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Cultura

Abertura do Novembro Negro 2026 homenageia Antônio Pitanga

Jamile Menezes

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Antonio Pitanga

A Concha Acústica recebe, nesta quinta-feira (5/11), a abertura do Novembro Negro 2026, com a programação oficial do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi).

Sob a regência da Orquestra Afrosinfônica, o espetáculo “Concerto Revolta Malês” prestará homenagem à vida e ao legado do ator, diretor e roteirista baiano Antônio Pitanga, figura central do cinema, do teatro e da televisão brasileira, além de histórico militante das causas sociais e da igualdade racial.

Sob o tema geral “Povo Negro em Movimento”, a noite inaugural celebra uma trajetória iniciada na década de 1960 no Cinema Novo, onde Pitanga imortalizou personagens marcantes em produções como A Grande Feira e O Pagador de Promessas, consolidando-se como uma das presenças cênicas e políticas mais potentes do país.

“Pensando em transmutar uma pessoa multiartista como Pitanga para um espetáculo, convidamos algumas das linguagens pelo qual ele passeia. Teatro, cinema, música em diversas épocas da grande e rica trajetória dele. O que se pretende é traduzir em reconhecimento tudo o que ele tem compartilhado e nos ensinado com as diversas facetas tanto profissionais quanto pessoais. Então teremos assegurado muita memória, afeto e emoção. Uma grande reunião de quintal de casa tendo todo o público como convidado” –  diretora artística do espetáculo, Day Sena.

Mariene de Castro

A apresentação contará com participações de Mariene de Castro, Malê de Balê, Lincoln Tornado, Tony Tornado, Graça Onasilê e Melly, além de uma performance do Bando de Teatro Olodum.

“A Afrosinfônica traz a música como narrativa viva da nossa história. Entremear as melodias com a trajetória de Antônio Pitanga é celebrar a força criativa e a resistência do cinema e das artes negras no Brasil. Preparamos uma noite sonora de profunda conexão com as nossas raízes” – maestro da Orquestra Afrosinfônica, Ubiratan Marques. 

Para a secretária da Sepromi, Ângela Guimarães, a abertura na Concha Acústica posiciona a Bahia no centro das articulações e das políticas de reparação histórica e igualdade racial no país:

“Construímos uma programação grandiosa, potente e capilarizada, que atravessa a capital e o interior do estado com ações de cultura, empreendedorismo, combate ao racismo e garantia de direitos. Abertura na Concha Acústica, homenageando a história e a militância política de Antônio Pitanga, simboliza a força do nosso povo, a valorização da nossa memória e a afirmação do compromisso do Governo do Estado da Bahia com um futuro de equidade e reparação para a população negra baiana.”

Orquestra Afrosinfônica

Afrosinfônica – Foto Pedro Soares

Novembro Negro 2026

A programação atravessa a capital e o interior baiano com atividades focadas em desenvolvimento econômico, memória, direitos humanos e justiça social:

● Empreendedorismo e Inovação: O Centro Histórico de Salvador sediará o Festival Movaê – Empreendedorismo Negro, Inovação, Cultura e Economia Criativa (21 e 22/11), além do Festival Afrofuturismo 2026 no Pelourinho (19 a 21/11).

● Ações Antirracistas no Interior: Operações de conscientização, combate ao racismo e atendimento presencial acontecem durante a Micareta de Feira de Santana (19 a 22/11).

● Mobilização Territorial e Quilombola: Eventos em Cachoeira, Inhambupe, Taperoá, Simões Filho e comunidades quilombolas reafirmam a preservação de saberes e identidades ancestrais.

● Marchas e Caminhadas Históricas: No dia 20 de novembro (Dia Nacional da Consciência Negra), ocorrem a 18ª Lavagem da Estátua de Zumbi, a 47ª Marcha Zumbi e Dandara e a 23ª Caminhada da Liberdade.

● Articulação Internacional: A programação encerra-se com o Seminário do Movimento Internacional Contra o Racismo e por Reparação (26 e 27/11) e o Concerto Internacional Contra o Racismo e por Reparação no Farol da Barra (28/11).

Serviço
Abertura do Novembro Negro 2026 – Concerto Revolta dos Malês (Homenagem a Antônio Pitanga)
● Quando: 05 de novembro de 2026 (quinta-feira) – Abertura dos portões às 16h.
● Onde: Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA) – Campo Grande, Salvador – BA
● Atrações: Orquestra Afrosinfônica, Mariene de Castro, Malê de Balê, Lincoln Tornado, Tony Tornado, Graça Onasilê, Melly e Bando de Teatro Olodum
● Ingressos: 1 kg de alimento não perecível (retirada de bilhetes exclusivamente pela internet; detalhes de acesso a serem divulgados em breve)
● Classificação Indicativa: Livre

INGRESSOS AQUI.

Foto Antonio Pitanga destaque: Gustavo Lucena

Cultura

Campanha pede nome Maria Felipa para ponte Salvador-Itaparica

Kelly Bouéres

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Divulgação

Uma campanha iniciada em 2019 reivindica que a futura ponte Salvador-Itaparica receba o nome de Maria Felipa de Oliveira, mulher negra que teve papel importante na luta pela Independência do Brasil na Bahia. A iniciativa é articulada pela Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN) e pela Coalizão Marcha da Consciência Negra e busca ampliar o reconhecimento da trajetória da marisqueira e capoeirista, que liderou ações de resistência contra as tropas portuguesas na Ilha de Itaparica, entre 1822 e 1823.

De acordo com o histórico apresentado pela organização, Maria Felipa reuniu cerca de 200 pessoas, entre mulheres, homens e indígenas das classes populares, para vigiar e monitorar as praias da ilha, impedindo o avanço dos colonizadores. Sob sua liderança, o grupo teria incendiado pelo menos 40 embarcações militares portuguesas, contribuindo para enfraquecer a presença das tropas na região.

Ao longo dos anos, a campanha promoveu seminários, webinários, encontros e atividades de formação política dedicadas à memória da heroína. Em 2021, a proposta chegou à Câmara Municipal de Salvador por meio da indicação nº 512/2021, apresentada pela vereadora Marta Rodrigues e aprovada pela Casa, sendo encaminhada ao Governo do Estado, então comandado por Rui Costa. A articulação também chegou à Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), onde parlamentares assinaram um documento de apoio à reivindicação.

Entre as ações realizadas está o webinário “Maria Felipa – Rebeldia da Mulher Negra”, promovido pela setorial CONEN-Mulher, em outubro de 2020. A organização também participa de debates com coletivos e instituições, como a Associação Maria Felipa de Itaparica e grupos vinculados à Universidade Federal da Bahia (UFBA), com o objetivo de recuperar a memória oral e histórica da personagem.

O movimento também relaciona a reivindicação à necessidade de combater o apagamento histórico das mulheres negras. Durante quase dois séculos, a trajetória de Maria Felipa permaneceu pouco presente na historiografia oficial, sendo preservada principalmente pela tradição oral do povo baiano. Em 2018, seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, por meio da Lei Federal nº 13.697.

Em Salvador, a memória da personagem também ganhou espaço com a instalação de uma estátua nas proximidades do Mercado Modelo, em 2023. Outros espaços e instituições, como a Casa Maria Felipa, inaugurada em 2004, no bairro da Liberdade, e a Associação Maria Felipa, criada em 2008, na Ilha de Itaparica, também fazem parte desse movimento de valorização de sua história.

Para os organizadores, dar o nome de Maria Felipa à ponte representa uma oportunidade de transformar uma importante obra de mobilidade em referência histórica, cultural e educativa, aproximando a população da participação das mulheres negras na formação do Brasil.

Compromisso socioambiental

Além da denominação da ponte, a campanha também incorpora reivindicações relacionadas aos impactos socioambientais da construção e da operação do equipamento e de seus acessos. A organização defende medidas de gestão ambiental dos canteiros de obras, monitoramento dos impactos no entorno, redução de danos durante a implantação e responsabilidade socioambiental ao longo de todo o processo.

A proposta também destaca a importância do diálogo com comunidades vizinhas e coletivos preocupados com os efeitos da obra sobre o território e o meio ambiente.

Para fortalecer o movimento, um abaixo-assinado está disponível no link da bio do perfil da Marcha Coalizão (@a_marcha_coalizao).

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Cultura

Seminário debate Hip-Hop como espaço de transformação social

Kelly Bouéres

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Agnes

O Hip-Hop vai muito além da música, da dança e da arte urbana. É também uma forma de produzir conhecimento, construir identidades e transformar realidades. É a partir dessa perspectiva que o Instituto Social EUMELANINA de Arte, Cultura e Educação realiza, nos dias 4, 5 e 6 de novembro de 2026, em Salvador, o Seminário Hip-Hop- O Quinto Elemento, um encontro dedicado ao diálogo entre cultura, educação e produção de conhecimento.

Com inscrições gratuitas, o evento pretende reunir pesquisadores, estudantes, educadores, artistas, produtores culturais, coletivos, movimentos sociais e integrantes da comunidade para compartilhar pesquisas, experiências e saberes construídos dentro e fora dos espaços acadêmicos.

Para a presidenta do Instituto, Udi Santos, o  Hip-Hop sempre foi um espaço de construção de conhecimento, resistência e transformação social. “Com o Seminário queremos fortalecer o reconhecimento dos saberes que nascem nas periferias, valorizar as experiências de quem constrói essa cultura diariamente e ampliar o diálogo entre os territórios, a universidade e a sociedade”, afirma. 

A programação contará com atividades na sede do Instituto EUMELANINA, no Colégio Estadual Barros Barreto e na Universidade Federal da Bahia (UFBA), com ações realizadas em parceria com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Educação Transformadora: Antirracismo, Interseccionalidade e Justiça Social na América Latina, ampliando o diálogo entre a produção acadêmica, os movimentos culturais e os conhecimentos construídos nos territórios.

Com abrangência nacional, o Seminário também terá a presença de pesquisadores de diferentes territórios do Brasil, promovendo o intercâmbio de experiências, pesquisas e perspectivas sobre o Hip-Hop, a educação e as relações raciais. A participação de representantes de diferentes regiões fortalece o caráter nacional do encontro e amplia o debate sobre o Hip-Hop como campo de produção de conhecimento.

A proposta é ampliar o reconhecimento do Hip-Hop como uma cultura que produz conhecimento a partir das vivências de seus participantes e das realidades dos territórios onde o movimento se desenvolve. O seminário também abre espaço para reflexões sobre antirracismo, educação e as perspectivas para o presente e o futuro da cultura urbana.

 

Tradicionalmente, o Hip-Hop é associado a quatro elementos: MC, DJ, breaking e graffiti. O quinto elemento, o conhecimento, destaca a dimensão educativa, crítica e política do movimento, valorizando a capacidade de seus integrantes de interpretar a realidade, construir narrativas próprias e produzir novas possibilidades de futuro.

 

É essa dimensão que orienta o seminário, aproximando a produção acadêmica dos saberes populares e das experiências vividas nas periferias. A iniciativa busca fortalecer o diálogo entre universidade, movimento cultural e sociedade, reconhecendo artistas, educadores e agentes culturais como produtores de conhecimento.

 

O seminário nasce dessa ideia de unir a sabedoria da universidade com a vivência e a cultura de quem faz acontecer diariamente. Valorizando artistas, educadores e fazedores de cultura como grandes criadores do saber. 

 

Sobre o Instituto:

Fundado em 2017, o Instituto Social EUMELANINA de Arte, Cultura e Educação atua na promoção da arte, da cultura e da educação, utilizando especialmente o Hip-Hop como ferramenta de transformação social. Com atuação vinculada aos territórios periféricos de Salvador, a instituição desenvolve iniciativas voltadas à ampliação de oportunidades e ao fortalecimento de crianças, jovens e adultos.

Ao promover o seminário, o Instituto reafirma a importância de criar espaços de encontro entre diferentes experiências e formas de aprendizagem, contribuindo para a valorização da cultura periférica e para o reconhecimento dos conhecimentos produzidos nesses territórios.

A programação completa, com as atividades, os horários e os locais de realização, pode ser consultada na página oficial de inscrições.

 

SERVIÇO

O quê: Seminário Hip-Hop – O Quinto Elemento

Quando: 4, 5 e 6 de novembro de 2026

Onde: Sede do Instituto Eumelanina- 1º andar da Biblioteca Comunitária Paulo Freire, Rua Almeida Brandão, Escada.

Quanto: Gratuito

Inscrições:

https://www.even3.com.br/seminario-hip-hop-o-quinto-elemento-788119/

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Cultura

Instituto Social EUMELANINA realiza batalha de rimas sobre eleições

Jamile Menezes

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Instituto Social EUMELANINA

O Instituto Social EUMELANINA de Arte, Cultura e Educação realiza, neste sábado (24), em Escada (Subúrbio), a 10ª edição da batalha de rimas “KebraVerso-Confronto Lírico”, em uma edição temática, trazendo a política e o processo eleitoral para o centro das rimas e das reflexões.

A proposta é utilizar a força da cultura Hip Hop para estimular o pensamento crítico, valorizar a liberdade de expressão e ampliar o debate sobre democracia, cidadania e participação política, especialmente entre a juventude das periferias.

Ao chegar a sua 10ª edição, o evento reafirma a importância de ocupar os territórios com iniciativas culturais que incentivem o diálogo e a reflexão sobre a sociedade.

Desta vez, o contexto eleitoral será inspiração para os confrontos líricos, mostrando como a arte também pode contribuir para o debate público e para a construção de uma participação política mais consciente.

SERVIÇO

KebraVerso – Confronto Lírico | 10ª edição

Data: 24 de outubro de 2026 (sábado)
Horário: 16h
Local: Sede do Instituto EUMELANINA – 1º andar da Biblioteca Comunitária Paulo Freire, Rua Almeida Brandão, Escada, Salvador (BA).
Tema: Eleições, democracia e participação política por meio da cultura Hip Hop

Foto: Hilary Fonseca

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