Literatura
Escritora Maria Izabel Nascimento celebra literatura infantil regional
Celebrando 9 anos de seu primeiro livro, a autora Maria Izabel Nascimento Muller conecta Jacobina, Salvador e a cidade suíça, Basileia, em uma trajetória de literatura afro-centrada, afeto e valorização da essência humana. Com sua 5ª obra em revisão final, Izabel defende a urgência de descentralizar o imaginário infantil.
“É urgente que possamos colocar no centro histórias que tenham o cheiro do tempero baiano, trocando cenários distantes por narrativas que trazem nossa potência, a grandiosidade da Chapada Diamantina e o orgulho da nossa ancestralidade“, diz.
A proposta não é apenas entreter, mas criar uma ponte afetiva entre as novas gerações e o patrimônio cultural do Nordeste. Em suas obras e atuações, o protagonismo infantil ganha contornos de brasilidade, incentivando a leitura a partir da identificação direta com o território, as cores e os saberes baianos que envolvem diferentes públicos.
Com uma trajetória dedicada à literatura humanizada e à valorização da cultura local, Maria Izabel aponta que o repertório oferecido na infância molda a autoestima e a visão de mundo dos pequenos.
“As crianças precisam se reconhecer nas histórias que leem. Quando trocamos os cenários distantes por uma narrativa que traz o sabor do acarajé, a grandiosidade dos morros da Chapada, o Sertão e os afetos da nossa terra, estamos dizendo a elas que a sua realidade também é mágica e digna de ser contada“, destaca a autora.
A iniciativa ganha ainda mais relevância estratégica no mês de outubro, período em que escolas e famílias buscam alternativas pedagógicas e literárias que fujam dos clichês comerciais, promovendo uma formação crítica, representativa e orgulhosa das suas raízes desde os primeiros anos de vida.
A Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro (CBL/SNEL/Nielsen) aponta que o segmento Infantil e Juvenil responde por mais de 18% do total de exemplares comercializados no país, reafirmando a força das produções voltadas à primeira infância.

No entanto, indicadores da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil mostram que o país ainda enfrenta um gargalo histórico no hábito leitor, onde o estímulo na infância a partir da identificação cultural é o principal fator de retenção de novos leitores.
Pequenas editoras, autorias independentes e narrativas regionais, como as de Maria Izabel, são hoje um motor de economia criativa essencial no Nordeste, gerando valor cultural e impacto socioeducativo direto nas comunidades.
MARIA IZABEL NASCIMENTO MULLER
Professora aposentada, pesquisadora e escritora natural de Jacobina, Maria Izabel vive há 25 anos na Suíça e divide sua rotina com Salvador. Autora reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) e pioneira no fortalecimento da literatura negra infantil, ela transforma memórias sertanejas e vivências internacionais em narrativas afro-centradas, afetuosas e alinhadas à Lei 10.639/03. Suas obras reescrevem clássicos sob a ótica baiana: trocam castelos europeus pela Chapada Diamantina e fadas por baianas de acarajé, fortalecendo a autoestima e a identidade de novas gerações.
Obras Publicadas: 1) Os contos de fadas na realidade afro-baiana (2017) 2) Inventando e contando baianidades (2022) 3) Inventando e contando baianidades entre a Bahia e Basel na Suíça (2023) 4) Cinderela Sertaneja (2025).
Fotos: Ismael Silva
Literatura
Fliquinha 2026 homenageia Letieres Leite com livro e Rumpilezzinho
A programação infantil da 14ª Festa Literária Internacional de Cachoeira (FLICA), a Fliquinha, contará com o lançamento do livro “O menino que era música”, de Liris Letieres e Caroline Feitosa, com participação do Rumpilezzinho, projeto de formação musical que dá continuidade ao trabalho desenvolvido pelo criador da Orkestra Rumpilezz – Leitieres Leite (1959–2021).
Reconhecido por sua contribuição à valorização das matrizes africanas da música brasileira e pela criação do método Universo Percussivo Baiano (UPB), Letieres Leite ganha essa homenagem que une literatura, memória e musicalidade.
A atividade convida crianças e famílias a conhecerem a história do artista e a importância dos ritmos afro-baianos na construção da identidade cultural, em uma celebração que também dialoga com o Novembro Negro.

Liris Letieres
“Estar no Recôncavo, na terra do samba, da música matricial, e falar do meu irmão, Letieres Leite, acompanhada pelos músicos do Rumpilezzinho vai ser uma experiência incrível. Letieres sempre foi uma das minhas grandes inspirações para que eu enxergasse a arte e a música com olhar de encantamento”, conta Liris Letieres, irmã do maestro.
Mais do que apresentar a biografia do músico, O menino que era música busca despertar nos pequenos leitores a curiosidade pela arte e o reconhecimento de suas próprias referências culturais.
Sob o conceito “Original como a infâncIA!”, a Fliquinha acontece de 5 a 8 de novembro, no Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) da UFRB, em Cachoeira, com curadoria de Emília Nuñez e programação gratuita.
SERVIÇO
Homenagem a Letieres Leite – Lançamento do livro O menino que era música , com participação do Rumpilezzinho
Quando: 7 de novembro de 2026 (sábado), às 16h
Onde: Fliquinha – CAHL/UFRB, Cachoeira-BA
Entrada Gratuita
Foto Leitieres: Vanessa Aragão de Mattos
Foto Liris Letiere: Clara Correa
Literatura
Performer e poeta Alex Simões circula por Diogo, Massarandupió e Rio de Contas
Entre 1º e 30 de outubro, o poeta e performer baiano Alex Simões realiza uma circulação que passa por Lisboa, Diogo, Massarandupió e Rio de Contas, reunindo performance, lançamento do livro e oficina de poesia e técnicas básicas de encadernação.
Em Diogo, no dia 22 de outubro, das 14h às 17h, acontece a oficina Tudo métrica e rima num caderno. A partir das 18h, Alex apresenta a poeformance, em diálogo com o músico Ivan Huol, seguida do lançamento do livro.
Em Massarandupió, a oficina acontece no dia 23, das 14h às 17h, seguida de poeformance e lançamento, a partir das 18h. Já em Rio de Contas, a circulação integra a programação da Festa Literária de Rio Contas (FLIRCONTAS), no dia 30 de outubro.
A programação leva a diferentes territórios uma produção literária marcada pela experimentação da linguagem e pelo encontro entre palavra, corpo, música, imagem e cotidiano.
Publicado em 2021 pelo selo editorial paraLeLo13S, da livraria Boto-cor-de-rosa, “assim na terra como no selfie” reúne poemas atravessados por redes sociais, acontecimentos cotidianos, pandemia, desejos, memórias e contradições, experimentando diferentes formas, ritmos, imagens e referências.
SERVIÇO
Circulação Poeformance por Alex Simões | Livro + Oficina + Performance
1º a 30 de outubro de 2026
Lisboa (Portugal), Diogo, Massarandupió e Rio de Contas (BA)
DIOGO
22 de outubro
Oficina Tudo métrica e rima num caderno | 14h às 17h
Poeformance + lançamento de assim na terra como no selfie | a partir das 18h
Local: Pousada e Espaço Cultural Vila Flor Ecocentro
MASSARANDUPIÓ
23 de outubro
Oficina Tudo métrica e rima num caderno | 14h às 17h
Poeformance + lançamento de assim na terra como no selfie | a partir das 18h
Local: Centro de Artes Maxim Malhado (CAMMA)
Literatura
Escritora Luiza Mandela lança livro “Manual do Letramento Racial” em Salvador
No dia 20 de outubro, a mestra em relações étnico-raciais e escritora Luiza Mandela lança o livro “Manual do Letramento Racial: um convite à consciência, à ação e à transformação” na Livraria Leitura Shopping da Bahia.
Com passagens por Rio e São Paulo, Luiza desembarca em Salvador para convocar o leitor a uma reflexão profunda sobre o racismo estrutural no Brasil e apresenta o letramento racial como ferramenta fundamental para a transformação social.
Dividido em seis capítulos, o livro mapeia o racismo em suas vertentes estrutural, institucional, interpessoal e recreativo, além de oferecer dinâmicas e reflexões para que o próprio leitor compreenda sua identidade racial. O texto também resgata os saberes e as contribuições de civilizações africanas anteriores à escravidão, com o objetivo de promover uma educação baseada na memória e no orgulho.
Alinhada à produção intelectual negra brasileira contemporânea, a obra conecta raça, gênero e sexualidade, e evidencia que o combate ao racismo caminha ao lado do enfrentamento à LGBTQIAPN+fobia.
A autora articula teoria, dados, experiências pessoais e práticas pedagógicas com linguagem acessível, de forma crítica e aplicável ao cotidiano:
‘’O livro vem sendo construído a partir da minha trajetória enquanto educadora antirracista com o objetivo de compartilhar conhecimentos com cada vez mais pessoas acerca do letramento racial e foi escrito com muito carinho , pensando de forma didática a ampliar o repertório do leitor acerca de uma temática tão importante e urgente. Sem letramento racial não há democracia ‘’ Destaca Luiza Mandela.
Sobre a obra:
A obra reflete a trajetória de Luiza Mandela na educação pública desde 2012, voltada ao desenvolvimento de alunos negros e periféricos. A escritora reúne experiência na Gerência de Alfabetização e Anos Iniciais (GAI) e na Escola de Formação Paulo Freire (EPF), tendo atuado como gerente de Relações Étnico-Raciais.
Atualmente, está à frente da Mandela Consultoria Antirracista, que combate o racismo estrutural e promove a equidade racial em instituições públicas, privadas e no setor educacional. Idealizou o Curso Letramento Racial na plataforma Hotmart, que registra mais de 5000 alunos.
Coautora de sete livros, coordenadora editorial consultora e palestrante, sua atuação na desconstrução de preconceitos foi reconhecida publicamente com a conquista do título de Doutora Honoris Causa, do Diploma Zumbi dos Palmares e de três moções.
SERVIÇO
Lançamento do livro Manual do Letramento Racial: um convite à consciência, à ação e à transformação
Data e horário: 20 de Outubro de 19h às 21 h
Local:Leitura Shopping da Bahia – Av. Tancredo Neves, 148 – Caminho das Árvores, Salvador – BA
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