Carnaval
Muzenza desfila com tema “Ginga: a Arte do Negro no Futebol”
O Bloco Afro Muzenza do Reggae levou para as ruas de Salvador, nos dias 14, 16 e 17 de fevereiro, desfiles marcados por ancestralidade, estética e afirmação política. Com o tema “Ginga: a Arte do Negro no Futebol”, o bloco saiu no sábado e na terça-feira pelo Circuito Osmar (Campo Grande) e, na segunda-feira, pelo Circuito Dodô (Barra-Ondina), apresentando passagens potentes e visualidades marcantes que reafirmaram o protagonismo negro na construção cultural do futebol brasileiro.
Em um ano de Copa do Mundo, o Muzenza transformou a avenida em campo e palco, com música, dança, figurinos e coreografias que dialogaram com a memória ancestral da ginga oriunda dos corpos negros, como protagonistas da própria história. A proposta destacou o futebol como linguagem cultural negra, nascida da capoeira, do samba de roda, do maculelê, dos terreiros, das ruas e dos corpos que historicamente transformaram o jogo em arte e resistência. Ao longo dos três dias, o bloco emocionou o público com performances marcantes, estética vibrante e a força do samba-reggae.
Para o presidente do bloco, Jorge Santos Pugliese, o desfile reafirma o papel político e cultural do Muzenza. “O Muzenza mostrou que o futebol brasileiro é um território de identidade negra, onde somos protagonistas. A nossa ginga é herança ancestral, é resistência e criação. Desfilar com esse tema foi reafirmar que a nossa cultura está no centro do jogo e seguimos driblando as adversidades.”
O cortejo contou com alas tradicionais, como a ala das baianas, a ala da capoeira, que levou gingados em pleno desfile, e a ala dos Rastafari. Também se destacaram a Muzenbela 2026, Rafaela Rosa, e a corte do bloco, formada pelo casal destaque Siry Brasil e Cláudia Matos, que vieram em carro alegórico acompanhados de dançarinos e dançarinas.
O jornalista e babalorixá Marcelo Nascimento, que acompanhou os desfiles, destacou a homenagem feita em uma das alas ao saudoso Augusto Omolú, renomado bailarino, coreógrafo e ator baiano.“O Muzenza trouxe, de fato, a ginga para a avenida. Trouxe ancestralidade, história e legado. Quem passou deixou marca, foi protagonista do próprio jogo, assim como Augusto Omolú”, afirmou. “A ginga foi traduzida em cores, texturas e movimentos. Cada gesto revelou força, elegância e ancestralidade, mostrando que o corpo negro é criação e arte”, concluiu.
A influenciadora digital Jacqueline Santos também acompanhou os três dias de desfile e ressaltou a potência estética e política do bloco.“É impossível não se emocionar com o Muzenza. A beleza, a energia e a mensagem chegam fortes. O bloco conseguiu unir ancestralidade, resiliência, história e consciência em uma experiência única.”
Entre os foliões, o impacto também foi evidente.“O único bloco afro que manteve a sua identidade, o Muzenza”, afirmou um folião que preferiu não se identificar.
A fala reflete a trajetória do bloco, que se consolidou como referência ao eleger, em 2019, a primeira Muzenbela cadeirante e, em 2025, a primeira rainha trans, reafirmando a cultura afro como espaço legítimo de liberdade, resistência e transformação social.
Mais do que um desfile, o Muzenza desenvolve projetos culturais, educativos e formativos voltados para crianças, jovens e comunidades do bairro da Liberdade e de outras regiões de Salvador. As ações incluem oficinas de música, dança, percussão, identidade e fortalecimento da autoestima, contribuindo para a formação cidadã e a valorização da cultura afro-brasileira.
Em 2026, o bloco contou com o apoio do Governo do Estado da Bahia e da Prefeitura de Salvador, além do patrocínio da CAIXA e Governo do Brasil. Onde tem patrocínio CAIXA, tem Governo do Brasil.
Sobre o Bloco Afro Muzenza do Reggae
Fundado em 5 de maio de 1981, no bairro da Liberdade, o Muzenza nasceu como tributo a Bob Marley e ao reggae jamaicano, incorporando a batida do samba-reggae. Ao longo de sua trajetória, tornou-se referência cultural e musical, conquistando 12 títulos em 13 carnavais disputados e realizando parcerias com Daniela Mercury, Margareth Menezes e Carlinhos Brown.
Carnaval
Bloco Olodum já tem ingressos à venda para primeiro ensaio
O Olodum realiza, no dia 30 de agosto, domingo, das 14h às 18h, o primeiro Ensaio do Bloco Olodum para o Carnaval 2027, na Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba, no Pelourinho. O encontro abre a preparação do bloco para a próxima folia e presta homenagem aos 228 anos da Revolta dos Búzios, movimento que marcou a luta por liberdade e igualdade na Bahia.
O Ensaio do Bloco Olodum apresenta ao público a atmosfera do Carnaval 2027, quando o bloco levará para a avenida o tema “Sirius, Cão Maior – O Mistério das Estrelas”. A proposta estabelece um diálogo entre ciência, ancestralidade e cosmovisão africana, a partir dos conhecimentos astronômicos atribuídos ao povo Dogon. Os ingressos para o Ensaio do Bloco Olodum já estão à venda pela plataforma Meu Bilhete.
SERVIÇO
Ensaio do Bloco Olodum 2026
Homenagem aos 228 anos da Revolta dos Búzios
Data: 30 de agosto de 2026 (domingo)
Horário: das 14h às 18h
Local: Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba
Ingressos
Meia-entrada (Lote Promocional): R$ 70,00 + taxa de R$ 7,00
Solidário (+ 1 kg de alimento): R$ 80,00 + taxa de R$ 8,00
Inteira: R$ 140,00 + taxa de R$ 14,00
Vendas: https://www.meubilhete.com.br/30-08-ensaio-do-bloco-olodum-2026
Classificação etária: 18 anos
Carnaval
Bloco Afro Os Negões leva legado dos povos africanos para avenida
“Colocar o Bloco Afro Os Negões na rua todos os anos é atravessar um tempo de tradição que exige coragem, organização e resistência. Mesmo diante das dificuldades, seguimos firmes com o compromisso de manter nossos cortejos como parte viva da cultura negra brasileira. Somos patrimônio imaterial deste país”, lembrou Paulo Roberto, presidente do Bloco Afro Os Negões.
“Mesmo diante de circunstâncias imprevistas que impossibilitaram nossa presença na Avenida, manifestamos nosso profundo reconhecimento à relevância histórica, cultural e política do Bloco Afro Os Negões no Carnaval da Bahia. Como forma de honra à sua trajetória de luta e contribuição fundamental à cultura afro-brasileira, concedemos oficialmente ao Bloco Os Negões o Título de Reconhecimento.”
“Desfilar com o Bloco Afro Os Negões é uma sensação que não cabe em palavras — é arrepio, é orgulho, é entender que faço parte de algo muito maior do que eu. Estar em cima do trio como Negro Lindo 2026 não é só dançar, é carregar uma história inteira no corpo. Cada passo é memória, cada movimento é resistência. Quando olho a pipoca lá de cima, não vejo só gente: vejo um povo vivo, celebrando a própria existência”, contou Júnior.
Carnaval
TriKaciQ marca presença no Carnaval com música de origem quilombola
Misturando clássicos do carnaval baiano com um repertório autoral de influências rítmicas do samba quilombola, reggae e ijexá, a banda TriKaciQ, originária de Irará (BA), marcou presença em mais um ano no Carnaval de Salvador. Integrando a programação oficial promovida pela prefeitura, o grupo se apresentou nos dias 14 e 17 de fevereiro, nos bairros Rio Vermelho e Pelourinho, dois espaços que reafirmam a proposta de descentralizar a folia e valorizar a diversidade sonora da cidade.
No Rio Vermelho, o encontro foi intenso e vibrante. O público cantou em coro, dançou e transformou o Largo da Mariquita em um território de celebração coletiva. No Palco Multicultural, no coração do Pelourinho, a apresentação ganhou ainda mais simbolismo. O espaço, dedicado à valorização da música brasileira e das expressões culturais ligadas à ancestralidade do Centro Histórico, recebeu a TriKaciQ como um movimento musical que conecta tradição e contemporaneidade.
Com 25 anos de trajetória, a TriKaciQ levou para a folia uma sonoridade que atravessa gerações e reafirma a força cultural do interior da Bahia. Formado por Jussa Souza e seus filhos João Rafael e Thi Mendes, o trio é criador do Sambarilê, ritmo autoral que une o samba de roda dos quilombos iraraenses a elementos do forró e do merengue. Ao lado dos músicos Felipe Guedes, Marcelo Tribal, Leo Jesus e Nino Bezerra, a TriKaciQ levou aos foliões um repertório dançante, repleto de tradição e marcado pela fusão de heranças afro-baianas.
“Foi um carnaval de muita entrega e energia. É uma alegria muito grande participar da maior festa de rua do Brasil, levando a nossa cultura popular e identidade musical do interior da Bahia para se conectar com foliões de diferentes gerações”, destacou o grupo.
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