Memória
Caminhada em Itapuã pauta a história, cultura e defesa ambiental do território
No dia 19 de outubro (segunda-feira), das 13h30 às 17h30, o Coletivo Nosso Kilombo, em parceria com o movimento Em Defesa do Abaeté, realiza a Caminhada Patrimonial de Sumé/SãoTomé, uma experiência cultural e educativa que convida o público a percorrer histórias, memórias, saberes e paisagens do território.
Com saída da Praça da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã, a Caminhada terá passará por pontos de referência histórica, cultural e ambiental do território, como a Praia dos Ossos de Baleia. Também passará pelas formações rochosas como a Pedra da Sereia, fontes e desembocaduras de riachos com suas vegetações costeiras, como a Restinga de Piatã e, como ponto fundamental do percurso, a Pedra de Sumé/São Tomé, cercada de lendas e sincretismo religioso.

A atividade terá 50 vagas gratuitas, sendo 25 vagas abertas ao público em geral e 25 destinadas, prioritariamente, a pessoas com deficiência (PCD). Haverá intérpretes de Libras durante todo o percurso, com recursos de audiodescrição nas mediações, favorecendo a participação de pessoas surdas, cegas e com baixa visão. É importante levar garrafa de água, protetor solar, boné ou chapéu, utilizar roupas leves e calçados confortáveis para caminhada. As inscrições serão realizadas gratuitamente por meio do link disponível na bio do Instagram do Coletivo Nosso Kilombo (@nossokilombo).

Memória e Patrimônio
Em sua segunda edição, a Caminhada integra o projeto “LEVANTA POVO! Sambas, Artesanias e Resistências”, que vem desde agosto realizando ações de preservação e divulgação da memória de Itapuã. Já foram realizadas rodas de fuxicaria com mestres e mestras populares, distribuição de arroz doce com rodas de samba de boi e rodas de jongo. Até aqui o projeto já envolveu mais de 150 pessoas nas ações culturais realizadas.

O projeto será encerrado em dezembro (20), com o “Cortejo Levanta Povo – Celebrar para Insurgir”, ação artística que vai percorrer a ruas do bairro, integrando mais um ano a Festa de São Tomé, uma celebração cultural e religiosa tradicional de Itapuã, sendo comemorada anualmente por moradores e romeiros do bairro.
SERVIÇO — Caminhada Patrimonial de Sumé/São Tomé
Quando: 19 de outubro (segunda-feira) | 13h30 às 17h30
Concentração: Praça da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã
Acessibilidade: Audiodescrição e Libras
Quanto: Gratuito | 50 vagas: 25 para público geral + 25 prioritárias para PCD
Inscrições: link na bio do Instagram do Coletivo Nosso Kilombo (@nossokilombo)
Informações: (71) 98244-1932 | (71) 98270-6562
Fotos: Pio Filho
Memória
Viola de Doze celebra Tia Ciata em show gratuito no Pau Miúdo
A banda Viola de Doze promove, neste domingo, dia 11 de outubro, um encontro especial com o público em Salvador. Será na Rua 20 de Agosto, no bairro do Pau Miúdo, a partir das 15h, com acesso gratuito.
O show, o primeiro do projeto “Roda da Viola, terá como tema a valorização das raízes do grupo e da cultura popular baiana. Para a ocasião, o público é convidado a vestir amarelo.
A apresentação também será marcada por uma homenagem a Tia Ciata, que integra a memória e a tradição do samba, reforçando a proposta de celebrar referências que contribuíram para a construção da identidade musical da Bahia.
“Estamos voltando às nossas origens, onde tudo começou, com o projeto ‘Roda da Viola’. É muito especial poder reencontrar o nosso público nesse lugar e celebrar a história, nossas referências e a nossa música”, afirma o cantor Helon Neves. “Esse é um momento para a gente cantar, tocar e lembrar de onde viemos. A música tem esse poder de reunir as pessoas e manter vivas as nossas tradições. Fazer isso de forma gratuita, junto ao nosso povo, tem um significado muito grande para nós”, destaca o também vocalista Menininho.
Sobre o Projeto Roda da Viola
O Roda da Viola tem como conceito central o africocentrismo, valorizando a ancestralidade e a contribuição fundamental da África para a formação de diferentes culturas. Nesse contexto, o atabaque ocupa papel de destaque, sendo compreendido como um elemento vivo e sagrado, responsável por conduzir os ritmos, evocar os orixás e conectar o público às raízes da cultura baiana. A ideia da roda representa união, comunhão e acolhimento. O projeto foi criado para ser um espaço plural e seguro, reunindo música, cultura e ancestralidade.
Cultura
Mestre Bule-Bule participa de Roda de Fuxicaria gratuita em Itapuã
Em mais uma edição do projeto “LEVANTA POVO! Sambas, Artesanias e Resistências”, o Coletivo Nosso Kilombo recebe Mestre Bule-Bule nesta sexta (25/9), em sua segunda Roda de Fuxicaria. Será na Praça da Literatura, em Itapuã, das 13h30 às 17h30. A atividade contará com estudantes da rede pública e será aberta a toda comunidade.
O Fuxico é uma tradição de muitas gerações, uma prática em que se corta um círculo de tecido (geralmente chita ou algodão), franzindo-o na borda com linha e agulha, e puxando o fio até formar uma pequena “trouxinha” ou flor. Elas são unidas umas às outras, dando vida a colchas coloridas, tapetes, almofadas, caminhos de mesa e adereços de moda.

Foto Pio Filho
Nas Rodas de Fuxicaria do Nosso Kilombo, os fuxicos serão destinados à customização do figurino do Coletivo e à decoração da Festa de São Tomé. As Rodas também serão espaços de encontro e transmissão de saberes, com a presença de mestres e mestras da Cultura Popular que compartilharão suas histórias com outras gerações.
Nesta sexta (25), o repentista, cordelista e sambador, Mestre Bule-Bule estará presente contando suas histórias por meio dos versos e compartilhando saberes com os mais novos.

Foto Pio Filho
O Coletivo Nosso Kilombo
O Coletivo Nosso Kilombo propõe intervenções com o objetivo de valorização da brincadeira de rua e das tradições afroindígenas, fomentando o pertencimento comunitário entre os moradores. Suas ações contribuem para a patrimonialização da cultura em todas as suas expressões, como forma de barrar as recorrentes investidas da especulação imobiliária e de práticas do racismo ambiental e religioso na localidade.
O projeto “LEVANTA POVO! Sambas, Artesanias e Resistências” foi contemplado pelo Edital nº 18/2025 – Fomento à Festas, Ritos e Celebrações Populares, integrado à Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) pelo Estado da Bahia.
SERVIÇO
O que: Rodas de Fuxicaria do Coletivo Nosso Kilombo
Quando:
25/09 — 13h30 às 17h30 (Praça da Literatura)
02/10-13h30 às 17h30 (CAT Abaeté)
Aberto ao público
Foto Bule-Bule: Fernanda Maia
Memória
Sociedade Protetora dos Desvalidos celebra 194 anos no Centro Histórico
A Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD) dá início nesta quarta-feira, 16 de setembro, às 15h, às comemorações de seus 194 anos de história com uma programação cultural gratuita em sua sede, no Largo do Cruzeiro de São Francisco, Centro Histórico de Salvador.
O evento marca o lançamento das obras “Alforria: Sociedade Protetora dos Desvalidos – Crônicas da Cor da Pele”, do jornalista e poeta Fernando Coelho, e “Mulheres de Ganho: Trajetórias Ancestrais”, da presidente da instituição, Lígia Margarida Gomes. Fundada em 1832 por homens negros unidos em um pacto de solidariedade, a instituição se destaca historicamente como o primeiro abrigo e organização civil no Brasil a acolher e apoiar aqueles que viviam do ganho durante o período da escravidão.
A abertura oficial da mais antiga associação negra regulamentada em funcionamento no país celebra a atuação contínua da entidade, que até hoje trabalha em prol da garantia de direitos e da dignidade da população negra.

A tarde contará com apresentações musicais, intervenções poéticas, depoimentos sobre a memória da SPD e a concorrida sessão de autógrafos com os autores.
Literatura, arte e ancestralidade
As publicações que integram o evento dialogam diretamente com a trajetória de acolhimento, mutualismo e luta antirracista construída pela instituição ao longo de quase dois séculos de atuação.
Fernando Coelho apresenta “Alforria: Sociedade Protetora dos Desvalidos – Crônicas da Cor da Pele”, uma investigação contundente pelas ruas de Salvador sobre as cicatrizes da escravidão e o legado de Manuel Victor Serra, fundador da instituição. Com escrita em combustão, o autor denuncia que a escravidão não acabou na Lei Áurea, mas se espalhou nas estruturas, na polícia que atira, na justiça que silencia e na indiferença social que normaliza a morte de corpos negros.
Alforria, palavra árabe que significa liberdade, é aqui tratada como construção: conquista de direitos historicamente negados. Mais que um resgate historiográfico, esta é uma crônica que não pede licença, em vez de conforto, oferece lucidez, o primeiro passo para que a liberdade deixe de ser verbete de dicionário e se torne, de fato, horizonte possível.
A capa do livro traz a pintura a óleo sobre tela (2020) “Mulheres de Ganho, Ontem e Hoje!”, assinada pela artista Luzimar Azevedo. Sobre a obra, a artista aponta que o sexismo e o racismo estruturam a sociedade há séculos, mas ressalta que “as mudanças sociais vêm desenhando novos cenários sobre o papel da mulher, numa luta que ainda está longe de terminar”.
Lígia Margarida Gomes, primeira mulher a presidir a SPD e autora de “Mulheres de Ganho: Trajetórias Ancestrais”, assina um romance lírico que resgata a experiência de Meguenquaar, quitandeira africana capturada na travessia que se torna líder e referência de resistência na Bahia do século XVIII.
A obra mergulha na história das ganhadeiras, retratando a força dessas mulheres que transformaram fé e trabalho em ferramentas de liberdade e futuro. A autora resume a essência de sua escrita ao afirmar: “Fala sobre quem nós somos”.
Serviço
Onde: Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD) – Largo do Cruzeiro de São Francisco, nº 17, Centro Histórico, Salvador (BA).
Quando: 16 de setembro, às 15h.
Quanto: Entrada gratuita.
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