Literatura
Poeta Uyara Nayri lança ‘Eu Quero Falar de Amor’
No dia 12 de novembro (quinta-feira), às 18h30, a poeta, cantora, compositora, escritora e produtora baiana Uyara Nayri lança o seu primeiro livro, intitulado ‘Eu Quero Falar de Amor’, que sai pela FB Publicações (Editora Caramurê). O evento acontece na Academia de Letras da Bahia (ALB), em Salvador. Haverá sessão de autógrafos, bate-papo e performance da autora.
A obra, nascida a partir de um poema homônimo escrito durante o período de isolamento na pandemia, reúne poemas-canção, costurando literatura, música, performance e artes visuais, e dialogando diretamente com as vivências de Nayri nas ruas da periferia, nos trajetos dos ônibus cheios de Salvador, nas escolas públicas e nas comunidades de axé. “Em ‘Eu quero falar de amor’, trago poemas da minha infância, poemas que escrevo desde o ensino médio, versos que interpreto nos ônibus de Salvador e canções consagradas nacionalmente, como na Premiação Luiz Melodia de Canções Afrobrasileiras da Fundação Cultural Palmares”, conta ela.
Selecionada no programa de mentoria da Academia de Letras da Bahia em 2024, a escritora teve seu texto bastante elogiado pelo mentor Ordep Serra, à época presidente da ALB. O professor e antropólogo assina um dos textos da orelha do livro: “Nayri foi, para mim, uma descoberta feliz. Revelou-se dotada de um lirismo natural e profundo que anima seus versos amorosos e de uma sensibilidade que lhe permite explorar, em especial, as riquezas do universo negro e feminino. Leitora infatigável, sempre sequiosa de novos conhecimentos, ela terá, não tenho dúvida, uma bela carreira como pesquisadora e escritora. Este livro dá uma prova da riqueza de tons, da delicadeza e do encanto de sua poesia”. Serra vai mediar o bate-papo na ocasião do lançamento.
A obra também é fruto de uma rigorosa pesquisa acadêmica desenvolvida pela escritora na Universidade Federal da Bahia (UFBA), no âmbito da antropologia da performance, também orientada por Ordep Serra. Expandindo os limites do formato impresso, o projeto ganha contornos de performance visual e instalação, aprovado pelo Programa Ibero-americano de Artes Cênicas (Ibercena). Nele, a poesia se une ao som dos atabaques e a elementos simbólicos como a terra e as Sankofas, conectando a Bahia à África, e propondo a arte e o amor como pedagogias de enfrentamento às violências.
Escritoras celebram densidade lírica
Com fotografia de capa de Juh Almeida e ilustrações de Skarlati Kemblin, o livro traz textos de orelhas, capa e prefácio assinados por nomes femininos importantes da cena artística e intelectual contemporânea. Juntas, elas celebram a densidade lírica e política da estreia de Uyara Nayri. São elas: a antropóloga, ativista e poeta Shirley Campbell Barr (Costa Rica); a escritora, artista e curadora Kpingni Maureen (Costa do Marfim); a compositora, cantora e tradutora Tatiana Nascimento (Brasília), idealizadora do primeiro Slam das Minas no Brasil; e a multiartista poeta, escritora, atriz e produtora cultural NegaFyah (Bahia), criadora do Slam das Minas – BA.
Especializada em feminismo africano e cooperação internacional, Shirley Campbell Barr destaca que a escrita de Uyara Nayri transforma o território negro em ninho, memória e travessia: “Como mulher negra e poeta, é para mim um privilégio dar as boas-vindas ao primeiro livro de Nayri… Este livro desafia as violências do cotidiano para semear afetos, cura e acolhimento. Com a sensibilidade das folhas e a força da água, a autora transforma o afeto em um território vivo de amor e resistência contra as violências que nos cercam”.
Indicada ao Prêmio Oceanos 2025, NegaFyah escreveu o posfácio. “A poética de Nayri nasce de sua trajetória e carrega a experiência do Slam das Minas Bahia, onde foi campeã falando sobre amor. Isso importa porque ainda existe uma expectativa muito difundida sobre o que uma poeta negra, periférica e oriunda da cena do slam deveria dizer: violência, racismo, luta, dor. Como se nossa poesia só pudesse ser reconhecida quando denuncia e põe o dedo na ferida. Nayri escolhe partir em outra direção, entrelaçando as diversas maneiras de amar de nossas comunidades, porque compreende que também precisamos falar do desejo, do prazer, do cuidado, da ternura, da vaidade e da intimidade”, afirma.
Sobre a autora
Uyara Nayri @nayribam é poeta, cantora, compositora, escritora e produtora baiana. Iniciou sua trajetória em slams, saraus e intervenções culturais nos ônibus de Salvador. Venceu o Slam das minas (Bahia). É pesquisadora em Ciências Sociais pela UFBA, com foco na antropologia da performance e nas poéticas negras e periféricas da cidade. Publicou em antologias no Brasil e em Portugal, tendo sua canção ‘Mergulho’ premiada pela Fundação Cultural Palmares. ‘Eu Quero Falar de Amor’ é seu primeiro livro publicado. Como cantora, lançou os singles ‘Noite de uma terça-feira azul’, ‘Axé’, ‘Mergulho’, ‘Convite’ e ‘Aiyê’, com diversas participações, e que podem ser ouvidas em seu perfil no Spotify @Nayri
Serviço
O quê: Lançamento do livro ‘Eu quero falar de amor’, de Uyara Nayri
Bate-papo com a autora e o antropólogo Ordep Serra, performance e sessão de autógrafos
Quando: 12 de novembro (quinta-feira), às 18h30.
Onde: Academia de Letras da Bahia, Av. Joana Angélica, 198, Nazaré, Salvador.
Entrada: Aberta ao público
Formação
FLICA 2026 pauta literatura negra e letramento racial na Tenda Paraguaçu
A 14ª Festa Literária Internacional de Cachoeira – FLICA, que acontece de 5 a 8 de novembro, terá uma programação que aproxima letramento literário e racial durante o Mês da Consciência Negra. Na Tenda Paraguaçu, debates sobre inteligência artificial, racismo algorítmico, ancestralidade e narrativas negras trarão reflexões sobre a conexão entre literatura, educação e tecnologia.
Nomes como Nina da Hora, cientista da computação, pesquisadora e ativista antirracista, a jornalista Miriam Leitão, o especialista em Cultura Zulu Araújo, estão na programação.
Na ocasião, Nina lança o livro “Do rosto ao vetor: uma história da medição do rosto, da eugenia ao algoritmo”, no qual investiga o conceito de epistemicídio computacional, que trata do apagamento ou da distorção de conhecimentos e identidades de grupos historicamente marginalizados.

Nina Da Hora – Acervo Pessoal
“A IA aprende com dados, e os dados que temos no Brasil carregam a nossa história: quem foi abordado pela polícia, quem conseguiu crédito, quem foi fotografado e quem nunca entrou nos registros. Um sistema treinado com isso aprende essas diferenças como se fossem normais e devolve o resultado com cara de decisão técnica. O erro começa antes da máquina, na forma como a gente classifica e representa as pessoas”, analisa.

Sued Nunes – Foto Rogrigo Ladeira
Palco da FLICA
O espaço recebe o sarau “Sued Nunes Não Anda Só”, encontro que reúne vozes negras baianas em performances literárias e musicais refletidas por experiências coletivas de luta contra o racismo. Ao lado da cantora e compositora Sued Nunes, participam Afropecado, poeta marginal, MC e produtora cultural; Duda Santhana, jovem poeta e declamadora; MC Jaynne, rapper e compositora; e Matheus Kawan, escritor, poeta e pesquisador.
“Acredito que nossas vozes e linguagens artísticas, embora distintas, irão se conectar a partir do senso de comunidade e pertencimento. Quando nosso eu se reflete em quem se parece com a gente, os caminhos se povoam pelas experiências compartilhadas. O público pode esperar um encontro crítico e sensível, marcado pelo afeto, ancestralidade e pela potência criativa, em que cada voz fortalece a outra para que, juntos, possamos construir uma narrativa ainda mais poderosa e coletiva”, avalia o poeta.
Já a mesa “Inteligência ancestral, memórias afrofuturistas” reconhecerá as oralidades africanas e diaspóricas como formas de preservar saberes e imaginar novas possibilidades. Integram o bate-papo o escritor afrofuturista Ale Santos, apontado pela Science Fiction Research Association (SFRA) como o mais popular da nova geração, e Cesar Sobrinho, pesquisador, professor e tradutor reconhecido por traduzir do francês para o português contos populares africanos e afrodiaspóricos. A mediação será da professora, pesquisadora e crítica literária Cristian Sales.
“Povos e países que não têm o controle das máquinas, como as Big Techs dos Estados Unidos, são vistos como periferia, sendo que, na história da humanidade, muitas tecnologias vieram de povos amazônicos, africanos e latinos. Elas conseguem constituir um progresso social, harmônico, sustentável e biodiverso muito mais poderoso. As tecnologias culinárias, musicais e artísticas, por exemplo, ajudam a manter tradições, conectar indivíduos durante gerações e preservar o equilíbrio com o meio ambiente”, explica Ale Santos.
A mesa “Inteligência artificial e racismo – Algoritmos da branquitude” encerra a programação da Tenda Paraguaçu com uma reflexão sobre como sistemas de inteligência artificial podem perpetuar estruturas históricas de poder, preconceitos e discriminações.

Nilma Lino Gomes – Foto Leticia Souza
A discussão sobre o racismo nas tecnologias digitais e seus efeitos nas relações étnico-raciais no Brasil contará com Nilma Lino Gomes, pedagoga, escritora e ex-ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, e Tarcízio Silva, pesquisador em políticas tecnológicas, doutor em Ciências Humanas e Sociais e mestre em Comunicação. A mediação ficará a cargo de Jamile Borges, professora e vice-reitora da UFBA.
A proposta curatorial da Tenda Paraguaçu considera a conscientização parte essencial do letramento literário e racial.
“A criança, antes de ler, tem acesso a vários sinais, significados, seja a natureza, oralidade ou histórias contadas pelos seus mais velhos. O livro é uma referência de conhecimento, mas não é a única. A literatura escrita e oral fazem parte da nossa programação, porque a contação de histórias, por exemplo, faz parte desse letramento”, completa o curador Marielson Carvalho.
SERVIÇO:
FLICA 2026
Quando: 5 a 8 de novembro
Onde: Cachoeira-BA
Entrada gratuita
Mais informações:
Instagram: @flicaoficial
Literatura
Professor Dr. Manuel Alves de Sousa Junior vence o Prêmio Jabuti com livro sobre racismo
O pesquisador e professor Manuel Alves de Sousa Junior, radicado na Bahia há 34 anos, é vencedor do 68º Prêmio Jabuti, na categoria Educação, com o livro Como conversar com crianças sobre racismo e diversidade, publicado pela Editora Schreiben. O anúncio foi realizado nesta terça-feira (27), durante a cerimônia de premiação na Sala São Paulo, na capital paulista. A conquista reconhece a obra dedicada à discussão das relações raciais desde a infância e coloca o pesquisador baiano entre os destaques da produção intelectual brasileira.
Doutor em Educação pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), historiador e professor do Instituto Federal da Bahia (IFBA), campus Lauro de Freitas, Manuel Alves de Sousa Junior é autor de 32 livros, com produção voltada especialmente às áreas de educação, história, cultura e relações raciais. Atualmente, coordena a Especialização em História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena do IFBA. Também é colunista do Soteroprosa e administrador do perfil @debateracialpolitico, dedicado a discussões sobre relações raciais e política.
“Receber o Prêmio Jabuti é uma emoção que ainda estou tentando compreender. Esse reconhecimento não é apenas sobre um livro, mas sobre a importância de falar de racismo e diversidade desde a infância, com responsabilidade e compromisso com a educação. Espero que essa conquista ajude a levar essa conversa a mais escolas, famílias e espaços de formação. Agradeço a todas as pessoas que fazem parte da minha trajetória e que acreditam na construção de uma educação antirracista”, afirma Manuel.
Publicado pela Editora Schreiben, Como conversar com crianças sobre racismo e diversidade aborda a importância de estabelecer, desde os primeiros anos de vida, diálogos sobre diferenças, identidade e relações raciais. A obra se relaciona à trajetória acadêmica e profissional do pesquisador, que desenvolve trabalhos voltados à educação e à ampliação do debate racial dentro e fora dos espaços acadêmicos.
Criado em 1958 pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Prêmio Jabuti é uma das mais tradicionais premiações do livro no país. Ao longo de suas 68 edições, consolidou-se como referência no mercado editorial brasileiro, reconhecendo autores, obras e profissionais que contribuem para a produção literária, intelectual e cultural nacional. A vitória na categoria Educação representa um reconhecimento relevante para uma obra que propõe discutir questões fundamentais da sociedade brasileira a partir da infância.
A conquista acontece em um ano de importantes avanços na trajetória de Manuel. Em janeiro, o pesquisador foi eleito para a Academia de Cultura da Bahia e, mais recentemente, passou a integrar a Academia de Cultura e Artes de Ipitanga, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador. Em 2026, também participou da Bienal do Livro Bahia e da Bienal do Livro de São Paulo, ampliando a circulação de seu trabalho em espaços de encontro entre escritores, leitores e profissionais do mercado editorial.
O prêmio amplia a visibilidade nacional da produção de Manuel Alves de Sousa Junior e reforça a relevância de publicações que abordam a educação antirracista. Em um país marcado por desigualdades raciais históricas, discutir como crianças compreendem as diferenças e constroem suas percepções sobre o mundo é parte importante do trabalho educativo. Com a conquista do Jabuti, o pesquisador baiano ganha novo espaço para ampliar essa discussão e fazer sua obra chegar a outros públicos.
Literatura
Escritora Claudia Alexandre lança obras infantojuvenis no MUNCAB
O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) recebe n dia 7 de Novembro, o evento oficial de lançamento dos livros infantojuvenis da jornalista, pesquisadora e escritora Claudia Alexandre: “Exu Mulher e o Mundo dos Homens” (Editora Aruanda) e “Tia Ciata e o Mistério da Foto” (Editora Cortez).
O lançamento contará com uma ação conduzida pelos contadores de histórias Mário Omar e Maria Teixeira e Rick Carvalho, músico pesquisador de instrumentos africanos.
“Lançar esses livros no MUNCAB, em Salvador, é celebrar a força da nossa ancestralidade no lugar onde a história respira. Queremos que as crianças se reconheçam, perguntem e se divirtam com a literatura”, como destaca a Livraria Katuka
Sobre as obras:
Tia Ciata e o Mistério da Foto (Editora Cortez): A obra convida os jovens leitores a uma jornada de investigação sobre a memória e a relevância histórica de Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, figura central para a cultura brasileira e o samba.

Mario Omar e Rick Carvalho
Exu Mulher e o Mundo dos Homens (Editora Aruanda): Através de uma linguagem poética e acessível, a publicação aborda a sabedoria, o protagonismo feminino e o respeito às matrizes africanas, aproximando o público infantojuvenil de conceitos ancestrais desmistificados.
Serviço:
Evento: Lançamento dos livros “Exu Mulher e o Mundo dos Homens” e “Tia Ciata e o Mistério da Foto”, de Claudia Alexandre
Data: 07 de Novembro de 2026
Horário: 14h
Local: Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB)
Endereço: Rua das Vassouras, 25 – Centro Histórico, Salvador – BA
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre (indicado para crianças, jovens e educadores)
Fotos: Arquivos Pessoais
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