Literatura
Valter Sales Alágbi lança de MÃo de Pilão
Após o sucesso do primeiro lançamento, MÃo de Pilão reencontra o
público em um novo território: o Parque São Bartolomeu, em São João do
Cabrito, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Em um local atravessado
por memórias, ancestralidade e resistência, o professor, ativista e escritor
Valter Sales Alágbi divide novas nuances do livro com os
soteropolitanos e leitores presentes na cidade, no próximo sábado, dia
12 de setembro, a partir das 10h.
O momento contará com leitura de trechos da obra, sessão de
autógrafos, além de um coffee break para acolher e aproximar a todos.
O jornalista, assessor de comunicação e produtor audiovisual Ivan Costa
será o responsável por mediar o evento, trazendo perguntas,
contextualização e provocando o autor sobre MÃo de Pilão.
Um livro que retorna às suas raízesA escolha do local não é por acaso. Para Valter, levar MÃo de Pilão ao
Parque São Bartolomeu significa fazer com que o livro retorne para onde
diferentes camadas se encontram: a memória dos povos originários, a
resistência do Quilombo do Urubu, a relação das religiões de matriz
africana com a natureza do local e as lembranças de sua própria família.
O parque, localizado no Subúrbio Ferroviário de Salvador, é parte da
narrativa que atravessa a primeira obra do autor, guardando uma relação
afetiva e ancestral com a trajetória familiar e religiosa de Alágbi.
Enquanto a resistência do Quilombo do Urubu, liderado pela figura
feminina de Zeferina naquele espaço, é uma inspiração de luta, a história
de seu avô Guiguio de Obaluaiê que liderou um terreiro no bairro de São
João do Cabrito, nas proximidades do São Bartolomeu, o sensibiliza de
forma ainda mais íntima.
“Trazer esse segundo lançamento para esse espaço é florescer memórias
afetivas, memórias de um povo, memórias do terreiro e memórias que
muitas vezes eu não vivi, mas escutei através dos relatos da minha mãe,
da minha tia e até do meu próprio avô”, conta Valter Sales, que também é
um egbomi de Oxaguian.
Publicado pela editora Oxente, MÃo de Pilão entrecruza poesia e prosa,
memória, espiritualidade e crítica social para refletir sobre identidade
negra, ancestralidade e enfrentamento ao racismo. A obra nasce do
encontro entre experiências pessoais, oralidade, ensinamentos dos mais
velhos e vivências das periferias, em uma estreia na literatura que é
também uma conquista coletiva.
“O MÃo de Pilão surgiu do desejo de registrar aquilo que muitas vezes é
silenciado e de afirmar que nossas histórias também são dignas de ocupar
as páginas da literatura”, diz Valter.
Natureza e escrita sagradas
A relação com o Parque São Bartolomeu também passa pela dimensão
espiritual, muito presente na obra que apresenta o racismo estrutural e o
racismo religioso como questões centrais. Para reapresentar suas prosas e
poesias para novas mentes e corações, estar em meio a folhas sagradas
em um remanescente de Mata Atlântica reforça o significado de MÃo de
Pilão: “Quem é de terreiro sabe muito bem que sem folha não tem orixá”,
afirma.Desde o próprio nome da obra “MÃo de Pilão”, um objeto sagrado para
Oxaguian, orixá que guia Orí do autor, a relação com a matriz africana
está presente como energia criativa em sua literatura. Agora, a escrita
ancestral se encontra com um terreno de ancestralidade.
Para além disso, o autor reforça a importância de ocupar espaços culturais
periféricos de Salvador e pressionar pelo fim do sucateamento dessas
localidades: “Levar o livro para o Parque São Bartolomeu é dizer que ele
existe, que ele resiste, mesmo com todo o sucateamento, e que tem uma
grande potência ancestral, um grande legado para as comunidades pretas
de Salvador e, acima de tudo, para a comunidade de terreiro”.
Valter Sales Alágbi: nome, sobrenome e dijina
Licenciado em Letras pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Valter
Sales Alágbi é professor, poeta e ativista do movimento negro. Doutor
Honoris Causa pela Ordem dos Capelães e pela Faculdade Febraica,
construiu uma trajetória dedicada à promoção da educação antirracista, à
valorização da identidade negra e à defesa das religiões de matriz
africana.
Atualmente, é educador do projeto Juventude Negra e Participação
Política (JNPP), da CIPÓ – Comunicação Interativa, e colaborador da
Agência Nacional das Favelas (ANF). Também é idealizador do Cirandas
Pretas, projeto voltado à valorização das infâncias negras, e um dos
fundadores da Frente Makota Valdina.
Na tradição afro-religiosa, Valter é Egbomi de Oxaguian e carrega o nome
ancestral Alágbi, chamado no candomblé de “dijina”. Em MÃo de Pilão,
sua trajetória como educador, ativista, poeta e homem de terreiro se
encontra com as memórias familiares e coletivas que atravessam sua
escrita.
SERVIÇO
O quê: Lançamento do livro MÃo de Pilão no Parque São Bartolomeu
Quando:12 de setembro (sábado), às 10h
Onde: Centro de Referência do Parque São Bartolomeu, Parque São
Bartolomeu, SN, São João do Cabrito, Salvador (BA)
Gratuito
Formação
FLICA 2026 pauta literatura negra e letramento racial na Tenda Paraguaçu
A 14ª Festa Literária Internacional de Cachoeira – FLICA, que acontece de 5 a 8 de novembro, terá uma programação que aproxima letramento literário e racial durante o Mês da Consciência Negra. Na Tenda Paraguaçu, debates sobre inteligência artificial, racismo algorítmico, ancestralidade e narrativas negras trarão reflexões sobre a conexão entre literatura, educação e tecnologia.
Nomes como Nina da Hora, cientista da computação, pesquisadora e ativista antirracista, a jornalista Miriam Leitão, o especialista em Cultura Zulu Araújo, estão na programação.
Na ocasião, Nina lança o livro “Do rosto ao vetor: uma história da medição do rosto, da eugenia ao algoritmo”, no qual investiga o conceito de epistemicídio computacional, que trata do apagamento ou da distorção de conhecimentos e identidades de grupos historicamente marginalizados.

Nina Da Hora – Acervo Pessoal
“A IA aprende com dados, e os dados que temos no Brasil carregam a nossa história: quem foi abordado pela polícia, quem conseguiu crédito, quem foi fotografado e quem nunca entrou nos registros. Um sistema treinado com isso aprende essas diferenças como se fossem normais e devolve o resultado com cara de decisão técnica. O erro começa antes da máquina, na forma como a gente classifica e representa as pessoas”, analisa.

Sued Nunes – Foto Rogrigo Ladeira
Palco da FLICA
O espaço recebe o sarau “Sued Nunes Não Anda Só”, encontro que reúne vozes negras baianas em performances literárias e musicais refletidas por experiências coletivas de luta contra o racismo. Ao lado da cantora e compositora Sued Nunes, participam Afropecado, poeta marginal, MC e produtora cultural; Duda Santhana, jovem poeta e declamadora; MC Jaynne, rapper e compositora; e Matheus Kawan, escritor, poeta e pesquisador.
“Acredito que nossas vozes e linguagens artísticas, embora distintas, irão se conectar a partir do senso de comunidade e pertencimento. Quando nosso eu se reflete em quem se parece com a gente, os caminhos se povoam pelas experiências compartilhadas. O público pode esperar um encontro crítico e sensível, marcado pelo afeto, ancestralidade e pela potência criativa, em que cada voz fortalece a outra para que, juntos, possamos construir uma narrativa ainda mais poderosa e coletiva”, avalia o poeta.
Já a mesa “Inteligência ancestral, memórias afrofuturistas” reconhecerá as oralidades africanas e diaspóricas como formas de preservar saberes e imaginar novas possibilidades. Integram o bate-papo o escritor afrofuturista Ale Santos, apontado pela Science Fiction Research Association (SFRA) como o mais popular da nova geração, e Cesar Sobrinho, pesquisador, professor e tradutor reconhecido por traduzir do francês para o português contos populares africanos e afrodiaspóricos. A mediação será da professora, pesquisadora e crítica literária Cristian Sales.
“Povos e países que não têm o controle das máquinas, como as Big Techs dos Estados Unidos, são vistos como periferia, sendo que, na história da humanidade, muitas tecnologias vieram de povos amazônicos, africanos e latinos. Elas conseguem constituir um progresso social, harmônico, sustentável e biodiverso muito mais poderoso. As tecnologias culinárias, musicais e artísticas, por exemplo, ajudam a manter tradições, conectar indivíduos durante gerações e preservar o equilíbrio com o meio ambiente”, explica Ale Santos.
A mesa “Inteligência artificial e racismo – Algoritmos da branquitude” encerra a programação da Tenda Paraguaçu com uma reflexão sobre como sistemas de inteligência artificial podem perpetuar estruturas históricas de poder, preconceitos e discriminações.

Nilma Lino Gomes – Foto Leticia Souza
A discussão sobre o racismo nas tecnologias digitais e seus efeitos nas relações étnico-raciais no Brasil contará com Nilma Lino Gomes, pedagoga, escritora e ex-ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, e Tarcízio Silva, pesquisador em políticas tecnológicas, doutor em Ciências Humanas e Sociais e mestre em Comunicação. A mediação ficará a cargo de Jamile Borges, professora e vice-reitora da UFBA.
A proposta curatorial da Tenda Paraguaçu considera a conscientização parte essencial do letramento literário e racial.
“A criança, antes de ler, tem acesso a vários sinais, significados, seja a natureza, oralidade ou histórias contadas pelos seus mais velhos. O livro é uma referência de conhecimento, mas não é a única. A literatura escrita e oral fazem parte da nossa programação, porque a contação de histórias, por exemplo, faz parte desse letramento”, completa o curador Marielson Carvalho.
SERVIÇO:
FLICA 2026
Quando: 5 a 8 de novembro
Onde: Cachoeira-BA
Entrada gratuita
Mais informações:
Instagram: @flicaoficial
Literatura
Professor Dr. Manuel Alves de Sousa Junior vence o Prêmio Jabuti com livro sobre racismo
O pesquisador e professor Manuel Alves de Sousa Junior, radicado na Bahia há 34 anos, é vencedor do 68º Prêmio Jabuti, na categoria Educação, com o livro Como conversar com crianças sobre racismo e diversidade, publicado pela Editora Schreiben. O anúncio foi realizado nesta terça-feira (27), durante a cerimônia de premiação na Sala São Paulo, na capital paulista. A conquista reconhece a obra dedicada à discussão das relações raciais desde a infância e coloca o pesquisador baiano entre os destaques da produção intelectual brasileira.
Doutor em Educação pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), historiador e professor do Instituto Federal da Bahia (IFBA), campus Lauro de Freitas, Manuel Alves de Sousa Junior é autor de 32 livros, com produção voltada especialmente às áreas de educação, história, cultura e relações raciais. Atualmente, coordena a Especialização em História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena do IFBA. Também é colunista do Soteroprosa e administrador do perfil @debateracialpolitico, dedicado a discussões sobre relações raciais e política.
“Receber o Prêmio Jabuti é uma emoção que ainda estou tentando compreender. Esse reconhecimento não é apenas sobre um livro, mas sobre a importância de falar de racismo e diversidade desde a infância, com responsabilidade e compromisso com a educação. Espero que essa conquista ajude a levar essa conversa a mais escolas, famílias e espaços de formação. Agradeço a todas as pessoas que fazem parte da minha trajetória e que acreditam na construção de uma educação antirracista”, afirma Manuel.
Publicado pela Editora Schreiben, Como conversar com crianças sobre racismo e diversidade aborda a importância de estabelecer, desde os primeiros anos de vida, diálogos sobre diferenças, identidade e relações raciais. A obra se relaciona à trajetória acadêmica e profissional do pesquisador, que desenvolve trabalhos voltados à educação e à ampliação do debate racial dentro e fora dos espaços acadêmicos.
Criado em 1958 pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Prêmio Jabuti é uma das mais tradicionais premiações do livro no país. Ao longo de suas 68 edições, consolidou-se como referência no mercado editorial brasileiro, reconhecendo autores, obras e profissionais que contribuem para a produção literária, intelectual e cultural nacional. A vitória na categoria Educação representa um reconhecimento relevante para uma obra que propõe discutir questões fundamentais da sociedade brasileira a partir da infância.
A conquista acontece em um ano de importantes avanços na trajetória de Manuel. Em janeiro, o pesquisador foi eleito para a Academia de Cultura da Bahia e, mais recentemente, passou a integrar a Academia de Cultura e Artes de Ipitanga, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador. Em 2026, também participou da Bienal do Livro Bahia e da Bienal do Livro de São Paulo, ampliando a circulação de seu trabalho em espaços de encontro entre escritores, leitores e profissionais do mercado editorial.
O prêmio amplia a visibilidade nacional da produção de Manuel Alves de Sousa Junior e reforça a relevância de publicações que abordam a educação antirracista. Em um país marcado por desigualdades raciais históricas, discutir como crianças compreendem as diferenças e constroem suas percepções sobre o mundo é parte importante do trabalho educativo. Com a conquista do Jabuti, o pesquisador baiano ganha novo espaço para ampliar essa discussão e fazer sua obra chegar a outros públicos.
Literatura
Escritora Claudia Alexandre lança obras infantojuvenis no MUNCAB
O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) recebe n dia 7 de Novembro, o evento oficial de lançamento dos livros infantojuvenis da jornalista, pesquisadora e escritora Claudia Alexandre: “Exu Mulher e o Mundo dos Homens” (Editora Aruanda) e “Tia Ciata e o Mistério da Foto” (Editora Cortez).
O lançamento contará com uma ação conduzida pelos contadores de histórias Mário Omar e Maria Teixeira e Rick Carvalho, músico pesquisador de instrumentos africanos.
“Lançar esses livros no MUNCAB, em Salvador, é celebrar a força da nossa ancestralidade no lugar onde a história respira. Queremos que as crianças se reconheçam, perguntem e se divirtam com a literatura”, como destaca a Livraria Katuka
Sobre as obras:
Tia Ciata e o Mistério da Foto (Editora Cortez): A obra convida os jovens leitores a uma jornada de investigação sobre a memória e a relevância histórica de Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, figura central para a cultura brasileira e o samba.

Mario Omar e Rick Carvalho
Exu Mulher e o Mundo dos Homens (Editora Aruanda): Através de uma linguagem poética e acessível, a publicação aborda a sabedoria, o protagonismo feminino e o respeito às matrizes africanas, aproximando o público infantojuvenil de conceitos ancestrais desmistificados.
Serviço:
Evento: Lançamento dos livros “Exu Mulher e o Mundo dos Homens” e “Tia Ciata e o Mistério da Foto”, de Claudia Alexandre
Data: 07 de Novembro de 2026
Horário: 14h
Local: Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB)
Endereço: Rua das Vassouras, 25 – Centro Histórico, Salvador – BA
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre (indicado para crianças, jovens e educadores)
Fotos: Arquivos Pessoais
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