Moda
Afro Fashion Day confirma edição 2026 com tema “Rainhas e Reis”
O Afro Fashion Day chega à sua 12ª edição no dia 14 de novembro, no Pelourinho, em Salvador, com o tema “Rainhas e Reis”. O evento, que será realizado às 19h, no Largo do Terreiro de Jesus, propõe celebrar a realeza negra e homenagear a força, a beleza e a ancestralidade dos povos africanos e afro-brasileiros.
A proposta desta edição é ampliar o olhar sobre os reinados africanos e seus legados, explorando referências que vão além das representações ocidentais de realeza.
“O intuito é transformar essa visão estereotipada que existe sobre a cultura e os reinados africanos. A gente vai tentar transformar isso de uma forma muito bonita para todo o público”, afirmou Fábio Reis, analista de marketing à frente do evento.
Para Fagner Bispo, produtor de moda e curador do Afro Fashion Day, a temática abre novas possibilidades para a passarela.
“As expectativas são sempre as maiores. A gente sempre consegue se superar, fazer uma edição mais incrível do que a outra e, com o tema desse ano, vai ser mais uma edição incrível”, disse.
A preparação também inclui a seleção de profissionais que vão integrar a equipe de beleza. Trancistas e maquiadores foram escolhidos por meio de dois concursos culturais promovidos pelo CORREIO, com etapas finais realizadas no Aeroporto de Salvador.
Além do desfile, o público poderá participar de uma programação gratuita de oficinas dentro da Feira da Sé. As atividades incluem oficinas de turbante, das 11h às 12h e das 15h às 16h; de croquis, das 13h às 14h; e de costura, das 14h às 15h.
Criado em 2015, o Afro Fashion Day é considerado o maior evento de moda negra do país e já reuniu mais de 100 mil participantes e 2 mil profissionais em suas edições. Somente na edição do ano passado (2025), a iniciativa reuniu cerca de 4 mil pessoas na Praça Terreiro de Jesus e levou à passarela 78 modelos e 45 marcas de moda da Bahia.
O Afro Fashion Day 2026 é uma realização do jornal Correio com patrocínio da AVON, Bracell, Neoenergia e da ANEEL com apoio institucional do Sebrae e da Prefeitura Municipal de Salvador, apoio do Salvador Bahia Airport, Shopping Barra, Wilson Sons e parceria com a Claro.
As novidades sobre a edição de 2026 poderão ser acompanhadas pelo Instagram @afrofashionday.
Moda
Fashion Pelô celebra a moda afro no Pelourinho
O Fashion Pelô será realizado no dia 12 de julho, no Espaço Quincas Berro D’Água, no Pelourinho. Idealizado pelo modelo Carlos Cruz, por meio do projeto Periferia, do Instituto Periferia do Futuro, o evento reúne moda, cultura, arte, empreendedorismo e ancestralidade em uma programação que valoriza a produção autoral baiana e a identidade afro-brasileira.
Inspirado na história do Pelourinho e na força dos blocos afro, o Fashion Pelô propõe um encontro entre estilistas, modelos, profissionais da beleza, artistas, empreendedores e o público. A iniciativa busca fortalecer a economia criativa, ampliar a visibilidade de novos talentos e incentivar a moda como ferramenta de transformação social.
A programação começa com uma oficina de grafite ministrada pelos artistas Michel Almeida e Cabuloso Spray. A atividade abre o evento com uma proposta voltada à arte urbana, criatividade e inclusão.
O principal destaque será a passarela de moda autoral, que reunirá mais de 50 modelos apresentando coleções de estilistas baianos. Participam desta edição Mada Negrif, Abanto, Costa Ribeiro, Rei Vilas Boas, Levite, Mônica Anjos, Tais Nunes, representando o Periferia do Futuro, Cabuloso e Yame. As coleções abordam temas como identidade, ancestralidade, sustentabilidade e representatividade.
A programação também inclui um desfile infantil, reforçando a importância da representatividade desde a infância e incentivando a formação de novos talentos na moda.
Outro momento do evento será a Batalha de Tranças, competição entre profissionais da beleza que destacará técnicas e criatividade na estética afro. Com apoio da Ser Mulher, serão distribuídos R$ 3 mil em premiações para os três primeiros colocados.
O Fashion Pelô prestará homenagem a personalidades que contribuíram para a valorização da cultura afro-brasileira e da história do Pelourinho. Nesta edição serão homenageados Rita Castro, do Olodum, Clarindo Silva, Mario Nelson de Carvalho, Negra Jhó, Mada Negrif e a professora Ivete Sacramento.
A programação contará ainda com o Baile Charme, conduzido pela professora Ana Paula. A atividade reunirá dança, música e cultura urbana, ampliando a conexão entre moda, identidade e expressão artística.
Realizado pelo Instituto Periferia do Futuro, o Fashion Pelô reafirma o compromisso com a democratização da moda e da cultura, transformando o Centro Histórico de Salvador em uma vitrine para estilistas, artistas e empreendedores que fortalecem a produção cultural baiana.
Serviço
Fashion Pelô 2026
Homenageados Rita Castro, do Olodum, Clarindo Silva, Mario Nelson de Carvalho, Negra Jhó, Mada Negrif e a professora Ivete Sacramento
Data: 12 de julho(domingo)
Horário: A partir das 11h
Local: Espaço Quincas Berro D’Água, Pelourinho, Salvador
Endereço: R. do Açouguinho, 12 – Centro Histórico, Salvador – BA, 40025-180
Ingresso: 10,00 + 1 kg de alimento não perecível
Moda
Hanayrá Negreiros lança primeiro livro no Fórum Modativismo
“Negras maneiras de vestir: Moda, memória e arte afrobrasileira” é o título do primeiro livro da historiadora, curadora e professora de moda Hanayrá Negreiros. Fruto de uma ampla pesquisa sobre as roupas trajadas pelas populações afro-brasileiras ao longo dos anos, a obra propõe o resgate de memórias por muito tempo invisibilizadas, propondo um novo olhar sobre as narrativas da diáspora. A obra será lançada na programação do Fórum Modativismo, que acontece em Salvador de 16 a 18 de julho.
Com fotografias, Hanayrá elabora imagens sobre a comunidade negra, possibilitando a criação de narrativas positivas do que já foi por muito tempo invizibilizado. Referindo-se ao livro como “resultado de histórias costuradas fio a fio em um tear de memórias afro-atlânticas”, a autora traz também registros de sua própria família, propondo uma nova história sobre a subjugação da imagem negra ao longo do tempo.

Mãe Mona Dewá. Foto de Orukwe (Felipe Torres
Já começa na capa, que apresenta Hanayrá em um registro da fotógrafa e cineasta Juh Almeida, concebido com a linguagem de um ensaio de moda. Na fotografia, a autora veste criações de artistas negras como Angela Brito, Carol Barreto e Lane Marinho, estabelecendo um diálogo com uma cena de moda contemporânea. A pesquisa também vem a partir de acervos institucionais do Instituto Moreira Salles e da Biblioteca Nacional, a partir de uma perspectiva crítica e sensível.
O livro investiga moda, imagem, história, espiritualidade e artes visuais, articula passado e presente a partir de uma perspectiva negra contemporânea.

Foto: Juh Almeida
Hanayrá nasceu em São Paulo e tem raízes paulistas e maranhenses. É pesquisadora, professora, curadora e escritora. Doutoranda em história pela PUC-SP, investiga narrativas do vestir da diáspora africana no Brasil a partir dos entrelaçamentos entre moda, memória e artes visuais. Foi colunista na ELLE Brasil e curadora-adjunta de moda no MASP, além de participar de projetos curatoriais no Brasil e no exterior.
“Estou muito feliz por fazer o lançamento do meu primeiro livro em Salvador, um lugar pelo qual tenho um carinho enorme. É impossível falar de moda, arte memória negras no Brasil sem passar pela Bahia, e parte da pesquisa que deu origem ao livro atravessa justamente as negras maneiras de vestir das mulheres baianas, suas estéticas e suas formas de construir memória e identidade. Além disso, estar em Salvador tem um significado ainda mais especial porque Carol Barreto, grande amiga, parceira de trabalho é uma das referências bibliográficas que inspiraram a pesquisa do livro, uma intelectual e criadora fundamental para pensar moda e raça no Brasil. Também, como professora que sou, é uma honra participar da programação do Fórum Modativismo, um espaço tão importante para as discussões atuais sobre moda e política”, diz Negreiros.
Foto destaque: Juh Almeida
Moda
Fórum Modativismo chega à segunda edição em Salvador
A Moda como instrumento de ativismo político, social e cultural. Essa é a base conceitual do Fórum Modativismo, que chega a sua segunda edição entre os dias 16 e 18 de junho em Salvador. Com o tema “Mulheres Negras, Ancestralidades e Sustentabilidades”, propõe reflexões sobre a importância política da aparência e da moda como campo de construção de conhecimento. É aberto ao público, com emissão de certificado, e tem inscrições online já abertas.
Criado e protagonizado pela professora doutora, pesquisadora e estilista, Carol Barreto, o Fórum Modativismo é a culminância da disciplina acadêmica regular na UFBA “Modativismo: Processos Criativos Decoloniais”, vinculada ao Bacharelado em Estudos de Gênero e Feminismos (ACCS FCHM51: Modativismo: Processos Criativos Decoloniais / DEGF / UFBA). A integração da disciplina – que é a primeira do Brasil – ao currículo acadêmico da Universidade se deu em 2023, propondo aos estudantes o pensamento da criação, do ensino e da produção de vestuário como ferramentas de resistência decolonial, feminista e antirracista.
Para Carol, a conquista deve ser permanentemente celebrada. “Independente da minha existência física, essa disciplina agora é regular, ela sempre estará lá para ser lecionada. Uma disciplina que toda Universidade pode estudar”, diz.
Conheça a história de Carol Barreto e como se formou seu ativismo na Moda:
Carol também é autora do livro “Modativismo: quando a moda encontra a luta” (Ed.Paralela – SP, 2024), além de Professora Doutora do Departamento de Estudos de Gênero e Feminismo da UFBA. No enecrramento do Fórum, a obra será autografada pela escritora.
Para ela, a decolonialidade na prática é modo de existência no mundo:

Coordenado por Carol e sua equipe, o Fórum terá extensa programação, com mesas redondas, artistas, ativistas e intelectuais, além de pessoas pesquisadoras e escritoras locais e nacionais.
Ouça Barreto sobre Arte, Discurso, Luta e Moda e Invizibilidade no Brasil e no mundo:
O tema do Fórum Modativismo nesta segunda edição focará na relação das pessoas artistas com os seus territórios de origem, trazendo como referência processos de aquilombamento e reencontro com as ancestralidades de matriz africana Essas serão expressas pela intelectualidade manual e mental presentes na produção do têxtil, nas metodologias de design e de pesquisa artística.
Todas baseadas no pensamento intelectual e nas estratégias de luta de mulheres negras, como explica Carol:
As atividades acontecerão no Auditório da FACOM/UFBA e no MUNCAB (Pelourinho), onde se dará o encerramento do evento com o lançamento do primeiro livro da curadora de moda, pesquisadora e escritora paulistana Hanayrá Negreiros. Intitulado ‘Negras maneiras de vestir: moda, memória e arte afro-brasileira” (São Paulo: Paralela, 2026), a obra é resultado de aprofundada pesquisa sobre as roupas trajadas pelas populações afro-brasileiras ao longo dos anos.
Por meio de fotografias, inclusive de sua própria família, a autora reconstrói um passado perdido e cria uma nova perspectiva para essa história, ajudando a resgatar memórias por muito tempo invisibilizadas.
E qual futuro pode-se enxergar para a Moda como uma ferramenta de ativismo global?
Carol Barreto responde:
Programação do Fórum Modativismo
Serão os temas dos debates ao longo do Fórum: Moda, Ciência e Sustentabilidade, Moda, Educação e Política, Meio Ambiente, Sustentabilidade e Racismo Ambiental, Saberes Tradicionais, Indumentária e Ancestralidades, Moda Afro-Brasileira, Empreendedorismo e Sustentabilidade. Além de apresentações estudantis, a programação terá representantes da UFBA, UEFS, IFBA, SENAI, PUC-SP, Fashion Revolution Brazil, e estilistas convidados.
Carol Barreto fala sobre resultados esperados com o Fórum e o Ativismo na Moda:
A segunda edição do Fórum Modativismo é uma iniciativa do Coletivo Modativismo em parceria com a Plataforma Fervo2k20.org, organizado no contexto de execução do Projeto LaBi – Laboratório de estudos e tecnologias da Diversidade Sexual, de Gênero e Étnico-Racial através do grupo de bolsistas FAPEX – UFBA, intentando aprofundar os debates sobre Gênero, Corporalidades, Aparência, Hierarquias Raciais, Racismo Ambiental e Interseccionalidades. Conta com o apoio do Departamento de Estudos de Gênero e Feminismos – DGEF/UFBA, do Grupo Gênero Arte e Cultura (GAC – NEIM), da Faculdade de Comunicação da UFBA e do MUNCAB (Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira).
Confira a programação AQUI.
Inscrições gratuitas AQUI.
Foto: Giulia Medeiros
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