojuvenis no MUNCAB
O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) recebe n dia 7 de Novembro, o evento oficial de lançamento dos livros infantojuvenis da jornalista, pesquisadora e escritora Claudia Alexandre: “Exu Mulher e o Mundo dos Homens” (Editora Aruanda) e “Tia Ciata e o Mistério da Foto” (Editora Cortez).
O lançamento contará com uma ação conduzida pelos contadores de histórias Mário Omar e Maria Teixeira e Rick Carvalho, músico pesquisador de instrumentos africanos.
“Lançar esses livros no MUNCAB, em Salvador, é celebrar a força da nossa ancestralidade no lugar onde a história respira. Queremos que as crianças se reconheçam, perguntem e se divirtam com a literatura”, como destaca a Livraria Katuka
Sobre as obras:
Tia Ciata e o Mistério da Foto (Editora Cortez): A obra convida os jovens leitores a uma jornada de investigação sobre a memória e a relevância histórica de Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, figura central para a cultura brasileira e o samba.

Mario Omar e Rick Carvalho
Exu Mulher e o Mundo dos Homens (Editora Aruanda): Através de uma linguagem poética e acessível, a publicação aborda a sabedoria, o protagonismo feminino e o respeito às matrizes africanas, aproximando o público infantojuvenil de conceitos ancestrais desmistificados.
Serviço:
Evento: Lançamento dos livros “Exu Mulher e o Mundo dos Homens” e “Tia Ciata e o Mistério da Foto”, de Claudia Alexandre
Data: 07 de Novembro de 2026
Horário: 14h
Local: Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB)
Endereço: Rua das Vassouras, 25 – Centro Histórico, Salvador – BA
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre (indicado para crianças, jovens e educadores)
Fotos: Arquivos Pessoais
Literatura
Fliquinha 2026 homenageia Letieres Leite com livro e Rumpilezzinho
A programação infantil da 14ª Festa Literária Internacional de Cachoeira (FLICA), a Fliquinha, contará com o lançamento do livro “O menino que era música”, de Liris Letieres e Caroline Feitosa, com participação do Rumpilezzinho, projeto de formação musical que dá continuidade ao trabalho desenvolvido pelo criador da Orkestra Rumpilezz – Leitieres Leite (1959–2021).
Reconhecido por sua contribuição à valorização das matrizes africanas da música brasileira e pela criação do método Universo Percussivo Baiano (UPB), Letieres Leite ganha essa homenagem que une literatura, memória e musicalidade.
A atividade convida crianças e famílias a conhecerem a história do artista e a importância dos ritmos afro-baianos na construção da identidade cultural, em uma celebração que também dialoga com o Novembro Negro.

Liris Letieres
“Estar no Recôncavo, na terra do samba, da música matricial, e falar do meu irmão, Letieres Leite, acompanhada pelos músicos do Rumpilezzinho vai ser uma experiência incrível. Letieres sempre foi uma das minhas grandes inspirações para que eu enxergasse a arte e a música com olhar de encantamento”, conta Liris Letieres, irmã do maestro.
Mais do que apresentar a biografia do músico, O menino que era música busca despertar nos pequenos leitores a curiosidade pela arte e o reconhecimento de suas próprias referências culturais.
Sob o conceito “Original como a infâncIA!”, a Fliquinha acontece de 5 a 8 de novembro, no Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) da UFRB, em Cachoeira, com curadoria de Emília Nuñez e programação gratuita.
SERVIÇO
Homenagem a Letieres Leite – Lançamento do livro O menino que era música , com participação do Rumpilezzinho
Quando: 7 de novembro de 2026 (sábado), às 16h
Onde: Fliquinha – CAHL/UFRB, Cachoeira-BA
Entrada Gratuita
Foto Leitieres: Vanessa Aragão de Mattos
Foto Liris Letiere: Clara Correa
Literatura
Escritora Maria Izabel Nascimento celebra literatura infantil regional
Celebrando 9 anos de seu primeiro livro, a autora Maria Izabel Nascimento Muller conecta Jacobina, Salvador e a cidade suíça, Basileia, em uma trajetória de literatura afro-centrada, afeto e valorização da essência humana. Com sua 5ª obra em revisão final, Izabel defende a urgência de descentralizar o imaginário infantil.
“É urgente que possamos colocar no centro histórias que tenham o cheiro do tempero baiano, trocando cenários distantes por narrativas que trazem nossa potência, a grandiosidade da Chapada Diamantina e o orgulho da nossa ancestralidade“, diz.
A proposta não é apenas entreter, mas criar uma ponte afetiva entre as novas gerações e o patrimônio cultural do Nordeste. Em suas obras e atuações, o protagonismo infantil ganha contornos de brasilidade, incentivando a leitura a partir da identificação direta com o território, as cores e os saberes baianos que envolvem diferentes públicos.
Com uma trajetória dedicada à literatura humanizada e à valorização da cultura local, Maria Izabel aponta que o repertório oferecido na infância molda a autoestima e a visão de mundo dos pequenos.
“As crianças precisam se reconhecer nas histórias que leem. Quando trocamos os cenários distantes por uma narrativa que traz o sabor do acarajé, a grandiosidade dos morros da Chapada, o Sertão e os afetos da nossa terra, estamos dizendo a elas que a sua realidade também é mágica e digna de ser contada“, destaca a autora.
A iniciativa ganha ainda mais relevância estratégica no mês de outubro, período em que escolas e famílias buscam alternativas pedagógicas e literárias que fujam dos clichês comerciais, promovendo uma formação crítica, representativa e orgulhosa das suas raízes desde os primeiros anos de vida.
A Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro (CBL/SNEL/Nielsen) aponta que o segmento Infantil e Juvenil responde por mais de 18% do total de exemplares comercializados no país, reafirmando a força das produções voltadas à primeira infância.

No entanto, indicadores da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil mostram que o país ainda enfrenta um gargalo histórico no hábito leitor, onde o estímulo na infância a partir da identificação cultural é o principal fator de retenção de novos leitores.
Pequenas editoras, autorias independentes e narrativas regionais, como as de Maria Izabel, são hoje um motor de economia criativa essencial no Nordeste, gerando valor cultural e impacto socioeducativo direto nas comunidades.
MARIA IZABEL NASCIMENTO MULLER
Professora aposentada, pesquisadora e escritora natural de Jacobina, Maria Izabel vive há 25 anos na Suíça e divide sua rotina com Salvador. Autora reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) e pioneira no fortalecimento da literatura negra infantil, ela transforma memórias sertanejas e vivências internacionais em narrativas afro-centradas, afetuosas e alinhadas à Lei 10.639/03. Suas obras reescrevem clássicos sob a ótica baiana: trocam castelos europeus pela Chapada Diamantina e fadas por baianas de acarajé, fortalecendo a autoestima e a identidade de novas gerações.
Obras Publicadas: 1) Os contos de fadas na realidade afro-baiana (2017) 2) Inventando e contando baianidades (2022) 3) Inventando e contando baianidades entre a Bahia e Basel na Suíça (2023) 4) Cinderela Sertaneja (2025).
Fotos: Ismael Silva
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